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As Maravilhas da Cerveja Artesanal!

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A cerveja é, sem dúvida alguma, um dos melhores amigos do homem e da mulher, principalmente no verão. Poucas são as pessoas que conseguem resistir às maravilhas de uma imperial geladinha. Mas se a maioria se limita a beber a mesma cerveja toda a vida, alguns gostam de arriscar e ir mais longe. A percentagem de pessoas que se estão a tornar fãs e consumidores da cerveja artesanal está a aumentar de ano para ano. É inegável que está na moda, e não é caso para menos. Fruto da forte aposta de alguns empresários nacionais existem actualmente muito mais marcas de cereja artesanal do que pode pensar e algumas delas até são premiadas a nível internacional. Prepare os calções, a toalha e o protector solar porque esta é uma crónica que cheira a verão e sabe a cerveja…artesanal, claro!

A verdade é que o mercado português de cerveja é dominado por dois gigantes. Mas não é desse negócio (de, literalmente, milhões) que vos falarei nesta crónica. Estas são histórias de famílias, e amigos, que primeiro em casa e depois em pequenas fábricas se envolveram na produção de cerveja artesanal.

cerveja artesanal

Normalmente associamos a produção de cerveja a fórmulas complexas e a grandes investimentos financeiros. E tudo isso é verdade…se estivermos a falar dos dois gigantescos cervejeiros referidos anteriormente. Mas no caso dos produtores e das empresas de cerveja artesanal a realidade é outra. Primeiro: tudo isto é bem mais fácil do que possa pensar. Segundo: o investimento, pelo menos ao nível amador, é mais de tempo do que de dinheiro. Mas se tudo isto é verdade a pergunta que se impõe é, claramente, a seguinte: porque temos tão poucos produtores de cerveja artesanal? A resposta é: felizmente não são assim tão poucos quanto possa pensar.

Mas vamos por partes. O mais importante é que não rejeite já uma ciência, e um produto, que desconhece. Sim, porque todos os produtores, em uníssono, salientam a superior qualidade de um produto que, exactamente por não ser massificado, só se pode impor pela diferença. Para melhor. Não quer dizer que as duas maiores cervejas nacionais não tenham qualidade. Quer dizer, isso sim, que por ser produzida em menor quantidade (e, diria eu, com muito mais amor) tem uma qualidade que a distingue da restante oferta do mercado. É um produto de nicho, pelo menos por enquanto.

É claro que a crise não passa ao lado destas pessoas (ainda para mais num sector onde o mercado tem encolhido de forma dramática). Sim, porque há mais de duas décadas que não se bebia tão pouca cerveja em Portugal. Os grandes actores do mercado, que exportam uma parte importante da sua produção, estão atentos. Mas os microprodutores, como seria de esperar, estão num campeonato à parte.

Cerveja Artesanal

A este ponto da crónica aposto que já tem sede, logo certamente se perguntará: então mas como se faz cerveja artesanal? Bem, para começar é necessário referir que já existem em Portugal lojas especializadas que lhe podem prestar os melhores conselhos e fornecer as matérias-primas de melhor qualidade. Por isso se tem como objectivo avançar mesmo para este sector primeiro informe-se correctamente para não estar a desperdiçar tempo e dinheiro (que certamente que é precioso).

Basicamente, existem quatro passos no fabrico de cerveja artesanal: a moagem dos cereais (e este passo pode ser anulado desde que compre a matéria-prima já preparada), a elaboração do mosto (sendo que se usar água quente conseguirá extrair os açúcares fermentáveis do malte), a sua fervura (é acrescentado o lúpulo, depois retirado, e o mosto é arrefecido) e a fermentação. Se até aqui o processo levou horas, a fermentação mede-se em semanas.

As cervejas artesanais não são filtradas nem pasteurizadas (ao contrário das cervejas industriais), daí serem normalmente mais turvas. O sabor final é influenciado não só pela água e pelos cereais que utilize como pelos restantes “condimentos” que lhe acrescente. Sim, porque tanto pode criar uma cerveja artesanal “normal” como arriscar e tentar ir mais longe. Quase todos os ingredientes são válidos, mas nem todos produzem um sabor agradável. Por isso misture, tente, experimente, pense mais além mas sempre ciente de que no final o produto pode não ficar bebível e de que está a gastar tempo e recursos.

Outro dos factores que influencia o sabor final é a fermentação e as condições em que a mesma decorre. Mesmo à escala industrial cada cuba de cerveja é um produto único. Mas se os grandes produtores se preocupam em padronizar o seu produto (o objectivo é, precisamente, que todo ele seja igual) para os artesanais há mesmo um certo gozo em ir procurando subtis novidades.

Portanto, se a ideia é procurar diferentes sabores ou aromas então a resposta está, de certeza, na cerveja artesanal e na imensa variedade que a mesma pode proporcionar. Aliás a prova de que este mercado de nicho tinha o seu próprio espaço é o facto de as próprias gigantes cervejeiras terem apostado nele. Lembra-se da Bohemia? E da Abadia? E da Super Bock Stout? E da Sagres Puro Malte? Consegue adivinhar o que todas têm em comum? Exactamente: serem variantes das cervejas artesanais e pertencerem às maiores produtoras nacionais.

Outras marcas distintivas da cerveja artesanal são os seus nomes e respectivos rótulos. Na maioria dos casos são nomes inesperados, modernos, provocadores e que nos fazem sorrir. Os rótulos acompanham os nomes que envergam sendo geralmente muito cuidados, coloridos e tendo sempre uma boa dose de humor.

Mas nem tudo são rosas neste sector. A maior dificuldade destas pequenas empresas está nos preços que praticam. É que a cerveja artesanal é mais cara do que a cerveja dita “normal”. E levar os consumidores a pagar mais 50% do que estão habituados por uma cerveja pode ser uma tarefa bem complexa. Felizmente que são cada vez mais as pessoas dispostas a pagar por algo diferente e inovador.

Segundo o site Cerveja Artesanal Portuguesa existem 76 produtores nacionais de cerveja artesanal, o que demonstra bem o potencial de crescimento deste nicho de mercado. Poderá ficar a conhecer todas estas empresas (e as respectivas ligações ás suas páginas oficias de Facebook) aqui: http://cervejaartesanalportuguesa.pt/cervejas/.

Azbeer

Se ficou com curiosidade em relação a estas empresas, e a estas cervejas, pode sempre pesquisar por festivais especializados. Existem alguns festivais pelo país dedicados, apenas e só, à cerveja artesanal que são aconselháveis tanto a conhecedores como a curiosos.

A título de exemplo deixe-me referir o AZBEER. Decorreu entre os dias 3 e 5 de Julho (ou seja, terminou precisamente hoje), em Azambuja. Para os que não são tão bons a geografia eu retiro as dúvidas: Azambuja situa-se no coração do Ribatejo, pertence ao Distrito de Lisboa e está apenas a, no máximo, uma viagem 45 minutos de comboio da capital. Para consumir a cerveja era necessário adquirir um copo (tendo o mesmo um valor de 3€) sendo a cerveja paga à parte (o preço dependia de cada produtor e tipo de cerveja).

Azbeer

Tive o prazer de visitar este evento, e de provar algumas das cervejas presentes, e digo-vos que fiquei rendido. Encontrei marcas e sabores que desconhecia, vencedores de prémios internacionais dos quais não vi notícias nas televisões nem nos jornais e uma organização atenta, preocupada e ciente do potencial do evento que ergueu. Regressarei certamente para a edição de 2016. Não só pela beleza do concelho que o recebe e pela organização fantástica, mas acima de tudo pela cerveja. Afinal de contas nada se compara a uma boa cerveja artesanal.

Confiem em mim: no dia em que tiverem dispostos a arriscar e experimentar uma cerveja artesanal nunca mais serão os mesmos. As vossas vidas vão mudar, tal como mudaram as vidas das pessoas que apostaram neste nicho de mercado.

Apoie as empresas e os empresários nacionais. Apoie este nicho de mercado. Mas acima de tudo nunca se esqueça de beber com moderação. Principalmente se tiver a intenção de a seguir conduzir a sua viatura.

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