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Spider-Man PS4 (Review)

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Quando se trata de videojogos, os super-heróis são ainda alvo de uma certa apreensão. Com Batman da DC o caso mudou de figura com a série Arkham, mas com o universo Marvel os famosos tie-in, ou seja, jogos agregados a lançamentos noutros media, como o cinema, são na sua maioria um fracasso. Sendo que o último jogo do rapaz aranha, considerado na sua generalidade como bom, remonta a 2004, Spider-Man 2, é natural que muitos já tivessem perdido a esperança. Para piorar a situação a última incursão, The Amazing Spider-Man 2 (2014) foi duramente criticado, o que desmoralizou aqueles que procuravam pela derradeira experiência.

Felizmente para muitos, a esperança reacendeu com a Insomniac Games, responsável por jogos como Sunset Overdrive (2014) e o remake de Ratchet & Clank (2016), que tomou as rédeas do longo legado de hit or miss de Peter Parker. O resultados estão à vista com o lançamento de 7 de Setembro, que tive oportunidade de experimentar com a compra da PlayStation 4 Pro. Spider-Man (2018) é um exclusivo para a consola da Sony, e para compensar esse facto tem de subir a fasquia, englobando tudo o que tornou os jogos deste herói únicos, e introduzindo uma aventura que junte conceitos inovadores. Terá conseguido?

A primeira coisa a louvar a Insomniac Games é talvez a sua escolha narrativa. A empresa distanciou-se da representação do Homem-Aranha noutro meios e criou o seu próprio “estado das coisas”.  No aspecto narrativo procurou evitar a simples história da origem do herói, que nos últimos 15 anos tem sido abordada pelos mais diferentes reboots. Já não é disso que os fãs estão a procura e esse facto foi bem expresso por muitos dos que seguiram a produção deste jogo. Neste take, Peter Parker já não é um adolescente mas sim um jovem adulto com novas responsabilidades, trabalhando no laboratório de um tal Otto Octavius… Sim, há algumas partes da narrativa que são óbvias e sabemos onde vão parar, no entanto, não sabemos bem quando vão ocorrer e isso pode ser a grande surpresa. Parker tem também um conjunto de problemas pessoais nomeadamente com Mary Jane Watson, que não aguentou a sua vida de herói e resolveu separar-se. Embora possa parecer que as sequências de Peter se intrometem nas de Spider-Man, a história balança o homem e a persona de uma forma muito inteligente. São mesmo as sequências de Mary Jane que, de certo ponto, quebram a experiência, devido à sua linearidade mas também pelo seu sistema de stealth rudimentar. Podem dar um outro lado à narrativa mas não são sequência particularmente inspiradas pois contrastam com a mobilidade e sensação de progresso do herói.  Toda a narrativa, isto é, auxiliado por excelentes sequências no motor do jogo, que registam através de um excelente trabalho gráfico, todas as nuances presentes nas caras dos intervenientes. Um trabalho de motion capture digno de nota.

Nesta abordagem é de louvar a premissa de que Spider-Man não é só vestir a capa, é também viver a vida da perspectiva do homem por detrás da máscara e daqueles que o rodeiam. E como seria de esperar, as vinte horas de história estão também cheia dos vilões clássicos mas também de adições relativamente recentes no mundo da banda desenhada que pretendem desestabilizar o homem e o alter ego com testes de moralidade e revelações surpreendentes.

Sem descurar da narrativa, que mostra um herói mais experiente e cheio do humor sarcástico e acutilante de sempre, a grande realização da Insomniac Games é talvez a construção de uma cidade viva e cheia de actividades. Centrado em Manhattan, como seria de esperar, nunca houve jogo de Spider-Man com um mundo tão detalhado. A cidade está lá, em escala própria, pensada em termos gráficos com detalhes de luz estonteantes, e alguns pequenos pormenores que fazem a diferença. As capacidades da consola são certamente levadas ao seu expoente máximo sem qualquer loading associado. Com os arranha-céus monstruosos, e alguns edifícios que foram elevados para que o herói pudesse usar as suas teias com máxima eficácia, usar a teia para transporte relembra outros videojogos de Spider-Man e requer alguma prática para maior eficácia. Pode levar algum tempo de habituação mas torna-se facilmente numa das actividades mais satisfatórias e o principal alvo para o uso do Photo Mode.

A cidade está também cheia de pequenas actividades e coleccionáveis, infelizmente, neste ponto Spider-Man tem alguns problemas derivados da repetição. Muitas das ocorrências na cidade estão ligadas a três ou quatro modelos que podem ir deste assaltos a perseguições policiais, normalmente balizadas por zonas, e alvo de alguns objectivos bónus que dão o certo twist, no entanto, não deixam de representar uma repetição do mesmo conceito passado algumas horas. Cada zona tem o já conhecido ponto central que deve ser desbloqueado de forma a vislumbrar todas as actividades existentes em redor, uma característica muito usada pela Ubisoft em jogos como Farcry ou Assassin’s Creed. Outro tipo de missões revolvem em volta de vários objectivos que vão sendo desbloqueados nas primeiras horas de jogo. Infelizmente, algumas delas não são muito elaboradas nem têm grande história associada. Infelizmente, o jogador terá de se centrar nelas se quiser desbloquear melhorias para os seus gadgets, ou novos fatos para o herói. Embora algumas quests secundárias compensem algum desinteresse por outras actividade, esta necessidade de enveredar pelas mesmas pode tornar-se o pesadelo dos complecionistas, obstante do incentivo à exploração. O conteúdo secundário está longe de representar a complexidade de outros títulos, no entanto, alguns mini-jogos são bem executados, não cobrindo com isso nenhuma nova fronteira. Spider-Man não é certamente um RPG que necessite de um estilo de quest com decisões ou complexidade para construção de personagem, mas quer certamente introduzir na sua jogabilidade alguns elementos de RPG, como níveis e habilidades.


No combate, a Insomniac Games esmerou-se embora tenha sido inspirada certamente pela saga de Arkham de Batman. Contudo, Spider-Man 2 (2004) já introduzia alguns dos twists presentes no combate. As escaramuças são dinâmicas e os controlos respondem sem dificuldades. O herói não tem muita vida, por isso, é necessário planear e esquivar-se dos ataques com alguma mestria. O arsenal para esse feito é também bastante particular e oferece um conjunto de combos que permitem o auxilio de várias peças presentes no cenário. O resultado é talvez um dos melhores sistemas de combate dos últimos anos, sempre em evolução através de um sistema de habilidade directamente ligado ao nível do jogador.  Por cada nível, o Homem-Aranha ganha alguns atributos passivos, o resto cabe ao jogador distribuir por 3 árvores direccionadas para o combate corpo a corpo ou à distância. Há certamente algum espaço para a individualidade que se cruza com a possibilidade de vestir o fato preferido sem restrições. O grande conjunto de fatos, inspirados nas diversas eras e encarnações do herói não são apenas cosméticos, têm habilidades especificas. Felizmente, estas podem ser trocada por outras presentes em fatos já desbloqueados. Isso permite que o jogador possa sempre jogar com a aparência que quer sem perder a sua habilidade favorita.

Spider-Man não reinventa a roda, mas reintroduz o herói dentro de uma nova versão que se afasta propositadamente de outros universos em curso neste mundo cross-media. Com DLCs a caminho e sucesso que pede por sequela, a Insomniac Games têm em mãos um pequeno colosso com possibilidade de sucesso duradouro. A cidade infinitamente explorável, a história, e o combate são dos grandes trunfos, no entanto, é nas actividades secundárias que o jogo parece por vezes pecar pela repetição e pela formula cliché dos últimos anos. Não é certamente o jogo perfeito mas é a melhor aposta de super-heróis desde a saga Arkham. Com sorte, outros heróis poderão aproveitar a onda e reinventar as suas formulas individuais, com a noção de que não será fácil fazer tremer os heróis populares de sempre.

Nota: Todas as capturas de ecrã foram feitas durante a review e tratadas no Photo Mode na PS4 Pro.

Voltarei brevemente com mais videojogos…

 

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