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Dieudonné: retrato de um anti-semita

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Dieudonné M’bala, humorista de ascendência camaronesa, tem-se destacado em França pelo conteúdo anti-semita dos seus espectáculos. A Quenelle, gesto que reproduz no sentido inverso a saudação Nazi, é a imagem de marca do comediante, o que já lhe custou a proibição de actuar em Nantes na passada Quinta-feira, tendo para além disso sido admoestado pela justiça francesa várias vezes. Resultado: no espaço de um mês, todos os seus shows estão mesmo colocados em causa.

 

Manuel Valls, ministro da Administração Interna de França, deu ordens por escrito aos presidentes de câmara em todo o país para proibir, recorrendo a meios legais, as actuações de Dieudonné nas suas respectivas cidades. Valls entende que, mais do que actuações artísticas, os espectáculos do humorista são “acontecimentos políticos provocadores que arriscam perturbar a ordem pública”. O facto de o governo francês se ter associado directamente a este dossier pode ser perigoso em termos legais, sobretudo por visar acontecimentos, os espectáculos de humor, que ainda não tiveram lugar, mas cujo conteúdo é sempre recheado de referências a um anti-semitismo próprio da década de 30 do século passado.

Talvez pelo facto de o humorista em causa ser anti-semita assumido e reincidente nas “piadas anti-semitas”, o Conseil d’Etat, a mais alta instância jurídica em França, confirmou na passada Quinta-feira a proibição do espectáculo de Dieudonné em Nantes, decidida por Patrick Rimbert (PSF), Maire de Nantes, sucessor no lugar que fora ocupado pelo primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault. Ayrault, Maire de Nantes de 1989 a 2012, ficou satisfeito com a decisão do Conseil d’Etat em concordar com a interdição do espectáculo de Dieudonné em Nantes; Valls, autor “moral” da resposta da República de França ao anti-semitismo verbalizado por Dieudonné, afirmou “que não se pode tolerar o ódio do Outro, o racismo, o anti-semitismo, o negacionismo, isto não é possível, isto não é a França”. De facto, a França é o berço da República moderna, laica e plena de valores essenciais à democracia, e a liberdade de expressão tem como um dos limites a intolerância ao ódio a toda uma comunidade de seres humanos. Lembremo-nos, de facto “todos os homens são irmãos” (em “Candide”, de Voltaire).

O governo francês está apostado em impedir por todos os meios legais a realização de espectáculos (cujos preços dos ingressos são, em média, de 40 euros) por parte de um comediante já punido mais que uma vez pela justiça francesa, e debaixo de investigação das autoridades gaulesas por branqueamento de capitais enviados para os Camarões (os media franceses já adiantaram que o valor em causa deve situar-se na ordem dos 400 mil euros), com o que o humorista justifica ser devedor das multas aplicadas por referências odiosas à comunidade judaica, tendo dado início à sua própria falência, a qual se suspeita tratar de um esquema fraudulento, porque Dieudonné não possui possui bens em seu nome, sendo antes os seus familiares que legalmente são proprietários ou de imóveis ou de viaturas.

Artigo de Nuno Araújo
Importado do +opinião – http://www.maisopiniao.com/dieudonne-retrato-de-um-anti-semita-nuno-araujo/

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