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Salvador Martinha – “Tipo Anti-Herói” (Review)

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“O meu poder? Transformar coisas que me chateiam em coisas para rir”. “Tipo Anti-Herói” é a nova aventura de Stand-up, que Salvador Martinha traz às salas de espetáculos do país.

O ponto de partida foi na capital, com três datas seguidas no Teatro Tivoli BBVA. A equipa do Ideias e Opiniões esteve lá e vai contar-lhe tudo, gargalhada a gargalhada.

A vontade de ver o humorista ao vivo, já era há muito desejada por mim (Margarida Gaspar) e pelo Bruno Neves, que temos acompanhado atentamente o percurso do Salvador Martinha, principalmente desde que se começou a destacar pela rubrica que fazia na RFM, o “Pensa Rápido”. Minutos de humor sobre a atualidade que nos enchiam as medidas e nos deixavam com vontade de mais, sempre mais. Não podemos esquecer também os primeiros passos que deu no Canal Q, onde desde cedo provou estar certa a convicção de que “não existem limites para o humor”.

Andou pelos quatro cantos de Portugal com “Cábula” e “Na Ponta da Língua”, que ditaram a estreia a solo em palco, quer dizer, podemos considerar que a estreia foi bem antes disto; quando em pequeno, tomou as rédeas na sala de aula, e fez rir todos os colegas com piadas.

Depois do sucesso de “Cábula” e “Na Ponta da Língua”, e já numa nova fase da vida, em que vive a experiência de ser pai, Salvador Martinha surge com “Tipo Anti-herói”. Bruno Neves, o que podemos esperar deste espetáculo?

Tipo Anti-Herói

“Tipo Anti-Herói” é a nova aventura de Stand-up, que Salvador Martinha traz às salas de espetáculos do país.

Bom, podemos esperar muitas coisas, caro leitor, mas acima de tudo, risos, palmas e gargalhadas. É que por mais sisudo que seja, é impossível resistir estoicamente sem esboçar um único sorriso ao longo destes cerca de uma hora e vinte de comédia!

Passavam apenas dez minutos da hora marcada quando as luzes baixaram, o pano se abriu e a voz-off anunciava, de forma absolutamente épica, a entrada em palco de um dos jovens humoristas mais promissores da atualidade. O cenário não podia ser mais perspicaz: uma mascarilha, disposta de forma elegante e provocadora no fundo do palco, e um microfone, tão simples quanto poderoso, que Salvador Martinha usou com toda a garra.

Qualquer cidadão que acompanhe o trabalho de um humorista nas redes sociais tem receio de o ver ao vivo. Afinal de contas, existe o risco de estar a pagar bilhete para ver “apenas” uma versão alargada dos posts de Facebook/Instagram ou dos vídeos do Youtube. O público é exigente e quer sempre mais e melhor. Quer piadas novas e refrescantes. Quer exclamar “bolas, tão bem visto, nunca tinha pensado nisto!”. Quer identificar-se com a perspetiva do humorista, criando uma ligação única e inquebrável. Quer sentir que o dinheiro, seja ele quanto for, foi bem empregue e que aquele espetáculo mereceu o apoio, a presença e as gargalhadas. E todos aqueles que foram ontem ao Teatro Tivoli BBVA ver o Salvador Martinha sentiram certamente tudo isto.

“Tipo, Anti Herói” trouxe-nos um Salvador Martinha ainda mais adulto, consistente com o tipo de humor e sem deixar escapar os grandes temas da atualidade. Calma, passo a explicar! Mais adulto na abordagem a certos tópicos, pois provou que a vida de adulto também dá aso a comédia (começando nas bolachas para adultos, passando pelas relações amorosas e terminando na odisseia que é ser pai). Consistente com o tipo de humor, pois o Salvador Martinha que esteve em palco no Tivoli, continua a ser o mesmo Salvador Martinha de sempre apenas…cresceu. E ao crescer os temas que aborda e a perspetiva que tem da vida e de quem o rodeia evoluem. No entanto, sabendo que a esmagadora maioria dos que o acompanham são adolescentes, universitários e jovens adultos, mantém o material próximo deles, com vários tópicos, piadas, referências e lugares comuns que os mantêm agarrados ao espetáculo. E ligado à atualidade, porque na era da internet e das redes sociais, dos posts e dos vídeos virais, é ela quem lhe garante uma ligação instantânea a boa parte do público. E isto, caros leitores, é inteligência (algo que, felizmente, sempre abundou em Salvador Martinha)!

Merece ainda nota de destaque a surpreendente quantidade de “material sensível”. O público em geral não parecia preparado para algumas piadas mais hardcore, mas tal não foi sinónimo de silêncio, pois perante a inteligente abordagem de Salvador Martinha, foi impossível conter as gargalhadas. Não estaremos certamente na presença de um novo “Sinel de Cordes”, no entanto não deixa de ser curioso constatar este lado mais incisivo sobre alguns tópicos.

Martinha

“O cenário não podia ser mais perspicaz: uma mascarilha, disposta de forma elegante e provocadora no fundo do palco (…)”

Para terminar esta review falta uma análise à sala e ao público, não é assim Margarida Gaspar?

Completamente. Caro leitor, a noite fora do teatro estava desagradável, com algum vento e a chuva a marcar o Outono recém-chegado. Mas acredite que nos esquecemos de tudo isso durante o espetáculo. A sala do Tivoli revelou-se acolhedora, e até pequena, para tantos quantos queriam assistir. Por entre as cadeiras estava um público ansioso e expectante, composto na maioria por jovens adultos, o que era de esperar, mas entre os quais se destacavam algumas caras mais vividas, provavelmente na casa dos 35/40 anos.

Há um alerta a fazer: caso queira ver Salvador Martinha ao vivo… não arrisque chegar atrasado ou… usar camisas aos quadrados, pois será, muito provavelmente alvo de chacota em à partes que o humorista intitula de “programa para humilhar quem chega atrasado”. Certo é que, mesmo que não chegue atrasado, ou não opte pela indumentária referida, pode ser alvo dele na mesma, porque há uma constante procura de envolver o público no conteúdo. É uma boa estratégia, que nos prende ainda mais naquele ambiente de risos sinceros.

Mas afinal… o que é um “anti-herói”? Tem razão caro leitor, ainda não lhe tínhamos explicado.
Salvador Martinha diz que “é alguém que não tendo as características de herói, consegue salvar uma situação, salvar a humanidade”.

Vivemos dias tensos, complicados, stressantes, em que o riso, tão necessário ao nosso bem-estar, fica preso e esquecido. É das amarguras diárias que Salvador Martinha se propõe a salvar-nos.

Deixe-se ser salvo por este “anti-herói”! Para já, terá oportunidade de o fazer nas seguintes datas anunciadas: 29 de Outubro nos Açores, 12 de Novembro em Guimarães, 15 de Dezembro no Porto, 21 de Dezembro em Braga e 22 de Dezembro em Lamego.

Um Para Um

Imagem da autoria da TSF

Para os fãs de Salvador Martinha há ainda uma grande novidade que podemos contar, vai voltar à rádio com o companheiro Alexandre Romão. “Um para Um”, estreia dia 31 de Outubro às 18h20. Nesta nova rubrica, que vai ter lugar de segunda a sexta na TSF, o humorista vai conversar todos os dias com um convidado diferente, que poderá ser uma figura pública ou um cidadão comum.

Começámos esta crónica por lhe dizer que há muito queríamos ver Salvador Martinha ao vivo certo? Se gostámos? Podemos responder-lhe com algo que provavelmente encherá de orgulho qualquer humorista, “há muito tempo que não me ria assim”. Verdade caros leitores, o espetáculo correspondeu em todas as medidas às nossas expetativas, deixando-nos a pedir mais, e com vontade de repetir a dose assim que possível.

Que o riso seja uma constante na sua vida…

Bruno Neves e Margarida Gaspar

Nota: A fotografia em destaque na crónica é da autoria de Arlindo Camacho e pode ser encontrada no Facebook Oficial do Salvador Martinha.

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