Política

“O Que Eu Digo Não Se Escreve…” — As férias de António Costa

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Ora viva, caríssimo leitor. Finalmente chegou o Setembro. Ou seja, finalmente acabou a tão aborrecida “silly season”, onde nada se passa para além de toda a gente estar a gozar férias em Portugal. Calma, eu sei que estava cheio de saudades de ler mais uma crónica de “O Que Eu Digo Não Se Escreve…”, mas também não há necessidade de roer as unhas dessa forma tão agressiva. Olhe que isso ainda infecta e arranja um trinta-e-um que é obra. Agora que terminou as férias de quase tudo o que é português, achei por bem entrevistar alguém muito importante, para saber como foram as suas férias de verão de 2018 — mais propriamente, o Primeiro-ministro, António Costa. Ora vejamos como foram as férias do PM português…

Eu: Olá, como vai isso? Esses bicos-de-papagaio continuam a dar-lhe chatices?

PM: Ora viva, caro cidadão. Graças a Deus, estão mais calmos. As férias fizeram-me maravilhas no que a essa maleita diz respeito.

Eu: Ah, ainda bem, assim teremos um PM em forma neste regresso da silly season!

PM: Sim! Estou cheio de pica para regressar ao trabalho e, mais propriamente, ao leme deste enorme país.

Eu: Boa, boa… Então, já que estamos no tema férias, diga-me: como foram as suas férias de verão?

PM: Ah, foram maravilhosas. Ideais para descansar e repor energias para voltar em força!

Eu: Isso é que interessa. Então, o que fez nas férias para além de ir passear o corpo Danone para as praias?

PM: Olhe, como disse e bem, fiz muita praia, comi muito aquilo que, habitualmente, não me é permitido comer durante o resto do ano, e fartei-me de actualizar a minha lista de séries televisivas em atraso.

Eu: Ah, isso é que foram umas férias em grande. Só por título de curiosidade, que tipo de séries é que o PM viu este verão?

PM: Ah, vi algumas. Mas fiquei focado numa série nova que descobri agora nas férias. Não me lembro bem do nome, mas era espectacular e muito emocionante. A série girava à volta de um enorme incêndio florestal. Numa terra denominada de “Monchique”. Muito emocionante!

Eu: Mas…

PM: A luta daqueles bombeiros para conseguirem controlar as chamas deixou-me perplexo. Essa terra tinha uma serra enorme, chamada “Serra de Monchique”, e eles viram-se à rasca para dar conta do fogo.

Eu: Ó sr. Primeiro-ministro… Olhe que…

PM: E depois chegou-se a uma parte em que o fogo estava completamente descontrolado e começou a ameaçar aldeias. As casas estavam em risco e até algumas não se escaparam e arderam mesmo. Mas foi muito emocionante assistir à luta dos bombeiros e polícias para conseguirem evacuar as pessoas das aldeias antes do fogo lá chegar. Você não vai acreditar nisto, mas os polícias chegaram a ter de agredir os habitantes e algemá-los para os conseguir tirar de lá.

Eu: Mas isso foi…

PM: O fogo, a dada altura, estava tão descontrolado que apanhou uma outra terra… acho que se chamava “Silves” ou qualquer coisa assim, e era tudo a fugir que nem uns loucos. As pessoas a lutar pela vida e pelos seus pertences deixou-me completamente agarrado à série. E depois, o governo não ajudava em nada. Os aviões só chegaram muto mais tarde para ajudar a apagar os fogos, e tiveram de vir de um outro país. Terrível. E, ao mesmo tempo, emocionante. De loucos mesmo!

Eu: MAS ISSO FOI CÁ, SR. PRIMEIRO-MINISTRO! NÃO FOI UMA SÉRIE! ERA MESMO REALIDADE!

PM: Eu percebo a sua reacção. Se apenas eu a contar-lhe os pormenores da série já lhe parece real, imagine se visse a série? É de loucos! Mas não se aflija, caro cidadão. Se algo assim acontecesse em Portugal, nunca chegava a tomar as proporções que atingiu na série, pois nós, o Governo de Portugal, actuávamos logo e isso ficava resolvido num ápice!

 

Eu: Ah… Ok, fico muito mais tranquilo assim… Chiça.

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