Desporto

Mercado de Transferências Português – Parte 2 (SAÍDAS)

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Um mês depois do Ideias e Opiniões lhe apresentar a crónica sobre as principais compras dos clubes portugueses no Mercado de Transferências, já todos nós tivemos a oportunidade de ver esses jogadores em acção pelas novas equipas.

Rafa, actualmente lesionado, fez apenas um jogo pelo Benfica mas já demonstrou a sua qualidade e, certamente, deixou os adeptos do clube da águia a pedir por mais. Já Carrillo, que tem feito mais minutos (6 jogos), ainda não demonstrou o que vale, apesar de um golo marcado. Certamente que a sua paragem prolongada dificulta a recuperação dos seus índices de rendimento a que nos habituou no Sporting.

No Porto, têm sido Alex Telles e Oliver Torres a demonstrar cartas e qualidade ao treinador Nuno Espírito Santo. Já Boly e Depoitre ainda estão a tentar se encaixar no estilo de jogo do treinador português e, apesar de já terem alguns jogos nos pés, ainda não se destacaram pela equipa azul e branca.

Em Alvalade, os reforços do recente Mercado de Transferências têm tido um papel muito importante e contribuído para o bom momento de forma da equipa liderada por Jorge Jesus. Bas Dost tem confirmado a sua veia goleadora (até ao momento desta crónica, o holandês tem 5 golos em 5 jogos) e Campbell tem dado vida e arte à formação leonina. Markovic tem entrado aos poucos na equipa e está a entrosar-se. Já Douglas não tem qualquer minuto de jogo ainda.

Por fim, no Braga, Douglas Coutinho ainda só fez um jogo pelos guerreiros do Minho, mas não esteve bem, tendo até contribuido para o Sp. Braga sofrer um dos 3 golos frente ao Benfica.

Feito um ponto de situação rápido, vamos directamente para as principais SAÍDAS do mais recente Mercado de Transferências em Portugal!

SPORTING CLUBE DE BRAGA:

Da equipa minhota os meus destaques vão para as saídas da principal estrela da equipa: Rafa (transferido para o SLB) e o patrão da defesa, Boly (que se mudou para uns quilómetros ao lado, para o FCP).

Rafa transferiu-se para o SCB vindo do Feirense, no Mercado de Transferências da época 2013/2014. Primeiro para a equipa B, onde rapidamente ascendeu à equipa principal e, nessa época alinhou por 32 vezes, marcando 9 golos. Assumiu um papel fulcral nas manobras ofensivas da equipa minhota: rápido, tecnicista, distribuidor de jogo, um médio muito completo e bastante polivalente. Fez do Sporting de Braga, durante as 3 épocas em que lá esteve, uma equipa muito forte. Aliás, as prestações na Liga Europa são prova disso, principalmente na última época em Braga.

Quem não se lembra, por exemplo, do grande jogo frente ao Fenerbahçe? Ao todo, Rafa Silva fez 125 jogos e marcou 26 golos. Deixou muitas saudades no Minho!

Relativamente a Boly, era sem qualquer dúvida o patrão da defesa bracarense. Proveniente do Auxerre, França, em 2014/2015, começou por jogar na equipa secundária do Braga. Foi na época seguinte, 2015/2016, que se destacou na equipa principal, fazendo 40 jogos e 2 golos. Se é certo que, de um ponto de vista atacante, não se assume como um central goleador, no ponto de vista defensivo, era uma autentica muralha. Raramente perdia um lance de cabeça ou com a bola no pé, apenas quando enfrentava jogadores mais rápidos ou mais experientes. Apesar disso, fez grandes jogos pelo Braga e, por isso, desde cedo foi observado pelos responsáveis do Futebol Clube do Porto (sendo um dos maiores e mais consistentes rumores do Mercado de Transferências). Bem perto do final do fecho do mercado a transferência viria a confirmar-se.

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Boly, ainda envergando a camisola do Sporting de Braga.

SPORT LISBOA E BENFICA:

É um fardo injusto aquele que os três grandes de Portugal carregam. Raramente conseguem aguentar as suas grandes estrelas porque competir financeiramente com Grandes da Europa é uma tarefa quase impossível. Mesmo assim, o Benfica ainda conseguiu fazer um grande esforço em ter aguentado Nico Gaitan durante 6 épocas. O mesmo não se sucedeu a Renato Sanches que, pela tenra idade e pela enormíssima margem de progressão que possui, foi vendido logo ao final de uma época. E que época! São estes dois jogadores do Sport Lisboa e Benfica que destaco.

Foi em lágrimas que o mágico da Luz, Nico Gaitan, se despediu do clube e dos seus adeptos. Carregando nas costas o mítico 10 do emblema da Luz, é sempre muito difícil ver um jogador com a qualidade como desde jogador argentino sair de Portugal. Acabou por aproveitar o Mercado de Transferências após a conquista do Tricampeonato para se mudar para Espanha, mais concretamente para o Atlético de Madrid, equipa que na época passada sofreu um golo do argentino em pleno Vicente Calderón, para a Liga dos Campeões. O namoro era antigo e todas as épocas era quase sempre dado como certo em Madrid no final do Verão. Acabava por ficar e fazer as delicias dos milhares de benfiquistas que o idolatravam. Foi um dos principais actores do tricampeonato.

Ao todo, o atacante argentino fez 253 jogos pelo Benfica e marcou 41 tentos. E fez tantas outras assistências de todas as maneiras e feitios.

Sobre Renato Sanches não há muito mais a dizer. Foi um jogador como há muito não se via para os lados da Luz. Deu uma vida e uma chama nova à estratégia de Rui Vitória, lançando o Benfica rumo à conquista do seu 35º Campeonato Nacional. Valeu-lhe a chamada à Selecção Nacional. O menino 35 milhões foi para o Bayern Munique para poder crescer ao lado dos melhores e numa liga muito mais competitiva que a Liga Portuguesa. Se quiser saber mais sobre a “águia da Musgueira” pode ler, aqui, a crónica que fiz sobre ele aquando o seu aniversário.

Ainda no Benfica, uma pequena nota de destaque também para as saídas de Carcela e de Anderson Talisca. Fora das contas do treinador das águias para a presente temporada, o avançado marroquino foi vendido ao Granada, onde até não se tem dado nada mal. No Benfica não era um titular indiscutível, mas quando jogou aproveitou, contribuindo para a conquista do campeonato. Rápido e muito tecnicista, era lançado quando o jogo estava lento e muito restritivo. Foi curta a sua passagem na Luz, mas ajudou-o a crescer. Ao todo fez 29 jogos e marcou 3 golos.

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Carcela não tinha espaço no plantel de Rui Vitória e acabou por rumar a Espanha para representar o Granada.

Já Talisca, que no mundo benfiquista ficou conhecida a célebre frase “Quem não arrisca, não Talisca!”, está emprestado aos turcos do Besiktas. Aliás, já jogou contra o Benfica e até marcou um golo de….. livre directo, claro está. Depois daquele livre irrepreensível a Manuel Neuer, Talisca voltou a fazer das suas. Num negócio envolto em alguma polémica, o recente Mercado de Transferências levou o brasileiro até à Turquia e ele…tem-se dado bem! No Benfica fez 78 jogos e introduziu a bola nas redes adversárias cerca de 20 vezes. É um bom jogador, pessoalmente, mas foi mal aproveitado na Luz visto que a posição dele, onde ele fazia os seus melhores jogos, é atrás do ponta de lança, lugar cativo de Jonas. Sem espaço aí, era lançado para jogar numa das alas ou box-to-box, o que claramente não era o seu forte. É rápido, técnico, bom cabeceador. Falta-lhe mais leitura de jogo e melhorar a qualidade do passe para ser um médio mais completo. Vamos ver se ficará definitivamente na Turquia ou se na próxima época vem mostrar o que realmente vale a Rui Vitória.

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Talisca, aquando a assinatura do empréstimo ao clube turco.

FUTEBOL CLUBE DO PORTO:

Na invicta, os meus destaques vão para o empréstimo de Aboubakar e para a venda do central brasileiro Maicon.

O FCP, nas últimas épocas, não tem acertado no ponta de lança. Desde Radamel Falcão, que a frente de ataque do Porto sofre constantes mexidas. Aboubakar, contratado ao Lorient, na época 2014/2015, foi uma resposta que parecia ser promissora. Contudo, constatou-se para os lados do Dragão que, afinal, foi mais uma aposta perdida. Por isso, a direcção do Porto, decidiu ceder o ponta de lança camaronês aos turcos do Besiktas.

Pela camisola do Dragão, Aboubakar participou em 62 jogos, marcando 26 golos. Nada mau, é certo. Mas não o suficiente, o que é compreensível. Vamos ver se, depois do empréstimo, Aboubakar regressa ao Dragão e se fixa como sendo um ponta de lança matador.

A questão do Maicon foi, por assim dizer, uma autêntica “novela mexicana”. Contratado ao Cruzeiro na época de 2009/2010, Maicon foi ganhando o seu espaço aos poucos. Tornou-se um central importante na defesa do Porto: foi campeão nacional por três vezes e ganhou uma Liga Europa. Tudo parecia correr muito bem ao central brasileiro. Até que na época passada, em Fevereiro, o Arouca vai jogar ao Dragão e acaba por vencer esse duelo. Maicon é culpado pelo segundo golo sofrido e pede para ser substituído por alegados problemas físicos. O que é certo, é que o brasileiro não voltou a jogar pelo FCP, originando uma grande divisão com a direcção, o treinador e os próprios adeptos.

Acabou por ser cedido ao São Paulo, por empréstimo. Deixando bem claro que não fazia intenções de regressar ao Porto, a direcção portista fez-lhe a vontade e vendeu o seu passe ao São Paulo no Mercado de Transferências seguinte, onde agora joga. Considero um destaque porque, apesar desta última má segunda ronda do Porto e de Maicon, o central brasileiro até ali tinha sido uma peça-chave nas manobras defensivas dos Dragões. O que é certo, é que a defesa do Porto, desde essa altura, não voltou a ser a mesma. Assim, Maicon esteve 6 anos no Dragão, fez 190 jogos e marcou 13 golos.

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Maicon, quando ainda era amado pelos dirigentes e adeptos portistas.

SPORTING CLUBE DE PORTUGAL:

Para finalizar esta lista, seguem agora os meus dois destaques para a equipa de Alvalade: as vendas de Islam Slimani e de João Mário.

Se as contratações foram sonantes, as vendas também não ficaram nada atrás. Bruno de Carvalho quis dinheiro e não foi por menos. Pediu 30 milhões pelo argelino e o campeão inglês, Leicester City, fez a vontade. Pediu 45 milhões por João Mário, e o Inter de Milão, não foi de modas. E assim se fez 75 milhões de euros em vendas. Algo que o Sporting nunca havia conseguido num só Mercado de Transferências! Portanto, há que tirar o chapéu ao Sr Presidente leonino!

Não considero que o Sporting tenha ficado menos forte depois destas duas vendas. Pelo contrário, as contratações vieram fazer esquecer rapidamente Slimani e João Mário. Apesar disto, eram dois jogadores muito acarinhados pelo público sportinguista. Cânticos de apoio não faltavam. A grandiosa época que João Mário fez, levou-o à Selecção Nacional Portuguesa e, o facto de ter vencido o Campeonato da Europa, onde fez grandes jogos, colocou-o na montra. O português fez a sua formação toda no Sporting. Na equipa principal fez cerca de 93 jogos e marcou 14 golos. Um belíssimo construtor de jogo que o Inter ganhou e que muito irá crescer ainda, até para ajudar a nossa Selecção Nacional.

O matador argelino, Slimani, pela sua devoção, garra e entrega ao jogo, irá deixar saudades em Alvalade. Representou os leões por 111 vezes e marcou 57 golos, um excelente registo. Vamos ver agora como é que se vai dar em terras de Sua Majestade. A título de curiosidade, até ao momento desta crónica ser escrita, o ponta de lança levava 4 jogos e 3 golos marcados pelo Leicester. O último deles contra o Futebol Clube do Porto, para a Liga dos Campeões.

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