Conto

Um halloween que jamais irás esquecer!

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AVISO: O conto de Halloween que se segue não é um conto comum. Este conto pode e vai ferir a susceptibilidade de pessoas mais sensíveis. Se se impressiona com situações fortes evite lê-lo sob pena de passar a olhar para este dia com outros olhos…

Eram 21h. A hora que a Joana tinha combinado com as suas amigas para irem brincar ao “doces ou travessuras”. (Mais uma das malfadadas tradições que os portugueses teimam em importar dos Estados Unidos) Mas para Joana este “doces ou travessuras” tinha um sabor especial pois seria a primeira vez que iria sair à noite com as suas amigas.

Primeiro chegou a Carla, depois a Teresa e por fim a Ana. Estavam as quatro vestidas a rigor, mas com fatos que mais pareciam saídos de um filme para adultos do que adequados para a noite das bruxas. Joana ostentava o fato de enfermeira/zombie que mostrava mais do que era suposto, Carla ia de Diabinha provocadora, Teresa usava um vestido de bruxa sexy, e por fim Ana que ostentava um lençol que mal lhe tapava as pernas. Segundo ela estava vestida de fantasminha brincalhona. Mal se juntaram as quatro decidiram que o melhor mesmo era irem pregar partidas para a zona do Cais do Sodré, assim não corriam o risco de serem vistas por alguém que as conhecesse e com um pouco de sorte ainda conseguiriam entrar à socapa em algum bar onde o porteiro não percebesse, ou não quisesse saber, que elas apenas tinham 13 anos.

  • Meninas, hoje a noite vai ser ES-PÉ-TA-CU-LAR! Vocês vão ver, vai ser uma noite que jamais iremos esquecer!
  • Tens toda a razão Carla. Vai ser a loucura!
  • Vamos comer tantos, mas tantos doces que amanhã até nos vai doer a barriga!
  • Ah! Ah! Doces Joana?! Doces?! Só se forem aqueles rapazes docinhos que ali estão, sua tonta. Ou tu achas mesmo que eu com esta idade e com esta fatiota vou andar por aí a pedir doces de porta em porta?! Tu tem juízo miúda. Vou é apanhar uma bebedeira e ver se consigo sacar alguns números de telefone.
  • Mas… Mas… Mas não tínhamos combinado que vínhamos para o Cais do Sodré pedir “doces ou travessuras”?
  • Sim… Quer dizer… Mais ou menos. Na minha cabeça eu combinei foi que viríamos para aqui pedir travessuras aos doces que por aí andam… Ah! Ah! Ah! Perceberam meninas?!
  • Ah! Ah! Ah!

Enquanto Carla, Teresa e Ana se riam, Joana começava a ficar preocupada. Então mas afinal não tinham ido até ali para pedirem doces? Ela tinha prometido aos pais que chegaria cedo a casa e com um saco cheio de doces. Então e agora?! O que podia ela fazer? Não!!! Tinha de convencer as suas amigas que elas até podiam ir sair depois mas antes tinham mesmo de ir pedir doces de porta em porta.

  • Meninas, desculpem lá mas temos de ir pedir doces! Eu sei que vocês estão desejosas de ir conhecer uns rapazes, mas se eu chego a casa sem nada para mostrar os meus pais eles põe-me de castigo até ao ano que vem. Vá… Vamos lá. Preciso de vocês!
  • Ok, menina do papá! Mas não finjas que não queres ir conhecer rapazes porque se assim fosse não tinhas vindo com essa mini, mini, mini saia. Hi! Hi! Hi!
  • Não sejas parva Teresa. Esta roupa foi do Carnaval de há 2 anos, não tenho a culpa que me fique apertada. Para além do mais eu queria vir de fantasma só que a Ana disse primeiro.

E assim foi. As quatro amigas lá foram pelas ruas do Cais do Sodré pedir alguns doces a quem lhes decidia abrir a porta. No entanto a tarefa não estava a ser nada fácil. Ora não abriam a porta, ora julgavam que elas eram vendedoras da NOS mascaradas, ou pura e simplesmente não tinham doces para lhes dar. É que afinal de contas esta tradição é assim muito recente em terras lusas e os portugueses não costumam ter propriamente as casas cheias de guloseimas… Passado mais de meia hora já as amigas estavam fartas. Já passava das 22h00 e os bares começavam a encher. Era agora ou nunca, até porque o Pai da Ana tinha combinado de as vir buscar à meia-noite.

  • Joana, desculpa lá mas está na hora. Se queremos aproveitar alguma coisa do Halloween temos que ir agora embora, antes que esta noite das bruxas passe a ser conhecida como a noite onde saquei mais delícias do mar, rebuçados rançosos e pastilhas sem açúcar na minha vida. Nós viemos contigo fazer aquilo que tu querias, agora é a tua vez de vires connosco fazer o que nós queremos!
  • Mas… Mas… Mas isto não é o que eu quero, é o que nós combinámos. E se queres que te diga achei muito fofinho daquela senhora ter-nos dado as delícias do mar. Ela não tinha doces, sabias?!
  • Simmmm… Está bem…. Epá tu aborreces-me. – disse Teresa – Quando é que vais deixar de ser essa sonsinha, menina do papá, armada em inocente?! Sabes que mais? Nós vamos embora. Ou vens connosco ou vais pedir marisco congelado sozinha!
  • Vá Teresa, não sejas assim também. – disse Ana – Ela vem connosco. Vens, não vens?!
  • Não Ana. Não vou… Estou a ver que a minha companhia não é desejada. Vão vocês, não se preocupem. Eu cá me arranjo. Vou a mais duas ou três casas e depois ligo ‘AO MEU PAPÁ para me vir buscar. Adeusinho.

E assim foi. Enquanto Ana, Teresa e Carla foram em direcção à Pensão Amor, um bar muito badalado onde estava a decorrer uma festa de Halloween, na tentativa que o porteiro as deixasse entrar, Joana seguiu a sua demanda por doces nas ruas de Lisboa.

  • Olha que sinceramente… Belas amigas que aquelas tipas me saíram. Deixem estar… Quando precisarem de mim logo as mando irem pedir ‘delícias do mar’ para outro lado.

TRIIMM!!

  • Quem é?!
  • Doces ou travessuras!
  • Ah! Ah! Ah! Não sabia que também faziam disco cá em Portugal. Come up, come up! – disse John um turista americano que se encontrava em Lisboa de férias.
  • Obrigada.
    So… You want a treat?!
  • Como?!
    Queres um docinho, minha menina? Um Treat. Sabes, lá no sítio onde eu vivo, todos os anos há meninas, tal como tu, a pedir treats porta a porta. É um costume muito nice. Mas por lá as young girls costumam vir sempre  acompanhadas pelas amigas. Nunca tinha visto uma que viesse alone.
  • Ó… Sim. Mas eu não estou sozinha. Estou com as minhas amigas. Só que elas preferiram ir para um bar em vez de virem pedir doces.
  • Is that so… Well. Então aguarda um pouco que o John vai ver o que tem ali para ti.

Enquanto esperava Joana olhou para todos os lados. A casa era gigante. Muito bem decorada. Na sala tinha uma televisão gigante, dois iPads pousados em cima da mesa de centro e quatro ou cinco telemóveis espalhados pelo sofá. Quem quer que fosse este sujeito devia ter imenso dinheiro – pensou ela.

  • Well… Parece que é our lucky day. Teu, porque tenho aqui um saco cheio de gomas e meu porque não terás de me fazer nenhuma travessura. Ah! Ah! Ah!
  • Que bom… Obrigado Sr…
  • John. O meu nome é John. E o teu?
  • Joana. Prazer! – disse-lhe ela enquanto estendia a mão para lhe dar um aperto de mão.
  • Joanne, Joanne, onde está o calor humano típico do povo português?! Guarda lá essa mão no bolso. Venham de lá essas beijocas. – e sem que Joana pudesse fazer algo contra John puxou-a pela mão e deu-lhe dois beijos na cara.

Joana ficou corada! Não que John fosse um tipo mal parecido. Muito pelo contrário. Os seus, talvez 40 anos, assentavam-lhe como uma luva. Cabelo loiro, olhos azuis, um sorriso capaz de derreter qualquer adolescente, braços fortes e musculados e muito bem vestido… Mas ela não estava à espera daqueles dois beijos na face. Ao fim ao cabo John era um desconhecido e os pais dela sempre lhe tinham dito para ter muito cuidado com os desconhecidos. Especialmente se fossem mais velhos. E foi durante esse mesmo momento ela percebeu que tinha de se ir embora. Levantou-se, ajeitou a roupa, e disse a John:

  • Bom. Muito obrigada mas tenho de ir embora. Foi um prazer. Muito obrigada pelas gomas. Adeusinho.
  • Calma… Calma… Mas acabaste de chegar. Porquê que te vais embora já? Certamente estás cansada de tanto andar com esses sapatos tão altos. Descalça-te, põe-te à vontade. Queres um copo de água?! Não… Tu já és uma adolescente tu queres é uma cerveja, ou um copo de vinho, acertei?
  • Não obrigada. Eu quero mesmo é ir embora.
  • Não minha menina… Não queres! Tu queres mesmo é o que eu quiser…

E nesse momento John agarrou a Joana de forma súbita. Joana não podia acreditar no que estava a acontecer… Porquê?! Porquê a ela?! Ela que nem gostava de sair à noite. Ela que sempre se comportou bem. Ela que só queria vir sair à noite com as amigas para receber uns doces e fazer umas travessuras. Porquê?!

Joana gritou, esbracejou, tentou fugir, mas nada disso resultou. John era grande, forte, musculado. Ele apoderou-se do frágil corpo dela sem que ela pudesse fazer o que quer que fosse… Joana chorava. As lágrimas escorriam-lhe fio a fio pela sua face enquanto John lhe levava aquilo que ela mais prezava: a sua inocência.
Quando John terminou de fazer o que queria levantou-se, atirou o saco de gomas para cima da Joana e disse-lhe.

  • Toma… Aqui tens os teus treats. Eu já tive a minha travessura! Agora veste-te e desaparece-me da vista. Ah! E se contares a alguém o que se passou aqui i promisse you que será bem pior para ti e para a tua família… O teu cell phone fica comigo. Diz que o perdeste. Inventa uma desculpa. Fica cá para eu te encontrar se resolveres abrir o bico.

A pobre Joana desceu o mais rápido que pôde. Fugiu, correu, gritou. A dor física que sentia não se comparava à dor psicológica que aquela besta lhe havia causado. “Porquê?! Porquê ela?!” Estas eram as únicas coisas que conseguia pensar naquele momento. Quando finalmente parou de correr olhou em frente e lá estavam elas, as suas amigas. Carla, Ana e Teresa. As três amigas que não a tinham ajudado e estavam naquele preciso instante ali diante dela, todas felizes e contentes a entrarem para dentro do carro do pai da Ana.

  • Joana, Joana! Aí estás tu. Estávamos preocupadas contigo. Vá, anda… Entra no carro que o Pai da Ana deixa-nos em casa.
  • Boas Ana, bem… Estás com um ar… Vejo que a tua noite foi mesmo de bruxas. – disse o Sr. Zé, o Pai da Ana.
  • Sim, Sr. Zé, está tudo bem. Foram só umas travessuras que me fizeram…

E lá foram elas. Ana, Teresa, Carla e Joana foram as quatro para as suas casas. As primeiras três continuaram com a sua vida normal, mas Joana nunca mais foi a mesma. Não contou a ninguém o que se passou naquela noite pois teve medo de John. Teve medo do que ele lhe pudesse fazer se contasse, do que podia fazer aos seus pais e, acima de tudo, teve vergonha do que toda a escola iria pensar quando se soubesse o que se tinha passado naquela noite de Halloween…

FIM!

Nota do autor: Infelizmente como a Joana, existem muitas outras meninas que passam por este tipo de situações. Os monstros existem! Não os enormes, gigantes, com pêlos nas orelhas e ar de mau, mas sim os pequenos, horríveis monstros disfarçados de pessoas. Aqueles que aparentam ser boas pessoas mas na realidade são bem piores que qualquer monstro que possamos imaginar…
Este conto serve apenas para alertar a todas as “Joanas” deste Mundo que andar na rua sozinha é perigoso e confiar em desconhecidos ainda mais. Infelizmente este tipo de situações acontece todos os dias e não apenas no dia das bruxas, por isso meninas tenham muito cuidado com os monstros que andam por aí…

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