Videojogos

Darkest Dungeon

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É ironico que uma rubrica de cronicas sobre videojogos comece com um titulo que envolve a palavra “masmorra”. Leva-nos aos tempos gloriosos de programação em pequenas garagens, focos iniciais de uma industria que se tornaria um colosso do entretenimento ligada muitas vezes a uma temática de fantasia inspirada em modelos mais antigos como os jogos de tabuleiro de Dungeons & Dragons. Por todo o lado a história dos videojogos leva-nos ao termo, e está directamente ligado a clássicos desde o mais antigo pedit5 até a fenómenos mais recentes como Legends of Grimrock ou Binding of Isaac, passando por RPGs como Diablo ou Torchlight e outros tantos que ao longo dos anos tornaram a palavra dungeon uma familiaridade para os gamers. Hoje trago-vos uma das mais recentes surpresas de 2015, Darkest Dungeon, uma aventura que traça muito bem as suas inspirações mas adiciona as suas próprias singularidades.

O videojogo, desenvolvido pelo estúdio indie (equipas de programadores e entusiastas  sem apoios ou financiamentos externos) Red Hook Studios, propõe revolucionar o conceito existente de aventuras RPG introduzindo conceitos novos à sua mecânica num conjugar de géneros juntando um estilo visual único. Alvo de um projecto de kickstarter o estúdio arrecadou 75.000 dólares em dois anos para desenvolver o titulo. Embora ainda incompleto está já acessível ao publico através da politica de Early Acess (Acesso Prévio) da plataforma Steam, que permite aos jogadores participar no processo criativo, ajudando os estúdios a testar o produto e oferecendo um preço por vezes mais acessível do que será de esperar na data de lançamento da versão completa.

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A história é simples,  uma família outrora dona de um condado decide arriscar a sua fortuna procurando conhecimentos antigos e poderosos abrindo um portal demoníaco que arruiná toda a propriedade e faz cair o mal sobre a localidade. O jogador é um herdeiro distante que deve restaurar a antiga glória da família exorcizando o mal existente no local. Para isso o jogador deve construir, equipar e evoluir os seus heróis executando quests nos diversos locais da propriedade decadente. É aqui onde a verdadeira genialidade do jogo começa a formar-se. Os heróis não só sofrem uma morte permanente caso sejam derrotados no decorrer das suas tarefas como desenvolvem sintomas de stress e perturbações mentais que modificam os seus atributos, sendo necessário “mantê-los entretidos” entre missões de forma a evitar os efeitos colaterais desse mesmo stress, que podem afectar outros heróis e prejudicar a conclusão de determinado cenário.

Em termos de apresentação o jogo oferece uma experiência de horror melancólico com um estilo único que fará certamente lembrar uma boa banda desenhada. Insere-se num tema que é já catalogado pelos utilizadores da plataforma Steam como Lovercraftiano, ou seja, num género gráfico que se assemelha ao do universo sombrio do autor de The Call of Cthulhu, H. P. Lovecraft.

O jogo pode dividir-se em duas partes distintas. A primeira é onde podemos gerir a nossa pequena povoação e onde podemos evoluir as estruturas e edifícios com o espolio que arrecadamos das missões. É também o sitio onde contratamos heróis, gerimos os existentes e curamos o seu stress através das mais variadas actividades, que ajudam a combatê-lo e podem ir desde o simples rezar na Igreja local até ao jogo de cartas ou a uma ida ao bordel, dependendo da personalidade desenvolvida pelo personagem no decorrer das suas funções. Alguns heróis recusam-se a rezar e outros estão proibidos de jogar por serem conhecidos batoteiros. Este sistema de atributos aleatórios (tanto bons como maus) cria uma certa variedade que fortalece o jogo.

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A segunda parte é a das missões em si onde podemos construir a nossa equipa de quatro heróis e envia-los em demandas, que variam em termos de objectivos e duração, sendo necessário comprar o equipamento necessário tendo em conta as necessidades da zona que escolhemos para explorar (masmorras, pântano, etc). De todos os equipamentos as tochas e provisões são as de maior necessidade de forma a que os heróis não morram de fome nem sejam surpreendidos na escuridão com resultados devastadores. Outros equipamentos permitem facilitar toda a missão, uma pá pode destruir um obstáculo no caminho enquanto que uma chave ajudará a encontrar compartimentos secretos nalguns baús.

A acção desenvolve-se por turnos em perspectiva 2D e a ordem de fila em que colocamos as nossas personagens influencia as suas habilidades, por exemplo, um guerreiro será privilegiado se se encontrar a liderar a sua equipa enquanto que o clássico healer deve manter-se nos últimos dois lugares de forma a ter acesso à sua habilidade de cura. Durante a aventura várias salas devem ser exploradas e muitas vezes as melhores recompensas encontram-se nos sítios mais inesperados. Alguns sacos ou pilhas de corpos podem revelar acessórios ou dinheiro para financiar a próxima expedição, no entanto, existe o factor risco pois escondem-se também armadilhas que podem levar os heróis a desenvolver traumas como a claustrofobia ou algo mais físico como a anemia. O stress dos heróis é também tão fundamental como a sua barra de vida. No caso do nível de stress chegar ao máximo, o herói é testado podendo ganhar benefícios ou malefícios. Alguns heróis tornam-se egocêntricos tendo a tendência para criticar os seus colegas acabando por fazer subir o stress de toda a equipa, outros tornam-se cobardes recusando a mover-se no seu turno.

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Embora fácil de entender o grau de dificuldade de Darkest Dungeon é elevado, sendo os seus elementos aleatórios capazes de facilitar ou dificultar, ao nível do impossível, o bom porto de uma quest. No entanto, embora a morte dos heróis seja final é possível contratar novos e continuar a aventura.

Os pontos negativos prendem-se principalmente na questão da armadura e das armas que não se encontram durante as missões sendo apenas possível melhorar as existentes através dos edifícios da nossa pequena vila. No entanto, o resto do equipamento é suficientemente variado para colmatar esta escolha.

Embora um produto inacabado, Darkest Dungeon aproxima-se da sua versão final, e a sua conjugação de estilos e mecânicas inovadoras faz-nos pensar qual é o futuro do jogo. Mesmo incompleto, mostra potencial para se tornar num jogo de culto que já atingiu o top  e vendas da Steam desde a semana de lançamento. Resta esperar pelo produto final que com certeza não se distanciará de forma radical do que é já apresentado…

DD Rating

(Este rating está sujeito a mudanças e não representa a nota final do videojogo em questão, estando sujeito a modificação caso o produto final o justifique)

Volto para o próximo mês com mais videojogos!

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