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O Verdadeiro 5 de Outubro Português

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Hoje, dia 5 de Outubro de 2016, comemora-se mais um aniversário da implantação da República. Há cerca de 106 anos, um grupo de homens revoltosos decidiu pegar em armas e acabar com um regime que estava fortemente debilitado, para instaurar um que achavam que salvaria o país dos graves problemas que enfrentava… Pois bem, um século e 6 anos depois, Portugal continua mergulhado em dívidas, a situação social continua grave e, politicamente, pouco ou nada se aproveita. Mas enfim, as críticas aos homens que fazem a República ficarão para outro dia porque o que me traz hoje aqui, perante vós, caros leitores, é relembrar que o 5 de Outubro, não é só feriado para se comemorar a implantação da República, em 1910.

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Primeira Bandeira Nacional Portuguesa

Hoje, meus amigos, e faço questão de realçar a bold e em maíusculas, comemora-se o aniversário do nosso País. Sim! Portugal está de parabéns! Completou cerca de 873 anos de existência. É o DIA DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL!!! E praticamente ninguém se lembra!!! Mas não há problema, estou aqui para falar um pouco disso e, talvez, mudar um pouco este paradigma do 5 de Outubro ser só o de 1910, quando o de 1143 é, tão ou mais, importante!

Vamos a um pouco de História. Recuamos cerca de 873 anos, estamos na altura na Reconquista Cristã (período em que os povos cristãos da Península Ibérica – Castela, Leão, Aragão, Navarra – lutavam para recuperar o território, até então, em mãos muçulmanas). Numa dessas campanhas, D. Henrique de Borgonha vem até Leão para prossegafonsohuir as campanhas militares que haviam sido travadas pelos árabes. Como recompensa, Afonso VI de Leão e Castela atribuiu os territórios a sul da Galiza (hoje, parte do centro e norte de Portugal) a D. Henrique, mais a mão de D. Teresa (filha ilegítima) em casamento. Nascia, assim, o Condado Portucalense. Entretanto, com a morte do Conde D. Henrique e, com a cada vez maior insatisfação que crescia pela política de D. Teressa, eis que surge a primeira grande figura que transformaria o Condado Portucalense, num reino autónomo e independente. Falo, claro, de D. Afonso Henriques. Já com idade para exercer o poder sob o Condado, a sua mãe não o permitia. É, então, que filho e mãe se enfrentam em batalha, por não terem conseguido chegar a um acordo verbal sobre os destinos do Condado. É a famosa Batalha de São Mamede, de 1128, que todos nós aprendemos na escola e que catapultaria D. Afonso Henriques como o principal agente da luta pela autonomia do Condado, visto estar sob égide de Leão e Castela, por via de D. Teresa.

Onze anos mais tarde, as tropas de D. Afonso Henriques derrotaram os mouros em Ourique e, em 1140, passou a auto-denominar-se rei. Como explica a historiadora Maria Cândida Proença, este titulo “(…), na época, não significava independência, visto que Afonso VII, sendo «imperador», podia ter reis como vassalos, como acontecia com os reis de Aragão e Navarra”. A única maneira de se garantir uma cessação do Condado Portucalense em relação ao Reino de Leão e Castela, era D. Afonso Henriques pedir por vassalagem ao Papa, único poder que reconhecia. É nos dia 4 e 5 de Outubro de 1143 que, em Zamora, D. Afonso Henriques e Afonso VII se reunem para acordar os termos de paz (nestes anos houve várias escaramuças e conflitos militares entre os dois exércitos cristãos). Apesar de Portugal só ter sido reconhecido, oficialmente, como reino independente pelo Papa Alexandre III, em 1179, foi em Zamora que Portugal viu o seu primeiro dia nascer.

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Tratado de Zamora

O 5 de Outubro de 1143, passou a ser comemorado como o dia da independência em relação a Castela, nosso eterno rival! Foi festejado durante muitos anos e séculos até 1910.

Meus amigos, todos nós temos as nossas diferenças ideológicas, opiniões diversas sobre os mais variados assuntos. Há quem seja monárquico, republicano, anarca, comunista ou apartidário. Contudo, relembrar que hoje estamos todos aqui graças à obra e à preseverança de um grupo de homens chefiados pelo nosso primeiro Rei, deveria ser algo que todos nós, Portugueses, nos deveríamos orgulhar e celebrar. Por causa disso mesmo! Somos todos Portugueses, mesmo tendo ideologias, opiniões e convicções diferentes.

Por isso, meus amigos, vamos (re)começar a relembrar esta data. Nós somos um dos poucos países mais antigos da Europa. Um cujas fronteiras pouco ou nada mudaram em quase 900 anos de História. Se o nosso Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, hoje, se lembrou, e muito bem, deste marco, porque é que nós não? Por isso, do que é nós estamos à espera? Vamos celebrar a nossa existência! Não podemos esquecer de onde viemos.

Um bem-haja a todos e viva o 5 de Outubro de 1143!!

VIVA A PORTUGAL!

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