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Soares: Portugal agradece (1924-2017)

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Morreu Mário Soares, primeiro Presidente da República civil após mais de 40 anos de ditadura, fundador do Partido Socialista (PS) e fervoroso opositor do Estado Novo, tendo estado exilado durante 12 anos.

Desde que foi internado, a 13 de Dezembro de 2016, que as piadas não tardaram. Quero acreditar que as mesmas pessoas que as fizeram, sabem dar valor à liberdade que têm hoje. A democracia e a política portuguesa devem eternos agradecimentos ao papel que Soares desempenhou ao longo de toda a sua vida, lutando por aquilo em que acreditava: a liberdade.

Ainda antes de entrar para a faculdade, já os governos autoritários e totalitários me fascinavam. Mas, o que mais me impressionava era a forma como se davam as transições para a democracia. Em 1974, Portugal iniciou a terceira vaga de democratizações (ver Samuel Huntington, 1991) sem recurso a violência. Ficaríamos na história por isso. Mais tarde, em 1986, Portugal entrava, juntamente com Espanha, para a actual União Europeia, processo que havia sido iniciado pelo antigo Presidente da República. E mais uma vez, os meus interesses académicos cruzavam-se com o percurso e a influência de Mário Soares.

Não há muito que se possa dizer. Hoje ficamos mais pobres. A política pinta-se de negro pelo “pai da democracia portuguesa”. Podemos não gostar todos de Mário Soares, mas devemos todos agradecer pelo seu trabalho antes, durante e depois do 25 de Abril de 1974. É o mínimo, enquanto portugueses livres. Foram 92 anos de uma vida cheia de voltas e reviravoltas, de conquistas e derrotas. Foram 92 anos de Soares e Portugal, ambos de mãos dadas. Resta-me agradecer, por tudo o que nos deixa. Por não ter desistido de nós, um pedaço de terra na ponta sudoeste da Europa.

Soares será sempre fixe!

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