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Star Wars: Knights of the Old Republic II – The Sith Lords

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E se um jogo com 11 anos fosse de repente alvo de um patch que possibilita jogar em widescreen e a 4k e 5k e que adiciona suporte da Steam Workshop? Não é todos os dias, nem de forma tão inesperada mas aconteceu com Knights of the Old Republic II – The Sith Lords (2004). Esta foi uma grande surpresa que alegrou fãs por todo o mundo. A saga de KOTOR (Knights of the Old Republic) não é certamente a mais adaptável a sistemas operativos novos sendo necessário muitas artimanhas só para iniciar o jogo e mais umas quantas para possibilitar resoluções mais altas. Este novo patch veio facilitar todo o processo e é o pretexto para a minha crónica de videojogos do Ideias & Opiniões deste mês. Regressamos ao passado e a um dos melhores RPGs de sempre, que mesmo com os seus inúmeros defeitos vive no coração de muitos gamers pela sua abordagem ao universo Star Wars.

Em 2003, a Bioware uma companhia cimentada mas ainda longe dos grandes e mais recentes sucessos como Dragon Age e Mass Effect, aventurou-se no universo de Star Wars desenvolvendo um RPG baseado numa narrativa que apresenta uma galáxia 4000 anos anterior à saga de filmes de George Lucas. Star Wars: Kinghts of the Old Republic desenvolvido no motor de jogo Odyssey depressa se tornou um sucesso graças à sua história e à sua abordagem inteligente ao sucesso do universo mais conhecido do cinema. Com um dos melhores plot twists da história dos videojogos KOTOR tornou-se um sucesso obrigatório que esperava por uma sequela.

A Bioware interessada em desenvolver títulos originais confiou os direitos de KOTOR à Obsidian Entertainment, uma empresa desconhecida fundada em 2003 e que curiosamente tem beneficiado da confiança de outras com resultados positivos como Fallout: New Vegas (2010), confiado pela Bethesda e que foi um êxito. Esta passagem de testemunho originou Knights of the Old Republic II: The Sith Lords, um jogo que começou a ser desenvolvido imediatamente após o lançamento do primeiro.

Knights of the Old Republic II: The Sith Lords retrata a história de um jedi no exílio, expulso da ordem por ter desobedecido juntamente com outras centenas de jedi a ordens explicitas do Conselho para que não interferissem no conflito entre Republica e os Mandalorians (uma espécie de mongóis intergalácticos). Embora por aparentes bons motivos, o de evitar a morte de inocentes, depressa o líder destes jedi desobedientes, Revan, é convertido ao lado negro da Força resultando numa guerra civil dentro da ordem jedi.

O primeiro jogo da saga segue as pisadas de uma personagem com amnésia que depressa descobre ser portador do poder da Força. O objectivo principal é vencer Darth Malak, aprendiz de Revan, este ultimo presumivelmente morto desde o inicio da trama. KOTOR 2 passa-se cinco anos depois dos acontecimentos de KOTOR  e a galáxia está a beira do colapso. Os sith aproveitando as fraquezas da ordem perseguiram e mataram quase todos os cavaleiros jedi da galáxia. O protagonista, embora exilado, é perseguido e visto subitamente como uma das únicas salvações para a continuação da paz da galáxia e para isso tem de combater um peculiar triunvirato de sith cada um mais poderoso e peculiar que o outro, enquanto tenta reconstruir, ou destruir, o que resta da presença dos jedi na galáxia.

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A narrativa de KOTOR 2 é muito mais obscura que qualquer outro jogo de Star Wars e as suas personagens crípticas e misteriosas. Este é um dos pontos a favor do videojogo que infelizmente torna a história confusa. Pressionado para sair em Dezembro de 2004 KOTOR 2 acabou por apresentar um produto incompleto com bugs e buracos na narrativa. Depois de alguns anos muito desse conteúdo foi restaurado com a ajuda de fãs e é por isso aconselhável que a recente adição de Steam Workshop seja usada para instalar o mod The Sith Lords Restored Content. Muito do conteúdo não adicionado estava mantido na linhas de código do jogo sendo apenas necessário aos modders descobrir, activar e modificar estas codificações. A história está por isso mais concisa e mais apelativa oferecendo uma experiência muito melhor do que a presenciada em 2004 para Xbox e em 2005 para PC.

Knights of the Old Republic II: The Sith Lords não envelheceu bem, nem em termos de compatibilidade com novo OS nem em termos gráficos. É um fruto de outro tempos e por isso todas as animações de combate, interacções entre personagens e a própria maneira como o combate é feito, por clicks em ataques que a personagem executa sozinha, estão bastante desactualizadas. Ora um membro da equipa fica preso em barreiras invisíveis do mapa ou atrapalha-se com as ordens dadas ficando preso num outro companheiro sendo incapaz de atacar. Todo isto tem um desconto de 11 anos, e não deve ser levado muito a sério, obviamente!

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Muitas dos pormenores continuam a deixar memorias mesmo 11 anos depois, desde as peças horríveis que as personagens podem usar como capacete (e que não tem a desculpa dos 11 anos!) até aos diálogos entre personagens que aos poucos vão ressuscitando a relação conturbada e a rivalidade entre heróis e vilões que são obrigados a conviver na nave do protagonista, a Ebon Hawk, uma espécie de versão muito mais simples do que seria mais tarde a SVV Normandy de Mass Effect (2007-).

A possibilidade de visitar diversos planetas do universo Star Wars é também um dos pontos fortes do jogo, embora o conceito de universo aberto ao jogador de 2004 não seja o mesmo que agora inunda os RPGs modernos. A liberdade da saga de KOTOR era no entanto um marco na altura do seu lançamento e continua a deixar a sua marca positiva mesmo tantos anos depois.

O protagonista silencioso, marco de uma era de RPGs onde o fenómeno era frequente porque supostamente criava imersão, facilita também a variedade de perguntas e respostas possíveis. Fãs de Mass Effect e do mais recente Dragon Age: Inquisition habituados a uma interface rotativa de quatro ou cinco possibilidades sentiram o pico da liberdade mesmo que não possam ouvir a voz da sua personagem. Nenhuma destas escolhas está também filtrada por cores ou indicações de moralidade o que apela ao esforço mental e compreensão das consequências.

As várias personagens estão também receptivas ás acções do protagonista quer criticando como incentivando consoante a atitude tomada pelo jogador. Isto afecta a influência e a confiança da sua equipa e contribui para desbloquear novas opções de dialogo que ajudam a perceber as motivações de cada uma. Esta influência é também bastante importante pois certos membros da party podem ser eventualmente treinados para ser jedi ou sith.

A interface podia ser mais intuitiva e dinâmica, o inventário nem sempre é o mais organizado mesmo com inúmeros filtros. O sistema de evolução de personagem remonta a uma era onde a atribuição de pontos era fulcral para uma boa experiência e a escolha de habilidades fundamental para facilitar cercas secções do mapa, factos que por vezes em experiências mais modernas se encontram facilitados com uma quase automatização dos atributos. KOTOR 2 apresenta também, em relação ao seu antecessor, um maior número de habilidades que contribuem para uma grande variedade adaptada a diversas situações.

Também o equipamento foi extensamente melhorado em relação a KOTOR 1 com possibilidade de melhoramentos mais extensos que tornam as personagens mais poderosas e se adaptam às prioridades do jogador. A arma do jedi, o lightsaber, demora consideravelmente mais tempo a adquirir do que na instalação anterior, mas isso apenas destaca a sua importância. Também cores foram adicionadas com cores desde o neutro tom prateado até ao ridículo laranja. As hipóteses são variadas num sistema muito mais complexo que o de muitos RPGs modernos.

A música encarregue a Mark Griskey ajuda a criar o ambiente sombrio da história aproximando-se mais de John Williams do que Jeremy Soule em Knights of the Old Republic com peças nostálgicas como The Sith Lords ou Rebuilt Jedi Enclave.

Knights of the Old Republic II: The Sith Lords anseia por uma sequela que dispense a incomodidade do MMO The Old Republic, que embora tenha concretizado uma continuação para a saga falhou em trazer a profundidade de um RPG singleplayer. Esperamos por isso que um dia a Obsidian, que já tinha uma ideia de como seria KOTOR 3, ou até mesmo a Bioware, possa continuar o projecto. Este update inesperado dá esperanças aos mais pacientes que já teorizam o regresso da saga.

KOTOR 2 é um clássico, e mesmo passado 11 anos mantém a magia de Star Wars intacta com personagens interessantes num registo sombrio nunca presenciado na saga. De Nar Shaddaa a Korriban, planetas icónicos do universo expandido (agora intitulado Legends), a aventura peca pela confusão da narrativa derivada de pontas soltas e incompletas que embora corrigidas com a ajuda da comunidade estão ainda impressas no produto final. Isso não lhe tira o mérito nem a qualidade sendo um dos melhores RPGs de sempre e componente obrigatória na prateleira física ou digital de qualquer fã de RPGs.


KOTOR 2

 Volto para o próximo mês com mais videojogos…

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