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Soundcloud – Que Futuro?

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Olá caro/a leitor/a! Espero que tenha gostado das últimas crónicas e que esteja pronto para mais uma, porque aqui no Ideias e Opiniões, nunca paramos! Bom, se há dois meses dediquei-me a analisar duas músicas portuguesas, de períodos diferentes da nossa história moderna, este mês trago-lhe algo completamente diferente. (Nota-se muito a influência dos Monty Python, aqui?). Do que é que se trata, pergunta o/a caro/a leitor? Bom, parece que alguém não anda a ler os títulos cuidadosamente escolhidos para as crónicas….Mas pronto, eu digo! Este mês irei abordar as mudanças que estão a ocorrer numa das maiores plataformas de streaming musical do mundo: o Soundcloud! Mas para os leitores que não estão bem relacionados com o conceito de streaming, irei primeiro dar-lhe uma breve descrição sobre o que é isto e o quão importante é no mundo da música. Vamos a isto!

Pois bem, streaming é segundo a Wikipedia “uma forma de distribuição de dados, geralmente de multimédia numa rede através de pacotes. É frequentemente utilizada para distribuir conteúdos de multimédia através da internet”. Exemplos de streaming são por exemplo o Youtube, plataforma na qual pode assistir a vídeos sem os armazenar no seu dispositivo. Ou seja, em linguagem de leigos, para ser mais fácil de entender, é a reprodução de um conteúdo de multimédia através da internet, seja em imagem ou som, ou em ambos, em que o que o/a caro/a leitor/a está a assistir ou ouvir, não fica guardado no seu computador, telemóvel, tablet ou outro dispositivo com ligação à internet.

SoundCloud-orange-black-trans“Então porque é que é importante?”, pergunta o/a caro/a  leitor/a. Por variadíssimas razões. Primeiro, porque muitos artistas que estão a começar colocam as suas músicas no Soundcloud para verem a opinião das pessoas antes de gravarem. Depois, porque o/a caro/a leitor pode descarregar, ou fazer o download (numa linguagem mais técnica), desse mesmo som/música. Mas também, porque o/a caro/a leitor/a pode gravar o seu próprio som ou áudio e colocá-lo à disposição de qualquer pessoa. Como é capaz de ter reparado na crónica do Bruno Custódio, onde o nosso CEO, Bruno Neves e a nova cronista, Margarida Gaspar usaram o Soundcloud, para poderem dissertar os poemas da crónica dos Discos Pedidos.

Mas vamos às mudanças e ao que traz os/as caros/as leitores/as a esta crónica. De facto o Soundcloud vai mudar e a grande questão é, será para melhor ou para pior? E o/a caro/a leitor/a pode pensar “Que raio de pergunta, então se fosse para pior, não valia a pena mudar”. Pois mas aí é que está, é que muitas são as publicações online a dizer que este será o fim do formato do Soundcloud como o conhecemos e poderá eventualmente acabar. E que mudança será essa, pergunta o/a caro/a leitor/a. Bom, o Soundcloud irá passar a ter um serviço chamado Soundcloud Go, que oferece o que os seus “rivais” já ofereciam. Ou seja, o Soundcloud chega atrasado.

O Soundcloud Go oferece uma panóplia de músicas, todas organizadinhas por autor e género, podendo-se ouvir sem estar ligado à net (o que é óptimo para quem não quer gastar dados no telefone, por exemplo. Ou para quando está num avião e lhe apetece ouvir música). Para além disto, é também completamente livre de anúncios, o que faz com que possa estar a ouvir música tranquilamente, sem qualquer interrupção. Porém, está apenas disponível em dispositivos móveis, o que o deixa em desvantagem com os concorrentes directos como o Spotify, por exemplo, em que o serviço pago, tal como é o Soundcloud Go, está disponível para Computador. Mas há mais, é que este serviço está por enquanto apenas disponível nos Estados Unidos da América, (esses bandidos que têm sempre tudo primeiro), Reino Unido e Irlanda.

Este novo serviço é tão diverso que os próprios criadores afirmam que podem encontrar no Soundcloud Go, “o álbum completo do Kendrick Lamar, Podcasts e os grandes êxitos. E ainda as novas grandes estrelas”.

soundcloud3Mas nem tudo é mau, apesar de todas as contrariedades, em relação ao Spotify ou até ao serviço da Apple. É que o Soundcloud tem mais de 100 milhões(!) de faixas colocadas pelos utilizadores. E estas serão “anexadas”ao que vai passar a estar disponível com o Soundcloud Go, que irá contar com álbuns e algumas faixas na sua galeria, muito devido às negociações com as empresas discográficas. O objectivo deste novo serviço é tornar o Soundcloud como o serviço “com maior oferta de conteúdos do mundo”, de acordo com os seus criadores.

No início deste ano, o Soundcloud assinou um contrato de licenciamento com a Universal Music Group e com a Sony Music Entertainment, adicionando à sua parceria com a Warner Music. Desta forma conseguiu disponibilizar mais conteúdo para o novo serviço.

A empresa espera que com o Soundcloud Go e a consequente expansão de conteúdos possam ajudar a superar as perdas. No último relatório de contas conhecido, referente a 2014 ainda, tinham mais de 39 milhões de euros só em perdas. O que um cidadão comum não daria por ter metade deste valor no seu bolso…. Contudo as receitas aumentaram, embora as perdas tenham aumentado de 2013 para 2014.

Para fazer face a este buraco orçamental, o Soundcloud anunciou que o serviço gratuito, que muitos diziam que iria acabar, irá agora passar a ter mais anúncios, de todas as formas e feitios. Embora se perceba esta maneira de ganhar financiar o serviço mais comum é pena que tenha de ser assim, pois acaba por incomodar alguns dos seus fiéis seguidores, mas é de facto a única maneira de manter o serviço gratuito.  Porém não só de anúncios irá fazer-se o financiamento do Soundcloud gratuito. Será também através de parcerias, que a empresa deverá anunciar futuramente.

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Mas no meio de tudo isto, vem o tema mais problemático dos últimos anos com o aparecimento dos serviços de streaming. Estou a falar, ou neste caso escrever, dos royalties, ou seja, do dinheiro pago aos artistas pelos seus conteúdos. É que o streaming musical representa já 2,4 Biliões de dólares, de acordo com a Recording Industry Association of America (RIAA).

As receitas do streaming foram de 34% do total das vendas na indústria da música nos EUA no ano passado. E isto deve-se muito ao rápido crescimento de serviços de subscrição pagos como o Spotify, Apple Music, Tidal… Porém, no caso do número de serviços de streaming com anúncios, a RIAA afirma que aumentaram 63% em 2014, já as suas receitas foram 34% superiores ao ano anterior. Já em 2015, as receitas subiram “apenas” 31%.

Voltando aos royalties, o CEO do Soundcloud, Alexander Ljung disse não poder divulgar os valores que pagavam aos artistas em relação aos seus concorrentes, mas afirmou que com os anúncios, na nova estratégia, poderá tornar-se muito mais atractivo.

Se o Soundcloud Go conseguir ser bem sucedido, poderá vir reinventar o serviço de streaming conseguindo pôr a sua concorrência, mais concretamente o Spotify em cheque. O Go poderá vir a fazer dinheiro para a indústria, dar aos utilizadores e criadores maior acesso a música e ajudará a ganhar terreno aos seus concorrentes.

Porém, há quem afirme que o novo Soundcloud Go, pode levar o Soundcloud a estabelecer-se como igual aos outros serviços e que possivelmente possa vir a ser um flop, tal como o Tidal está a ser, apesar dos seus conteúdos exclusivos. Mas, apesar de tudo, os fundadores estão confiantes. Aliás, Eric Wahlforss afirma que, o facto de o Soundcloud Go ter todos os conteúdos dos seus concorrentes, no entanto é cauteloso ao referir que o Soundcloud se vá tornar igual a esse serviços. O que significa, na visão de Wahlforss, (que rico nome, hein), é que vai passar a ter tudo aquilo que os outros têm e muito mais, não fosse o Soundcloud ser tão diferente, como eu já referi, nas suas potencialidades.

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Contudo, é óbvio que nestas mais de 100 milhões de faixas, que referi anteriormente, existem muitas em que a qualidade é bastante questionável, ou até aquelas que nada têm a ver com música, como é o caso, por exemplo, do nosso CEO, Bruno Neves a recitar poemas, para a crónica dos Discos Pedidos. (Nada contra chefe, ouviste, não me despeças. Está muito bom, mesmo). Contudo, esta é a plataforma/serviço que grandes estrelas como Rihanna ou Kanye West usam para mostrar faixas que não estão disponíveis noutros locais.

Outra das vantagens do Soundcloud é o facto de novos artistas não terem de passar por uma enorme burocracia para poderem colocar as suas músicas nestes serviços, ao contrário do que se passa nos concorrentes, Spotify, Apple Music e até Tidal.

soundcloud_logo_black-500x500Essa é aliás a grande vantagem, afinal quem não gosta de ouvir e descobrir novos nomes, antes de eles estarem mainstream.

Exactamente por isso é que existem festivais como o Mexefest ou o Primavera Sound, ou até mesmo o Paredes de Coura, para referir apenas aqueles mais sonantes, onde novos talentos são descobertos. Quem sabe se não será o/a caro/a leitor/a a ser o/a próximo/a a pisar estes palcos graças, logicamente, ao Soundcloud.

Ou seja, no fundo, o Soundcloud está a reinventar-se ou já se reinventou e isso é algo positivo. É difícil dizer se o serviço Go irá ser uma boa aposta, tendo em conta o seu fraco alcance geográfico, porém espero que isto leve o Soundcloud a algo verdadeiramente incrível e que o serviço gratuíto não sofra muito com este investimento, num serviço de subscrição pago.  Sem dúvida que os próximos meses irão ser decisivos para saber se o Go será uma boa aposta.

Sugestões do Mês

Em Junho de 2015, lembrei-me de acrescentar, uma espécie de rúbrica às minhas crónicas de música e desde então, todas as minhas crónicas desta àrea, têm tido uma sugestão musical para acompanhar a crónica, quer fosse a mostrar novos talentos, quer fosse para dedicar música a alguém, quer fosse para acompanhar uma crónica de um festival, elas lá estavam para abrilhantar, a meu ver, a crónica. Faz portanto, um ano, que comecei esta rúbrica e tal como há um ano atrás, esta irá ter duas sugestões. Prontos/as para o que aí vem?? Vamos lá!

Há umas semanas pus-me em frente do computador a ver um filme que tinha muita curiosidade de ver. Informei-me antes com uma amiga sobre se o filme valia a pena, tendo recebido resposta afirmativa. Como tal, fui ver. O filme em causa chama-se Pitch Perfect, ou no título português, Um Ritmo Perfeito. Gostei bastante do primeiro filme e como tal, no dia a seguir, vi o segundo filme da “saga”. E se o primeiro estava bastante bom, o segundo bateu tudo. Sem querer roubar o lugar de crítico ao meu  colega e amigo, Luís Antunes, havia um equilíbrio fantástico da comédia com a música e mesmo os momentos mais “rídiculos”, fazem parte da história, não caindo de pára-quedas durante o filme.

A primeira música, que quero deixar para o/a caro/a leitor/a este mês é uma música cantada aos poucos durante o filme inteiro pela nova personagem. Estou a falar de Flashlight de Jessie J, mas neste caso será a versão do filme, cantado pelos actores. Para ouvir a versão original clique aqui.

 

Mas, se reparou no início desta rúbrica eu referi que ia sugerir duas músicas. E esta é mais uma vez uma sugestão pessoal, mas que pode ser utilizada por si caro/a leitor/a se se adequar, claro está. A segunda música que eu sugiro este mês é Father and Son, do famoso Cat Stevens ou Youssuf Islam, como preferir chamá-lo. É uma música que eu sempre gostei bastante e que o facto de estar longe de casa, me faz recordar com agrado a cumplicidade que eu tenho com o meu pai. Espero que gostes, man! 😉

Até para o mês que vem!

E já sabe, até lá, cante e dance, ao som das suas músicas preferidas.

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