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The Hunger Games: A Revolta Parte 2

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The Hunger Games marca sempre uma data histórica para mim, o começo da escrita de reviews de cinema para o antigo Magazine Mais Opinião. O ano passado, já como Ideias e Opiniões falei-vos de The Hunger Games: A Revolta Parte 1, e agora, 12 ilustres meses depois, chega a sequela que estreou na passada quinta-feira nos cinemas nacionais e mundiais. O que fica deste último capitulo da saga de Katniss Everdeen? E que legado nos deixa?

64324dc6-6856-11e5-9b43-005056b70bb8Título Original: The Hunger Games: Mockingjay – Part 2

Ano: 2015

Realizador: Francis Lawrence

Produção: Nina Jacobson, Jon Kilik, Suzanne Collins

Argumento: Peter Craig, Danny Strong, Suzanne Collins

Actores: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Donald Sutherland

Musica: James Newton Howard

Género: Aventura, Ficção Cientifica

Ficha técnica completa em: 

http://www.imdb.com/title/tt1951266/

Podia ter sido ontem que falamos da primeira parte, e para grandes ironias, também Parte 2 dá a percepção que nunca deixámos o cinema. Não há um intro, e também não há um corte temporal evidente, é como se o filme tivesse simplesmente continuado, como se um ano de espera se resumisse a um mero intervalo de 7 minutos no cinema. Para bem, ou para o mal, esta continuidade dá coesão a todo este gigantesco terceiro capitulo.

A Revolta Parte 2 continua muitos dos temas explorados, afastando-se mais uma vez da temática dos Jogos de Fome, como luta de arena entre distritos. Mais uma vez a narrativa é assombrada  por um certo sentimento claustrofóbico, onde Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) está encurralada entre grupos politico-militares, que de uma maneira ou de outra, a querem usar como mártir da revolução, na sua concretização ou destruição. As forças do Presidente Snow (Donald Sutherland) lutam contra um movimento de rebeldes, onde o bem e o mal é separado por uma linha ténue, que se desvanece à medida que a história se desenrola. As alianças de Katniss Everdeen são testadas, e toda a ambiência e conflito bélico vêm ao de cima.

Se os acontecimentos de Parte 1 tinham sido na sua quase totalidade na periferia e na reclusão de uma base secreta, Parte 2 não só continua os temas relacionados com propaganda de guerra, como dá uma perspectiva real e única sobre as verdadeiras vitimas da revolta em Panem. A guerra acaba por chegar às populações inocentes, e a moralidade, o ideal de liberdade, e a revolta contra o regime imposto confundem-se com um espírito cada vez mais vingativo, que toca a protagonista e os que a rodeiam. A critica à sede de poder é também cada vez mais evidente, numa historia onde até as aparentes “forças do bem”, que tentam libertar Panem da opressão de Snow, parecem cair na tentação de utilizar as mesmas estratégias do vilão para atingir os seus intentos. A critica a revoluções falhadas está bem patente perto do fim da narrativa, onde um mal parece ser simplesmente substituído por outro de igual medida.

Muito mais perto do conflito, Katniss vê a batalha de uma perspectiva pessoal, e para isso muito contribui o total foco na personagem, tal como em Parte 1. Os sacrifícios de quem luta pela causa da resistência, e de quem é apanhado no meio da troca de tiros entre grupos, vai como sempre, modificar a personagem de forma evidente até ao final da narrativa, que embora original, é também previsível, até para quem não leu os livros de Suzanne Collins.

Num mundo de Panem que parece tão real, e onde a cinematografia escolhe uma palete de cores acinzentada e fria, alguns elementos surreais acabam por ameaçar a integridade do filme, mesmos quando fazem realmente parte do livro. Sem querer revelar muito, existem momentos do filme onde a ficção parece querer arruinar as suas própria regras. A cena que envolve mutantes parece destoar num universo tão rico e até então baseado em concepções que batiam com a nossa realidade de forma avassaladora. Mesmo assim não estamos na presença duma historia que engole as suas próprias regras e se torna num caos conceptual. Pelo contrário, mesmo com estes elementos surreais, The Hunger Games, sobrevive e destaca-se pela positiva pela sua abordagem decadente nas suas várias dimensões.

Algumas opiniões sobre o elenco destacam a sua qualidade mas referem esta saga como não merecedora dos actores que tem. São conclusões inerentes a uma necessidade de desvalorizar um blockbuster porque é um filme para as massas. The Hunger Games é um filme muito mais complexo do que parece, e se a saga resultou tão bem nesta adaptação muito deve a actores como Lawrence e Sutherland, dois lados opostos até na vida real, entre a nova actriz já devidamente galardoada com óscar e com uma longa carreira pela frente, e o clássico do velho veterano, que parece estar em toda e qualquer produção (até na publicidade para o Rock in Rio Lisboa!). Grandes actores de todas as idades acabam por transformar este filme numa passagem de testemunho incrível. Se Jennifer Lawrence já tinha dado cartas durante toda a saga, neste filme o desafio é derradeiro, e mais uma vez, interpreta na perfeição Katniss Everdeen, uma personagem que em nada se parece com a  Lawrence extrovertida da passadeira vermelha. Já Sutherland consegue construir um vilão capaz de tudo, mas inteligente, credível, carismático e ponderado, com quem até conseguimos durante certo momento simpatizar, mas que tememos, mesmo sendo apenas um ancião.

Destacam-se também o resto dos actores, embora nem sempre a narrativa ajude. As personagens de Josh Hutcherson (Peeta) e Liam Hemsworth (Gale) estão lá claramente para criar tensão romântica, que acaba por se perder no filme, mas não podemos acusar os actores de falta de empenho. Alguns elementos secundários provocam mais interesse na audiência do que os elementos masculinos do triângulo amoroso de Katniss, mas mesmo assim não são desenvolvidos o suficiente. A estrela é Lawrence porque a narrativa é de Katniss. Este facto tem mais de positivo do que de negativo, mas olhando de ponto de vista geral, e por mais que o livro se apresente do mesmo modo, faltava um pouco mais.

Espaço ainda para falar de Philip Seymour Hoffman, num dos seus últimos papeis antes da sua trágica morte. O actor teria cerca de 80% a 90% das suas cenas gravadas mas é óbvio no final que algumas escolhas tiveram de ser executadas para que não se perdesse credibilidade. As soluções são subtis e o fim é um gesto de homenagem  a um dos grandes nomes do cinema dos últimos anos.

Mais uma vez, também a musica de James Newton Howard desmarca-se pela positiva, com temas que evocam a emoção de todas as cenas e demarcam-se onde é necessário. Jennifer Lawrence dá mais uma vez voz a uma das canções do filme, Deep in the Meadow (Lullaby). Não é tão poderosa como The Hanging Tree mas é completamente audível.

A Revolta Parte 2 é um filme que completa o ciclo de uma saga coesa, tal como tinham sido outras como Harry Potter. O final é emotivo, mas é demasiado pessoal. O destino de Katniss é devidamente concluído, mas outras personagens perdem-se neste foco na protagonista. Também o destino de Panem parece apresentar um bom caminho, mas acaba por soar distante depois de horas e horas de luta que presenciamos no ecrã. Embora com alguns pontos negativos assinaláveis a qualidade The Hunger Games mantém-se, num filme que levanta questões sobre o mundo em que vivemos e sobre as verdadeiras motivações das estruturas que nos governam, por vezes numa barbárie muito próxima da nossa.

Capitão Phillips e Lobo de Wall Street8,0

Volto para o próximo mês com mais cinema, e se tudo correr bem, com a review de Star Wars: O Despertar da Força

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