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Roberto Leandro: “Sinto que sou poeta por dentro e às vezes isso passa cá para fora”

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Roberto Leandro:

Poeta amador

“Sinto que sou poeta por dentro e às vezes isso passa cá para fora”

Foi nos primeiros anos de escola, o primeiro encontro com a poesia. Nunca imaginou, no entanto, vir a sentir-se parte desse universo. Para Roberto Leandro, “é uma característica da alma” e sente que para escrever poesia é preciso muita entrega.

Revela que tem um grande carinho por Lisboa e admite que a cidade contribuiu para o homem que é hoje. No entanto, não suporta o stress que envolve a vida na capital e que troca pela tranquilidade que só Albufeira, a terra que o viu nascer, lhe dá.

 

Muitos encontram um refúgio ou uma forma de expressar sensações, nas mais variadas formas de arte. Aos 30 anos, e com três livros publicados, Roberto Leandro conta como se encontrou com a poesia.  É em Albufeira, Algarve, que tem raízes, mas seguindo a máxima de que “o sonho comanda a vida”, durante 12 anos fez de Lisboa morada para perseguir o sonho de ser jornalista. Na capital construiu relações sólidas, fez-se poeta por inteiro e deixou cair por terra o sonho que o tinha feito sair da zona de conforto.

O regresso ao Sul, a casa, acabou por acontecer. É lá que hoje vive, trabalha e continua a dar vida às palavras.

P. Por entre todas as palavras, para si, qual é a mais forte?

R. Amo-te.

P. Qual é a razão?

R. É a palavra mais difícil de dizer. Eu vejo nas palavras um cunho muito forte.
As pessoas usam as palavras um bocadinho como o sal na comida, vai um bocadinho em excesso, outras vezes em falta. Não se pensa muito no tempero que dão à vida.

P. Ser Poeta é para qualquer um?

R. A poesia é uma característica da alma. Há sempre um bocado de nós que vai para cada poema, e se isso não passar, das duas uma, ou o poema foi feito por encomenda para alguém, ou então vai mesmo com um pedaço de carne que te é arrancado e o ritmo daquele poema é o ritmo do sangue que te corre nas veias, porque faz parte de ti.

P. Como surgiu o seu gosto pela escrita? Alguém na sua família escreve?

R. Curiosamente não.
Acho que este gosto pela escrita e pela palavra em si, foi semeado em mim por várias pessoas, mas a minha professora primária, teve um papel fundamental.

P. Porquê?

R. Recordo-me que apesar de sermos muitos novos, ela incentivou-nos logo. Quando tínhamos de ler, não o fazíamos da mesa, era à frente dos colegas, o que era um terror para nós. Uma das vezes, já no quarto ano, tive uma prova oral, em que ela escolheu um poema. Fui a única pessoa de toda a turma a quem foi dado um poema. Lembro-me que era sobre o galo de Barcelos, com cerca de seis quadras. Gostei muito, fiquei com aquele bichinho…. Às vezes na escola põem a poesia num pedestal, num armário coberto de pó e de mofo e nós pensamos que aquilo não é para nós. Eu como logo desde muito cedo ouvia poesia desmistificada na escola e cantada em casa, foi muito fácil começar a brincar com as palavras e a fazer contos.

P. Quem é que canta em casa?

R. O meu pai.
Ele está ligado à música popular, um tipo de música com muita rima, poesia. Recebi isso dele e toda a minha vida tive melodias na cabeça, com aquelas métricas certas que favorecem muito a facilidade na poesia. E em casa às vezes tinha de deixar um recado, não tinha telemóvel e então escrevia um bilhete em poesia.

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“Se a pessoa está a fazer cultura e já está a pensar no retorno há alguma coisa que não está bem.”

P. Alguma vez passou pela sua cabeça que viria a lançar livros?

R. Não, sinceramente não (risos).
Eu sempre vi os livros como uma coisa sagrada, como uma “meca”.
Imaginar o meu nome e o meu trabalho num livro nunca foi uma ideia minha.
Não gosto de me considerar nem escritor nem poeta a tempo inteiro, escrevo quando sinto. Sinto que sou poeta por dentro e às vezes isso passa cá para fora.

P. Então como é que surge o primeiro livro, “Ver no Verso”?

R. Houve uma altura em que toda a gente insistia para que fizesse um livro e eu comecei a pensar… se as pessoas gostam de ler isto, era uma coisa bonita para partilhar com os amigos. Depois, por incentivo da minha namorada, participei num concurso poético, sem ambição nenhuma… Acabei por ganhar e o prémio era a publicação da obra e foi assim que surgiu o “Ver no Verso”.

P. Porquê “Ver no Verso”?

R. Era uma expressão que tinha na cabeça desde a infância. Nos cereais, quando ia à procura da data e lia “ver no verso”, estava sempre a virar as embalagens porque tinha muito medo de comer coisas fora do prazo. Fiquei sempre com essa questão; porque dizemos “ver no verso”, se verso é uma coisa usada para a poesia? Aquilo fazia-me confusão, então quando chegou a altura de fazer o livro, tinha de esse ser o título.

P. Mas não ficou por aí…

R. Quando se faz o primeiro livro, ficamos com vontade de fazer mais e melhor. Como tinha muitos poemas já engavetados, decidi avançar com o “Poesia em Combustão”. Fiz as coisas de outra forma. O livro está dividido em capítulos, é mais introspetivo, mais centrado em mim e sobre histórias de amigos também.

P. Quais são os principais obstáculos que um escritor amador encontra para lançar um livro?

R. É normal que quando por vezes vamos bater a uma porta ela esteja fechada.
O maior obstáculo é o facto de muitas editoras não terem capacidade de gerir as centenas, os milhares de pedidos que chegam para publicação, porque as obras têm de ser analisadas antes. Por vezes nós não nos enquadramos bem. Se eu quiser lançar um livro de poesia, não posso pedir à Porto Editora, porque está mais focada no mercado escolar.

As pessoas pensam que é só falar com as editoras e que se disser que sim, não se vai gastar dinheiro nenhum, a editora trata de tudo e vamos encher os bolsos de dinheiro… Se a pessoa está a fazer cultura e já está a pensar no retorno há alguma coisa que não está bem. Isso não funciona assim, a não ser quando as pessoas têm já um grande carisma. Nunca devemos tentar publicar ou editar musica, seja o que for, sem primeiro criarmos a nossa imagem.
Eu criei o meu facebook por causa dos livros. Senti que a única forma de chegar a todas as pessoas, de uma forma gratuita e visível, era através de uma rede social.

P. A ameaça ao suporte de papel, assusta-o?

R. Preocupa-me que se acredite que o conhecimento está todo nos quatro cantos do computador e não nos quatro cantos de um livro. Tenho sempre a esperança que se possa continuar a lutar pelo papel, porque vejo cada vez mais editoras, mais escritores.

P. Na mais recente obra aliou as palavras às imagens, o “Imagem D’Escrita”. Este livro foge ao tradicional da poesia…

R. Uma grande amiga, que faz fotografia amadora, disse que gostaria de retratar alguns dos meus poemas, eu gostei da ideia. Selecionei os fotógrafos e o pré-requisito era que gostassem de poesia e fossem todos amadores. As fotografias são de Isabel Brinca, Luís Correia, Rui Manuel Aires e da Vanessa Ideias.

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“O “Imagem D’Escrita” pretende que o leitor participe ativamente, não só lendo, mas usando também fotografias próprias.”

P. Tem uma particularidade neste livro, tenta envolver os leitores. Qual é o desafio?

R. O “Imagem D’Escrita” pretende que o leitor participe ativamente, não só lendo, mas usando também fotografias próprias. O que se pretende é que a arte desperte arte e desperte ação. Aquilo que me faz confusão nos livros é estarem fechados.

P. Na generalidade são os poemas mais tristes, mais dramáticos, que ficam na memória das pessoas, que mais marcam. Porquê?

R. Somos um povo muito crítico e muito pugilista. Um pugilista nunca desarma. Pode não estar sempre a atacar, mas nunca baixa os braços e está sempre a tentar evitar que o outro o agrida. Às vezes não nos faz mal nenhum sermos agredidos por uma palavra sincera, um gesto cru, uma crítica, porque a vida é mesmo assim, não tem só dias de sol. Acho que as pessoas ganharam um imediatismo em relação às emoções, não deixam que as coisas se condensem, se cozinhem dentro de nós. É como o pugilista, às vezes nem vê onde acerta. Nós temos cada vez mais dificuldade em assumir as emoções e em dizer que gostamos, que sentimos falta, que algo não está bem…

P. Qual é a palavra que mais o afeta?

R. Ódio, ódio…
Ódio é uma palavra que tem uma carga fortíssima, é um extremo.
Tem veneno. Quando colocas essa palavra numa conversa, ou num poema, ou a diriges a alguém, é como uma nódoa que se entranha e que não se consegue tirar.

P. Há algum poema com o qual se identifique mais?

R. Eugénio de Andrade tem o poema com o verso “é urgente um barco no mar.” Às vezes só um verso traduz toda a nossa forma de estar, toda a nossa alma.
Gosto de poemas que façam rir. Nunca vou por de parte o lado humorístico da escrita, porque tal como dizia Gil Vicente, “a rir mudam-se os costumes”, e este tornou-se o meu lema de vida.
Também é muito frequente pensar naquela quadra da Pedra Filosofal que diz que “Sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida entre as mãos de uma criança”.

P. Quais eram as suas brincadeiras preferidas em criança?

R. Adorava brincar no campo… os meus avós são da região centro e era lá que eu passava as férias de verão. O contacto com a ribeira, os montes, os pinheiros, campos de batatas, oliveiras, desfolhar milho, debulhar o feijão… encher as unhas de terra… para mim isso é que era brincar!

P. E no Algarve?

R. Ao contrário daquilo que se possa pensar, Albufeira é uma região com muito campo, eu vivo numa região de campo, não muito próximo da praia, e portanto passava os dias a subir a alfarrobeiras. Tinha o hábito de subir, sentar-me lá e passar horas a ler.

P. As brincadeiras de hoje nada têm a ver com as brincadeiras dessa altura…

R. O mundo está a uma velocidade, e as inteligências estão a evoluir a uma velocidade que está um bocadinho para lá daquilo que nós fomos. O que se está a perder é a sensibilidade, porque nós podemos pôr um boneco amarelo com uma expressão, um gosto numa imagem, podemos pôr o nosso luto como foto de perfil, mas isso nunca terá o mesmo impacto do que uma palavra que é dita cara a cara, um abraço que é dado à pessoa, ou simplesmente uma conversa que é tida numa esplanada, num jardim, numa praia…

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“Percebi que no jornalismo havia muita coisa que não era como eu pensava, ou como eu desejaria que fosse.”

P. Qual era o seu sonho de criança?

R. Desde que me lembro quis ser jornalista. Tinha o hábito de ver o telejornal com os meus pais, achava aquilo encantador, e dizia-lhes que queria fazer aquilo. A vida deu outras voltas, acabei por não o ser mas ficou sempre o bichinho…

P. Perseguiu esse sonho?

R. Sim, quando chegou a altura de me candidatar ao ensino superior, escolhi a Escola Superior de Comunicação Social em Lisboa, em primeira opção, e tive a felicidade de entrar.
Fui mesmo para jornalismo, mas acabei por não me dedicar tanto à escola quanto deveria. A minha vida passou por outras faculdades, sempre ligado à comunicação, sempre tentando acabar o curso, coisa que depois não fiz, mas aprendi muito.

P. Não acabou?

R. Percebi que no jornalismo havia muita coisa que não era como eu pensava, ou como eu desejaria que fosse. Talvez tenha sido um bocadinho idílico naquilo que desejei, e quando cheguei à escola e comecei a perceber que as coisas não eram assim tão livres, tão espontâneas às vezes, e que no jornalismo havia muito interesse privado, político, comecei a perder um bocado o fascínio.

P. Tentou outra opção?

R. Tentei outras universidades, como a Independente, a Universidade Autónoma… Mas não me integrava bem nas turmas, e não podia participar em nada do que acontecia na faculdade porque na altura trabalhava em mais do que um sítio. e depois porque nunca me consegui desligar da ESCS, e isso fez com que depois tivesse muita dificuldade em aceitar outra faculdade. Acabei por desistir mesmo, por chegar um ponto em que disse, não.

P. Como foi vir do Algarve para a capital?

R. Foi muito difícil.
Eu venho de uma terra que tem muito movimento em determinados meses do ano, mas que de resto é muito tranquila.

Andar de metro, andar de autocarro?… Na minha terra, quando aparecia um autocarro as pessoas tiravam fotografias… era como se estivessem a ver um dinossauro ou assim (risos). Aquela realidade de irmos de bicicleta para todo o lado, que agora em Lisboa já existe, mas há doze anos era só uma tentativa de suicídio…
E depois o stress, o ir para Lisboa com aquela mentalidade que tinha aqui que era de uma pequena terra, de muita entreajuda onde toda a gente se conhece.

Fez-me confusão não conhecer ninguém, não ter essa possibilidade de interagir com as pessoas. Se tentava ajudar alguém as pessoas desconfiavam… E na faculdade, havia muita competição…
Todas essas coisas foram um grande choque, fizeram com que me fechasse muito, e com que me tornasse muito antipático, agressivo até, para algumas pessoas.

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“Escrevi letras para tunas académicas, inclusive para a escstunis, tuna da ESCS, à qual pertenci.”

P. De que forma deixou a marca da sua escrita na passagem por Lisboa?

R. Escrevi letras para tunas académicas, inclusive para a escstunis, tuna da ESCS, à qual pertenci. E o mais engraçado… cheguei a escrever uma letra para uma marcha. Nunca pensei fazer algo assim…(risos)

P. E este ano participou mesmo nas marchas…

R. Foi uma grande aventura.
Eu trabalhava nos olivais, num restaurante de um amigo meu e a irmã dele é marchante há mais de vinte anos. Ela disse-me logo em Março que precisavam de rapazes. Eu pensei que não fazia sentido nenhum porque eu não era lisboeta, nunca tinha marchado e estava com um projeto importante na tuna que não queria falhar. Agradeci e não apareci.

Acontece que a duas semanas das marchas saírem à rua, um rapaz deslocou a clavícula… Ela voltou a insistir. O que é certo é que fui experimentar… Dediquei-me bastante, passei horas e horas a ouvir o cd com as canções, arrisquei e despedi-me de Lisboa da melhor forma possível, a desfilar pela Avenida.

P. Como é que se sentiu a viver uma tradição tão lisboeta?

R. Ao fim de 12 anos em Lisboa, ganhei um carinho muito grande pela cidade.
Não me sinto lisboeta, nunca me vou sentir, mas por ser o último ano, senti que devia algo a Lisboa, e senti que era uma forma bonita de celebrar a minha despedida. Sempre estive ligado às tradições, a tudo aquilo que me faz sentir o que é ser português.

P. Que contributo tiveram esses 12 anos para o homem que é hoje?

R. Sem dúvida a tuna… a tuna foi o que me devolveu as raízes que eu conhecia, foi o que me devolveu o equilíbrio que eu tinha perdido.

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“(…) a tuna foi o que me devolveu as raízes que eu conhecia, foi o que me devolveu o equilíbrio que eu tinha perdido.”

Obrigou-me a crescer, porque me obrigou a ter responsabilidade para comigo e para com os outros e deu-me uma coisa que eu sempre precisei para estar bem que é o sentido de família (responde emocionado). Foi o que me fez mais crescer e não é mentira nenhuma que tive com a escstunis e com os amigos da escstunis, as melhores coisas da minha vida, e as piores também. Conheci grandes amores, grandes desilusões, e tive momentos em palco que nunca mais vou esquecer…

P. Porque decidiu sair de Lisboa?

R. Quando saímos do Algarve para outras cidades, muitas vezes é porque é lá que está o trabalho. Eu estava a trabalhar na mesma área que tenho lá, a restauração; e ainda para mais o negócio aqui também é meu, é dos meus pais.  Olhando para as despesas e para o stress todo da cidade, ao qual nunca me habituei, senti que estava na hora de voltar às raízes. Magoava-me muito perceber que me estava a desligar da minha terra.

P. Porquê a restauração?

R. É uma área em que comunico todos os dias com as pessoas, tenho também de saber entrevistá-las de uma certa forma (risos). Quando é uma casa que recebe as pessoas e elas não voltam, não há grande ligação, mas nós temos uma casa muito familiar, que produz também cultura esporadicamente.

Já percebemos quando é que as pessoas estão bem ou mal, quais são os apetites, às vezes nem perguntamos nada, pomos as coisas na mesa e pessoa come aquilo e acabou (risos). E isso é que eu acho fantástico, conhecer as pessoas, comunicar com elas, e conseguir através de palavras ou não, porque a comunicação não são só palavras, conseguir tornar a vida das pessoas mais excêntrica.

P. Em pequeno sonhava ser jornalista… agora, qual é o seu maior sonho?

R. Estou numa fase em que é muito importante ter os amigos, a família, todas as pessoas maravilhosas à nossa volta. Mas tal como nos livros, eu continuo a querer dar mais alguma coisa, e agora que cheguei aos trinta já vou pensando numa família, nos filhotes… faz parte da nossa natureza nós tomarmos conta uns dos outros, e quando chega a altura, darmos alguém ao mundo, acho que isso é a coisa mais bonita que existe.

P. E profissionalmente?

R. Tornar Albufeira uma cidade mais cultural, mais competitiva no setor do espetáculo.

P. Para a escrita, há planos?

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“Quero também continuar com a parte musical. A música faz parte de mim.”

R. Vou continuar a trabalhar com o músico Pedro Limpo, ele tem um projeto de Bossa Nova e tenho escrito letras para ele, dá-me muito gozo.

Recentemente fiz também uns poemas sobre o Algarve para um projeto em coautoria, que vai ser apresentado pela Universidade do Algarve, para recolha da informação. Quero também continuar com a parte musical. A música faz parte de mim. E agora estou a desenvolver um projeto com um rapaz de Castro-Marim. Vamos ver se é possível, se é viável, criar livros com poesia ilustrada.

P. Consegue criar um poema neste momento, sobre esta nossa conversa?

R. Pediste-me uma entrevista,
Respondi-te com toda a calma.
É um orgulho e é uma conquista
Poder mostrar-te a minha alma.

Não sei o que vou escrever,
Às vezes nem sei para onde vou,
Mas tudo aquilo que eu disser,
é tudo aquilo que eu sou.

Nem sempre estou onde quero,
Nem sempre me dou inteiro.
Mas serei sempre sincero,
P’ra ninguém e para o mundo inteiro.

Voltamos a encontrar-nos em breve, por entre linhas e sorrisos.
Margarida Gaspar

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