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Maddie: O estranho caso de Madeleine Beth McCann | O mundo continua à procura de Maddie

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O mundo continua a procura de Madeleine Beth McCann – Maddie.

Madeleine Beth McCann

Madeleine Beth McCann, tratada carinhosamente por Maddie, é a filha mais velha de Kate McCann, antiga médica anestesista e de clínica geral, e Gerry McCann, cardiologista no Hospital Glenfield em Leicester. Madeleine tem dois irmãos gémeos, Sean e Amelie, e vivia com a sua família em Rothley, Inglaterra.

Maddie desapareceu a 3 de Maio de 2007 enquanto passava férias com a sua família, na praia da Luz, Algarve, no Resort Ocean Club, um complexo turístico, que tem a possibilidade de albergar cerca de 1000 pessoas.

Nunca o desaparecimento de uma criança criou um frenesim mediático tão grande. Contudo, um ano depois, em 2008, o caso foi arquivado. Sem arguidos, sem conclusões, sem respostas e com muita polémica, entre o casal britânico e as autoridades portuguesas.

Talvez por isso, ainda hoje, o mundo espere por respostas.

Na altura em que os pais dizem ter desaparecido, Maddie estaria a dormir sozinha com os seus dois irmãos enquanto os seus pais jantavam com amigos no restaurante Tapas Bar inserido no empreendimento turístico a uma distancia considerável (sensivelmente 100 metros) da casa que albergava a família McCann no resort de férias.

Segundo Kate McCann, teria sido cerca das 22:00 que dera pelo desaparecimento da sua filha. Nesse exacto momento notou que havia uma janela e um dos estores abertos no apartamento.

Nas declarações prestadas à polícia na ocasião, o pai de Maddie, Gerry, afirmou que teria ido verificar como estavam os filhos cerca das 21:00 e que um amigo – que curiosamente não foi identificado em todo o processo noticioso então divulgado – fez idêntica diligência pelas 21:30 dessa noite. Teria sido também um amigo, que avisou a recepção do complexo turístico sobre o eventual desaparecimento, recepção essa que alertou a GNR pelas 22:41.

Funcionários do complexo, juntamente com as autoridades, efectuaram buscas até às 04:30 do dia 4.

Quando a Polícia Judiciária iniciou as investigações periciais entre as 23:30 e as 24:00 do dia 3, constata que o reboliço que existia no apartamento dava, no imediato, pouco espaço de manobra para uma investigação presencial, com possibilidade de incluir dados de um número mínimo de pessoas.

Pelas 00:01 do dia 4, já o jornal britânico “The Daily Telegraph” fazia manchete do caso com o artigo “Three-year-old feared abducted in Portugal” (“Teme-se que menina de 3 anos tenha sido raptada em Portugal”). Alguém se apressara, deste modo, dentre os do grupo que girava à volta dos McCann a canalizar o rumo da investigação. E, isto porque, nesta altura, as autoridades policiais não colocavam como hipótese principal a tese de rapto.

No entanto, foram alertadas as autoridades para vigilância nas estradas, mar e no ar, em particular, as que levavam ao alto mar, à fronteira e a aeroportos, ao mesmo tempo que informavam a polícia espanhola. Protecção Civil, Bombeiros e Cruz Vermelha igualmente foram mobilizadas.

Existe uma intervenção directa do então primeiro-ministro britânico Tony Blair: a 9 de Maio, o seu porta-voz afirmou que o primeiro-ministro estava a acompanhar o caso de perto e que “estavam a ajudar em tudo o que fosse possível”.

Sob a pressão da comunicação social britânica, que inclusive chegou a noticiar que o Algarve era um paraíso de pedófilos internacionais, a direcção da PJ e restantes autoridades apontaram a direcção de investigação para a hipótese de rapto. Foram indicados numerosos suspeitos, alguns sendo mesmo constituídos como arguidos. Eram canalizadas, quase diariamente, informações, segundo as quais a menina fora vista em vários países e locais, pistas estas que nunca foram confirmadas. O mesmo aconteceu com os suspeitos de rapto sob investigação.

Após meses de pesquisa, a Polícia Judiciária faz um interrogatório directo e cerrado aos pais de Maddie. São então constituídos, eles próprios, arguidos e sujeitos a medidas de privação de movimentos, com o termo de identidade e residência. A 9 de Setembro de 2007 o casal partiu para o Reino Unido sem cumprir as burocracias e medidas normais de um aeroporto, nomeadamente sem passar pelo check-in.

Logo na primeira hora, existiu alguma crítica social quanto à atitude de aparente negligência do casal em relação aos seus três filhos. Sedar crianças de três e dois anos e deixá-las sozinhas a dormirem no quarto de um aldeamento, turístico enquanto jantavam e bebiam garrafas de vinho é no mínimo displicente e provavelmente merecedor da classificação de “comportamento negligente”. Mesmo se verificavam o quarto onde dormiam os filhos de meia em meia hora, como depois afirmaram, quando nas declarações iniciais diziam apenas que observavam do restaurante a porta da casa do aldeamento.

maddieHavia suspeita, primária, de homicídio acidental, causado por negligência ou excesso de medicação calmante na criança. No apartamento teria sido detectado pelos cães treinados cheiros de cadáveres. Foram ainda detectados, com o apoio da Scotland Yard, vários indícios de fluidos corporais com o ADN da criança, encontrados num carro alugado pelos pais mais de vinte dias após o desaparecimento, apontando uma possível transladação do corpo da menina. A mãe explicou que, poucos antes da vinda para férias, estivera em contacto com cadáveres no hospital onde trabalhava e admitiram que transportaram no carro pertences – roupas e brinquedos – que eram da filha.

De imediato, começam a surgir nos meios de comunicação social ingleses críticas a eventuais “falhas” na investigação policial (Sky News e The Sun).

Os McCann iniciam uma programada campanha de imprensa intensificada com a contratação do assessor de imprensa do então primeiro-ministro Gordon Brown, Clarence Mitchell, que para assessorar os então arguidos abandonou o cargo de director do departamento de imprensa do Governo britânico.

Suspeitas que o relacionamento entre os pais de Maddie e o actual primeiro-ministro Britânico possam estar por trás duma imensa campanha politizada, que implicou até uma audiência papal, têm sido apontadas por vários meios noticiosos televisivos Portugueses. Parece evidente que existem contactos muito próximos entre o governo Britânico e os McCann. As motivações desta proximidade pode ser apenas mediática, isto é, resultar da vontade do partido Trabalhista de embarcar numa causa popular e muito mediática. Contudo, é este apoio do partido trabalhista e do primeiro ministro Gordon Brown que proporciona a Kate e Gerry McCann um tratamento privilegiado e uma mediatização de um caso desta natureza numa proporção nunca antes vista.

Apesar de terem afirmado, publicamente e com toda a garantia de sinceridade, ainda em Maio do mesmo ano, que não colocaram em campo uma “investigação paralela”, os McCann contrataram, sem o conhecimento da PJ, uma firma de investigação privada que usa os serviços de ex-membros dos serviços secretos e forças especiais. Explicaram depois, muito candidamente, que apesar de terem sido informados que era contra a lei, o fizeram, porque temiam que a PJ desse a sua filha como morta.

Em Julho de 2008, Kate e Gerry foram absolvidos por falta de provas e em Agosto, denunciaram que a polícia portuguesa considerava que a sua filha estaria morta. E insistiram, mais do que nunca, que a sua tese era de rapto.

Somente em Setembro, após investigações periciais, é que a PJ referiu que, provavelmente, Madeleine poderia estar morta. O que se acha estranho é que, perante tantos meios de investigação posto em marcha em torno da tese do rapto, nunca se avançou com força e coragem sobre a hipótese de morte.

Estranho é, também, o desconhecimento total de quem seriam os acompanhantes do casal McCann na noite do jantar no Tapas Bar, nem porque nunca foram escrutinados, rigorosamente, como eventuais cúmplices em tudo o que se estava a passar.

A hipótese de homicídio que a equipa da PJ colocou – com a colaboração de certos investigadores da Scotland Yard – foi menosprezada pela direcção daquela polícia e pelas autoridades portuguesa e, mais estranho, de Inglaterra.

Mesmo o Procurador-Geral da República de Portugal (PGR) de então, Pinto Monteiro, que interveio para defender a morosidade de tal tipo de investigação – “A Inglaterra, de onde ela é natural, tem 1.000 processos destes, nós temos 14 ou 15. E a percentagem de casos em que são descobertos, em países como Inglaterra, é de 20 por cento”[…]”Por isso, ninguém se pode admirar do até agora insucesso no caso Maddie” – deu o caso como arquivado e nunca mais se falou no assunto.

Num telegrama, o então novo embaixador do Reino Unido em Lisboa, Alexander W. Ellis, admite ao colega americano, Alfred Hoffman, que foi a polícia Britânica quem encontrou provas contra o casal McCann. Segundo escreve Hoffman, Ellis “não entrou em detalhes sobre o caso”, mas admitiu que “havia sido a polícia do seu país quem achou as provas”. Ainda de acordo com o documento, a imprensa internacional informou que foram os detectives Britânicos, com a ajuda de cães trazidos da Inglaterra, que identificaram as provas do suposto assassinato na época. O telegrama confidencial regista que os indícios – cheiro de cadáver, sangue e restos de fluidos corporais – teriam sido descobertos na parede do quarto e no porta-malas do carro que o casal tinha alugado.

A investigação ao rapto foi reaberta em 2011 pelas autoridades Britânicas tendo o objectivo de reiniciar a investigação do desaparecimento de Maddie sem aceitar nada revelado até então, mas iniciando todo o processo da estaca zero. Como resultado a 14 de Outubro de 2013 a polícia britânica revelou dois retratos robot, construídas com base na descrição de duas testemunhas.

De repente, 7 anos depois do desaparecimento da menina, a Scotland Yard, que nunca deu como concluído o inquérito, dá início a uma nova investigação baseando-se em conversas de telemóveis dos utentes do complexo turístico da Praia da Luz. Sabe-se agora que esta nova fase de investigação passou pela escavação de um local a cerca de um quilómetro de distância do resort Ocean Club. Desta vez, porém, além dos elementos da polícia Portuguesa e Britânica no terreno, e dos cães pisteiros, as equipas estavam munidas de radares para penetração no solo, de modo a observarem possíveis suspeitas de transformação não natural do terreno, que justifiquem eventuais escavações. Fotografias aéreas também permitiram detectar zonas suspeitas.

Foi a polícia Britânica quem liderou agora a investigação e pediu autorização às autoridades de Portugal para ir mais longe. Não há memória de existirem tantos meios envolvidos numa operação, desenrolada à escala mundial, para encontrar uma criança.

Terminados os interrogatórios que tinham sido pedidos por carta rogatória às autoridades portuguesas a propósito do caso Madeleine McCain, foram ouvidas durante três dias quinze pessoas (onze testemunhas e quatro arguidos, os suspeitos apontados pelos Britânicos) em Faro.

De regresso a casa, a Scotland Yard leva a informação recolhida durante os interrogatórios e as inquirições que foram conduzidas pela Polícia Judiciária. Pelo que foi dado a conhecer aos meios de comunicação não foi encontrado nada de novo, nada que a linha de averiguações Portuguesas já não tivesse estudado e despistado durante a investigação, que decorreu no país, e que terminou com um arquivamento do caso.

Resta agora esperar para saber o que vão as autoridades Inglesas concluir de todo este trabalho, elas que contaram com a colaboração de Portugal, que deu resposta positiva às buscas em terrenos e a interrogatórios, mas que desde logo se colocou à margem das teses defendidas pelos Ingleses.

Por cá, continua apenas a investigação Portuguesa ao caso, entretanto reaberta, investigação que segue passo a passo e à margem dos acontecimentos dos últimos dias em Faro.

Kate and Gerry McCann pose with a computer generated image of how their missing daughter Madeleine might look now, during a news conference in London May 2, 2012 file photo. REUTERS/Andrew Winning

De estranhar, são as intervenções em dinheiro que apareceram para financiar a campanha dos McCanns. Alguns valores, para a altura, segundo os Ingleses: mais de 2,6 milhões de libras esterlinas, incluindo: 250 mil libras do News of the World, 250 mil de Philip Green, 50 mil de Simon Cowell e 25 mil de Coleen McLoughlin. Outros contribuintes incluem Richard Branson, J.K. Rowling e Bill Kenwright e um milhão de libras(€1.470.000) pelo homem de negócios britânico Stephen Winyard.

Apesar de todos os recursos particulares e públicos de investigação (verifica-se agora que as altas instâncias da Scotland Yard continuam na pesquisa) não há o mínimo indício de que tenha havido rapto.

Abandonado pela sua hierarquia, desconhecemos se justa ou injustamente, o inspector da PJ Gonçalo Amaral, que coordenava a equipa, deixou a corporação e editou um livro mantendo a sua tese de homicídio acidental, sendo que os McCann utilizaram as receitas arrecadadas para o levar à justiça, exigindo uma indemnização de 1,2 milhões de euros. Decorre, actualmente, o julgamento em Portugal.

A escala da reacção pública a este caso desencadeou comentários negativos por parte de alguns comentadores. Na sua coluna a 17 de Maio, Matthew Parris desmascarou o que considerava o aproveitamento político por parte de membros do parlamento das emoções e sentimentos despoletados pelo caso

É um direito humano ser-se considerado inocente até provas em contrário, contudo devido ao comportamento dos pais ser considerado unanimemente negligente e, por isso mesmo, alvo de uma valente reprimenda este caso tem sido sujeito a vários tipos de especulação sendo que a corrente mais forte na opinião pública defende que os pais sabem perfeitamente o que sucedeu à infeliz criança. Assim, defendem que a resolução do mistério, depende essencialmente dos pais e não de mediáticas operações policiais. Não se percebe porque é que os pais e os amigos que os acompanhavam nas férias nunca quiseram fazer a reconstituição dos factos ocorridos na noite do desaparecimento, quando deveriam ser os principais interessados.

Os pais têm sido criticados por deixar as suas crianças sozinhas enquanto jantavam num restaurante próximo, apesar do complexo turístico em que se hospedavam oferecer serviço de creche e um serviço de acompanhamento de crianças. O casal foi questionado pela polícia a 10 de Maio sobre o motivo pelo qual Madeleine e os irmãos haviam sido deixados sozinhos num apartamento com as portas do pátio destrancadas enquanto jantavam no restaurante. Os McCann alegaram que deixaram as crianças sozinhas porque não as queriam deixar na companhia de um(a) estranho(a), apesar das crianças terem passado a tarde na creche do complexo turístico na companhia de estranhos.

Contra os McCann já havia uma prova forte: Kate McCann não se pôs aos berros. Não, os Pais não berraram. Chamaram os média Britânicos e deixaram entrar no quarto onde dormiam os gémeos, tão profundamente que não acordaram, inúmeras pessoas que destruíram qualquer hipótese de boa avaliação forense do local. Como todos os especialistas em comportamento de mães que acabam de perder uma filha de tão tenra idade sabem, há uma maneira natural de essas mães reagirem e Kate foi vista de uma maneira suspeita: sempre de olhos enxutos. E os seus prestigiados detectives particulares já receberam inúmeras e sempre falsas aparições da infeliz vitima.

Adicionalmente, o embaixador Inglês em Lisboa disse ao embaixador Americano que a polícia Inglesa tinha provas contra os McCann. O embaixador não disse que provas. E o ex-inspector Gonçalo Amaral já disse que as provas que houve só foram as Portuguesas e que dos Ingleses não veio nada. Portanto, o que aconteceu foi uma conversa barata entre embaixadores. Mas o que interessa aqui é sublinhar que o embaixador Inglês também achava que a polícia Inglesa teria provas contra os McCann.

Claro que sobre o essencial, o esclarecimento sobre a morte de Maddie ou a culpa, ou não, dos seus pais, estamos a zero onde sempre estivemos.

A policia Inglesa, alguma policia Portuguesa e o embaixador Inglês achavam e, talvez, ainda achem que foram os Mccann que, sem intenção, mataram a filha e mais tarde ocultaram o cadáver. Contudo, não há uma única prova que corrobore essa opinião: não há corpo da criança, arma do crime, testemunhas, nada. A título de comparação a diferença como este caso foi e é tratado para o caso Joana é gritante, com as mesmas provas a mãe está presa.

Outro facto estranho ocorre nos banhos diários das crianças ao final do dia, pelo que se sabe, um dos pais do grupo de veraneantes, à vez ou sempre o mesmo, não se confirmou, daria banho a todas as crianças. Sabendo-se, agora, que um deles já teria sido acusado de pedofilia antes do desaparecimento de Maddie, não se compreende porque não foi investigado no âmbito deste caso em concreto.

Contudo, num caso tão sensível como este que chocou o mundo inteiro dever-se-à evitar especulações e não apontar o dedo a ninguém sem que haja provas para o fazer. Se houve homicídio, todos nós gostaríamos que o corpo da criança aparecesse. Se não houve homicídio, esperemos que não seja uma réplica do cruel caso do Rui Pedro com todo o sofrimento que representa.

Duas coisas são certas: este caso está cheio de pontas soltas que não levam a lado nenhum e deixar os filhos sedados a dormir sozinhos em casa e ir para a farra é um comportamento, definitivamente, perigoso, a evitar e condenável. Daí para a frente, foi tal a trapalhada, e continua a ser, que a falta de respeito pelas autoridades Portuguesas é um pormenor. “The show must go on…” Há que vender jornais e este caso tem vindo a alimentar os mais diversos órgãos de comunicação social, nacionais e internacionais.

O importante é relembrar que Maddie continua desaparecida e nada se sabe sobre o seu paradeiro.

Fica aqui o retrato robot de como será o rosto da menina após os 7 anos deste tristíssimo episódio e a imagem de uma característica muito própria e de fácil reconhecimento: o seu olho direito que tem um tipo de coloboma, um alastramento completo da íris que cria uma faixa radial que se estende da pupila até ao limite do olho direito, ironicamente faz lembrar uma lupa.

Vamos todos juntar esforços e continuar atentos para que um dia se saiba o que aconteceu à pequena Madeleine Beth McCann.

Find Madeleine

Madeleine McCann Today

Texto escrito por Ana Reboredo em Português de Portugal, por opção da autora.

Este texto não respeita as regras do novo acordo ortográfico.

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