Sociedade

A Mensagem

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“Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder.
Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer.”
Fernando Pessoa

Acendem-se as luzes pintadas nas janelas das casas engolidas pela escuridão da noite. Luzes coloridas, que vão e voltam e desmaiam no calor da época: é natal! Sacudimos o arrepio da pele, num silêncio de afeição, contemplando as memórias avermelhadas, esverdeadas, douradas ou prateadas, espalhadas pela casa, estrategicamente penduradas, montadas e colocadas, tal como outrora se fazia. Fazemos caretas à rotina, no conforto da casa aninhada ou pelas ruas decoradas em tons cintilantes e em sons sibilantes – o aroma a amor entre nós!

Interrompemos tudo na recordação da tradição, na ânsia da preparação, na expectativa do coração – é neste momento que as histórias são tomadas pela realidade, processadas pela inspiração e compradas em prestação. Espiamos o outro lado da vida, sentimos-lhe o gosto e, no tumulto da compensação, somos embebedados pelo consumismo – olhos que lubrificam e ludibriam a alma suada e sangrada pela tristeza que cimenta os sorrisos rotineiros. E, estreitando os sonhos a contornos descomplicados, acessíveis e baratos, vamos [sobre]vivendo na utopia que é a vida que nos prometem nos contos de fada.

Pena que este mês seja apenas isso e não mais, para mil anos ficarmos abraçados.

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