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Os 20 Filmes Que Tem de Ver Antes de Morrer

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O grande spoiler da vida é que mais tarde ou mais cedo vamos todos esticar o pernil. E certamente não haverá sensação mais incomodativa, especialmente para quem tem a sorte de morrer saudável na sua cama, do que pensar:”Porra, não vi aquele filme! E agora?” Partindo do principio que a vida depois da morte não tem uma sala de cinema decente, mas terá outras tantas qualidades decerto, este mês no Ideias & Opiniões mostro-lhe os 20 filmes que deve ver antes de morrer. Um titulo cliché, mas que mostra uma lista de clássicos dos mais diversos géneros que na minha opinião devem ser visto pelo menos uma vez na vida. Recordo que esta é uma opinião pessoal e que 20 filmes são apenas a ponta do icebergue dos inúmeros títulos da industria que podiam igualmente vigorar aqui nos parágrafos que se seguem.

Claro que esta lista confunde-se com outras que tentam apresentar os melhores filmes de sempre, mas numa industria tão rica e tão variada dizer que filmes tão dispares são os melhores filmes de sempre e agrupá-los por ordem de qualidade é complicado e falacioso. Esta lista tem filmes que poderemos considerar populares, outros são clássicos intemporais e outros menos conhecidos para alguns mas foram organizados por preferência, outros por popularidade e outros apenas por qualidade hipotética em relação a outros. Quase que se pode dizer que a ordem é indiferente desde que os veja e tire as suas conclusões. O que os deve destacar é a marca que deixam no cinema, a capacidade de nos fazer sonhar, reflectir ou simplesmente entreter!

20. O Sexto Sentido (1999)

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“I see dead people!”

M. Night Shyamalan não é bem visto por quase ninguém, ao ponto de ter de ocultar o seu nome da realização de Depois da Terra, no entanto, não é possível tirar-lhe mérito por O Sexto Sentido. O filme conta a história de um rapaz (Haley Joel Osment) com um dom bastante sinistro, que tenta compreender com a ajuda de um psicólogo (Bruce Willis). Vai prender a audiência ao ecrã tanto pela maneira crua como o tema é retratado como pela narrativa que embora decifre o óbvio, engana a audiência.

Porque deve ser visto (2 vezes): O filme oferece um dos melhores plot twists da história, coisa a que Shyamalan já nos habituou embora de maneira bastante torpe noutras produções. Deve ser visto duas vezes, uma para desfrutar da surpresa que deixa a audiência de boca aberta. A segunda vez, para verificar como realmente fomos parvos quando a resposta este sempre à nossa frente.

19. O Feiticeiro de Oz (1939)

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“Toto, I’ve a feeling we’re not in Kansas any more.”

A história é icónica, mas imaginar fazê-la no final dos anos 30 com a tecnologia da altura faria qualquer realizador do século XXI ter suores frios. Um filme de fantasia musical cheio de moralidade conta a história de Dorothy (Judy Garland), que devido a um tornado é transportada para um mundo que desconhece. Para voltar a casa deve procurar a ajuda do Feiticeiro de Oz! No seu percurso, que se traduz em caminhar numa estrada de tijolos amarelos, encontrará três personagens que a acompanharão, procurando também o feiticeiro de forma a tentar corrigir o que pensam ser os seus defeitos ou falhas. Enquanto isso, a Bruxa Malvada do Oeste (Margaret Hamilton) tenta tomar o controlo de Oz prejudicando a jornada e os objectivos das personagens principais.

Porque deve ser visto: O Feiticeiro de Oz é um dos primeiros filmes a usufruir da tecnologia da Technicolor que envolvia a gravação do filme em três fitas que juntas dão um resultado final a cores. Um processo dispendioso mas que faz deste filme um dos primeiros sucessos a cores do cinema de Hollywood. A cor pode parecer excessiva, quase como numa viagem de LSD, mas é um resultado vibrante. Uns anos antes e a estrada de tijolos amarelos seria de um cinzento pouco animador! A grandiosidade dos cenários e a imaginação necessária na sua produção são também um marco para a época.

18. Os Salteadores da Arca Perdida (1981)

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“Snakes. Why’d it have to be snakes?”

Realizado por Steven Spielberg e escrito por Lawrence Kasdan e George Lucas, Raiders of the Lost Ark é o primeiro, e o melhor, filme de Indiana Jones. Com o lendário Harrison Ford, arqueólogo nunca se pareceu com uma profissão de sonho: combater Nazis, encontrar tesouros lendários e viajar pelo mundo com o auxilio de um revólver, um chicote e o fedora mais icónico do cinema. Nesta aventura Indiana Jones é contratado pelo governo americano para encontrar a famosa Arca da Aliança, mas há um problema, os nazis também estão a procura dela, sem conhecerem o perigo que representa enfurecer o Altíssimo.

Porque deve ser visto: É talvez um dos melhores filmes de aventura de todos os tempos, prendendo o espectador do inicio ao fim estabelecendo um modelo para filmes que se seguiram mesmo décadas depois, como A Múmia (1999), e ultrapassando até o cinema: Indiana Jones é o “pai” de Lara Croft e Nathan Drake.

17. Voando Sobre um Ninho de Cucos (1975)

“Get out of my way son, you’re usin’ my oxygen.”

Instituições psiquiátricas dão no geral inspiração para bons filmes. Voando Sobre um Ninho de Cucos conta a história de McMurphy (Jack Nicholson), um homem admitido numa instituição psiquiátrica por alegada violação de uma jovem de 15 anos. No entanto, presumivelmente são, começa a revoltar-se contra o sistema da instituição, chocando com a ordem administrada pela infame enfermeira Ratched (Louise Fletcher), que pouco tolera as constantes faltas de respeito e perturbações da paz que descontrolam pacientes mas dinamizam a vida em comunidade dos doentes.

Porque deve ser visto: Não só o papel de Nicholson e Fletcher são brilhantes como todo o filme introduz os mais diversos talentos para o grande ecrã, de Danny DeVitto, passando por Christopher Lloyd, até Brad Dourif. O filme é também gravado para além dos actores, com doentes reais a aparecer em pano de fundo, o que dá realidade a toda a cinematografia. É também um filme com um final constrangedor que deixa a audiência a pensar no que realmente se passa nestas instituições.

16. Tudo Bons Rapazes (1990)

“Jimmy was the kind of guy that rooted for bad guys in the movies.”

Martin Scorsese já realizou muitos filmes dos mais variados géneros, mas é os de gangster  e criminosos que se destacam com um grande repertório que vai de Taxi Driver (1976), passando por Casino (1995) , Gangs de Nova Iorque (2002) e o recente Lobo de Wall Street (2013). GoodFellas ou Tudo Bons Rapazes acompanha a história de Henry Hill (Ray Liotta) desde o seu primeiro contacto com a máfia até se tornar um membro de pleno direito, com todas as bonificações e problemáticas que incorrem neste tipo de vida.

Porque deve ser visto: É uma obra-prima, em jeito auto-biográfico, que retrata a Máfia de uma perspectiva nunca antes vista, com representações geniais de Liotta, DeNiro e o sempre impulsivo e improvisador Joe Pesci.

15. Laranja Mecânica (1971)

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“This would sharpen you up and make you ready for a bit of the old ultra-violence.”

Há filmes impróprios para os estômagos mais sensíveis pelas mais variadas razões, mas Laranja Mecânica  de Stanley Kubrick vence a corrida nos mais variados parâmetros. O filme foi proibido de ser vendido ao público no Reino Unido até, imagine-se, ao ano 2000.

Mas porquê? Porque é um filme absolutamente desconcertante que retrata uma Inglaterra futurista e melancólica onde um grupo de jovens delinquentes, espalha o caos num desrespeito pela condição humana. No entanto, a sociedade tenta combater o fenómeno da delinquência no jovem Alex DeLarge (Malcolm McDowell), que é sujeito a experimentações e a terapias comportamentais surreais de forma a tornar-se de novo um cidadão exemplar.

Porque deve ser visto: A surrealidade do filme é única, como só Kubrick poderia executar, e a violência complementa o ambiente desconcertante e sexual de uma Inglaterra distópica que faz a audiência ponderar se a cura não é tão má como a doença, com um final aberto à reflexão.

14. O Exorcista (1973)

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“The Power of Christ compels you!”

Para este filme há duas recomendações, a primeira é ver ciente que vai assistir a algo desconcertante, diabólico e ao mesmo tempo genial. A segunda é, se for muito sensível (não havendo mal nenhum se for) evite vê-lo à noite e sozinho em casa.

O Exorcista conta a história de uma rapariga possuída pelo demónio e a heróica tentativa de resolver o problema por parte de dois padres da Igreja Católica. Até aqui tudo bem, não fosse a transformação da rapariga numa manifestação macabra do demónio um espectáculo aterrador. A audiência vê a saúde da rapariga a deteriorar-se a cada investida demoníaca num espectáculo cada vez mais gráfico e diria, blasfemo.

Porque deve ser visto: Um dos filmes de terror mais arrepiantes da história, embora a quantidade e abundância deste género desde 1973 possa de certo modo vacinar futuras plateias. Sobrevive, no entanto, a ambiência e a maneira particular como se torna desconcertante através da maneira como explora a oposição entre o demónio e a inocência da infância.

13. Tempos Modernos (1936)

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“Hey you! Get back to work!”

Charles Chaplin é um ícone, e isso reflecte-se nas suas obras onde a critica social e politica estão na ordem do dia, nem que por isso se tornem narrativas sérias, o que obriga a pensar para lá delas. Tempos Modernos é uma critica à sociedade industrial onde operários se transformaram em maquinas, através de doutrinas como o Fordismo e o Taylorismo que visam a facilitar a produção em massa. A pobreza e a situação precária dos operários está bem impressa numa comédia que nos faz rir do principio ao fim.

Porque deve ser visto: Por detrás da mascara da comédia o filme tem uma mensagem que ser adaptada aos nossos tempos e possivelmente a qualquer época de crise. O humor físico de  Charles Chaplin torna um tema sério numa aventura de risos.

12. Blade Runner: Perigo Iminente (1982)

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“I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser gate. All those moments will be lost in time… like tears in rain… Time to die.”

Ridley Scott é um visionário, embora muitos dos seus filmes só sejam reconhecidos depois de um Director’s Cut em condições. Blade Runner é um destes casos, tendo uma fraca afluência nos cinemas americanos na altura do seu lançamento atingiu estatuto de filme de culto sendo agora uma presença importante no cenário da ficção cientifica.

Numa sociedade futurista de 2019, Rick Deckard (Harrison Ford) é um Blade Runner, incumbido de matar replicants, clones humanos outrora usados para trabalhar em colónias espaciais  mas ilegalizados devido a vários motins que se desenvolveram nessas comunidades. Deckard terá de caçá-los mas é confrontado com a pergunta que ecoa por todo o filme: “O que é de facto ser humano?”

Porque deve ser visto: Seja pelo aspecto visual já apelidado de tech noir até à banda sonora sublime de Vangelis há algo que vibra em toda a cinematografia com a idealização do futuro e os diálogos profundos numa narrativa que por vezes não é fácil de entender. Tem também as melhores “ultimas palavras” algumas vez proferidas por uma personagem o que reforça a natureza filosófica do filme!

11. Apocalypse Now (1979)

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“I’ve seen horrors… horrors that you’ve seen. But you have no right to call me a murderer. You have a right to kill me. You have a right to do that… but you have no right to judge me.”

Filmes na Guerra do Vietname são muitos e nos mais variados tons mas Apocalypse Now de Francis Ford Copolla destaca-se pela loucura da sua produção, que daria um filme sobre o filme. A história envolve uma missão atribuída ao Capitão Willard (Martin Sheen), encontrar e matar o coronel renegado Kurtz (Marlon Brando), que desertou e se transformou num Deus para uma tribo local do Cambodja.

Porque deve ser visto: Para além da cinematografia única o filme envolveu meses de filmagens nas Filipinas e milhões de dólares que quase levaram Francis Ford Copolla à falência. A  maneira nua e crua, com alguns apontamentos de humor negro, com que representa a Guerra do Vietname tornam o filme icónico. Muitos problemas de produção e planeamento obrigaram os actores a improvisar muitas das suas falas, enquanto estavam bebados ou sob o efeito de substâncias ilicitas (sim, falamos de vós Martin Sheen, Dennis Hopper e outros elementos de produção inclusive o realizador!). Marlon Brando improvisou 18 minutos de monologo que embora brilhantes foram cortados para meros dois que aparecem na versão final.

  10. Metropolis (1927)

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“There can be no understanding between the hand and the brain unless the heart acts as mediator.”

Conhecemos indirectamente Metropolis, nem que seja por Radio Gaga, mas há muito mais neste clássico do que aparenta a sua presença em plano de fundo atrás de Freddie Mercury.

Na cidade de Metropolis, a população divide-se em duas classes, os trabalhadores que operam toda a maquinaria debaixo da terra, e as classes dominantes que vivem no topo da numa sociedade utópica, sem conhecimento da vida árdua dos operários que vivem debaixo dos seus pés. Enquanto o senhor de Metropolis tenta arranjar uma maneira de destruir a classe operária, o seu filho envolve-se numa espécie de Romeu e Julieta futurista com a líder reaccionária dos operários. A mensagem final passa pela necessidade de entendimento e cooperação entre ambas as classes de modo a sustentar a sociedade.

Porque deve ser visto: É um testemunho de como a sociedade dos anos 20 olhava para o futuro, sempre com um pé no presente. A cidade futurista demonstra a luta de classes presente na realidade do século XX, com os ideias comunistas que apareciam aos poucos na sociedade ocidental devido à Revolução Russa. É também um pilar do cinema mudo e uma inspiração para clássicos posteriores, num legado que ainda hoje está presente.

9. O Cavaleiro das Trevas (2008)

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“You either die a hero or you live long enough to see yourself become the villain.”

A abundância de filmes de super-heróis está de certo modo a descartar o género para o cinema fácil e popular. Batman passou por maus bocados especialmente nas mãos de Joel Schumacher. mas com a viragem do século o Cavaleiro das Trevas reaparece numa versão mais adulta, menos baseada na ambiência da banda desenhada e totalmente focada em trazer um argumento sólido e personagens baseadas na realidade.

Em O Cavaleiro das Trevas, Batman (Christian Bale) tem de enfrentar uma nova ameaça, o vilão mais icónico do universo do super-herói, o Joker (Heath Ledger) que tem como único objectivo destabilizar toda a Gotham, sem qualquer razão aparente sem ser a anarquia.

Porque deve ser visto: A riqueza do argumento, o respeito pelo universo de Batman e principalmente a representação perfeita de Joker pelo falecido Heath Ledger, que lhe valeu o óscar póstumo, transforma o filme numa peça única que se destaca de todos os filmes de super-heróis feitos antes e depois do seu lançamento. A cinematografia é também de certo modo particular com a utilização de câmaras IMAX pela primeira vez num filme deste tamanho e envergadura, o que por vezes muda a orientação do ecrã entre a escala do próprio IMAX e o 16:9.

8. O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel (2001)

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“A wizard is never late, Frodo Baggins. Nor is he early. He arrives precisely when he means to.”

Talvez Regresso do Rei tenha ganho os óscares como reconhecimento da conclusão de uma das melhores trilogias do cinema, no entanto, é o primeiro capitulo que destaco, o que certamente levará a audiência a ver as continuações, e as prequelas (que embora diminuam de qualidade continuam a ser experiências espectaculares!).

A já lendária busca pela destruição do Anel de Sauron junta uma companhia de heróis, muitos improváveis, que partirão numa demanda até ao Monte da Condenação de forma a destruir as forças do Mal que ameaçam o frágil equilibro da Terra-Média.

Porque deve ser visto: A natureza episódica deste filme e a atenção para o detalhe visual torna o filme num espectáculo que transforma a Terra-Média num lugar minimamente plausível. Com riqueza de diálogo e uma história épica inspirada no universo de Tolkien é um dos melhores filmes de fantasia de todos os tempos, que respeita a visão do autor sendo por vezes melhor do que o livro,  o que é uma tarefa muito difícil para qualquer projecto inspirado na literatura!

7. O Sétimo Selo (1957)

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“We must make an idol of our fear, and call it god.”

Debruçando-se sobre a relação do homem com a morte, o filme sueco O Sétimo Selo, uma das obras-primas de Ingmar Bergman, retrata a busca pelas grandes questões da existência.

Um cruzado (Max Von Sydow) de regresso das Cruzadas vê-se envolvido num jogo de xadrez com a Morte, enquanto o mundo à sua volta é assombrado pelo fantasma da Peste Negra. Neste jogo mortal tenta descobrir uma resposta para a sua crise existencial, reflectindo sobre a morte e a existência de Deus enquanto se cruza com as mais variadas personagens. É um drama fantástico com apontamentos de algum humor negro muito particular.

Porque deve ser visto: Com a Morte sempre presente e em perseguição, o filme tem tanto de real como surreal, com imagens que revelam tanto a beleza da sua cinematografia como a natureza aterrorizante de certos planos. A isto tudo junta-se a imagem a preto e o branco que reforça os opostos do filme, tornando o conteúdo ainda mais surreal quando visionado pelas plateias modernas.

6. Os Condenados de Shawshank (1994)

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“Get busy living, or get busy dying.”

Não é segredo que as instituições prisionais americanas não são para todas as almas, mas ter um retrato delas sabendo que o prisioneiro pode estar inocente é ainda mais extraordinário e desconcertante.

Os Condenados de Shawshank retrata a história e a vida dentro de uma prisão, não esquecendo a humanidade de cada individuo mas também a injustiça e a corruptibilidade do sistema. Com interpretações soberbas de Tim Robbins e Morgan Freeman entre outros, é uma história de redenção e de perseverança com uma narrativa emocionante do principio ao fim.

Porque deve ser visto: É uma história sobre esperança e resistência contra as problemáticas da vida. Tem uma carga emocional bastante grande e retrata a verdade nua e crua do universo prisional. Quanto estiver pouco motivado, quando pensar que não há volta a dar na sua vida, veja  Os Condenados de Shawshank, um filme com frases icónicas e interpretações fabulosas!

5. O Império Contra-Ataca (1980)

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“No. Try not. Do… or do not. There is no try.”

Não é segredo para ninguém que a trilogia original de Star Wars é um pilar no cinema moderno, mas é a obra-prima de Irvin Kershner é a que se destaca por ser uma das melhores sequelas alguma vez produzidas, embora a carreira do realizador tenha sido agridoce.

Depois da destruição da Estrela da Morte o Império persegue os rebeldes até ao planeta Hoth, obrigando os heróis a escapar. Luke Skywalker (Mark Hamill) é incentivado pelo espírito de Ben Kenobi (Alec Guinness) a procurar um velho mestre jedi que pode completar o seu treino. Já Darth Vader (James Earl Jones, Davi Prowse) tenta capturar Leia Organa (Carrie Fisher) e Han Solo (Harrison Ford) armando uma cilada a Luke.

Porque deve ser visto: O Império Contra-Ataca destaca-se pela sua qualidade inigualável tecendo um novo padrão para os filmes de ficção cientifica das décadas seguintes. A cinematografia e a história expande o universo Star Wars muito para além da nossa galáxia, com um dos plot twists mais inesperados da história e que inspirou outros tantos da mesma natureza. Além disso, o final é perfeito e deixa água na boca pelo último capitulo da trilogia, o que em 1980 deve ter sido doloroso, pois cada filme foi lançado com um intervalo de três anos.

4. O Mundo a Seus Pés (1941)

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“Rosebud…”

Com um titulo extremamente bem traduzido para português, Citizen Kane tem tanto de icónico pela sua cinematografia como pela sua narrativa.

As ultimas palavras do magnata editorial Charles Foster Kane (Orson Welles) abrem um mistério que alicia um grupo de repórteres a tentar descobrir o seu significado. Esta busca remete para as mais variadas fontes, pessoas e memorias que pouco a pouco vão construindo e desvendando a vida e a personalidade do magnata. Das muitas morais do filme destaca-se a incapacidade de perceber e conhecer completamente uma pessoa por mais poderosa ou famosa que ela seja.

Porque deve ser visto: Um filme com realização e representação de Orson Welles, que nos presenteia não só com o seu talento como desafia todo o cinema de época, estabelecendo novos padrões em termos de cinematografia. A junção perfeita de todos os elementos do filmes (luz, som e imagem) transformam o filme numa experiência onde nada é feito por acaso. Dos ângulos de gravação em profundidade que ajudam a destacar vários planos, até à utilização do som como elemento dramático activo, Citizen Kane beneficia da convivência de Welles com o drama radiofónico, estabelecendo uma abordagem mais novelesca ao cinema que leva a narrativa a saltar entre passado e presente sem linearidade cronológica.

3. A Lista de Schindler (1993)

Marco Antônio Galindo - Resenha crítica do filme A Lista de Schindler

“I could have got more out. I could have got more. I don’t know. If I’d just… I could have got more.”

O horror e as atrocidades cometidas pelos nazis são um tema marcante que continua a chocar o mundo. A realidade dos campos de concentração e o heroísmo das pessoas que tentaram salvar a vida de judeus são por vezes esquecidas, sendo para isso necessário filmes como A Lista de Schindler de Steven Spielberg para reavivar a memoria de uma Europa por vezes apagada e descredibilizada.

O filme retrata a o esforço de Oskar Schindler (Liam Neeson) em salvar milhares de judeus da morte ajudando muitos a escapar, e contratando outros para trabalhar na sua fábrica. As atrocidades dos campos de concentração, o desespero de viver, e as vitimas da maquina de matar de Hitler, tudo num filme emocionante que não deixa ninguém indiferente!

Porque deve ser visto: Para além da cinematografia, que optou por usar o preto e branco, e outras cores para destacar certos elementos, também o valor simbólico e a atenção ao detalhe fazem deste filme uma das melhores obras de Spielberg e um recordar de um passado com 70 anos, que bela sua barbárie nos parece tão longínquo.

2. Lawrence da Arábia (1962)

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“Truly, for some men nothing is written unless they write it.”

Falamos dele o mês passado, mas isso não o livra de estar no segundo lugar desta lista. A obra-prima de David Lean!

Um pilar da era de ouro do cinema, Lawrence da Arábia retrata a vida de T. E. Lawrence como oficial do exército britânico em plena Primeira Guerra Mundial. Cativado pelo deserto e formando amizades com as personagens mais improváveis, é um filme sobre o choque de culturas, com a guerra e as suas problemáticas a alcançar um plano central. Na beleza do deserto o protagonista tem de lidar com a morte, mas também com a vida, e com o seu próprio estatuto de fenómeno entre as tribos. Asimagens inspiradoras e centenas de figurantes que tornam real toda a narrativa levam-nos a pensar que já não se fazem filmes assim!

Porque deve ser visto: É considerado um dos filmes mais influentes da história do cinema com vários realizadores a usá-lo como influência para a sua direcção. Quatro horas de longos, épicos e paisagísticos planos que são complementados pelo argumento e pela interpretação dos actores. É considerado pela Biblioteca do Congresso como uma peça única em termos culturais, históricos e estéticos.

1. O Padrinho (1972)

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“That’s my family Kay, that’s not me.”

Francis Ford Coppola pode ter esbanjado a sua fortuna em Apocalypse Now, mas a que ganhou passou de certeza por O Padrinho. A história da Familia Corleone e do mundo da Máfia já tem tanto de trágico como de universal!

Entre a  Parte 1 e Parte 2, muito se discute sobre qual será o melhor filme. Pessoalmente, a Parte 2 sofre de alguns problemas de ritmo, o que também pode ser derivado das trocas entre passado e presente. A Parte 1 , no entanto, não só não sofre deste problema como introduz todo o universo da Máfia e a Família Corleone para o grande ecrã, centrando-se na figura de Don Vito Corleone (Marlon Brando), e passando lentamente para a figura de Michael Corleone, que se torna uma espécie de herói trágico que acaba por vender a alma ao Diabo de forma a assegurar a sobrevivência da sua família. A Parte 1 tem momentos mais memoráveis, tem o talento de Marlon Brando e tem uma história linear mais intimista. A Parte 2 expande a narrativa, mas afasta-se da família tentando explicar melhor toda a trama que vai para lá da Máfia e os impactos da sua influência. É sem duvida uma questão de gostos e qualquer uma das partes poderia vigorar neste primeiro lugar.

Porque deve ser visto: O filme estabelece um padrão e o tom visual para todos os filmes de gangsters retratando o lado mais negro da Máfia da mesma forma que nos apresenta um argumento que prende do primeiro ao ultimo segundo com interpretações de Marlon Brando, Al Pacino, Robert Duvall entre outros. Já para não falar da musica, que logo que começa avisa que algo grandioso está prestes a acontecer! (Já fiz uma viagem de carro onde o tema principal do filme, do compositor Nino Rota, me acompanhou à chegada, transformando assim uma simples conclusão de viagem num momento épico!) É considerado um dos melhores filmes de sempre, numa trilogia que acabou por ser arruinada na Parte 3 pela representação abismal de Sofia Coppola e pelo argumento menos trabalhado. Mas não falemos de tristezas…

Haveria certamente filmes para fazer um top 100 e dos muitos considerados podemos destacar, Os Sete Samurais (1954), Pulp Fiction (1994), Doze Homens em Fúria (1957) ou Psico (1960), que certamente estarão em falta a alguns leitores, no entanto, é necessário destacar que não me esqueci deles, estavam em cima da mesa como tantos outros mas 20 são efectivamente 20, e certamente que cada um reorganizaria a lista à sua maneira. No entanto, se viu alguns destes já tem sem duvida o seu conhecimento cinematográfico num bom caminho!

Volto para o próximo mês com mais cinema…

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