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Socorro! Não Jogo Pokemon Go! O que fazer?

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Tens uma especial aversão por Pokemon? Tiveste outras prioridades animadas nos 90? Estiveste a protestar sobre a imaturidade dos que jogam Pokemon Go, quando há uns meses compraste toda a merchandising de Star Wars que havia na loja da Disney? O que fazer quando mais de metade do mundo está completamente focada numa moda que, no máximo, vai durar três meses? Pelo menos até aos jogadores casuais ficarem aborrecidos e os hardcore abdicarem da sua vida social e sentimental para encher os bolsos da Nintendo à base da compra de pokebolas! O que fazer também, quando os elitistas resolvem afirmar que Pokemon Go é a app mais inovadora da história e como criticar tais criaturas, infelizmente reais, que não desaparecem nem olhando directamente para elas pela câmara do telemóvel? Se disseste “sim” a todas estas coisas, este artigo é para ti!

Eu, como algumas crianças dos 90 vimos a primeira série de Pokemon com grande afinco. Vendo em perspectiva e com algumas analogias, Pokemon tinha alguma repetição, o que parece não importar às crianças de tenra idade. A chegada dos Team Rocket e a sua subsequente derrota, estava um pouco como a transformação de um pequeno monstro num Godzilla medonho, que um Megazord tinha de destruir num set claramente feito em esferovite, em Power Rangers. Os telespectadores queriam mesmo era ver onde Ash e seus amigos iam chegar, da mesma forma que pessoas como eu aproveitavam as pequenas diferenças de plot entre episódios em Power Rangers, para ver onde aquilo ia parar. Normalmente, chegávamos aquele episódio caótico em que os heróis eram vencidos e de seguida reerguiam-se das cinzas com um robô ainda maior, de forma a quebrar uma repetição, para começar outra. Outras pessoas da mesma geração acabaram por encontrar algo menos repetitivo e mais complexo em Digimon, com uma primeira temporada sublime e uma segunda definitivamente “okay”. Equipas à parte, eram dois animes que entretinham a criançada, quando os desenhos animados se estendiam até ao programa da manhã, antes dos tempos negros… antes dos noticiários de madrugada em loop!

Acontece que Pokemon gerou, também, uma onda em volta dos seus videojogos, que eram umas das únicas razões de ser para se ter um Gameboy. Raramente joguei a qualquer destes jogos, especialmente porque o meu primeiro Gameboy foi basicamente um dos primeiros Gameboy da história, com imagem a preto e branco, já em segunda mão e emprestado! A verdade é que Pokemon, com todas as suas qualidades e defeitos me passou ao lado de forma flagrante e mesmo agora, uma década e muito depois, não é de estranhar que me tenha afastado da moda do momento. No entanto, estar afastado não significa alimentar uma espécie de dor de cotovelo. Até porque muitos dos problemas que tornam o jogo insuportável, não partem do próprio jogo, mas sim dos jogadores. Eu como várias pessoas, não quero jogar Pokemon Go e, a primeira coisa a fazer, antes de culpar o jogo por uma percentagem ínfima de jogadores que interrompem o trânsito, é no fundo….

Respirar!

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Apanhar um Pokemon a 120km/h na autoestrada? Impossível, mas parece-me uma excelente ideia!

Sim, é simples! Para quem vê de fora e observa as suas próprias neuras sabe que uma moda tem no máximo 3 ou 4 meses de loucura profunda e volta ao seu cantinho, assim que a novidade acaba. Muitos quiseram recordar a infância, outros foram puxados para esse submundo da delinquência e partiram para a Síria de forma a juntar-se ao Estado Islâmico! Não, estou a brincar! Saíram só à rua de telemóvel na mão procurando criaturas fofas e lendárias para capturar. Não é propriamente uma situação apocalíptica, mas há riscos claros que obrigaram a PSP a fazer todo o cardápio sobre senso comum. Não há qualquer desculpa para morrer caçando Pokemons e, se houver, é justa a atribuição de Darwin Award. O maior problema é quando esta caça a criaturas míticas, se transforma num transtorno para quem passeia, ou conduz na via pública. E claro, há inúmeras actividades que transtornam a via publica, ou seja, a culpa não é definitivamente do jogo, mas sim das pessoas que abusam ou exploram a aplicação de forma doentia.

A cobertura dos media é também demasiado fastidiosa e a moda está de tal modo enraizada, que já existem pessoas em hotéis a ajudar os hóspedes a caçar Pokemons e pior, a levar quantias exageradas de dinheiro para auxiliar na caçada, como se fosse preciso munições, cães de caça e cavalos para o fazer.  Mas mais uma vez, se alguém cair nesta esparrela está apenas a ser parvo!

Os descrentes de Pokemon Go traçam um cenário apocalíptico, que aborda um mundo destruído em 2047, onde os humanos já não se reproduzem e só dão à luz Caterpies. A geração perdida a olhar para o telemóvel já existia muito antes de qualquer aplicação e tentar pôr culpas nesta nova moda, é também de alguma ignorância. Se um adolescente não sabe dividir a hora de jogar Pokemon Go e a hora de estar com a família e amigos, não será um problema de uma app, mas, suponho eu, de educação. E a educação começa em casa! O Pokemon Go não arruína nada que já não esteja abalado!

Quando não gostamos de algo é fácil criticar exaustivamente, mas esquecemo-nos que há uns meses foi a nossa vez de rejubilar com outra qualquer franquia. Star Wars estava em todo o lado no final do ano 2015 e há uma semana atrás foi a vez de Harry Potter. Difícil é combater o elitismo inerente a ser fã de algo. Embora apeteça enviar o Ash e o seu Pikachu para a estratosfera, há lugar para a crítica construtiva e fundamentada. Pokemon Go não tem efectivamente nada de novo. Já existiam aplicações que utilizavam a nossa localização geográfica e realidade aumentada, um dos grandes exemplos é Ingress, que colocava portais em lugares específicos no mundo, que podiam ser capturados. Imagine-se que pessoas morreram a jogar isto! Uma morreu a tentar capturar um desses portais na Irlanda a meio da noite num farol e outro morreu atropelado no Brasil. Tendo conhecimento destes casos agradeço à PSP!

“Vi um individuo a matar outro por um Pokemon e a esconder o corpo!”

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O horrível mundo em 2047:  “Destruir! Destruir! Pikaaaa!”

Não exageremos! Já se viu muita coisa, mas parece-me improvável e claramente torpe, porque muitos dos jogadores de Pokemon Go estão a fazer um melhor trabalho que a policia. A esperança é que descubram Maddie McCann muito em breve! Até há bem pouco tempo a contagem de cadáveres descobertos por jogadores, rondava a meia dezena, isto porque a febre desta caçada por Pokemons leva qualquer jogador a sítios mais ou menos isolados, caso este deseje explorar as localizações mais estranhas. Uma coisa é certa, se um jogador matar outro para apanhar um Pokemon e de seguida esconder o corpo sabe que está condenado. Depressa aparecerão jogadores, que encontrarão um Gastly e de seguida a vítima, accionando, após caçarem a criatura pretendida, os meios necessários para capturar o possível homicida.

Agora fora de brincadeiras, a rivalidade entre jogadores parece ser saudável e suficientemente pacífica, mais do que aquela que opõe clubes de futebol nacionais. O  problema desta grande massa de pessoas, que se juntam em espaço publico é quando aparece um Pokemon raro do outro lado da rua e entra tudo na faixa de rodagem, porque de repente a sua segurança já não interessa. Isto pode ser problemático para peões, condutores, ou até outros transeuntes.

Para alguns, Pokemon Go parece ser uma maneira de conviver com os seus semelhantes, especialmente pessoas com problemas como a ansiedade ou depressão e isso é, sem duvida, uma mais valia. No entanto, parece excessivo que pessoas justifiquem as horas passadas a olhar para o telemóvel, com o que quer que seja, recorrendo a factos por vezes espalhafatosas. Como já ouvi muitas vezes, “se o tempo foi passado em diversão, não foi tempo perdido”. Não é preciso justificar que Pokemon Go faz bem às hérnias discais e muito menos, pregar aos sete ventos que sem a aplicação não faziam exercício. Se é necessário uma app para desenvolverem a prática de exercício físico, há sem dúvida, um problema de motivação que não deve ser tapado com Pokemons. Isto não é uma critica, é um alerta e um conselho! Se o conseguem fazer com Pokemon Go conseguem fazê-lo sem ele! Vamos lá! Vocês batem bem! Se não apanharem o Snorlax que “sa f&%$”! Personalidade! Personalidade!

Pokemon Gamification

pokemon-1543353_1920No fundo, Pokemon Go é só mais um passo para a popularização a gamification das nossas vidas. Abordei a questão neste artigo escrito há uns meses e mais uma vez, parece evidente que é mais um passo nesse sentido. O ser humano começa a estar programado para tornar pequenas rotinas, em algo divertido. Antigamente havia claramente duas dimensões; o mundo real, que é especialmente péssimo quando acordamos de manhã e nos dirigimos ao nosso local de trabalho e o mundo virtual, que nos diverte no ecrã nas nossas viagens de comboio ou metro enquanto esperamos pela paragem certa. Agora os mundos colidem e fundem-se numa maneira divertida, que transforma o caminho para o trabalho numa nova descoberta. A vida é melhor, quando é possível tornar cada passo num novo desafio, mas é preciso não esquecer o mundo em que realmente vivemos e os nossos direitos e deveres como animais racionais!

A realidade aumentada veio para ficar e resta esperar que com o passar dos anos novas franquias sejam transformadas em jogos que se fundem com a realidade. Há rumores que apontam para um Harry Potter Go,  mas até lá o meu telemóvel ficará no bolso a maior parte do tempo. Aos que jogam, resta esperar por mútuo respeito e dois dedos de testa, porque a nossa vida e a de outros valem mais do que qualquer Mew

Volto para o próximo mês com mais videojogos… ou falta deles!

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