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Ponte 25 de Abril – 50 Anos a Unir Portugal

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Seja bem-vindo “meu querido mês de Agosto/Por ti levo o ano inteiro a sonhar”. Estes dois versos de Dino Meira eternizaram o sentimento português pelo mês mais desejado do ano! Aquele que todos nós, bem lá no fundo do nosso ser, desejamos que chegue rápido para termos o direito às nossas merecidas férias! E claro que, para mim, é o melhor mês do ano por uma razão muito simples: é o mês do meu aniversário! [risos].

Bom, brincadeiras à parte, chegou mais um mês de sugestões do que se poderá fazer por Lisboa. É verdade que a capital, durante estes 30 dias, está mais deserta que o Saara, mas nós somos da opinião que, independentemente de ter muita gente ou não, há sempre aquelas pessoas que são do contra e que vêm visitar a nossa estimada cidade. E estas sugestões são para vocês! E também para as restantes, mas se não quiserem aproveitar estão no vosso direito.

Hoje venho-vos falar de um dos exlibris de Lisboa. Todos nós já passámos por lá, nem que seja pelo menos uma vez, e é um dos maiores marcos identificativos da capital portuguesa. Está a comemorar o seu 50º aniversário e foi uma obra de engenharia e arquitectura de uma proeza fantástica para a altura e para um país como o nosso. Uniu as duas margens irmãs há muito separadas pelo Tejo. Fez parar a Europa, sem exageros, aquando da sua inauguração. Falo, claro está, da nossa orgulhosa Ponte 25 de Abril.

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No dia 6 de Agosto de 1966, as principais personalidades políticas e religiosas de então: Américo Tomás, Presidente da República; Dr. António de Oliveira Salazar, Presidente do Conselho de Ministros; e o Cardeal Patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira, juntamente com muitas outras pessoas ligadas ao Estado, Exército e população, inauguraram aquela a que hoje chamamos de Ponte 25 de Abril e que seria considerada a maior ponte construída até então na Europa e “o grande símbolo do futuro” próspero e feliz, de um país à beira-mar plantado.

De influência norte-americana (basta lembrar da Golden Gate de São Francisco), custou cerca de 2 milhões e 200 mil contos (11 milhões de euros na moeda actual) e demorou cerca de 4 anos a serem erguidos os quase 2,5 km de tabuleiro e 70 metros de altura. Fora baptizada como Ponte Salazar, homenageando o seu obreiro, sendo rebaptizada como Ponte 25 de Abril depois da queda do regime salazarista. Se foi correcto ou não, as opiniões dividem-se e ainda aquecem algumas mesas de café por este país.

Pessoalmente, acho que se deveria ter mantido o nome. Não por uma questão de simpatia pelo regime, mas porque foi uma obra em prol da população portuguesa, nomeadamente, das populações de Lisboa e da Margem Sul. De facto, a construção da Ponte 25 de Abril promoveu um grande impulso económico, turístico e populacional na margem sul do Tejo. Almada tornou-se uma cidade muito importante e cresceu exponencialmente, bem como as vilas à sua volta (Seixal, Barreiro), que aumentaram a sua população em quase 40 vezes! Salazar pode ter tomado muitas acções negativas para Portugal, mas também teve os seus rasgos de boas acções, colocando muitas das vezes os interesses do povo português à frente de qualquer outro. Vejamos, por exemplo, a neutralidade portuguesa na Segunda Guerra Mundial. E o leitor? O que acha?

50 anos depois, a Ponte 25 de Abril ainda está aí para as curvas. Com os anos modernizou-se. Desde os finais dos anos 90, que existe um comboio que transporta passageiros de casa para o trabalho e vice-versa. O Sul de Portugal ficou mais próximo. É, de 3 em 3 meses, sujeita a trabalhos de inspecção. O controlo é apertado em prol da nossa segurança. Possui, ainda, das mais belas vistas panorâmicas enquanto se viaja de Almada para Lisboa. Quem é que nunca tirou fotografias enquanto viajava para a capital na Ponte 25 de Abril? Seja de carro ou de comboio? Diga lá se não é das uma das sete maravilhas de Portugal? Se o Ideias e Opiniões diz que é, é porque é! Acredite! Igualmente importante é o facto de, todos os anos, a Ponte 25 de Abril receber milhares de pessoas que a atravessam durante a sua participação na meia-maratona ou mini-maratona de Lisboa. Também se tornou um ponto importante para a prática do desporto.

A Ponte 25 de Abril é, nos dias de hoje, atravessada em ambos os sentidos por milhares de pessoas, diariamente. Desde o dia 6 de Agosto de 1966, que se deslocam, como já se referiu, para casa, para o seu local de trabalho, para passear, passar o dia nas praias da Costa da Caparica, viajar para o Sul ou Norte do País, visitar familiares. Numa altura em que o país ainda não tinha ao seu dispor a rede de auto-estradas que hoje temos, a Ponte 25 de Abril foi o primeiro grande troço que permitiu viajar mais rapidamente pelo país. Foi a rampa de lançamento para o desenvolvimento regional, e nacional, que se verificou na Margem Sul, principalmente, ao longo dos anos seguintes à sua construção.

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Se tiver interesse, sugiro visitar a exposição organizada pelo Arquivo Municipal de Lisboa, que pretende mostrar a documentação que possui sobre a Ponte 25 de Abril. Intitulada “50 anos Ponte 25 de Abril: memórias em arquivo”, a exposição está aberta ao público até 27 de Outubro, no Centro de Informação Urbana de Lisboa, de segunda a sexta entre as 10h e as 20h.

13876346_516994158505460_1168417406567571148_nNo âmbito das comemorações dos 50 anos da Ponte 25 de Abril, a associação Aporvela e a Câmara Municipal de Almada juntaram-se e organizaram 3 dias de festa e folia na margem sul do Tejo. As festividades iniciaram-se, ontem, dia 4, quando três veleiros (dois portugueses e um holandês) ancoraram nas margens do Tejo, em Cacilhas, e juntaram-se à Fragata D. Fernando e Glória: a Caravela Vera Cruz, o navio da Marinha Portuguesa “Creoula” e ainda, o veleiro Holandês “Morgenster”.

Estas quatro embarcações imponentes e históricas poderão ser visitadas durante os dias de hoje e de amanha, gratuitamente. Ao longo do dia de hoje, 5 de Agosto, poderá aproveitar as várias bancas de comida e bebida que estão à sua disposição, muita animação e música para os seus ouvidos. Na noite de 5 para 6, às 24h, um belíssimo fogo-de-artifício iluminará as águas do Tejo, lançado desde o rio, e marcará o aniversário da Ponte 25 de Abril. Se não poder se deslocar a Cacilhas, sugiro que visione este espectáculo pirotécnico desde a Avenida Ribeira das Naus ou do Cais do Sodré, dois locais abertos que facilmente podem aceder e ver sem qualquer tipo de problemas. Então? Vai querer mesmo perder esta oportunidade?

Gostaria de finalizar a minha crónica com a parte final do discurso General França Borges, Presidente da Câmara de Lisboa, em 1966. Cito: “(…). O Tejo, a velha estrada de Lisboa, está em festa. Na verdade, o Tejo, a velha estrada de Lisboa, tem razão para gritar connosco: Muito obrigado Professor Salazar, por nos ter dado também a Ponte Salazar.”

Aproveite as minhas sugestões para os próximos tempos sobre o que pode fazer, ver e visitar na nossa muy nobre e sempre leal Cidade de Lisboa. Voltarei no próximo mês com mais sugestões e opiniões. Até lá, continue a ler as crónicas dos meus colegas do Ideias e Opiniões e mantenha-se a par dos mais variados temas. Um óptimo mês de Agosto, boas leituras e excelentes passeios.

Lisboa agradece!

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