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Star Wars: Battlefront (Review)

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Depois de um jejum de 10 anos, a épica franchise de Star Wars: Battlefront regressa para se fazer representar numa nova geração, de jogadores e também tecnológica. Mas será que cumpre as expectativas, valendo a espera de milhões de gamers durante esta ultima década?

No ano distante de 2005, Star Wars: Battlefront 2 era lançado para as lojas, um ano depois do seu antecessor. Com esta sequela muitas das mecânicas que marcaram o primeiro jogo são expandidas, com novos modos de jogo e mapas, entre batalhas terrestres e espaciais, durante os períodos da Guerra dos Clones e do Império Galáctico, percorrendo assim quase toda a cronologia da saga de George Lucas. Este videojogo podia ser jogado em primeira ou terceira pessoa, e consistia, na sua maioria, no controlo de pontos estratégicos de um determinado mapa ou simplesmente pela eliminação da equipa adversária, com alguma prioridade na sua componente online, mas com uma vertente single-player, que oferecia uma experiência aceitável a quem não queria arriscar o confronto com outros jogadores. A adição de heróis jogáveis da saga, que podiam modificar o rumo de uma batalha de forma critica, balançava as equipas em confrontos épicos e altamente competitivos.

Em 2013, a EA Games obteve direitos exclusivos para a criação de conteúdo no universo Star Wars, mobilizando developers como a DICE, responsável pela por vezes agridoce saga de Battlefield. A empresa depressa anunciou a existência de um novo Battlefront, que dispensava a continuidade dos anteriores, assumindo-se não como terceira instalação, mas sim como reboot. Reticências assombraram alguns gamers devido ao historial da DICE, temendo que a saga se torna-se apenas num Battlefield mascarada pela saga de Star Wars. Não é possível afastar que estes receios tinham de facto fundamento, mas o novo videojogo consegue mobilizar a maior parte das dimensões positivas que tornaram muitas das instalações recentes de Battlefield em experiências únicas.

Battlefront (2015) é notável maioritariamente a nível gráfico, pois utiliza o motor de jogo Frostbite 3 que lhe acrescenta um grau de realismo único que nos faz sentir em pleno dentro da saga. Se o deserto de Tatooine pode não convencer da genialidade e do poder do motor, talvez uma visão mais atenta das paredes geladas de um qualquer nível em Hoth possam afastar de vez as dúvidas. É talvez o primeiro jogo que consegue quase na sua totalidade replicar a atmosfera dos filmes, com a contribuição da fidelidade a um nível bastante religioso no design de modelos, armas e mapas, onde também a música de John Williams marca presença com resultados bastantes positivos.

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No entanto, um jogo não vale apenas pela sua componente gráfica, e se Battlefront (2015) faz tudo bem a nível visual, outras dimensões ficam aquém das expectativas, especialmente a nível de conteúdo. Quem esperava a variedade de Battlefront (2004), e especialmente de Battlefront 2 (2005), poderá ter uma surpresa desagradável. Neste momento o jogo está reduzido a cinco planetas (já contando com o DLC grátis que introduz Jakku), cada um com as suas variantes  de mapas e dimensões de forma a comportar diferentes modos de jogo. No entanto, não existem mapas espaciais para nenhum deles, ou seja, as incríveis batalhas entre naves da saga no espaço encontram-se ausentes, havendo apenas combate no terreno, que nalguns mapas introduz veículos voadores que podem ser pilotados. O videojogo também se foca apenas no período do Império Galáctico, ou seja, na era da trilogia original, não havendo planos para adição de qualquer conteúdo da Guerra dos Clones ou mesmo da nova trilogia. A juntar a isto está a falta de uma campanha single-player. Existem de facto missões que podem ser jogadas a solo ou em cooperação, mas não existe uma narrativa que torne estas missões apelativas, a não ser um pequeno bónus monetário da moeda do jogo.

Se o conteúdo será alvo de algumas adições? Claro, certamente! Mas muitos gamers ficarão certamente desmoralizados sabendo que além de pagarem 60 euros pelo videojogo têm à sua disposição um season pass que custa nada mais nada menos que mais 50 euros. A EA Games já nos habituou a este modelo de negócio, que não dignifica em nada a indústria, e que por vezes desrespeita o consumidor, preso a uma experiência que muitas das vezes não é completa. Battlefront (2015) não é provavelmente o pior exemplo, mas deve sem dúvida ser alvo de muita ponderação no momento da compra.

Falando ainda de conteúdo, vários modos de jogo estão disponíveis, embora nem todos sejam tão assinaláveis como deviam. Muitos replicam modos de jogo tradicionais de outras experiências competitivas dando-lhe nomes mais adequados ao universo de Star Wars.  Cargo não é mais que o tradicional Capture the flag e Blast é apenas um Deathmatch de equipas.  Muitos destes modos não são tão apelativos como seria espectável e a maior parte da população acaba por dividir-se entre dois que apresentam uma experiência completa. Walker Assault põe no terreno 40 jogadores, os Rebeldes tentam destruir os Imperial Walkers, enquanto a equipa adversária, o Império, tenta capturar as centrais que permitem à equipa adversária bombardeá-los. Já Supremacy é muito semelhante mas baseia-se em controlar pontos estratégicos em cada mapa. Ambos os modos de jogo permitem ao jogador pilotar veículos, naves e controlar heróis icónicos da trilogia original, adversário imponentes, mais resistentes a dano e com habilidades especiais, que devem ser abatidos com trabalho de equipa.

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Em termos de jogabilidade há pouco a apontar, todo o jogo parece ter sido optimizado na perfeição, o que facilita bastante quando a acção necessita de momentum. Battlefront apela à precisão e à rápida reacção dos jogadores. Fácil de perceber mas difícil de aperfeiçoar mostra-se um jogo rápido onde num espaço de segundos todo o rumo da batalha pode mudar drasticamente. Os novos jogadores são directamente postos no meio da acção, e nenhuma missão de treino os prepara para a experiência online. A morte instantânea é quase certa nas primeiras tentativas, em servidores onde vários jogadores de ranks variados infernizam os iniciados. Na grandeza dos mapas é bom saber que o jogador pode transportar-se a cada respawn para um companheiro de equipa específico, um jogador aleatório atribuído no inicio do jogo e que apela a algum apoio e trabalho de equipa, embora a intenção nem sempre seja entendida no meio do fogo cruzado, nem mesmo pelos jogadores veteranos.

Jogar com heróis e com veículos é uma grande honra neste novo Battlefront, muito difícil de atingir uma vez que estão apenas acessíveis através de uma espécie de power-ups que aparecem aleatoriamente em sítios específicos no mapa. Jogadores veteranos sabem com precisão onde encontrá-los e é por isso difícil a outros jogadores jogar tanto como gostariam com os heróis e vilões da saga. Os veículos nem sempre são fáceis de controlar e é muito frequente assistir a acidentes aparatosos. Esta dificuldade parece ser particularmente intencional, e apela à mestria e ao treino dos jogadores.

O sistema de ranks em Battlefront funciona com experiência, o jogador tem de subir de rank de forma a desbloquear novas armas e cosméticos para a sua personagem. Em cada batalha, a sua prestação é convertida em moeda de troca que é utilizada para desbloquear o já referido. Este sistema não é, no entanto, apelativo. Ao longo dos 50 ranks possíveis os jogadores vão tendo acesso a items mais poderosos, mas o progresso é lento e requer paciência. Alguns utensílios, nomeadamente o equivalente a sniper rifles e outras armas que permitem matar jogadores a grandes distâncias são consideradas armas bónus e não a arma principal do jogador. A isto junta-se a ausência de classes, que tira uma certa variedade aos aliados e inimigos no campo de batalha.

Além de armas, o jogador pode transportar consigo dois items e uma habilidade especial que geralmente atribui poderes aos seus ataques principais durante um pequeno período de tempo. Mais tarde, é possível desbloquear um trait que dá pequenas bonificações baseadas no estilo de jogo pretendido, e que se torna mais poderosas dependendo do número de pontos adquiridos numa só vida, fazendo reset quando o jogador morre. Entre granadas e misseis teledirigidos, passando por um jet pack, o equipamento dos jogadores não difere de maneira decisiva, responde apenas às prioridades e às habilidades que o jogador pretende utilizar, aliado ao papel que quer ter no jogo.

Battlefront (2015) tenta fazer os jogadores reviver os momentos da saga no meio de acção desenfreada e bem executada numa galáxia muito, muito distante, mas peca pela falta de variedade no conteúdo, aliado a modos de jogo na maioria pouco apelativos. As grandes parcelas de conteúdo que serão adicionadas estão barradas por um season pass quase tão caro como o jogo! Visualmente não há videojogos de Star Wars com tanta atenção ao detalhe, mas gráficos não podem ser o único factor a decidir a grandeza de um título. O apelo forçado à subida de rank torna a experiência menos cativante e deixa o jogo aquém da sua potencialidade.

É um jogo mau? Longe disso! É uma experiência que entretém, mas passado algumas dezenas de horas pode tornar-se repetitiva e sem nada de novo para oferecer. Podia ter sido melhor elaborado, pensando no jogador e na sua exigência por conteúdo completo, diversificado e apelativo. Nada parece, no entanto, parar o videojogo, que já vendeu 12 milhões de cópias no primeiros 2 meses. Para isto muito contribui a sua presença nas consolas de nova geração, e no PC, mas também a marca Star Wars, que por si move milhares nos mais variados media. Battlefront (2015) é uma experiência moderadamente aconselhável para fãs e não fãs da saga, mas com inúmeras reticências e questões, a que a EA Games já nos habituou…

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Volto para o próximo mês com mais videojogos…

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