Música

Rodízio Musical – À Volta do Mundo

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Entre o que perdemos e o que ganhámos com a liberalização e disseminação dos serviços de streaming, há que valorizar algo em que todos beneficiámos – a expansão e universalização do nosso gosto musical.

A verdade é que nunca como agora fomos tão selectivos e gourmet em relação ao que nos chega aos ouvidos: consumimos a nosso bel-prazer e temos poder para criar tendências. E isso traduz-se, invariavelmente, num panorama musical mais multicultural, ecléctico e poliglota, até.

Este post nasce da tentativa de assinalar o Dia Internacional da Música, comemorado no passado dia 1 de Outubro, mas sobretudo da vontade em demonstrar precisamente essa nova geração de artistas que brota longe dos principais pólos da indústria.

Que este rodízio musical vos encha as medidas:

 

Christine and the Queens (França)

Quem: Projecto a solo de Héloïse Letissier.

Soa a: Pop imaculadamente entregue com apontamentos de synthpop e funk.

O quê: Natural de Nantes, Letissier começou por editar música em formato EP no ano de 2011, chegando ao primeiro LP três anos depois. Em 2016 alcançou sucesso além-fronteiras e regravou o disco em inglês. Em Setembro passado lançou um ambicioso e musculado sucessor que explora, quer em inglês ou em francês, as linguagens da pop electrónica e da música funk, bem como os conceitos de masculinidade, feminilidade, força e vulnerabilidade com particular bravura.

Para escutar: Chaleur Humaine (2014) e o recém-lançado Chris (2018).

 

Sigrid (Noruega)

Quem: A melhor esperança pop norueguesa, eleita pela BBC como a debutante mais promissora para 2018.

Soa a: Uma taça de cereais cheia de atitude e vitamina C.

O quê: Nascida e criada em Ålesund, cidade portuária alojada por entre os fiordes da Noruega ocidental, Sigrid cresceu rodeada de natureza, montanhas e ar puro que parecem ter feito maravilhas pela sua voz cristalina, aguda e com alguma gravilha que, na verdade, é o que confere o derradeiro “oh” de assombro às suas criações synthpop.

Para escutar: Os EPs Don’t Kill My Vibe (2017) e Raw (2018).

 

 

 

Rosalía (Espanha)

Quem: A próxima grande sensação da Catalunha a agitar as águas do mainstream.

Soa a: Velho e novo mundo, com heranças ancoradas no flamenco e a pop, R&B e trap a perder de vista.

O quê: Fez-se anunciar na aurora de 2017 com o expedito Los Ángeles, alinhavado em parceria com o produtor espanhol Raül Refree, mas é com a campanha de singles para o novo El Mal Querer – disco que assinala a mudança da Universal para a Sony Music e que expande os elementos de fusão – que está a ficar nas bocas do mundo.

Para escutar: “Aunque Es De Noche”, “Malamente” e “Pienso En Tu Mirá”.

 

 

Jão (Brasil)

Quem: Nome de código de João Vitor Romania, a maior revelação da pop brasileira em 2018.

Soa a: Pop de cachorrinho abandonado.

O quê: Jão faz parte do leque de histórias bem-sucedidas do YouTube. Foi lá que começou por publicar covers que depressa conquistaram uma legião de seguidores. A Universal estava atenta ao fenómeno e acenou-lhe com um contrato. Os primeiros inéditos viram a luz do dia em 2017, e em Agosto último editou o primeiro disco – e o fenómeno adensa-se.

Para escutar: Lobos (2018), o álbum de estreia.

 

 

 

Blanche (Bélgica)

Quem: Fada indie pop belga de apenas 19 anos que participou na Eurovisão em 2017.

Soa a: Um campo de jasmins banhado por uma pálida luz matinal.

O quê: Em 2016 Ellie Delvaux inscreveu-se na edição belga do The Voice, onde chegou até à segunda gala. No ano seguinte foi recrutada para defender as cores da Bélgica na Eurovisão, terminando à beira do pódio, em quarto lugar. Desde então editou dois inéditos que exploram a melancolia da sua voz em ambientes de indie pop/synthpop com influências recuperadas à cold wave.

Para escutar: “City Lights”, “Wrong Turn” e “Soon”.

 

 

Iceage (Dinamarca)

Quem: Quatro moçoilos a provar que também existe angústia emocional no país mais feliz do mundo.

Soam a: Uma massagem cardíaca de punk rock.

O quê: Formados em Copenhaga há uma década, ainda adolescentes, os Iceage recolhem influências dos The Stooges e dos The Bad Seeds de Nick Cave. Estrearam-se nos discos em 2011 com New Brigade e editaram em Maio passado o quarto do percurso, que expande os horizontes sónicos do grupo sem abdicar do negrume a que são orgulhosamente cativos.

Para escutar: Plowing Into the Field of Love (2014) e Beyondless (2018).

 

Mikolas Josef (República Checa)

Quem: O representante da República Checa na Eurovisão 2018.

Soa a: Misto de Justin Timberlake, Eminem e Liam Payne.

O quê: Criado no seio de uma família musical, Mikolas começou por criar música folk, tocando nas ruas de cidades europeias. Dali, experimentou o hip hop e a house music, até que as portas da Eurovisão se abriram de par em par e mergulhou de cabeça no panorama pop, terminando no 6º lugar da competição. Em Abril último assinou contrato de representação internacional com a Sony Music e a RCA Records.

Para escutar: “Lie to Me”, “Free” e “Me Gusta”.

 

 

 

Tove Styrke (Suécia)

Quem: A outra Tove da Suécia que não Lo.

Soa a: Cocktail pop servido com carisma e perícia sueca.

O quê: Catapultada pela participação no Ídolos sueco em 2009, onde foi medalha de bronze, Tove Styrke fez um percurso igual a tantas outras estrelas que despontam nestes programas: foi-lhe dada a oportunidade de gravar um álbum electropop esquadrinhado milimetricamente para resultar bem nas tabelas, capitalizou o sucesso ao máximo enquanto pôde e desapareceu do mapa por opção própria. Regressaria em 2014 com um som mais maduro e definido.

Para escutar: Os álbuns Kiddo (2015) e o mais recente Sway (2018).

 

 

Brunettes Shoot Blondes (Ucrânia)

Quem: Malta claramente incomodada com cabeças amarelas.

Soam a: Aquela banda porreira que poderia encabeçar o palco secundário de um festival de Verão.

O quê: Juntos desde 2010, os BSB ganharam notoriedade em 2014 quando o vídeo para o tema “Knock Knock” – gravado em tempo real com recurso a uma série de iPhones, iPads e MacBooks – atraiu uma legião de curiosos. Com dois EPs lançados – Bittersweet (2015) e Hips (2017) – suscitam grande furor no seu país, emprestam a sua música a várias marcas e mantêm a independência desde que se formaram.

Para escutar: “You’ve Got To Move”, “Hips” e “Bittersweet”.

 

Blackpink (Coreia do Sul)

Quem: Jisoo, Jennie, Rosé e Lisa.

Soam a: À girlsband asiática com maior potencial de internacionalização de sempre.

O quê: Formadas há pouco mais de dois anos sob a chancela da YG Entertainment, as Blackpink vieram preencher o vazio deixado pelo término das 2NE1. Contam com dois EPs editados – Blackpink (2017) e Square Up (2018) – e uma série de recordes quebrados tanto no YouTube como nas tabelas de singles dos EUA e Inglaterra. Assinaram recentemente contrato de representação internacional com a Universal – por isso vejam-nas a tornar-se globais como os BTS.

Para escutar: “Playing with Fire”, “As If It’s Your Last” e “Ddu-Du-Ddu-Du”.

 

Alma (Finlândia)

Quem: Uma supernova pop de cabelo fluorescente a despontar em terras de heavy metal

Soa a: Tove Lo e MØ.

O quê: Em 2013, com apenas 17 anos, concorreu à versão finlandesa de Ídolos, chegando ao top 5. Em Março de 2016 assinou contrato com a Universal e poucos meses depois editava o primeiro EP. Desde então colaborou com Martin Solveig, Charli XCX ou Tove Lo, atingiu sucesso no Reino Unido e editou uma mixtape em jeito de estágio para um primeiro disco que deverá chegar em 2019.

Para escutar: “Chasing Highs”, “Phases” e a Heavy Rules Mixtape. 

 

 

Parcels (Austrália)

Quem: Quinteto australiano sediado em Berlim e devoto aos anos 70.

Soam a: Um encontro entre os Bee Gees, Chromeo e os Daft Punk de Random Access Memories.

O quê: Juntos desde 2014, os Parcels gravaram o seu primeiro EP quando ainda estavam no secundário. A mudança para Berlim trouxe-lhes a atenção da francesa Kitsuné, através da qual editaram mais singles e um segundo EP. Depois de uma série de anos a aperfeiçoar as suas influências disco, funk e electropop, libertam um primeiro disco que encontra desde logo a aclamação crítica.

Para escutar: O debute homónimo recém-lançado.

 

 

Kim Petras (Alemanha)

Quem: A nova princesa underground da pop.

Soa a: Purpurinas, maquinaria de estúdio bem utilizada e wooo-aaah!

O quê: Sob o management de Larry Rudolph (responsável, entre outras, pela carreira de Britney Spears) e a supervisão musical de Dr. Luke – cruzes, canhoto – e de nomes como Cirkut ou Aaron Joseph, Kim Petras entregou-nos um punhado de canções envolvidas na melhor e saudosa dance/synthpop de final da década de 90 e início dos anos 00, suficiente para preencher um vistoso EP.

Para escutar: “I Don’t Want It at All”, “Heart to Break” ou “All the Time” – todos bops fantásticos por direito.

 

 

Thomston (Nova Zelândia)

Quem: Alias artístico de Thomas Stoneman, a prolongar a dinastia de nomes emergentes do panorama musical neozelandês que nascem já com a internacionalização em mente.

Soa a: Uma mescla de pop alternativa com elementos de R&B, hip hop e electrónica.

O quê: Natural de Auckland, começou por ter aulas de piano clássico aos cinco de idade. Na escola, começou a escrever canções e a participar em concursos musicais, o que o levou a assinar um contrato discográfico. Em 2014 editou o EP de estreia e o primeiro longa-duração, Topograph, chegaria dois anos depois.

Para escutar: “Collarbones”, “Float” ou “Acid Rain”.

 

 

De barriga cheia, não? Sintam-se tentados a explorar mais e a encetar as vossas próprias jornadas geomusicais – quem sabe as maravilhosas descobertas que semelhante exercício vos trará.

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