Literatura

José Saramago – O Escritor Imortal

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José Saramago, filho e neto de camponeses, o único escritor português a ganhar o Prémio Nobel da literatura em 1998. Foi igualmente galardoado, em 1995, com o Prémio Camões, o prémio literário mais importante da Língua Portuguesa. E, conhecido membro do Partido Comunista Português. Nasceu na vila de Azinhaga, no concelho da Golegã, província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro de 1922. Indo com os seus pais viver para Lisboa quando tinha apenas 2 anos.

Sempre demonstrou interesse pelos estudos e pela cultura, tendo feito estudos secundários que, por dificuldades económicas, não pode ir para a universidade. Formou-se numa escola técnica e o seu primeiro emprego foi como serralheiro mecânico. Tendo exercido diversas profissões, como por exemplo, tradutor, editor ou jornalista. Trabalhou numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na revista Seara Nova e fez parte da redacção do jornal Diário de Lisboa, onde foi comentador político e coordenador do suplemento cultural.

Publicou o seu primeiro livro, um romance,  Terra do Pecado, em 1947, ficando sem publicar até 1966. Apresentou nesse ano ao seu editor o livro Clarabóia que, depois de rejeitado, permaneceu inédito até 2011. Passa também a editar poesia, lançando Os Poemas Possíveis e publica mais dois livros de poesia: Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975). No de 1980, entra em definitivo no género romance. Tendo publicado, Levantado do Chão (1980), Memorial do Convento (1982, O Ano da Morte de Ricardo Reis (1985), A Jangada de Pedra (1986), História do Cerco de Lisboa (1989), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio Sobre a Cegueira (1995), Todos os Nomes (1997), A Caverna (2001), O Homem Duplicado(2002); Ensaio sobre a Lucidez (2004), As Intermitências da Morte (2005), Aviagem do Elefante (2008), Caim (2008) e A claraboia (2009).

O seu livro, Ensaio sobre a Cegueira, foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil, Uruguai e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles.

A sua obra, caracteriza-se pela feroz crítica social e política. Revestida em forma de fábulas modernas, escritas numa linguagem praticamente sem pontuação, que obrigam o leitor a uma leitura frenética e cheia de retornos. Muitas vezes apelidado de estilo saramaguiano. Uma a técnica de construção do seu romance que caracteriza toda a sua obra. Onde aborda o seu ateísmo confesso, passando pela importância concedida à mulher ou o carácter humanista e humanitário. Sendo, uma peculiar forma de usar os sinais de pontuação ou outras entropias sintácticas e semânticas.

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A sua diferente forma de narrar o narrável num princípio uniformizador de um estilo literário. No fundo, uma tentativa do autor aproximar a sua escrita à oralidade, ou seja, quando nós falamos, não usamos sinais de pontuação. Fazemos a respectiva respiração. Assim, o ponto e a vírgula, na sua obra pode ser entendido, não como sinais de pontuação, mas sim, como uma pausa, uma pausa breve ou uma pausa longa. Se ouvimos falar, não vemos a pontuação. A escrita de Saramago é para ser  lida e igualmente ser ouvida. Em suma, na oralidade não precisamos de pontuação, falamos como se a pontuação fosse subentendida pelo ouvinte.

A 29 de Junho de 2007 constitui a Fundação José Saramago para a defesa e difusão da Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos problemas do meio ambiente.  Em 2012, a Fundação José Saramago abre as suas portas ao público na Casa dos Bicos em Lisboa, presidida pela sua mulher María del Pilar del Río Sánchez, jornalista e tradutora espanhola que conheceu em 1986 e casando-se, em 1988. Tendo estado ao seu lado até à morte. Em Fevereiro de 1993, decidiu ir viver para a ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias.

José Saramago faleceu a 18 de Junho de 2010, aos 87 anos de idade, na sua casa em Lanzarote onde residia com a mulher Pilar del Rio. O seu funeral teve honras de Estado, tendo o seu corpo sido cremado no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa. As cinzas do escritor foram depositadas aos pés de uma oliveira, em Lisboa a 18 de junho de 2011.

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