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Personagens Icónicas do Cinema – Vol. I

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Somos todos personagens. Entrelaçados no palco que é a nossa vida, perdidos nos meandros da nossa brilhante performance! Uns são mais dramáticos, outros mais descontraídos. Alguns passam por sequelas, outros aprendem logo à primeira. Bem, já que o leitor faz tanta questão de saber, vou ter de explicar o porquê desta introdução. Ora bem…

Só fazendo um exercício pessoal acerca da complexidade humana é que conseguimos alcançar o nível de discernimento indispensável para criar uma persona digna do grande ecrã. Mas os clichés de meia linha não ficam por aqui: a sensibilidade necessária para imaginar uma grande personagem é um factor largamente subvalorizado. São semanas, meses e, na maioria das vezes, anos de genialidade muito bem limada que nem sempre conhecem a glória merecida!

Mas, o design artístico das personagens não termina nos escritores e nos argumentistas, pois claro! São inúmeros os actores que nos marcaram através das suas virtuosas representações. Em uníssono, passámos a usar novas expressões, a imaginar a existência de outras possibilidades, a aspirar mindsets alternativos, que nos proporcionassem soluções para os nossos problemas do dia-a-dia. E tudo numa dimensão dramática que nos preenche tanto quanto a imagem que é projectada na tela. E porquê? Porque as personagens são boas! Mesmo boas! Tipo daquelas mesmo … desculpem, crónica errada.

Hoje trago-vos ‘’Personagens Icónicas do Cinema’’ número I, primeiro de seu nome, rei dos tops de séries e cinema, que tem a honra de lhe apresentar os primeiros sete cavaleiros da Ordem do Entretenimento. Pode ir buscar as pipocas… pois vamos começar agora! (AVISO: Poderá conter SPOILERS de alguns dos filmes. Se calhar!)

Roger ‘’Verbal’’ Kint (1995) – Kevin Spacey (The Usual Suspects)

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“The greatest trick the devil ever pulled, was convincing the world he didn’t exist”. Já ouviu esta expressão? Não? Em suma, é esta a frase que trilha toda a lógica deste grande filme, sendo que o seu sucesso se prende na brilhante interpretação da personagem Roger ”Verbal” Kint, por parte de Kevin Spacey. Os anos 90, marcaram a era do suspense, na qual Kint se tornou um verdadeiro quebrar de gelo na indústria cinematográfica americana, através de uma moldagem criativa para lá de misteriosa. A sua personalidade discreta, a deficiência que o faz coxear para todo lado e a sua aparente inadaptação à crueldade do mundo criminoso são apenas alguns dos ingredientes, que compõem um papel apenas ao alcance dos melhores.

A personagem valeu o Óscar de Melhor Actor Secundário a Spacey, que, pela segunda vez, não precisou de arrastar o seu pé esquerdo para conseguir o que queria. Roger ”Verbal” Kint é o mais sortudo de todos os escolhidos para esta crónica: The Usual Suspects é, na minha opinião, o melhor filme entre as personagens que vos apresento hoje.

Aaaaalrighty then! Não pode haver um top de personagens sem o Jim Carrey, não é? Prepare-se para o mais carismático detective especializado em animais de estimação… normalíssimo, portanto.

Ace Ventura (1994-1995) – Jim Carrey (Ace Ventura: Pet Detective; When Nature Calls)

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O que dizer disto? Os dois filmes são mauzinhos, mas a personagem transcende completamente a pouca qualidade dos enredos. Mas hey, é o Jim Carrey! Que mais poderíamos desejar? No que toca a filmes de comédia, esta é a melhor interpretação deste actor, cuja carreira também inclui longas-metragens icónicas como “The Truman Show”, “Eternal Sunshine of The Spotless Mind” ou “The Mask”.

O Ace Ventura é um gajo que parece mesmo uma personagem animada em carne e osso, com uma energia positiva e electrizante, apenas possível através do fantástico set de cordas vocais do Jim Carrey. Isto para não falar no jogo de ancas do rapaz… rivaliza com a Shakira, big time! O filme é uma autêntica montanha-russa de sorrisos e descontracção, perfeito para um belo Sábado à tarde em família.

A próxima personagem não é do outro mundo, mas já lá esteve. Vezes a mais, talvez!

Ellen Ripley (1979-1997) – Sigourney Weaver (Alien, Aliens, Alien 3, Alien: Resurrection)

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Dá-me um gosto especial escrever sobre esta personagem. O significado de Ellen Ripley para o cinema assume proporções oceânicas: primeiro, pela sua profundidade e, num segundo momento, pelo romper com o estereótipo da ‘’donzela à espera de salvação’’. Astronauta credenciada e com um skillset muito variado, Ellen Ripley não precisa de nada, nem de ninguém. Ela faz o que quiser. Dá cabo dum alien, dá à luz a outro, no big deal, a vida continua por mais uns séculos e pronto. Escusado será dizer (mas eu digo na mesma), que a personagem foi recebida com algum cepticismo. Afinal de contas, quantas vezes é que vemos uma mulher a assumir o papel de heroína em filmes de acção ou sci-fi?

O primeiro filme marcou uma nova era no cinema de ficção científica e continua a ser um dos maiores clássicos de Ridley Scott. Ridley volta aos grandes palcos em 2017, 20 anos depois do lançamento do último filme da série Alien.

Lembram-se da Hannah Montana? Ela tem um primo, que viveu nos anos 80 e que é tudo menos feliz. E ainda por cima canta mal. Já sabe quem é? Say hello to my little friend… Tony Montana.

Tony Montana (1983) – Al Pacino (Scarface)

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Presença assídua nos tops das melhores personagens do cinema, Tony Montana é um cocktail explosivo da era disco: camisas bem abertas e adornadas com fios de ouro, cocaína e álcool com força, armas de guerra e um mau feitio indomável. A fantástica interpretação de Al Pacino (não seria de esperar outra coisa) é um marco do cinema americano que jamais esquecerei, à semelhança da sua não nomeação para o Óscar na altura… A agressividade demonstrada é arrepiante e as cenas finais do filme são verdadeiramente soberbas. Scarface tornou-se num daqueles filmes que “eu adoro, mas não sei bem porquê”!

Realista ou não, o senhor Tony Montana é um dos primeiros exemplos do anti-herói na era pós-moderna, eternizando, ao mesmo tempo, a reputação da drug scene em Miami Beach (que continua bem activa).

Um barão da droga exemplar gosta sempre de um bom copo whisky com duas pedras de gelo. Já um excelente pirata gosta mais de rum. Maybe that’s why the rum is gone? Vamos investigar.

Jack Sparrow (2003-2011) – Johnny Depp (Pirates of The Caribbean: The Curse of The Black Pearl; Dead Man’s Chest; At World’s End; On Stranger Tides)

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Oh, Jack! És um milagre da Diplomacia Dramática dos mares das Caraíbas. Esta crónica não seria a mesma sem ti! A génese da personagem Jack Sparrow é um verdadeiro pináculo de genialidade do Johnny Depp, 100% contornado por uma boa dose de ócio e descontracção, muito incomuns nas clássicas histórias de piratas.

Posso dizer que esta personagem mudou mesmo a minha vida. Não resisto a imitar a sua maneira de andar, o seu sotaque persuasivo e sedutor, a sua calma constante perante a maioria das adversidades. No entanto, Jack Sparrow não é só isto. Por detrás da ”matreirice”, do capitão do Pérola Negra está uma pessoa que partilha um conjunto de ensinamentos à lá Disney, que preenchem, por completo, um conceito criativo que, por si só, já é espectacular.

A aventura de Jack Sparrow ainda não terminou! Pirates Of The Caribbean: Dead Men Tell No Tales chega já em 2017 e marca o retorno do pirata mais popular da história do cinema.

Gosta dos devaneios de Woody Allen? Da maneira como retrata, muitas vezes, os marcos dramáticos da sua existência? Então tenho a certeza que se vai apaixonar pela próxima personagem!

Annie Hall (1977) – Diane Keaton (Annie Hall)

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Já todos experienciámos uma Annie Hall na nossa vida. Aquela pessoa com quem nos envolvemos de uma forma inimaginável, mas com a qual é muito difícil manter uma coexistência duradoura e estável. A personagem, que também dá o nome ao filme, transfere a curta relação entre a Diane Keaton e Woody Allen para o grande ecrã e reflecte muitas das dificuldades que o casal enfrentou.

A personalidade absurdamente colorida de Annie traz ao de cima a loucura, que alimenta a verdadeira paixão. O filme funciona com um ensaio acerca do ridículo de amarmos e sermos amados por alguém, lembrando-nos ao mesmo tempo da inevitabilidade do amor para a nossa existência. Com uma maturação evidente ao longo do filme, a aura de Annie Hall cruza a sua timidez, com um pouco de excentricidade, ofuscando, na minha opinião, o seu co-protagonista, Alvy Singer (Woody Allen).

O carácter icónico desta personagem reside num simples conceito de identificação que resultou, inclusive, no look Annie Hall, um fenómeno cultural muito popular entre muitas mulheres americanas, nos anos 80.

Mas chega de dramas, está na altura de fecharmos com grande adrenalina. Com este gajo ninguém se mete. E quem o tenta fazer… acaba quase sempre a ouvir o mesmo: Yippee-Ki-Yay, motherfucker!

John Mclane (1988-2013) – Bruce Willis (Die Hard, Die Hard 2, Die Hard With A Vengeance, Live Free Or Die Hard, A Good Day To Die Hard)

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Não me venham chatear com os enredos vazios de alguns dos Die Hard, ou eu juro que o chamo! O badass original dos filmes de acção, John McClane é interpretado pelo, yours truly, Bruce Willis. Um dos grandes cavaleiros dos filmes de acção, Willis dá à persona de McClane a agressividade (e inteligência) necessária para destruir helicópteros com carros, uma prática ‘’hollywoodesca’’ amplamente patrocinada por colossos da coerência cinematográfica como Sylvester Stallone ou Steven Seagal.

Falando mais a sério, seria injusta a não colocação de um Die Hard todos os anos num qualquer período festivo. Este é o tipo de filme de acção, que vale sempre a pena ver. E porquê? Porque tem um dínamo chamado John McClane, cuja interpretação é de tal forma icónica, que continua a iluminar o caminho para as novas gerações de filmes de acção.

À semelhança de Ellen Ripley e Jack Sparrow, teremos o prazer de voltar a ver McClane nas salas de cinema em 2017, com Die Hard: Year One.

Há quem diga que a vida é um desafio criativo (voltamos aos clichés?), no qual estamos em constante transformação. Assumimos um leque de papéis intervalados, que nos fazem únicos, tornando-nos os ícones da longa-metragem à qual chamamos vida. A ideia parece gasta e excessivamente poética, mas é bom lembrar que boas interpretações salvam, muitas vezes, maus filmes.

Esta crónica é dedicada aos muitos actores e actrizes que nos deixaram no decorrer do último ano. Um obrigado especial a Alan Rickman, Christopher Lee e a Bud Spencer, actores responsáveis por dar a vida a algumas das personagens mais marcantes do cinema ocidental.

Então e eu? Bem, eu volto já no próximo mês com cinco filmes que prometem dar a volta à sua cabeça.
Até lá bons filmes e boas séries! Mas, acima de tudo, um excelente Verão.

Hasta la vista, baby
!

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