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Leonardo DiCaprio – O Pretty Face de Hollywood

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11 de novembro de 1974  é a data. A data que assinala o nascimento de Leonardo Wilhelm DiCaprio, ou para muitos, apenas Leonardo DiCaprio. O actor, produtor e activista ambiental nascido em Los Angeles, Califórnia e criado em Hollywood, a sua casa de sempre. Sim, aquele mesmo que a Internet implorou durante tanto tempo para ganhar a tão perseguida estatueta dourada de Melhor Actor. Sim, aquele que a venceu no início deste ano. Sim, aquele Óscar entregue pelo hype criado em seu redor, e que pode ser entendido como um prémio de carreira, (entregue antecipadamente ou então como forma compensatória) por um percurso bastante consistente traçado no circuito mais comercial de Hollywood. Um percurso iniciado em tenra idade.

Filho de Irmelin, uma secretária nascida na Alemanha e de George, um artista de banda desenhada com origens meio alemãs e meio italianas (do Estado da Baviera e da Cidade de Nápoles respectivamente), Leonardo, cujo nome, diz-se, ter inspiração na lendária figura Renascentista, Leonardo da Vinci, viria a tornar-se um dos actores mais mediáticos e consagrados da sua geração e de toda a história hollywoodesca.

leoMuito antes de naufragar no navio mais conhecido do mundo, ou de se tornar um corrector de bolsa muito pouco digno, Leonardo deu os seus primeiros passos na representação ainda em criança, em pequenos anúncios televisivos e também em séries televisivas norte-americanas de menor audiência. Desde cedo pareceu estar destinado a encantar o público. Na pequena série inspirada na comédia Parenthood (protagonizada por Steve Martin) conseguiu logo uma nomeação para melhor actor jovem pela Young Artist Association, uma associação destinada a promover e premiar os artistas mais talentosos da música, do cinema, da televisão e do teatro com uma idade inferior a vinte e um anos de idade. Esta seria a primeira de várias nomeações (e derrotas) numa carreira invejável aos olhos de muitos.

Leonardo DiCaprio participou no seu primeiro filme aos 17 anos. Foi ele Critters 3, uma comédia de ficção científica que nem teve direito a estrear nas salas de cinema, tendo sido logo recambiada para o mercado de vídeo. Num filme fraco, a sua representação não chegou a impressionar muita gente mas, aparentemente, chegou para que Leonardo fosse convidado para participar na sitcom Growing Pains, entrando nas últimas temporadas da série estreada em 1985.

O primeiro grande feito do início de carreira estava destinado a acontecer no cinema, num filme realizado por Michael Caton-Jones, This Boy’s Life (1993) e encabeçado pelo super conceituado, Robert De Niro que terá seleccionado DiCaprio num casting composto por mais de 400 jovens actores, para interpretar o papel de Toby Wolf na longa-metragem referida. O rapaz só podia ter algo de muito especial para ser escolhido por Robert De Niro no meio de tantos outros candidatos. Curiosamente mais tarde, Leonardo DiCaprio viria a assumir uma data de colaborações com o realizador Martin Scorsese e tornar-se-ia um dos seus “actores-fetiche”, um papel associado durante anos, imagine-se, a Robert De Niro.

Ainda no mesmo ano de 1993, participou num filme com outra estrela ascendente de Hollywood, Johnny Depp. O filme foi What’s Eating Gilbert Grape de Lasse Hallstorm e viria a gozar de um considerável sucesso. Hallstorm chegou a admitir que a interpretação o surpreendeu, pois não esperava que um rapaz tão bem parecido (algo que não procurava para o papel) se revelasse tão bom actor. Resultado? Muitos elogios para o jovem Leonardo e ainda uma importante nomeação nos Globos de Ouro de 1994 para o de Melhor Actor Secundário. Nada mau para um miúdo de apenas 20 anos.

Depois do sucesso What’s Eating Gilbert Grape (1993) seguiu-se para Leonardo DiCaprio, The Basketball Diaries (1995) e a participação noutras produções. Porém, estas participações nem sempre foram altamente comerciais como demonstram o filme arthouse, Total Eclipse (1995) ou da curta-metragem Don’s Plum do mesmo ano, que viria a tornar-se num filme indie em 2001.

Com a chegada da segunda metade da década de 90, veio a fama e o reconhecimento mundial do jovem Leonardo. Para isso contribuíram vários filmes que se tornaram verdadeiros sucessos de bilheteira, para regalo dos grandes estúdios e do público mainstream. Leo trabalhou com Baz Luhrmann (com que voltaria a trabalhar a trabalhar em 2013), numa adaptação mais recente e para o cinema do mundialmente conhecido texto trágico, Romeu e Julieta, do dramaturgo mais conhecido da História, William Shakespeare. Romeo + Juliet (1996) foi o primeiro grande sucesso de bilheteira de Leonardo DiCaprio, mas algo mais grandioso e rentável ainda estava para vir, logo no ano seguinte.

titanic-3Foi a contracenar com actriz inglesa, Kate Winslet, e sob direcção de James Cameron que entrou em Titanic (1997), o filme sobre o navio mais conhecido do mundo e também a produção mais rentável da História do cinema até aquela data, sendo inclusive  um dos três filmes (juntamnete com Ben-hur e The Lord of The Rings: The Return of the King) que conseguiu arrecadar maior número de Óscares num ano, 11 estatuetas no total. O novo pretty face de Hollywood conquistava agora as bilheteiras internacionais, e arrebatava os corações das raparigas por esse mundo fora. Mas ao contrário de outros fenómenos mundiais, Leonardo DiCaprio ia juntando à sua boa imagem um considerável (e inegável) talento para representar. Com isto lá era nomeado para mais um Globo de Ouro.

Seguiram-se vários filmes bem sucedidos (embora sem o mesmo impacto que Titanic) e prestações diversas que contribuíram para mais umas quantas nomeações para Leonardo. Umas melhores que outras. Dentro das piores destaco a indicação ao Razzie de Pior Actor com o filme The Beach (2000). Sorte para DiCaprio e azar para John Travolta, que lhe ficou com o “prémio” com a prestação em Battlefield Earth, um dos piores filmes que os meus queridos olhos já tiveram a infelicidade de ver.

Passados dois anos e ultrapassada esta nomeação, foi tempo de Leonardo DiCaprio trabalhar com três dos gigantes do cinema mainstream, Tom Hanks, Martin Sheen e Steven Spielberg em Catch Me If You Can (2002), um filme desafiante do ponto de vista de produção que se revelaria mais um enorme sucesso para DiCaprio. Ainda no mesmo ano iria contracenar, em Gangs of  New York, com o melhor actor do mundo (sim, Daniel Day-Lewis) e Cameron Diaz, iniciando também um longo período de colaborações com um dos mestres da realização, Martin Scorsese. O filme que retratou as lutas de gangues, o crime organizado e a imigração irlandesa para Manhattan do século XIX foi amado pela crítica e pelo público em geral. DiCaprio foi bom, mas foi unânime que Daniel  Day-Lewis foi melhor, o grande atractivo do filme juntamente com a cidade onde ele decorre.

No entanto, aquilo que Leo conseguiu foi suficiente para se tornar na nova grande aposta de Scorsese e, em menos de dois anos, já estavam a trabalhar juntos de novo. Foi em The Aviator, que DiCaprio (agora com 30 anos de idade) voltou a estar nomeado para um Óscar, desta feita para o de Melhor Actor Principal, onde perderia para Jamie Foxx, num ano onde até tinha boas hipóteses de vencer. Independentemente de ter perdido, o filme voltou a trazer grandes retornos financeiros e DiCpario voltou a mostrar que era um verdadeiro chamariz para as salas escuras.

Em 2006 entrou em mais dois projectos, Blood Diamond, um dos filmes em que a sua prestação foi menos valorizada (na minha modesta opinião) onde interpretou (e bem!) o papel de um contrabandista de diamantes na República do Zimbábue-Rodésia e o delicioso policial The Departed, filme de Martin Scorsese composto por um restante elenco de luxo (Jack Nicholson, Martin Sheen, Matt Damon e Mark Wahlberg) baseado na produção asiática Mou Gaan Dou (2002). Com o primeiro destes filmes supracitados, Leo conseguiu mais uma nomeação para o Oscar de Melhor Actor…e também mais uma derrota. Para contrabalançar, The Departed arrecadava o prémio mais importante do ano e Scorsese o da realização.

78986-69677Seguiram-se outras participações em filmes que contribuíram para mostrar a diversidade de papéis que DiCaprio consegue assumir. Fosse no thriller Body of Lies (2008), fosse no romance Revolutionary Road  (2008) ou até mesmo no thriller psicológico Shutter Island (2010),  neste de novo sob direcção de Martin Scorsese, Leo voltou a desempenhar boas prestações. Talvez até superiores àquela que fez no filme mais bem sucedido desta altura, Inception, do icónico Christopher Nolan, onde DiCaprio assumiu a capacidade de entrar nos sonhos no papel de Cobb. Um verdadeiro sucesso crítico e comercial. Bem superior, diga-se, a J. Edgar (2011) do veterano Clint Eastwood, longa-metragem biográfica sobre o primeiro director do FBI, John Edgar Hoover onde muitos (do público à critica especializada) consideraram a caracterização da personagem superior à interpretação de Leonardo.

No ano seguinte, Leonardo DiCaprio participou em Django Unchained (2012) juntamente com Jamie Foxx e Christoph Waltz, o alucinado western realizado e escrito pelo carismático Quentin Tarantino. Um ano depois alargou a sua participação a dois filmes: The Great Gatsby, onde voltou a trabalhar com Baz Luhrmann, num filme inspirado no clássico da literatura norte-americana com o mesmo nome e escrito por F. Scott Fiztgerald e também num filme de Martin Scorsese (sim, outra vez), o genial The Wolf of Wall Street. Em ambos os casos, acabou por desempenhar um papel de indivíduo excêntrico, fosse como o jovem milionário Jay Gatsby ou como o não menos rico (mas fraudulento), Jordan Belfort. No papel deste último, Leonardo teve a sua grande oportunidade de vencer finalmente o tão perseguido Óscar, mas, infelizmente para si, a sua nomeação coincidiu com a do inspirado Matthew McConaughey em Dallas Buyers Club. Ficou-se pelo Globo de Ouro. Não seria por muito tempo.

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Já este ano e depois de uma longa carreira (apesar da idade), Leonardo DiCaprio pôde (finalmente!) meter as mãos na estatueta dourada para gáudio da sua legião de fãs espalhada por esse mundo (e Internet) fora. Foi a história de sobrevivência e vingança de Hugh Glass, envolta num grande desafio físico para o actor, a principal justificação para a vitória na edição deste ano. Foi com The Revenant, um filme brilhantemente dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu, com uma cinematografia sublime (mérito para o grandioso Emmanuel Lubezki) que Leonardo lá venceu. A título pessoal, penso que não foi a sua melhor prestação e, agora que escrevo esta retrospectiva de carreira, ainda tenho mais certezas disso. Um Óscar vale aquilo que vale e há sempre vários interesses por detrás das escolhas da Academia. DiCaprio é um símbolo de Hollywood e sinónimo de grandes receitas na box office, vê-lo perder mais uma vez (ainda que fosse o mais justo tendo em conta a prestação de Eddie Redmayne em The Danish Girl), iria enfurecer mais os seus fãs e entristecer o próprio que tanto lutou pelo prémio.

Talvez o tivesse merecido mais cedo, com The Aviator ou The Wolf of Wall Street (embora tenhamos de ter em atenção a concorrência do mesmo ano), ou talvez o venha a merecer ainda mais daqui para a frente. Sim, apesar da vistosa carreira aqui descrita, estamos perante um artista que ainda tem muito para dar à Sétima Arte, um artista de apenas 42 anos.

Fora do grande ecrã, DiCaprio é conhecido pelos seus discursos e activismo sobre questões ambientais tendo sido criador da fundação com o seu nome, dedicada às causas ambientais, que pode e deve ser consultada através do seguinte endereço: http://leonardodicaprio.org/. Para além da sua Fundação, a luta  de DiCaprio pela preservação do ambiente está bem patente na sua colaboração, enquanto produtor e narrador, no documentário Before The Flood dirigido por Fischer Stevens e estreado no final do passado mês de Outubro.

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