Especial Natal

O Natal em Crianças vs O Natal em Adultos

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Natal, essa época mágica, de luz, cor e alegria, onde tudo é maravilhoso…isto se formos crianças/adolescentes, claro.

Comecemos pela melhor parte: em criança/adolescente tudo é brutal! A agitação que coloca a casa em alvoroço. O barulho imenso que torna impossível qualquer conversa num tom normal. Os imensos presentes que quase que tapam por completo a árvore de Natal. Os mil e um doces e iguarias que nos fazem ter sempre mais olhos que barriga. Enfim, um cenário bem próximo do paraíso.

Já na vida adulta o cenário inverte-se quase por completo. A rotina diária, já de si extenuante, torna-se mil vezes pior, tornando-se quase num jogo da vida real contra o relógio que acabamos sempre por perder tantas são as coisas que ficam por fazer. Os almoços e/ou jantares de Natal com familiares, amigos e colegas de trabalho não só deixam a carteira mais vazia como o colesterol mais alto, o fígado traumatizado (ou não se bebesse sempre o triplo do conveniente). O acto de comprar um presente, por mais simples que seja, torna-se impossível levando-nos quase à loucura e faz-nos gastar o equivalente ao PIB do Ruanda. As filas de trânsito são um duro teste à nossa paciência e autocontrolo, deixando-nos a desejar que o teletransporte já tivesse sido inventado. Todo o trabalho necessário na cozinha faz com que a nossa família pareça ter duplicado no espaço de um ano, fazendo-nos considerar a hipótese de no ano seguinte irmos jantar fora por mais caro que isso possa ser.

E, para finalizar, como se tudo isto não bastasse ainda temos…a família. Sim, porque na grande maioria dos casos as famílias reúnem-se nesta data especial. De um lado o Tio que está bêbado desde as 17h, do outro a Avó que adormece no sofá às 22h. Numa ponta a prima chata que insiste em nos contar detalhadamente os acontecimentos mais desinteressantes da sua existência, na outra ponta a cunhada que não se integrou na família e se sente em terreno inimigo, como se a consoada fosse um autêntico cenário de guerra. Claro que este parece ser um cenário exagerado, mas para em muitas casas temo que se concretize mesmo neste Natal.

Mas isto é o antes/durante do Natal. Porque quando chega a meia-noite tudo muda. A nossa memória parece evaporar-se assim que as crianças recebem o primeiro presente da noite. Por mais pequeno, e banal, que ele seja é certinho que os seus olhos se iluminarão. E é no brilho desse olhar que reside o verdadeiro espírito do Natal! É essa fracção de segundo, que em muitos casos acontece várias vezes dada a sorte de existirem vários presentes para entregar e desembrulhar, que desaparece demasiado depressa, que faz tudo valer a pena.

A vida adulta torna-nos amargos. Faz-nos perder a sensibilidade e o coração. Torna-nos carrancudos e demasiado pensativos. Por vezes até leva a simpatia e o sorriso, deixando apenas caras e palavras feias e impróprias de aqui se reproduzirem. E é precisamente por isso que para sermos “bons” adultos temos de conservar a nossa criança interior. Devemos crescer, ser responsáveis e levar a vida a sério, claro. Devemos é ter também tempo, e disponibilidade mental, para brincar, sorrir e descontrair.

E para recordar. Porque se pararmos por uns segundos para recordar aquele tal brilho no olhar dos nossos filhos/afilhados/sobrinhos/primos etc, tudo volta a fazer sentido e o sorriso irromperá no nosso rosto de forma abrupta.

Desejo, de forma sincera e verdadeira, que esta época tenha tudo aquilo a que têm direito. Do copo cheio ao prato a transbordar. Da azevia ao bolo-rei. Do presentinho ao presentão. Mas, acima de tudo, do abraço fraterno ao calor de um sorriso.

Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo são os desejos deste ser errante que tem o prazer, e a honra, de não só escrever como gerir a equipa que cria e gere o Ideias e Opiniões.

Bruno Neves

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