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(As Minhas) 5 Séries de Culto a Não Perder

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Enquanto via o The Revenant há uns meses renasceu-me uma espécie de paixão pela linha gráfica do cinema. Uma agradável pedrinha no sapato que devo ao majestoso Alejandro Iñarritu. Pensei “mas que bem filmado, porra, que bem filmado’’ (talvez não tenha sido a palavra porra a utilizada, if you know what i mean). Não é que o filme seja espectacular, mas a importância que aqueles planos de câmara tiveram para mim, os cenários…

Long story short: voltei a olhar para um ecrã com um gosto ‘’artístico’’ que parecia já não existir. De repente, deixei de me contentar com o que passava na televisão, depois de vários meses adormecido em diálogos crocantes e planos quadrados, destinados à fácil compreensão do público mainstream.

Decidi revisitar as séries que mais me fizeram sorrir. As séries que dignificaram os muitos meses de espera por novas temporadas. As séries que caminharam lado a lado com o meu crescimento. As séries que marcaram a minha vida. Estão prontos para embarcar comigo no navio da nostalgia? Aqui vai.

Spartacus: Blood and Sand (2010-2013: 3 temporadas [+1 minissérie])

Sou um pouco suspeito nisto, admito. Ser apaixonado pela Antiguidade tornou esta série irresistível desde o primeiro minuto. Mas permitam-me que vos explique porque é que esta é a melhor recriação do mais ilustre escravo da história do Império Romano.

Primeiro, a estética e a produção dos episódios. Estes ‘’gajos’’ não brincam em serviço: os cenários, o guarda-roupa e a direcção artística colam na perfeição, num conjunto de diálogos capaz de transmitir uma sensação de presença para o espectador. Fora ou dentro da arena, a brutalidade e frieza da maioria das cenas leva a crer que foi mesmo assim que tudo aconteceu (embora muitos dos críticos acusem um certo exagero nas cenas mais explícitas).

Em segundo lugar, os actores. A Starz fez questão de recrutar alguns nomes em ascensão, com especial foco na zona da Nova Zelândia (onde são filmadas grande parte das cenas). Em conjunto com alguns actores de rank médio (Lucy Lawless e John Hannah, em particular) a ausência de grandes nomes trouxe uma ‘’cara 100% limpa’’ à história de Spartacus, retirando a, já costume, pressão das audiências.

Para quem é fã da série, é quase inevitável a referência à troca de protagonista. Os avanços e recuos ligados à situação clínica de Andy Whitfield (Spartacus na primeira temporada, o actor neozelandês acabou por sucumbir ao cancro em 2011) abalaram profundamente a equipa técnica da série, algo que explica o fim da trama em apenas 3 temporadas. Spartacus é, no entanto, um daqueles casos em que se evidencia a qualidade perante a quantidade.

Pro libertate eos occubuisse! Avançai para a próxima história!

House M.D. (2004-2012: 8 temporadas)

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Ah pois, um autêntico fan favourite. O critério na escolha de cada uma das séries é genuíno no seu fundamento: vi gigantes como Breaking Bad e vejo séries de sucesso mainstream como Game of Thrones ou Walking Dead, mas não sinto a obrigação moral de ‘’cinéfilo’’ de ter de os considerar agentes influenciadores na minha vida. Porque, verdade seja dita, não o são.

O que dizer de Gregory House? Nada mais, nada menos que uma das melhores personagens alguma vez criadas para o pequeno ecrã, apenas conseguida através de uma fantástica interpretação de Hugh Laurie. Quem viu, sabe bem do que falo. E quem não viu, provavelmente também o sabe. A moldagem da personagem House é egocêntrica em si mesma, numa verdadeira ode a Sherlock Holmes, uma grande inspiração na génese desta personagem.

A evolução deste génio das epifanias é evidente, embora a série peque por ter sido excessivamente arrastada ao longo dos anos. Houve, no entanto, uma tentativa de inovar (principalmente nas últimas temporadas), na procura dos recantos mais sombrios desta mente brilhante.

Hey, no House até a bengala dele é fixe. Não há como negar isso! Posto isto, avancemos para mais um excelente produto da HBO. Preparem-se para o wild card deste gangue!

The Wire (2002-2008: 5 temporadas)

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É possível que comecem a surgir dúvidas do lado do leitor. Um nome não tão conhecido levanta sempre algumas sobrancelhas. Depois de uma temporada (e duas e três…) a ver The Wire as minhas nunca mais baixaram. Que série! E para quem gosta da dicotomia polícia-narcotráfico (inventei agora) é obrigatória.

Aqui não primam tanto as personagens, mas o enredo em si. The Wire é, de facto, um verdadeiro fio de solidez e coerência estratégica numa série, sem descurar de um suspense magnético que cativa qualquer espectador. E melhor, não há qualquer espécie de receio em ceifar personagens à la Game of Thrones. Nada mau, certo?

Nesta série, Baltimore é o palco de um conflito entre polícia e gangues de bairro, sendo que a luta faz um percurso vertical: a guerra começa nas crianças traficantes e levada até ao mayor da cidade. Os episódios são longos (1 hora) e assemelham-se a pequenas longas-metragens, o que dá uma certa durabilidade a quem vê a série: a sensação com que fico é que vi o dobro das temporadas, algo muito positivo, neste caso.

O sucesso da série reside no cruzamento das perspectivas dos dois grupos em conflito e principalmente nos seus pontos de convergência, que atribuem uma complexidade interessante à história, tornando-a essencial para os apreciadores de séries de culto.

Um top de séries tem sempre de ter um serial killer. Este não excepção. É melhor fazer scroll para ficar a saber quem ele é (antes que seja tarde de mais)!

Dexter (2006-2013: 8 temporadas)

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Quem me conhece sabe que sou um grande fã do Michael C. Hall. E, na minha opinião, esta obra prima reflete a sua qualidade como actor. Ver Dexter é ter a oportunidade de contactar em segunda mão com a linha ténue que separa o inconsciente do observável, algo que torna a série muito mais interessante.

Ao contrário de The Wire, o foco não reside necessariamente no enredo em si. É nele. Sim, é perceptível o meu gosto por este tipo de história (não é por acaso, que 3 das 5 séries que escolhi têm um nome próprio como título), criada à volta de uma persona que vive uma espécie de vida dupla entre o bem e o mal. À semelhança de House, é uma série que se prolongou para além do que era expectável, algo que prejudicou a qualidade das últimas temporadas. No entanto, não deixa ser uma das melhores séries criadas pela Showtime desde a entrada no novo milénio.

Acho particularmente interessante a verbalização dos diálogos mentais do próprio protagonista, muitas das vezes personificados na imagem do seu pai. É aqui que a série define o seu rumo, a moldagem da personagem Dexter constrói-se através de um código de conduta que gere a sua (confusa) sede de justiça.

Parece que já só falta uma série. O último membro dos tops é sempre o mais sortudo. Fica aqui uma pista para vos aju… D’Oh!

The Simpsons (1989-)

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Podiam estar muitas séries a ocupar este lugar. 24, Sons of Anarchy ou o CSI: Las Vegas, por exemplo. Pensando bem, o CSI: Las Vegas não. De todo! Desculpem-me, readormeci na minha ignorância artística por momentos.

Homer, o meu herói. Desde pequeno que me lembro de ver os Simpsons e creio que cá estarei para ver a trigésima temporada (já faltou mais) da melhor série de animação de todos os tempos. A chave do sucesso reside na adaptação da série à maioria das gerações, tornando cada episódio uma espécie de ‘’evolução em estagnação’’: ninguém envelhece, mas Springfield está em mudança constante. Esta transformação foi, muitas vezes, retratada através da couch gag de cada genérico, um dos grandes clássicos da série.

Desde fantásticos cameos em animação (de Cristiano Ronaldo, por exemplo) a rubricas de episódios (Treehouse of Horror), a família Simpson nunca desiludiu e continua a trazer conteúdo fresco, genuíno e, acima de tudo, com imensa piada.

A série iluminou o caminho de sucesso para o seu ‘’rival’’ mais direto – Family Guy – e serviu de rampa de lançamento para alguns dos melhores criativos na área da animação. Apesar da ameaça de cancelamento recorrente nos últimos anos é uma das séries com maior longevidade na história da televisão, sobrevivendo a mais 25 anos de prime-time na televisão americana (e mundial). Homer, Marge, Lisa, Bart e Maggie: vocês terão sempre um lugar especial no meu ecrã!

O poderio das séries está mais evidenciado que nunca. Assistimos a um fenómeno de transição de alguns actores do cinema para um palco cada vez mais eclético, no qual cada um pode escolher aquilo que quer ver. Na minha opinião, poderemos estar perante um esgotamento do público, devido a um excesso de oferta que nem sempre se traduz em qualidade. No entanto, continuam a existir gigantes a atentar: House of Cards, Mr. Robot ou Narcos são apenas alguns dos exemplos de séries em grande que ninguém deve perder.

Obrigado! A esses heróis que me agarraram a todo o tipo de ecrãs durante horas a fio. Por me transportarem para as mais variadas dimensões e por recriarem alguns dos momentos mais memoráveis que tive o prazer de assistir. Até à próxima crónica, boas séries. E vejam The Wire! I’m out.

 

 

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