Desporto

João Sousa, O Conquistador

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Sejam bem vindos/as a mais uma crónica de deporto da minha autoria. Depois de escrever sobre a vitória do Benfica no Campeonato Nacional, viro-me agora para outros desportos. Até porque embora o que tenha mais notoriedade seja o Futebol, o que é facto é que esta é, provavelmente a única modalidade em que, exceptuando em 1991, em sub-20 e este fim de semana, em sub-17, nunca fomos campeões de nada. Estivemos perto em 2004, no Europeu que decorreu em Portugal e no Mundial de 2006 e ainda no Europeu de 2012, bem como no Mundial de sub-20 em 2011, ou em sub-19 no Europeu de 2014 e no ano passado, em sub-21. Contudo ficamos sempre pelo quase e mostramos, quase sempre fomos suficientemente bons para ser campeões.

A verdade é que Portugal está repleto de bons profissionais do desporto, quer seja em treinadores, dirigentes, árbitros, mas sobretudo atletas. Recentemente, os atletas de karaté conseguiram um fabuloso 3º lugar no Europeu. E temos grande atletas olímpicos como Fernando Pimenta, Emanuel Silva, Telma Monteiro, Nélson Évora, Naide Gomes, bem como nomes mais antigos, que fizeram história como Fernanda Ribeiro, Carlos Lopes, Fernando Mamede, Rosa Mota. Isto tudo para dizer que há que ter orgulho nos atletas profissionais e amadores portugueses, dado serem capazes de grandes feitos e de deixarem cada um de nós orgulhosos. Mas este texto é exclusivo a um atleta que tem vindo a dar que falar na modalidade que pratica, deixando os amantes desta modalidade, bastante contentes, como é o meu caso.

Estou obviamente a falar de João Sousa. O vimaranense tem feito de há 3 anos para cá, coisas absolutamente incríveis que ninguém esperaria, até porque o ténis, modalidade que o jovem português pratica, não é das mais faladas, nem aquela em que os portugueses mais se destacam. Porém, Sousa desde que ganhou na Malásia, no ano de 2013, o primeiro torneio da ATP para o nosso país, tem vindo a estar nas bocas do Mundo. Ora porque chega às meias-finais de um torneio, ou porque se bateu de frente contra os melhores, ora porque ganhou sets a algum jogador importante, ou mesmo por subir incrivelmente no ranking.

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João Sousa é, actualmente, o  número 28 do Mundo no ranking dos tenistas profissionais. Recentemente deu de caras no Masters de Madrid com o 9 vezes vencedor do Grand Slam Roland Garros, Rafael Nadal. Perdeu é certo, mas deu-lhe imensa luta e venceu um set num piso em que Nadal é um vencedor nato. O que é certo é que João Sousa já conta com um grande historial de embates contra grandes tenistas e saiu-se sempre como um lutador. O seu historial pode não ser o mais positivo, conta com 103 vitórias (contando a de hoje, mas já lá vamos) e 107 derrotas, no circuito profissional, contudo é um jogador que dá tudo em campo e que a sua expressão é sempre de alguém que quer vencer a todo o custo.

Jogou hoje num dos meus Grand Slams preferidos, o Roland Garros. Este é aquele torneio em que se joga em terra batida e no qual Rafael Nadal é imperador! Espera-se grandes coisas dele nos próximos grandes torneios já que uma posição cimeira no ranking traz-lhe maiores responsabilidades. Conseguiu vencer o bósnio, Damir Džumhur que ocupa actualmente o 73º lugar no ranking do ATP. Esteve a perder por um set a 0, mas rapidamente encontrou o melhor estilo de jogo para bater o seu adversário e ganhou em 3 horas um encontro que embora possa ter parecido fácil, foi duro, até pelo estilo do bósnio, que era muito agressivo nas pancadas. É o 3º ano consecutivo que João Sousa entra no Grand Slam francês a ganhar, o que evidencia bem as qualidades e a regularidade que o português tem vindo a demonstrar.

Esperemos que consiga chegar longe neste torneio, sobretudo dado serem cada vez mais importantes as suas vitórias, que inspiram várias crianças a seguirem o seu percurso!

João Sousa é treinado por Frederico Marques, também ele antigo jogador e detentor de alguns recordes no ténis português. Treina em Barcelona desde os 15 anos, na academia BTT, fruto dessa experiência na cidade espanhola, Sousa sabe falar catalão e francês, dois idiomas muito semelhantes.

Os últimos dois anos foram de sonho para o tenista vimaranense, ao conseguir marcos importantíssimos para o nosso país. Tornou-se o primeiro tenista português a jogar exclusivamente no circuito mais importante do ténis o ATP World Tour e o segundo a atingir os quartos de final num Major (ou Grand Slam, significam o mesmo). Pena que este feito tenha sido em pares mistos e não em singulares, mas não deixa de ser um grande feito.

Outro grande feito do tenista português, é que João Sousa é o tenista português com maior número de vitórias em torneios do Grand Slam. O tenista faz valer, em muitos dos seus encontros, a sua rapidez e altura para conseguir chegar às bolas mais complicadas. É ainda hoje um grande admirador de jogadores como Roger Federer, para muitos (onde eu me incluo) o melhor de sempre, Juan Carlos Ferrero, um dos melhores tenistas espanhóis de sempre e claro, o sempre inconfundível Pete Sampras.

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Se o/a caro/a leitor/a é admirador dos Jogos Olímpicos e dos jogos do João Sousa saiba que é bastante provável que ele se qualifique directamente para os mesmos, dado que os primeiros 56 jogadores do ranking ATP no dia 6 de Junho, terão entrada directa. Como tal, é bastante provável que, mantendo-se ao nível que tem apresentado, em quase todos os torneios e jogos que disputa, conseguirá estar no Rio de Janeiro, para ser mais um atleta para torcer e apoiar!

Só tenho pena que quando joga em Portugal, nomeadamente no Estoril Open, não consiga bons resultados, como infelizmente foi o caso do ano passado e deste. Não sei se é o factor casa, ou se será apenas falta de sorte e concentração, em determinados momentos do jogo, mas seja como for é um aspecto que de certeza que João Sousa quererá melhorar. Quem sabe um dia não vence o torneio português.

Por fim, deixo uma sugestão que tenho visto e lido em vários sítios. Seria melhor que não se desgastasse nos grandes torneios a jogar, também na modalidade de pares, dado que isso só o desgasta e faz perder tempo que poderia descansar. Aliás, quase nenhum jogador do topo, joga pares, muito menos nos grandes torneios. Claro, que não serei eu, nem os adeptos e fãs do João Sousa que iremos mudar a sua ideia, mas quem sabe se o vimaranense não se dedica apenas aos singulares. Até porque está no Top 30 e deveria pensar em consolidar essa posição.

Até para o mês que vem. Boas jogadas!

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