Saúde

Ser vegan ou ser vegetariano, é a mesma coisa?

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Em abril, crónicas mil. Não era bem assim, mas também pode ser. Sejam bem-vindos a mais uma sessão de esclarecimento completamente gratuita.

Muito em voga têm estado os termos veganismo e vegetarianismo que trazem ainda muitas dúvidas. Será a mesma coisa?

Vai ficar a saber tudo nas linhas que se seguem.

Veganismo

Ser vegan é muito mais do que alterar a alimentação, acaba por ser um estilo de vida. Às refeições não há lugar para alimentos de origem animal como carne, peixe, ovos, leite e seus derivados, mel ou qualquer ingrediente que na composição tenha algo dessa origem.

No dia-a-dia excluem roupa, calçado, acessórios, móveis, tudo o que possa imaginar cuja pele seja animal. Por conseguinte também não utilizam produtos, como por exemplo cosméticos que tenham na composição ingredientes de origem animal, que tenham sido testados em animais ou que de alguma forma possam contribuir para a exploração animal.

A somar a tudo isto, não faz parte das atividades culturais dos veganos ir a eventos ou locais que envolvam animais, como circos, touradas, jardim zoológico, entre outros.

É um movimento que tem cada vez mais seguidores e até já existe o dia mundial do veganismo, celebrado a 1 de novembro.

Vegetarianismo

Então e ser vegetariano, o que é?

Ser vegetariano não é tão radical como ser vegan. Vegetarianismo envolve apenas alterações na alimentação, que se assemelha com a dos vegans, mas que poderá não ser tão rigorosa.

Há vários tipos de vegetarianos e, por norma, todos eles eliminam a carne e o peixe mas um ovo-lacto vegetariano, come vegetais, ovos, leite (derivados) e mel; um ovo-vegetariano elimina também o leite (derivados) mas consome vegetais, ovos e mel; e um lacto-vegetariano come vegetais, leite (derivados) e mel mas retira os ovos.

Ao contrário dos vegans, os vegetarianos continuam a utilizar produtos não alimentares de origem animal como o calçado, roupa, móveis. Utilizam também os cosméticos e os produtos testados em animais e não deixam de ir à caça, pesca, touradas, jardim zoológico ou ao circo.

Agora que já sabe as diferenças, deve estar a perguntar-se se adotar uma alimentação vegetariana é saudável ou prejudicial. A verdade é que há muitas vantagens em optar por esta dieta, tantas que nem sei por onde começar.

Se pensarmos bem, percebemos que haverá uma ingestão menor ou até nula de gordura saturada, colesterol, proteína animal e um aumento do consumo de hidratos de carbono: fibra alimentar, magnésio, ácido fólico, vitamina C e E, carotenoides (componentes que atuam como antioxidantes no corpo. São úteis para proteger a visão e previnem a deterioração das células, os efeitos do envelhecimento, e algumas doenças crónicas) e outros fitoquímicos.

Tudo isto se converte num colesterol mais baixo; melhora a pressão arterial, diminuindo o risco das doenças cardiovasculares; menor risco de diabetes tipo 2; desce a probabilidade de se tornar obeso; reduz a possibilidade de vir a ter cancro; melhora o funcionamento do intestino; previne a osteoporose, uma vez que melhora a saúde dos ossos; reduz a possibilidade de ter alzeihmer; ajuda a prevenir ou tratar doenças renais; previne o aparecimento de alergias; traz mais energia; reduz a necessidade de recorrer a medicamentos. E como se tudo isto não bastasse… pode aumentar a esperança média de vida em cerca de 10 anos.

Se ao ler esta crónica, ficou com vontade mudar a sua alimentação fique a saber que não deverá fazê-lo sem consultar o seu médico ou um nutricionista porque esta “dieta”, como qualquer outra, sobrevaloriza determinados grupos de alimentos e elimina outros que poderão ser essenciais ao seu corpo. Há que ter cuidado para garantir que colmata a carência de certas vitaminas e nutrientes, pois caso não o faça isso não será benéfico para a sua saúde.

Cada grupo de alimentos retirado deve ser equilibrado com outro alimento de igual valor nutricional.

Cuidados a ter

Após alguma pesquisa, reuni alguns cuidados que deve ter se quer seguir o tipo de alimentação vegan.

Por exemplo, comecemos pela soja. Percebi que tem tantos fãs como haters. Depreendi que há que a consumir com moderação (o que acaba por se aplicar a qualquer alimento que ingeramos). Deve então evitar alimentos de soja muto processados e optar por miso, tofu ou leite de soja.

E aqui fazemos uma pausa. Eu já tinha ouvido falar de tofu e tenho uma vaga ideia do que seja, mas miso… O que é miso? É um ingrediente tradicional da culinária japonesa feito a partir da fermentação de arroz, cevada e soja com sal. Resumindo e baralhando é uma pasta usada principalmente para fazer sopa.

Depois deste pequeno à parte, não se esqueça que deixar de comer alimentos derivados de animais não implica exagerar na junk food como as batatas fritas por exemplo. A comida processada contém valores nutritivos muito baixos e é uma fonte de calorias.

Percebi ainda que à partida irá precisar de um suplemento de ferro. Pois pode não ser suficiente aquele que encontra nos legumes, sementes de girassol, passas secas e escuras, folhas verdes.

Pode e deve abusar no cálcio, especialmente derivado de alimentos naturalmente ricos como a couve, amêndoa, soja, figos, laranjas, cereais ou leite vegetal.

Há uma vitamina que lhe vai fazer falta e poderá precisar de um suplemento. É a vitamina B12 que está presente sobretudo nos alimentos de origem animal. É essencial às células nervosas e sanguíneas. Sem ela poderá sentir mais cansaço, perda de apetite, problemas nervosos e até depressão.

Por último, não se esqueça também da proteína que ajuda a regeneração das células. As melhores fontes vegetarianas de proteína são soja, lentilhas, quinoa, feijões e seitan. O termo seitan soou-lhe estranho? É perfeitamente normal que isso aconteça caso não tenha estes hábitos alimentares que são aqui referidos. O seitan é um alimento proteico que deriva da proteína da farinha de trigo, denominada glúten. É parecido com carne, normalmente com uma cor acastanhada e textura esponjosa.

Caro leitor(a) espero que saia desta crónica mais esclarecido(a) e nunca se esqueça que o mais importante é ter uma alimentação equilibrada e consciente. À parte disso devemos aceitar as opções de cada um.

 

Voltamos a encontrar-nos em breve, por entre linhas e sorrisos.

Margarida Gaspar

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