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Os Grandes Festivais da 7étima Arte

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De acordo com as estimativas recolhidas recentemente pela minha pessoa, existem cerca de 3000 festivais dedicados ao cinema em todo mundo, com periodicidades que variam entre o semestral e o bianual. Mas com tanta oferta, como é possível destacar-se como um festival de prestígio que acolhe os melhores talentos mundiais? Hoje trago-lhe algumas das maiores (e melhores) festas do cinema, nas quais são apresentadas algumas das grandes produções cinematográficas mundiais.

Os festivais de cinema são, muitas vezes, a porta de entrada para realizadores/filmes com orçamentos de promoção substancialmente inferiores, proporcionando surpresas até para os júris mais experientes. Sem a existência destes eventos, não teríamos uma grande parte dos clássicos do cinema que tanto adoramos que alcançaram o estrelato através deste tipo de exposição.

Com foco em diferentes géneros ou em regiões estilísticas, o que não falta são festivais por aí fora. Fontes de cultura, são a derradeira oportunidade de analisar tendências ou de, simplesmente, espreitar o que está prestes a chegar às salas de cinema. Os festivais constituem mais um palco para as estrelas de cinema se mostrarem e pautarem a influência das suas mais recentes produções.

Se partilha a minha curiosidade por estes eventos, não pense que tem de ir longe para ter uma amostra. Em Portugal temos festivais internacionais de cinema, dos quais destaco o tão conhecido Fantasporto, no qual tive prazer de estar presente há meia dúzia de anos. Então e o resto do Mundo, Miguel? Toca a ler a crónica! Terei imenso prazer de vos explicar quais são os mais prestigiantes festivais de cinema do planeta.

Sundance Film Festival

Organizado pelo Sundance Institute (fundado pelo ilustre Robert Redford) e com mais de 45 mil participantes, o Sundance Film Festival ocorre todos os anos em Park City, Utah (EUA), assumindo-se como o grande evento do cinema independente em terras americanas. De cadência anual, o festival ocorre em Janeiro e conta com várias categorias de competição, entrelaçadas entre mostras de cinema dos mais variados géneros.

Sob um mote e visão que puxa pelo empowerment dos contadores de história independentes, Sundance é um apelo à imaginação numa nova era artística, ligando realizadores e espectadores com as audiências e provocando positivamente as suas mentes. Está na minha lista passar por lá um dia, disso não há dúvida.

Sundance é frequentemente o inicio do caminho para os Óscares, funcionando como um dos grandes indicadores para possíveis vencedores das derradeiras estatuetas douradas. Aproveito para acrescentar a existência do Raindance Film Festival que, embora não esteja relacionado com Sundance, também está intimamente ligado às grandes produções do cinema independente.

Festival de Cannes

Não tinha como escapar a este gigante. Cannes é um evento equiparado aos Óscares (só que na Europa) e o seu poderio marketizado tem vindo a aumentar substancialmente nos últimos anos. Com origens nos anos 40, é um dos festivais mais curados da indústria, reunindo estrelas e talentos emergentes de todos os cantos do mundo. Apenas destinado a um lote de convidados, Cannes tem como grande prémio a tão conhecida e prestigiante Palma D’Ouro, especialmente desenhada como galardão para o melhor filme do festival.

O cinema português já esteve várias vezes em destaque neste festival, alcançando prémios em diferentes categorias. O último a triunfar em terras gaulesas foi João Salaviza, que arrebatou o Palma D’Ouro de melhor curta-metragem em 2009. De louvar, ainda, o prémio honorário atribuído a Manoel de Oliveira em 2008 (apenas cinco outros realizadores tiveram o mesmo privilégio).

Berlinale

Cotado como o festival de cinema com mais participantes no globo (a rondar os 500 mil… é muita gente!), o Festival Internacional de Cinema de Berlim é mais um dos grandes eventos da cinematografia europeia. O Berlinale ocorre anualmente no mês de Fevereiro desde 1978 e vê no Urso de Ouro o seu mais alto prémio (o Urso de Prata foi igualmente introduzido para galardoar actores e realizadores).

O festival decorre ao mesmo tempo que o Berlinale Talents, uma mistura entre uma escola e um campo de férias (só no que Inverno e para adultos, ou seja nada a ver) que tem como objectivo potenciar futuros criadores de cinema, dando-lhes a oportunidade de interagir com os grandes mestres da actualidade. Com representantes de mais de 130 países, o evento tem ganho um mediatismo mais negativo (fruto da mediatização em si) nos últimos anos, mas parece manter sempre um grande nível de qualidade e, acima de tudo, de classe artística.

Mostra Internazionale d’Arte Cinematografica

Para fechar os Big 3, já cá faltava a glamorosa Veneza (o título em si não é 100% esclarecedor). O Festival de Veneza é a mais antiga festa do cinema a nível mundial, ocorrendo todos os anos entre Agosto em Setembro. O evento está inserido na Biennale di Venezia, um mega evento cultural que engloba várias expressões artísticas, como a dança, a arquitectura e, até, a exploração de arquivos históricos.

O modelo perfeito do típico festival cinematográfico, Veneza, que por si só já tem muita beleza, é invadida pelo glamour estrangeiro, culminando num evento de prestígio com poucos rivais. O tão afamado Leão D’Ouro compete “taco a taco” com os seus semelhantes em outras andanças (Cannes e Berlim). Escusado será dizer que a red carpet é uma autêntica passerelle que se aproxima do modernismo que só os Óscares nos conseguem proporcionar.

E embora se pense que os festivais europeus são mais dedicados ao cinema alternativo, o vinco americano está mais que instalado, com várias produções de Hollywood a figurarem nos palcos do festival, arrebatando prémios e deixando de pé até as mais exigentes plateias deste que é o mais antigo festival de cinema do mundo.

Annecy International Animated Film Festival

Não poderia deixar de incluir um bom festival de animação neste top. Realizado na cidade francesa de Annecy, os bons ares the Junho trazem o melhor que o cinema animado tem para mostrar, numa nuvem de imaginação para miúdos e graúdos. Com temas diferentes todos os anos, são várias a apresentações ao ar livre em Pâquier (no centro da localidade), onde os espectadores podem partilhar a paixão pelo cinema com as colinas e lagos que circundam a área do festival.

O Annecy International Animated Film Festival é uma atracção de topo para os mestres da animação e é muitas vezes o grande responsável por definir tendências ao mesmo tempo que consegue desconstruir o modelo de negócio dos filmes de animação nos dias que correm. Gostaria que destacar que várias produções de língua portuguesa (maioritariamente do Brasil) atingiram o mais alto prémio festival, com uma nota especial para a vitória de Tragic Story With Happy Ending de Regina Pessoa em 2006, a única vitória de Portugal no Annecy.

Se em Portugal temos muitos festivais de boa música (e que frequentemente esgotam), talvez seja altura de despertar a sua curiosidade para os festivais da sétima arte. Com a quantidade de filmes que vi ao longo dos anos, tornou-se quase impossível segurar a minha curiosidade por este tipo de evento: não pelos grandes titãs do cinema que tiveram a sua estreia nestes grandes palcos. Mas pelas descobertas de filmes não tão conhecidos, mas que aos quais lhe entrego todo o meu respeito e consideração.

Porque a industrialização do cinema não apagou o constante talento independente que a maioria das fundações e escolas nos trazem e que influenciam uma nova geração de storytellers. Que continuem os festivais de cinema que permitem aos visionários partilharem as suas brilhantes produções, independentemente do seu orçamento. Porque uma só ideia pode mudar a vida de muita gente e o cinema é um dos maiores exemplos disso. Bons filmes, boas séries, o vosso amigo Miguel estará de volta a Portugal muito em breve!

Hasta La Vista, Baby!

P.S.: Se é fã destas andanças, dê uma olhadela aos meus artigos aqui.

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