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Portugal: Um País Sem Desporto Motorizado?!

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Seja bem vindo, caro leitor. Este mês trago um assunto que deve merecer a sua atenção. Vou começar com umas perguntas bastante simples: porque razão Portugal deixou de ser um palco nas principais modalidades motorizadas, especialmente na Formula 1 e no MotoGP? O que levou o país a distanciar-se de modalidades que atraem o grande público? Será que é possível voltar aos tempos antigos, onde a Nação era um dos principais países (e também daqueles que os pilotos mais gostavam de visitar) do desporto automóvel?

Com o tempo, Portugal foi ficando cada vez mais afastado do mundo automóvel. Vivemos num país que apenas vê futebol e onde não é possível identificar, com toda a certeza, um segundo desporto. O português vê apenas 3 clubes a lutar por um campeonato. Até aqui não tenho nada contra, porque cada um tem os seus gostos e temos que os respeitar. Fico decepcionado é quando vejo empresas de comunicações a investirem 400/500 Milhões numa competição nacional, quando depois, por outro lado, vejo uma empresa como a Heineken a investir “apenas” 200 Milhões de Euros, para ser o principal patrocinador do Campeonato do Mundo de Formula 1. Assim sendo, venho apresentar uma série de argumentos, para tentar fazer o caro leitor perceber o porquê de Portugal já não ser um dos principais palcos do desporto motorizado.

Um dos argumentos que sustentam tal facto é a cultura desportiva que existe no país. Estamos numa nação onde o futebol é a principal página dos jornais desportivos. Até o ciclismo, que teve o seu apogeu na década de 70/80/90, está pelas ruas da amargura, com profissionais a passarem por dificuldades, por falta de apoio financeiro. O ciclismo é um belo exemplo: é uma modalidade “barata”, onde basta 1/2 milhões de Euros (algumas equipas com bem menos que isso), para uma equipa fazer um ano desportivo, apenas em Portugal. Se formos aumentar o nosso foco de análise, por exemplo, uma Volta à França, é possível verificar que uma equipa que vai ao Tour tem um orçamento de 20/30 Milhões de Euros. É um valor “reduzido” para uma empresa, (que no máximo investe, em média, 60% desse valor), que quer ter visibilidade mundial. Acredito que, enquanto apenas se vir futebol à frente dos olhos a situação pouco mudará…

Outro ponto a sublinhar é a falta de investimento, quer seja por parte de entidade públicas, quer seja por parte de entidades privadas. É verdade que a crise veio afectar a economia de forma bastante séria, mas este afastamento progressivo, não é de agora. O investimento não tem que ser, necessariamente, em infraestruturas, podendo ser possível apoiar futuros campeões. Acredito que, se houver uma mudança nas mentalidades, é possível investir e apoiar o desporto motorizado. No entanto, nem tudo é tão mau quanto parece. Nos últimos anos o poder regional, (nomeadamente, o norte do país), tem investido no WRC. Só para que o caro leitor tenha a noção, segundo o Turismo do Porto, foi preciso um investimento de 3,5 Milhões de Euros para trazer o Campeonato do Mundo de Rally, a Portugal. E qual foi o retorno económico a curto prazo? Nada mais, nada menos, que 127 Milhões (números de 2015). Isto sem falar a longo prazo, porque se os investimentos forem bem direccionados, o retorno pode ter efeitos indirectos noutras alturas do ano.

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Por fim, a ausência de pilotos na grelha é um dos argumentos que vem sustentar a tese até então apresentada. Tal acontece derivado da falta de investimento. No caso da Formula 1, dificilmente veremos um piloto português na grelha, mas a situação é diferente no MotoGP, porque temos o nosso grande Miguel Oliveira, a um passo da categoria rainha do motociclismo. Mais um par de anos e veremos o número 44 a pilotar ao lado de Lorenzo, Rossi (se o italiano ainda estiver para as curvas), Viñales, etc. Se um pais não tiver o seu piloto a disputar posições nas principais modalidades, a probabilidade desse mesmo país investir é menor. Se o investimento (ou a falta dele) se mantiver, a situação pouco ou nada mudará.

Gostava que o meu filho crescesse num país, onde existe uma pluralidade de modalidades com o devido apoio. O que não falta neste mundo são modalidades desportivas, mas apenas algumas merecem a atenção da sociedade. Além de uma questão económica, o problema reside muito mais numa questão cultural.

Posto isto, só me resta desejar boas leituras…e da próxima vez que o caro leitor for acelerar, não se esqueça de colocar o capacete!

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