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Será Que David Bowie Editou o Melhor Disco de 2016?

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Aproxima-se o fim do ano, altura de retrospectivas e reflexões. E este ano foi particularmente cruel para o mundo da música, que viu partir entre outros, os nomes de David Bowie, Keith Emerson (Emerson Lake & Palmer), Prince e Glenn Frey (The Eagles). Contudo, em vez de lamentar a perda, prefiro celebrar a vida e obra. Este mês a figura de proa das próximas linhas é David Bowie, mas mais concretamente o seu derradeiro álbum “Blackstar”.

Em Novembro de 2015, a propósito do lançamento do seu single “Blackstar”…

… escrevi o seguinte: “O genial David Bowie está de regresso e prepara-se para editar o novo disco, “Blackstar” no início do próximo ano. Foi desvendado o primeiro single, a música que curiosamente dá título ao álbum, não vem só, vem acompanhada por um videoclipe, ou melhor por uma curta-metragem que nos convida a entrar no mundo alucinado de Bowie. A curta-metragem é realizada, por Johan Renck, que já realizou vídeos de New Order, The Libertines e Bat For Lashes, ente outros, além de ter dirigido episódios de “Breaking Bad” e “The Walking Dead”. David Bowie prova que está em grande forma, deixando-nos expectativas elevadas relativamente ao futuro disco.”

Essas expectativas não foram goradas e antes de morrer David Bowie deixou-nos um disco simplesmente brilhante.

David Robert Jones de seu nome, nasceu em 1947, completou o seu 69.º aniversário, no dia 8 de Janeiro de 2016 data escolhida para o lançamento do seu 25.º álbum de carreira, “Blackstar”.

David Bowie “partiu em direcção a Marte” dois dias depois da edição de “Blackstar”, e além de uma discografia, deixou-nos uma obra ímpar na história da música, reinventou-se a cada disco, encarnou diversas personagens, mas nunca perdeu o seu estilo único, inconfundível e irreverente. A música, e no fundo, a arte foi elevada a outro patamar, foi nesse registo que surgiu o seu último álbum, Blackstar, que merece nota máxima, a perfeição existe.

Muito mais que um disco, é uma obra de arte, onde tudo é pensado ao pormenor, desde a capa, ao booklet, sem esquecer o mais importante, a música, a mensagem de despedida é evidente e a escolha da díade de cores branco e preto não surge por acaso. Sete canções apenas, mas nenhuma delas com menos de 4 minutos, as influências jazz estão bem patentes. “✭”, marca o início e percebemos logo aqui que estamos perante um álbum maior, mais de 9 minutos sofridos mas encantadores, onde o tema da morte está bem patente “Something happened on the day he died, Spirit rose a metre and stepped aside, Somebody else took his place, and bravely cried: I’m a blackstar, i’m a blackstar” (…) “How many times does an angel fall? How many people lie instead of talking tall? He trod on sacred ground, he cried aloud into the crowd i’m a blackstar, i’m a blackstar”. Segue-se a alucinante “‘this a Pitty She Was a Whore”, que antecede a brilhante “Lazarus”, que deve ser ouvida de olhos fechados e sentida de coração aberto “Look up here, i’m in heaven (…) i’ve got nothing left to lose (…) this way or no way, you know, i’ll be free, just like that bluebird, now ain’t that just like me”.

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“Sue (or in a Season of Crime)”, assume o registo mais rock do álbum com um toque de psicadelismo. “Girl Loves Me”, demonstra-nos uma vertente mais experimentalista e para os aficionados de coincidências David Bowie faleceu a um domingo (10 de Janeiro), “Where the fuck did Monday go?, where the fuck did monday go?”. Voltamos a sentir a sonoridade jazzy com “Dollar Days”, servida com solos de saxofone e novamente uma letra tocante: “Don’t believe for just one second i’m forgetting you, i’m trying to, i’m dying to”.

Para a perfeição estar completa Blackstar chega ao fim ao som de “I Can’t Give Everything Away”, colocando um ponto final na obra de um artista único “I know something is very wrong, the pulse returns for prodigal sons, the blackout’s hearts with flowered news, with skull designs upon my shoes. I can’t give everything, i can’t give everything away. Seeing more and feeling less, saying no but meaning yes, this is all i ever meant, that’s the message that i sent. I can’t give everything, i can’t give everything away (…).

No fim surgem duas questões: será que a perfeição que atribuo a “Blackstar”, não é mais uma forma de homenagem? Provavelmente.

Será que a apreciação não é influenciada pelo facto de David Bowie ter falecido após o lançamento do disco? Sem dúvida que a avaliação é influenciada, mas todo o disco adquire um significado e um sentido diferente pelo simples facto de mesmo antes de morrer David Bowie ter sido único, este não é um disco para agradar a críticos, para agradar a playlists radiofónicas e nem mesmo para agradar aos fãs, é um disco que reflete o artista, mas muito mais que um adeus, “Blackstar” é um incentivo à criatividade e à inovação, até sempre David Bowie.

Mais de 50 anos de carreira, marcados pela irreverência e experimentalismo de um dos maiores ícones da música. A história da música seria bem diferente se não tivesse existido David Bowie, o verdadeiro “Camaleão”, e “Blackstar” será muito provavelmente o melhor disco de 2016.

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