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Xutos e Pontapés, a Banda do Rock Português

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Os Xutos e Pontapés são a banda rock portuguesa mais falada e com certeza dispensam apresentações. Contam agora com 38 anos de carreira, 13 álbuns de originais, mais de 100 músicas e uma plateia que não olha a gerações. Dos 8 ao 80, quando “os Xutos” começam a cantar, todos os amantes do rock português acompanham.

Muitas bandas alcançam o sucesso, mas poucas o conseguem manter por 38 anos. É claro que a banda que hoje conhecemos como intemporal teve os seus altos e baixos, as suas fases boas e más. Mas no fim a energia que faz deles verdadeiros “animais de palco” e as músicas em que não há “papas na língua” trouxeram à banda o merecido sucesso.

                Os Membros

Zé Pedro

José Pedro Reis nasceu em Lisboa em 1956 e é ele o principal fundador do Xutos e Pontapés, pois foi ele a colocar o anúncio “Procura-se baterista e baixista”. É o guitarrista da banda e compôs mesmo alguns dos seus clássicos como “Submissão” e “Não sou o único”.


Teve problemas com drogas, facto que assume abertamente e sobre o qual diz orgulhar-se de ter virado a página e alguns problemas de saúde, nomeadamente hepatite C. Passou por um transplante, facto que o fez deixar os palcos durante algum tempo, durante o qual insistiu que continuassem com os concertos sem ele. Em 2004 viu a irmã, Helena Reis, publicar a sua biografia intitulada “Não Sou o Único”.

Kalú

Carlos Eduardo Ferreira, mais conhecido por Kalú, é o baterista da banda. Nasceu no Porto, em 1958 e é o quinto de treze irmãos. Foi baterista no Palma’s Gang, banda de Jorge Palma, e editou em 2013 o seu primeiro álbum a solo, “Comunicação”.

Tim

 

António Santos nasceu em Ferreira do Alentejo em 1960, é licenciado em engenharia agrónoma e baixista e vocalista dos Xutos e Pontapés. Fez além disso parte dos “Resistência”, dos “Rio Grande”, dos “Cabeça no Ar” e dos “Companheiros de Aventura”. Editou vários álbuns a solo como “Olhos Meus” (1999), “Um e Outro” (2006), “Braço de Prata” (2008) e “Companheiros de Aventura” (2010).

João Cabeleira

João Cabeleira nasceu em 1962 e entrou para os Xutos e Pontapés como guitarrista em 1983, tendo ido substituir Francis. Foi também fundador e guitarrista dos Vodka Laranja.

Gui

Gui é o saxofonista da banda e, provavelmente, o seu membro menos (re)conhecido, não sendo no entanto menos importante. Entrou para o grupo pela primeira vez em 1984, o que o torna o seu membro mais recente, tendo mais tarde voltado a sair da mesma por um tempo.

                  Do Ontem ao Hoje: História da Banda

Mas os Xutos e Pontapés nem sempre foram como os conhecemos hoje. Entre os ajustes iníciais por que passaram conta-se o vocalista, que no princípio não era Tim, mas sim Paulo Borges, e o próprio nome da banda, que por pouco não foi Beijinhos e Parabéns.

Zé Leonel

 

Da banda fizeram ainda parte Zé Leonel (vocalista), que saiu em 1981, Francis (Guitarra), que saiu em 1983, e ainda Ricardo Delgado (teclas), que deixou a banda também em 1981.

Os Xutos estrearam-se a 13 de Janeiro de 1979 no Alunos de Apolo. A ocasião era a festa comemorativa dos 25 anos do Rock’n’Roll e eles eram ainda uma banda por descobrir. Tocaram 4 temas às 3 da manhã. Anos mais tarde, quando interrogado sobre se esse concerto teria corrido bem, Tim haveria de responder ”Não, tocamos muito depressa”. Aos poucos começam a surgir mais concertos.

Em 1982, lançam os singles “Sémen”, que se transformou num êxito das rádios e “Toca e Foge”. Lançam também o seu primeiro álbum, 1978-1982 que é bem aceite pela crítica, mas não vende como se esperava, consequência de um mercado lotado de rock. Mesmo assim os concertos não param e os seguidores dos Xutos continuam a aumentar.

Em 1983 chega João Cabeleira e no ano seguinte Gui, deixando a banda como a conhecemos hoje. É ainda em 1984, que lançam o single “Remar Remar e que dão o seu primeiro concerto de aniversário no Rock Rendez-Vous.

Mas, apesar da fama crescente as negociações com a editoras continuam a revelar-se difíceis e em 1985, cansados pela falta de discos, lançam independentemente o mini-álbum “Cerco”, cujos concertos de lançamento batem os recordes de público.

Em 1986 regravam em single “Barcos Negros” e “O Homem do Leme”. Gravam ainda dois concertos no Rock Rendez-Vous com a intenção de lançarem um disco ao vivo, mas este acaba por sair apenas em 2001.

Assinam finalmente contrato com uma editora em 1986 e em 1987 sai “Circo de Feras”, que se transforma rapidamente num êxito de rádio e de vendas e conquista até a crítica. No final do ano, o álbum que conta com êxitos como “Contentores” eNão Sou o Único, é já Disco de Ouro, com mais de 20 mil cópias vendidas. A digressão de seis meses termina num concerto com seis mil pessoas e o sétimo single, “A Minha Casinha”, vende 50 mil cópias.

O sucesso continua no ano seguinte (1988) quando os Xutos e pontapés lançam o álbum “88” com os sucessos “Para Ti Maria” e “À Minha Maneira” e o triplo “Ao Vivo”. A digressão desse ano é a maior de até então.

Mas a maré muda nos anos seguintes e, até 1992, o sucesso parece prestes a terminar. “Gritos Mudos”, de 1990 é mal recebido, os concertos são menos e o público diminui.

Só no final de 1992 a banda consegue finalmente começar a voltar ao topo, com o lançamento do disco “Dizer Não de Vez” que chega a Disco de Prata em 1993 e do single “Chuva Dissolvente”. Nesse ano lançam ainda “Direito ao Deserto”.

Tim

Em 1994 comemoram os 15 anos de banda num concerto no Coliseu do Porto. Neste ano voltam a acumular concertos atrás de concertos e chegam mesmo a tocar no Campo Pequeno e com a Orquestra Metropolitana de Lisboa.

Em 1995 sai “Ao vivo na Antena 3” que nos traz uma versão diferente de vários clássicos desta banda e que viria a tornar-se Disco de Platina em 1996. Em 1997 dão-nos a conhecer “Dados Viciados”, cuja digressão termina com dois grandes concertos no Coliseu de Lisboa.

Seguiram-se os êxitos “Para sempre” composto para a banda sonora do filme “Tentação” e o primeiro best of da banda, “Vida Malvada”.

Em 1999, aquando dos 20 anos da banda, sai o álbum de homenagem “XX anos, XX bandas”, onde 20 bandas portuguesas tocam 20 clássicos dos xutos, e o livro “Uma fotobiografia dos Xutos & Pontapés : XX anos” que vêm juntar-se à já publicada Biografia Oficial dos Xutos e Pontapés, de 1991.

O álbum “XIII” vê a luz do dia em 2001 e traz com ele uma nova digressão capaz de mover multidões que é, no entanto, interrompida por motivos de saúde de Zé Pedro. Segue-se uma temporada de concertos acústicos no Teatro Villaret, em Dezembro do mesmo ano. Ao todo, os concertos de 2001 contaram com mais de 600 mil espectadores. Os Xutos eram já a banda do rock português!

Em 2002 sai “Sei onde tu estás” álbum ao vivo gravado ao longo do ano anterior e em 2003 “Nesta cidade”, que retrata os concertos acústicos no Teatro Villaret. Ainda nesse ano abrem o concerto dos Rolling Stones em Coimbra.

Em 2004, para festejar os 25 anos dos Xutos e Pontapés é lançado o álbum “O Mundo ao Contrário”, que leva 28 mil espectadores ao Pavilhão Atlântico e faz parte da banda sonora do filme “Sorte Nula”. A 10 de Junho o então Presidente da República, Jorge Sampaio, condecora a banda com a Ordem do Infante D. Henrique atribuída por “serviços relevantes a Portugal, no país ou no estrangeiro, e na expansão da cultura portuguesa”. Da banda Sampaio haveria de dizer mais tarde estarem “sempre atentos aos problemas do país”.

Em 2005 a banda atinge a Tripla Platina com o DVD “Ao vivo no Pavilhão Atlântico” . Em 2006 sai o triplo DVD “Ai a P*** da Minha Vida” e ainda um musical encenado por António Feio sobre a história da banda, que conta com os temas do álbum “Sexta-feira 13”.

Em 2007 nova digressão, seguida por três concertos no Campo Pequeno para celebrar os 20 anos do álbum “Circo de Feras” e em 2008 regravam finalmente o álbum “Cerco”, que não fora anteriormente aceite.

Celebraram em 2009 trinta anos de carreira com um grande concerto no Pavilhão de Portugal, onde estrearam vários temas do álbum “Xutos e Pontapés”, que viria a ser editado em Abril e a chegar a platina poucos meses depois. Nesse mesmo ano reeditam o triplo “Xutos ao Vivo”, gravado em 1988, recebem o prémio Melhor Grupo Português atribuido pela MTV Portugal e a Medalha Municipal de Mérito da Câmara Municipal de Lisboa, por serem uma “banda de referência na cidade”, atribuído pelo presidente António Costa. Surge ainda o livro infantil “As Melhores Canções Para Crescer”, com textos da banda e ilustrações de Miguel Gabriel.

Em 2010 é editado o DVD Estádio do Restelo 2009, que chega a Platina numa semana e a 31 de Dezembro tocam num apinhado Terreiro do Paço. Nos anos seguintes os concertos continuam a esgotar um após o outro e os vários membros envolvem-se em diversos projectos individuais.

Em 2014, sai “Puro” e, para comemorar 35 anos de carreira realizam um concerto para 30 mil pessoas no palco MEO Arena. Em Maio do mesmo ano ganham o Prémio Carreira nos Globos de Ouro e actuam no Rock in Rio Lisboa, onde partilham de novo o palco com os Rolling Stones. Lançam ainda o DVD “35” no final do ano. Em 2015 gravam “Se me amas” em acústico e terminam o ano com concertos acústicos em Lisboa e Guimarães.

Entretanto, a 13 de Janeiro deste ano pudemos já contar com um novo tema, “Aleppo”, que fala sobre a guerra na Síria e virá a integrar o novo álbum da banda, possivelmente chamado “Duro”.

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