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Os Melhores Álbuns Nacionais de 2016

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Seja bem vindo/a mais uma vez ao Ideias e Opiniões e especificamente às minhas crónicas musicais. Tenho estado um pouco ausente das crónicas de música, eu sei, mas tudo se deve a razões académicas e prometo que. assim que puder, me redimo desta ausência. Primeiro que nada, quero desejar-lhe as boas festas espero que as celebrações desta época festiva corram pelo melhor junto dos seus familiares e amigos. Vamos a mais uma crónica de melhores álbuns nacionais?

Chegámos a Dezembro e, com ele, chegam os tops de melhor e pior do ano, chega também o Natal e a passagem do ano. Na música tivemos mais um grande ano, sobretudo na música portuguesa, apesar de alguns dos nomes mais conceituados não terem lançado novos trabalhos, muitos outros artistas de qualidade lançaram os seus álbuns, alguns foram, inclusivamente, a sua estreia.

Para a realização desta crónica de melhores álbuns nacionais de 2016, fiz um levantamento de alguns nomes de artistas que lançaram álbuns, contudo estes tinham de estar disponíveis na plataforma de streaming Spotify. Foi assim que tem sido feito nos últimos anos e tem continuado esta prática. Espero que gostem das minhas escolhas e desafio todos/as os/as leitores/as a realizar a sua própria lista de melhores do ano da música portuguesa na secção de comentários. Friso, antes de mais, que aqui estão presentes aqueles que para mim foram os 10 melhores álbuns nacionais de 2016, mas que são apresentados sem nenhuma ordem específica.  Não se esqueça de ficar para a sugestão do mês e quem sabe se não terá uma surpresa de Natal lá para o fim da crónica.

 

Essência – Jimmy P

Jimmy P é um dos rappers da nova geração com mais talento e mais promissor. Este que é o seu terceiro disco, depois de um em 2015 e outro em 2013, Jimmy afirma-se como um artista a ter em conta quando se fala de hip hop tuga.

Essência é um álbum de afirmação, com algumas colaborações interessantes com artistas de língua portuguesa, como Terra Preta, Diogo Piçarra (que teve um dos álbuns do ano passado no nosso top) ou Fábia Maia. “Essência”, música que dá nome ao disco fala do trabalho que Jimmy passou até chegar ao patamar em que está actualmente e aos desafios que teve de ultrapassar.

Outra das músicas que merece destaque é “Entre as Estrelas”, música que conta com a participação de Diogo Piçarra. Esta é uma música muito emotiva e que a mim me diz muito. Trata-se de uma música que aborda o assunto da morte de pessoas que nós já perdemos e de quem gostávamos muito. Uma das melhores do álbum e que teve direito a um videoclip filmado no MEO Marés Vivas deste ano, onde o rapper portuense actuou no palco principal.

Não Tás a Ver” é outra das músicas que destaco deste álbum, foi aliás um dos singles deste seu álbum. É uma música que fala também da sua ascensão ao topo, sem esquecer as suas origens e as suas crenças, sem mudar nada. Aliás, Jimmy P valoriza muito quem o acompanha desde o princípio. “Má Vida” é outra das colaborações que o portuense tem neste seu álbum que mostra a sua versatilidade.  Jimmy é considerado um artista camaleónico, capaz de dar cartas no Reggae ou até no R&B, com algumas passagens pelo Rock. Destaco ainda “Benção” e “Como Tu”.

Vale muito a pena tanto ouvir este álbum, como ir aos concertos deste artista. Vão ver que não se desiludem.

 

Toda a Gente Pode Ser Tudo – NBC

NBC é um rapper português que tem vindo a ganhar notoriedade no meio, apesar de o álbum que o traz ao top do Ideias seja já o seu terceiro trabalho. O álbum começa com uma excelente intro, chamada “Pulmão”, deixando-nos preparados para a qualidade de NBC enquanto cantor. É, sem dúvida, um artista no verdadeiro sentido da palavra. “Pulmão” deixa-me estarrecido com a variação de notas que NBC faz, passando dos graves para os agudos sem qualquer dificuldade aparente.

“Nú” é outro dos meus destaques, o groove que a música tem é qualquer coisa de contagiante, deixando qualquer um a bater o pé e a fazer um gingar de ancas. Toda a Gente Pode Ser Tudo tem a capacidade de mudar de estilo num estalar de dedos, sem perder elementos importantes para um disco, prova disso é a mudança de “Nú” para “Acorda”. “Acorda” é o single de apresentação do álbum de NBC e aborda tanto o seu percurso antes da música até “acordar” e perceber o que queria realmente da vida, deixando de lado aquilo a que chamou de “acreditar no cifrão”.   

“Estrelas” continua o estilo muito mexido que tivemos em “Nú”, mas com uma sonoridade completamente diferente, é outro dos meus destaques. Outro dos destaques é “Nativo”, onde fala das suas origens. Outro dos destaques é “Espelho”, onde NBC conta com a colaboração de Sir Scratch. Este foi o seu terceiro single de apresentação ao seu álbum.

No geral, Toda a Gente Pode Ser Tudo é um álbum com imensa qualidade e com excelentes letras que valorizam imenso as músicas e o álbum.

 

Um Dia Destes – Anaquim

Anaquim é um nome que, apesar de não ser conhecido de todos, tem talento de sobra para ser considerada um talento emergente. Um Dia Destes é o terceiro álbum de estúdio da banda natural de Coimbra.

Este álbum tem a particularidade de todas as suas músicas parecerem histórias e, associado a este factor, está também o facto da voz de José Rebelo ser fantástica e complementar assim as músicas ou histórias. As músicas são alegres com letras muito bonitas, recorrendo a personagens de filmes ou séries para ilustrar algumas letras.

Neste álbum tão bem conseguido torna-se complicado de destacar só algumas músicas, contudo há algumas que claramente se destacam. “Sou Imune ao Teu Charme” e “Apontar É Feio” são duas músicas fenomenais, com uma capacidade de embalar o ouvinte, mas não no sentido de nos fazer adormecer, bem pelo contrário. A segunda música mencionada, tem a particularidade de ter a participação de Jorge Palma, que é certamente um nome conhecido por todos.

Destaco ainda “Rádio na Varanda”, “De Vez em Quando” e “Cabeça de Vento”, músicas muito bonitas e que nos põem a bater o pezinho e a abanar a cabeça a acompanhar o ritmo. Mas a minha favorita é “Afinal Feliz”, uma música extraordinária e que pode dedicar à/ao sua/seu mais que tudo. Vá por mim!

Mitra – PAUS

Mitra é o terceiro álbum dos PAUS, depois de já terem lançado um EP em 2010. Este terceiro álbum mostra bem o porque de serem considerados uma das bandas mais talentosas da nova geração. Um álbum com uma sonoridade excelente e com um estilo contagiante, em que ninguém consegue ficar parado ao som das suas músicas. Eu pelo menos, não parei de bater o pezinho ao ouvir as suas músicas enquanto jogava PlayStation e enquanto escrevia esta crónica. Uma excelente escolha, se gostar de álbuns de música para abanar as ancas.

Neste álbum de apenas 9 músicas, destaco “Mo People”, onde desafio o/a caro/a leitor/a a estar quieto. Dotada de uma sonoridade diferente, mas espetacular, é uma das minhas músicas preferidas deste álbum, cheia de bombos, mas também com o uso de eletrónica, mostram que a inovação, quando bem feita, pode gerar algo fantástico. Destaco também “Era Matá-lo”, provavelmente a minha música favorita de todo o álbum, mas não alerte as autoridades, pois é desnecessário. Tem uma excelente combinação de bateria, voz, guitarra e teclas que me deixa impressionado.

Como destaques deste álbum há ainda “Aquedutos” e “Mancha Negra”, ambas a manterem a tal sonoridade diferente, mas excelente, e a provarem que Mitra tem sem dúvida um lugar nos melhores álbuns portugueses de 2016.

 

Her – Rita Redshoes

Rita Redshoes está de volta! Este, que é o seu quarto álbum de estúdio, tem uma sonoridade muito boa e está merecidamente nesta lista de melhores álbuns nacionais de 2016. Aclamado pela crítica, Her é um álbum que contou com a participação de músicos de alto gabarito, tendo sido gravado em Berlim e produzido por Victor Van Vugt, que já produziu um disco de Nick Cave.

Life is Huge” é possivelmente a minha música favorita deste disco. Talvez por ter sido um dos singles de Her. Tão simples, mas tão bonita, Rita Redshoes consegue demonstrar toda a sua classe e emoção que uma música merece.

Mulher” é outro dos meus destaques e é também uma estreia de Rita Redshoes a cantar português a solo. Esta música mostra a qualidade enorme da voz de Rita e deixa-nos a perguntar porque é que só agora se aventura pela música portuguesa. “Vestido” é outra das músicas portuguesas presentes em Her e é igualmente bonito e prova da sua qualidade vocal. Destaco ainda “Take Me to the Moon”, “In A While” e “Wake Up, Goodbye”.

Her é um disco cheio de músicas bonitas, onde qualquer uma pode ser considerada excelente.

 

Enigma – Caelum’s Edge

Depois de um EP, bem aclamado pela crítica, finalmente o álbum dos Caelum’s Edge, de seu nome Enigma. Um álbum que combina músicas em inglês, mas também, em português. Esta banda apresenta aquilo a que os próprios chamam de space rock. Depois de pisarem grandes palcos como o NOS Alive em 2013 e 2014, o Hard Club e já este ano o Popular de Alvalade.

A sua música é de facto cativante e deixa-me a pedir mais. Já tive a oportunidade de os ver ao vivo e posso testemunhar que houve uma evolução, apesar de já na altura terem mostrado boas impressões.

As boas letras e boa musicalidade fazem parte fulcral deste álbum, tanto é que grande parte das músicas que eu destaco são prova disso mesmo. “Southern Lights” e “One Last Try” são ambas músicas de enorme qualidade, ficando na cabeça e no ouvido de qualquer apreciador de música. A juntar a estas músicas está também “Lighting Up the Stars”, que com aqueles agudos deixam-me muito bem impressionado.

Mas também há, tal como referi, música portuguesa neste álbum. E essas mesmas músicas merecem destaque, pela sua qualidade evidente. “O Jogo” e “Sara” são músicas muito boas! Aliás, a primeira andou a circular pelas rádios e merecidamente. Com uma batida e uma presença vocal muito forte mostram bem que a banda está pronta para grandes voos.

 

Até Pensei que Fosse Minha – António Zambujo

Apesar de ser um álbum baseado em cantigas de Chico Buarque, António Zambujo consegue refazê-las ao ponto de lhes dar uma roupagem diferente que as torna diferentes sem perder a mística que as versões de Chico possuem. Zambujo confirma, com este disco, algo que já tinha mostrado nos seus últimos trabalhos: uma voz cheia de talento e que há pouca gente que consiga fazer o que ele consegue.

É difícil descrever este disco, dado tratar-se da interpretação de António Zambujo de músicas de Chico. Mas é a voz do cantor alentejano, com a guitarra tão característica, que me faz não querer deixar este disco de fora deste top de melhores álbuns portugueses de 2016.

Destaco neste álbum “Futuros Amantes”, música inicial do álbum, bem como “Geni e o Zeppelin”, ambas estas músicas conseguem ter ao mesmo tempo, um pouco de música portuguesa e brasileira. Algo só ao alcance dos melhores. “Até Pensei”, música que dá o nome ao álbum é, possivelmente, a música onde António Zambujo faz jus ao nome da música, pois ao ouvir a música o/a caro/a leitor/a vai certamente pensar que a música era do cantor alentejano, dado assentar-lhe como uma luva!

Outros destaques neste belíssimo álbum são “João e Maria”, um clássico de Chico Buarque que não podia ficar de fora e que já tive o prazer de ouvir ao vivo no concerto dos Ujos, que já lhe falei aqui no Ideias e Opiniões.  Mas também a música que Zambujo canta com Carminho é motivo do meu destaque, chama-se “O Meu Amor” e é belíssima!

Marrow – You Can’t Win Charlie Brown

Marrow tem um estilo muito catchy e que nos deixa intrigados. É que há muita música de qualidade neste álbum. Diria até que qualquer música é capaz de ser single deste álbum, tal é qualidade espalhada neste álbum, que é merecidamente um dos melhores álbuns nacionais de 2016.

Above the Wall”, música inicial deste álbum dos lisboetas é a prova disso mesmo, sobretudo por ter a capacidade de nos mostrar algo diferente, para melhor, com um excelente uso de música eletrónica em complemento dos instrumentos habituais.

A capacidade dos You Can’t Win Charlie Brown de diversificarem o estilo e os instrumentos de uma música para outra é absolutamente incrível. Apesar de se perceber que se tratam do mesmo intérprete, há uma clara mudança e uma musicalidade bestial. Dá vontade de ficar a ouvir todo o álbum em loop.

“Linger On” e “Pro Procrastinator”, são duas das minhas músicas preferidas neste álbum. Têm uma batida enérgica e mexida que nos faz ao mesmo tempo querer dar em doidos e fazer as maiores figuras numa pista de dança e ficar junto ao bar ou a uma parede apenas a curtir a música e a bater o pé e a abanar a cabeça.

Destacto também “Frida (La Blonde)” e “Bones”, duas músicas mais calmas, mas com uma batida agradável para ouvir a estudar, por exemplo.

Carga de Ombro – Samuel Úria

Samuel Úria está de regresso aos discos, neste que é o seu terceiro álbum a solo e mais uma vez é aclamado pela crítica. Úria consegue mais uma vez um excelente trabalho e não consigo apontar-lhe uma falha, ou não fosse este disco um dos melhores álbuns nacionais de 2016, para várias publicações.

Os seus singles de apresentação ao álbum, “Dou-me Corda” e “É Preciso que Eu Diminua” são excelentes e merecem a qualidade de singles. Há uma sonoridade característica das suas músicas que nos dão um conforto agradável. É isso que faz dele um dos melhores artistas no nosso país.

Carga de Ombro”, nome da música homónima do álbum é deliciosa! Um xilofone (ou algo que se assemelha), uma bateria, uma guitarra e outros instrumentos de fundo, fazem com que a letra fique ainda mais reconfortante e mais presente nas nossas cabeças. Esta é outra daquelas músicas que me ficam na cabeça, tal é a sua qualidade.

Destaco ainda “Repressão” e “Aeromoço”, sendo a segunda uma canção que todos deviam ouvir várias vezes. É magnífica!

Outras Histórias – Deolinda

Outras Histórias é, na minha opinião, o regresso dos Deolinda ao estilo característico dos seus dois primeiros álbuns, que conquistou o público português. No seu terceiro disco, aventuraram-se por outros caminhos, que pelo menos a mim, não me fascinaram. Mas é com Outras Histórias que voltam a ter um destaque merecido, mantendo, no entanto, algumas “aventuras” que lhes saem muito bem, como a música “A Velha e o DJ”, que conta com a participação de DJ Riot.

Corzinha de Verão” é um dos meus destaques, por ser uma música bem animada, que fala do Verão e do bom tempo, e em que eu me revejo dado raramente conseguir-me bronzear na época do Verão.

“Desavindos” é outra das músicas que destaco. Esta bem diferente da outra, já que, por um lado, conta com a participação de Manuel Cruz, o génio por trás de bandas como Ornatos Violeta, Pluto, Supernada e também a solo como Foge Foge Bandido; e por outro, por ser uma música calma. Destaco ainda “A Avó da Maria” e “Berbicacho”, ambas as músicas são animadas, engraçadas e têm a possibilidade de dar um pezinho de dança.

No geral, é um álbum muito bem conseguido com capacidade de se reinventarem, sem perderem a sua imagem de marca.

 

E aqui está a surpresa que lhe falei no início da crónica. Se prestou atenção, lembrar-se-á que eu referi que poderia vir a ter uma surpresa nesta crónica e aqui está ela. Não serão 10, mas sim 11 melhores álbuns portugueses, isto porque o trabalho de Aurea era demasiado bom para deixar de fora de um top, e dado que não consegui tirar nenhum outro álbum para colocar o álbum que se segue, optei por não dar nenhuma menção honrosa e sim incluir mais um álbum, do que aqueles que prometi… Mas hey, mais vale prometer e dar mais do que a menos, não é verdade?

 

Restart – Aurea

Aurea está de volta aos álbuns. Depois de Aurea e Soul Notes, a cantora, que agora faz parte dos mentores do The Voice Portugal, volta a presentear-nos com a sua bela voz a cantar músicas originais suas.

Um dos pontos fortes deste álbum é a clara mudança de ritmo e melodia de faixa para faixa, onde ouvimos claramente estilos diferentes que nos deixam encantados. Ouvimos uma Aurea com a sua voz entusiasmante e onde várias músicas podem ser destacadas com todo o mérito.

Começo logo por destacar “Blind Woman”, a música que nos introduz ao álbum e que faz esse papel de forma muito boa. O refrão está muito bem feito e fica na cabeça tanto a letra como o ritmo e, na minha opinião, este é das melhores coisas que se pode dizer de um trabalho de um/a artista.

Há ainda que destacar “I Didn’t Mean It”, uma balada extraordinária, onde tanto a voz de Aurea como a do coro são magníficas. O acompanhamento instrumental é de facto uma mais valia, tanto o piano como o violoncelo são pontos fulcrais desta música.

Destaco também, “I Feel Love Inside”, “Hold Me in Your Arms” e “Something Something”, onde se faz sentir um groove que nos impede de ficar quietos ao ouvir a música. É impossível não acompanhar com, pelo menos, um bater de palmas ao ritmo das mesmas, ou até quem sabe um estalar de dedos.

 

Sugestão do Mês

Tendo em conta que esta é uma crónica de álbuns de música portuguesa, não fazia sentido colocar uma música de outro país que não fosse o nosso. Afinal de contas, temos tão boa música que a escolha difícil é a de qual escolher. Como tal sugiro não uma, mas duas músicas.

A primeira é de Valas e chama-se “As Coisas”. Esta música tem a produção de Lhast, que é responsável por um dos êxitos de Richie Campbell (que teve um dos discos do ano passado para o Ideias), “Do You No Wrong”. Valas, ou Ricardo Valido, nome que consta no documento de identificação, sempre consumiu muito hip hop, tanto português, de nomes de Sam the Kid, Boss AC ou Halloweeen, como americanos. “As Coisas” é o single de apresentação de Valas, depois do rapper alentejano ter assinado com a Universal Music.

A outra sugestão é uma música chamada “90” de Diogo Piçarra. Esta música diz-me algo dado ser da geração de 90, embora a letra seja uma clara homenagem a um amigo que o cantor perdeu. Não há muito a dizer, é deixar a letra e a música falarem por si.

Até para o mês que vem e até lá, cante e dance, ao som das suas músicas preferidas!

Boas Festas!!

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