Saúde

Psicologia do Natal

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«É obrigatório ser feliz no Natal? Devemos responder a todos os compromissos sem falta? Porque é que esta época nos produz stresse? Apesar daPM1 imagem generalizada do Natal como uma época repleta de felicidade, o certo é que é o momento do ano em que sentimos grande instabilidade emocional.»
(Revista Enfemenino – psico, 2014)

O resultado de um Natal repleto de paz, harmonia e amor é fruto da compreensão de que existem uma série de crenças e atitudes a evitar. Contornando-as e/ou exaurindo-as, o ser humano mostra-se capaz de se organizar e não cair nos braços do desgaste psicológico, da exaustão emocional ou dos conflitos familiares e relacionais.

Ao redor do mundo, o Natal é vivido de diferentes formas, consoante a cultura e as tradições de origem no próprio país ou por influência de outros povos. É o caso do povo argentino que passou a consumir frutas secas e turrões por influência dos imigrantes europeus. Já no Médio Oriente, por exemplo, a noite de Natal é vivida sem grandes decorações festivas e o Pai Natal, ao contrário da maioria, não é esperado pelas famílias em suas casas. Porém, nos dias 24 e 25, na Praça do Presépio, acolhem-se os coros de grupos que vêm propositadamente de lugares distantes, para celebrar o nascimento do menino Jesus. E se existem países que consideram o Natal uma celebração religiosa, existem outros povos como os do continente asiático que, apesar de adotarem alguns costumes estadunidenses, como a decoração da árvore de Natal e a troca de presentes, a percentagem de população cristã é muito pequena para viver o Natal com a mesma intensidade e alegria que a população dos países africanos (Magnani, 2013).

CHEGOU DEZEMBRO

Aquando crianças, esta é a época mais ansiada por todos. A reunião da família, o divertimento, os presentes, as férias…tudo constitui umaPM2 oportunidade para esperar que chegue bem depressa o Natal. E os adultos? Será que vivem esta festividade da mesma forma? Gragera (2012) ao citar o psicólogo Manuel Férnandez, refere que nestas ocasiões, não é possível agradar e/ou satisfazer toda a gente, sobretudo se isso se reflete no deterioramento da nossa saúde e do nosso bem-estar.

Deste modo, devemos de dizer sim aos compromissos natalícios, mas com medida, para que não cheguemos a meio das festas extenuados, ultrapassados pelas circunstâncias da época e preocupados com a ditadura do peso da balança, sendo que no Natal engordamos em média 3 kg. Segundo este mesmo psicólogo, devemos de elevar um pouco o nosso nível de egoísmo, i.e., esforçarmo-nos para atender às diferentes necessidades da ocasião (decoração, preparação do menu, compra dos presentes) sem nos esquecermos dos nossos próprios interesses. Por exemplo, se temos o aniversário de alguém especial logo no início de Janeiro ou algumas dívidas por pagar, atentemos para o facto de que se tende a gastar bastante nas celebrações de Natal, logo, devemos de dar primazia ao presente de aniversário de Janeiro ou ao pagamento das dívidas correntes e só depois, iniciarmos os gastos festivos. Para além disso, em meados de Dezembro não devemos de ter demasiadas expetativas sobre estas celebrações para que depois não nos desiludamos ao vivê-las.

Deste modo, devemos de dizer sim aos compromissos natalícios, mas com medida, para que não cheguemos a meio das festas extenuados, ultrapassados pelas circunstâncias da época e preocupados com a ditadura do peso da balança, sendo que no Natal engordamos em média 3 kg. Segundo este mesmo psicólogo, devemos de elevar um pouco o nosso nível de egoísmo, i.e., esforçarmo-nos para atender às diferentes necessidades da ocasião (decoração, preparação do menu, compra dos presentes) sem nos esquecermos dos nossos próprios interesses. Por exemplo, se temos o aniversário de alguém especial logo no início de Janeiro ou algumas dívidas por pagar, atentemos para o facto de que se tende a gastar bastante nas celebrações de Natal, logo, devemos de dar primazia ao presente de aniversário de Janeiro ou ao pagamento das dívidas correntes e só depois, iniciarmos os gastos festivos. Para além disso, em meados de Dezembro não devemos de ter demasiadas expetativas sobre estas celebrações para que depois não nos desiludamos ao vivê-las.

VIVER O NATAL

A família vive a celebração natalícia segundo a sua idiossincrasia, i.e., cada família é única, autêntica e por isso tem os seus modos peculiares de viver esta altura, por isso mesmo, torna-se conveniente que cada elemento por si só, encontre um significado próprio nesta celebração e não crie expectativas altas acerca do “ser feliz” utópico que os meios de comunicação refletem nestas ocasiões. Apesar da época natalícia apelar realmente aos sentimentos mais positivos do ser humano, podem surgir também alguns conflitos e situações capazes de gerar tensões portadoras de carga emocional, psicológica, social e cultural, que aos poucos se vão refletindo no comportamento das pessoas que vivem esta época. A seguir, apresentam-se algumas dessas possíveis tensões, bem como formas de as contornar, enfrentar e controlar, a fim de nos aproximarmos do ‘ideal’ de Natal (Gragera & Jiménez):

  • Reuniões familiares

Estas reuniões são necessárias para recolher informações gerais acerca do que se quer realizar na noite tão esperada de Natal – Menu, local para a ceia, nº de elementos -, enfim, inúmeras perguntas de pessoas que são familiares mas normalmente não se encontram ao longo do ano. Nestas reuniões familiares, especialmente na mais importante que é a da noite de Natal, todos os intervenientes devem de reter uma ideia mestre: pensar e praticar o objetivo comum de primar pela harmonia; isto não é difícil. Deve-se de atender a todos sem exceção (mesmo àquelas pessoas que não gostámos tanto) e elevar o nosso nível de interesse com o objetivo que essa pessoa também viva da melhor forma essa época. Este nível de interesse pode ser manifestado em várias formas, entre elas: perguntas feedback acerca do assunto estabelecido numa conversa de vários intervenientes, atividades divertidas onde todos possam participar (cantar, optar por jogos de mesa apreciados pela maioria, ver faixas de vídeo/ fotografias de reuniões familiares anteriores, etc. (Gragera, 2012 & Maite, 2013).

  • Convívios mais intensos (Maite, 2013 & Gragera, 2012)

A reunião familiar mais ansiada – a do Natal – como já se disse, nos convida a um convívio mais intenso, por isso mesmo temos de reter 4 ideias fundamentais para reger esse encontro:

– Mudar a atitude e abstrair da mente assuntos negativos;
– Tomar uma atitude distendida e aberta ao diálogo;
– Dar feedback ao outro mas não intrometer-se na sua liberdade;
– Facilitar a convivência – respeitar os demais e ser flexível (ao contrário da rigidez do pensamento alusivo à ideia de que no Natal tudo tem de ser perfeito);
– Aprender a ver as festas de diferente forma – sem culpas do passado;
– Disfrutar da convivência do momento e fazer assim um reencontro cómodo e inesquecível;
– Não esquecer que esta é uma altura de “desordem” para as crianças. Fora da sua rotina, encontram-se mais alteradas, por isso tomar em conta de que devem de sair, respirar ar puro, jogar no parque visto que a prioridade do Natal recai sobre o divertimento e descanso.

  • Idiossincrasia da família

Nesta época do ano é necessário relembrar que nenhuma família é perfeita e por isso não nos devemos de angustiar por alguns conflitos que possam surgir.

Idiossincrasia refere-se ao conjunto de características/gostos/escolhas particulares de determinada pessoa; devemos por isso tomar isto em conta aquando a escolha do menu, dos planos familiares para o divertimento em tempo de ócio, dos temas a conversar nesse dia (evitando temas delicados e preferindo temas abrangentes como cinema, cultura, livros, música, etc.). A idiossincrasia da família encontra-se muitas vezes patente na distinção entre os costumes da família nuclear (com quem convivemos diariamente) e a família de origem (com que estamos pontualmente). Isto quer dizer que tem de existir uma adaptação harmoniosa ao nível afetivo e emocional para que se contorne alguma dificuldade na tomada de decisões e/ou no bem-estar familiar. Deste modo, deve de existir um esforço comum para que tudo corra bem pelo menos uma vez no ano (Enfemenino-psico, 2014; Gragera, 2012; Maite, 2013).

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  • Necessidades afetivas individuais

Enquanto um ser idiossincrático, devemos de viver esta época, este momento especial, com algumas ideias chave para manter a nossa própria felicidade (Enfemenino-psico, 2014):

– Escutar-se a si mesmo(a);
– Sentir-te cómodo(a) com o que está a fazer;
– Não utilizar esta época para lamentar de uma situação sentimental, laboral ou familiar; – Tomar esse momento como sendo perfeito para balanço, relembrando o que nos ocorreu de bom e as pessoas que nos fizeram feliz;
– Reafirmar as nossas ilusões, metas, sonhos e cercarmo-nos de energia positiva;
– Buscar o lado bom das coisas.

Parece difícil? Então vamos perspetivar o contrário…

  •  Choque de sentimentos

Se à partida entrarmos nesta época com a crença de que nela constituem festas stressantes, sendo uma ‘obrigação’ cumprir demasiados compromissos capazes, no próprio entender, de originar única e exclusivamente desespero, o comportamento consequente dessa ideia refletir-se-á em mau humor, irritabilidade e tolerância escassa, contrariamente ao sentimento comum já apresentado para a reunião familiar – a harmonia. Estes sentimentos causariam um cenário perfeito para acentuar conflitos familiares pré-existentes ou gerar outros novos (Gragera, 2012).

  • Alterações dos estados de ânimo

PM4Por norma, esta é uma época que se não for convenientemente planeada e controlada pode gerar alterações dos estados de ânimo. Começa por exemplo com a pressão dos gastos, a ansiedade de comprar isto e aquilo, de não esquecer ninguém, da ideia de que ‘tudo tem de estar perfeito’ na noite de Natal, de que não se pode esquecer de nada para que essa festa se torne singular e bem lembrada. Para controlar tudo isso é que serve o planeamento. Tal como os estudantes distribuem e planeiam o estudo diário das suas disciplinas pelos diversos tempos, também cada qual pode integrar os vários compromissos na sua rotina diária como um plano – chave para não sofrer altos e baixos ou tampouco frustrar as suas expetativas. Torna-se então necessário centrar os nossos pensamentos em feitos positivos e, planeando os diferentes compromissos pelos nossos pensamentos diários, apreciar mais aquilo que se tem, por exemplo, atender a saúde como o bem mais valioso (Enfemenino, 2014 & Gragera, 2012).

  • Enfrentamento da perda de entes queridos

Não devemos de converter a ausência de alguns entes queridos num motivo de tristeza; é claro que essa é uma época de reunião familiar e por isso a existência de alguma nostalgia pela ausência de quem nos é muito querido. Contudo devemos de recordar essa ausência com alegria pela partilha de momentos bons com esses seres tão amados. Em contrapartida, aquando a visita de alguém que não nos é querido, devemos de procurar significar em nós, o amor existente nas canções natalícias e solidariamente, doar sentimentos positivos. Outra fonte de nostalgia pode ser a de não ter alcançado as metas propostas no início do ano. Contudo não devemos de tomar essa verdade como sendo absoluta – vêm aí mais 12 meses que estarão ao nosso dispor para serem planeados e organizados de modo a dar sentido e realização à nossa vida (Enfemenino- psico, 2014; Gragera, 2012 & Jiménez, 2014).

  • Diferentes problemas à luz do funcionamento das relações sociais

Entre os diversos problemas que surgem nesta altura podemos classificá-los em 3 categorias:

      – Permanentes – são os conflitos existentes durante todo o ano;

      – Temporais – como já foi referido, esta é uma época em que as famílias enfrentam algumas tarefas e decisões capazes de alterar o ânimo (Onde reunir para cear? Quem cozinha? Que prendas comprar e quanto dinheiro gastar?); muitas vezes estas questões perturbam aqueles que vivem numa situação económica difícil, na crença de que têm de se assemelhar ao poder de resolução dos demais.

      – Profundos – constituem aquelas velhas dificuldades que passam para segundo plano (mas não desaparecem, estão enraizadas). Os elementos da família reunida vivem de modo independente (família nuclear) e por isso o trato pessoal entre todos os elementos não é quotidiano. Assim, dispondo de mais tempo para dialogar e conviver, esse conflito reaparece (Jiménez, 2014).

 

OUTROS CONSELHOS PARA ESTA ÉPOCA NATALICIA (Enfemenino-psico, 2014)

  • Celebrar o Natal no local de trabalho –

O que vestir? Como se comportar? Que temas dialogar?

Devemos de eleger com cuidado a roupa a vestir – primar por um estilo festivo mas chic. Para além disso devemos de pensar duas vezes antes de ir ao jantar acompanhados, isto porque as condições não serão as mesmas; até que ponto quer alargar o seu sentido de privacidade? Um copo de champagne ou vinho é mais do que suficiente para não ‘esmorecer’ a boa imagem que têm de si no seu local de trabalho. Esta celebração ainda lhe dá a oportunidade de se aproximar do seu chefe (caso ainda não o conheça) e conversar sobre um tema interessante para que de futuro ele se recorde de si positivamente.

  • As prendas de última hora

Não fez a lista de presentes? Não planeou quanto gastar nem com quem?PM5

É dia 24 e ainda não comprou qualquer presente de Natal?

Algumas ideias:

– Reserve online uma massagem, tratamento de beleza ou workshop de maquilhagem (cheque-prenda);
– Subscreva a assinatura da revista preferida por alguém por um ano. Compre o último número e explique, num bonito postal de felicitações, em que consiste o seu presente;
– Reserve entradas (ticket-online) para um musical, concerto, obra de teatro, exposição e coloque uma foto – postal alusivo ao evento, dentro de uma caixinha bonita;
– Coloque a seu favor o talento e boa vontade que possui, pois ainda que com pouco dinheiro pode utilizar as suas competências para oferecer uma bela prenda de Natal (baby-sitting durante um final de semana; fazer chocolates com iniciais da mãe e do pai; decorar uma caixa de madeira com alguns adereços, etc.).

  • Passagem de ano sem stresse 

Como imaginas a tua passagem de ano? Com muita gente?

Ou preferias passar o ano à tua maneira?

Algumas dicas:

– Informa-te. Junta todas as pessoas ainda sem plano e organiza uma pequena festa, onde todos possam colaborar com comidas, bebidas e músicas agradáveis;
– Aventura-te e vai descobrir uma cidade que não conheças, se assim tiveres possibilidade para isso;
– No caso de estares sozinha, aluga um filme ou musical, encomenda a tua comida preferida e permanece confortável entre o teu ambiente familiar;
– Oferece o teu tempo a uma obra de caridade (distribuindo comida àqueles que não têm abrigo, por exemplo);
– Se alguém te convidou, até te apetecia sair mas não conheces bem as pessoas que vão, aceita esta oportunidade e vê-a como um desafio – é uma boa forma de começar o ano.

Não te esqueças, cada momento deve de ser disfrutado da melhor maneira possível, por mais pequeno que seja. Assim, fazendo jus ao significado do Natal (ainda que tomado como individual), devemos de acumular momentos maravilhosos e partilhá-los com pessoas que realmente gostemos (nem que seja tomar aquele café tão prometido desde o início do ano). Para isso, organizar o tempo dentro da rotina diária torna-se muito importante para evitar possíveis conflitos pessoais e familiares, permitindo-nos deste modo, disfrutar dos pequenos detalhes das festas natalícias. Por último, e talvez o maior desafio desta época seja o de descartar da nossa vida aqueles momentos que nos provocam um certo nível de esgotamento e dedicarmo-nos ao que realmente nos faz feliz.

*Boas leituras e Bom Natal!

Bibliografia:

Magnani, Diana – «La navidad alredor del mundo» (2013). Revista Voy y Vengo, consultado em em Dezembro 6, 2014, em http://voyyvengo.om.mx/2013/la-navidad-alredor-del-mundo/

Gragera, Terry – «Cómo evitar problemas familiares en Navidad: claves para unas festas felices» (2012). Revista Enfemenino, consultado em Dezembro 6, 2014, em http://www.enfemenino.com/consejos/evitar-problemas-familiares-en-navidad-s474697.html

Revista Enfemenino – «Los mejores consejos para afrontar la Navidad de manera positiva; afrontar la Navidad Positivamente; los altibajos emocionales de la Navidad» (2012). Revista Enfemenino, consultado em Dezembro 6, 2014, em http://www.enfemenino.com/consejos/consejos-afrontar-navidad-d16947.html

Maite – «Cómo evitar los conflictos de família e Navidad» (2013). Revista bebe feliz, consultado em Dezembro 6, 2014, em http://bebefeliz.com/2013/12/como-evitar-los-conflictos-de-familia-en-navidad/

Jiménez, Cecília – «Problemas familiares en Navidad: cómo enfrentarlos» (2014). Revista SaludyMedicinas, consultado em Dezembro 6, 2014, em http://ww.saludymedicinas.com.mx/centros-de-salud/salud-mental/articulos/problemas-familiares-en-navidad-como-enfrentarlos.html

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