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Jimmy Kimmel Show nos Óscares! (e uma gaffe à Steve Harvey)

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Numa das mais mornas e bizarras cerimónias de que tenho memória, os Óscares de 2017 apresentaram um conjunto de momentos previsíveis (alguns muito interessantes até), protagonizados pelo o nosso amigo Jimmy Kimmel. Houve tempo para doces e donuts a serem atirados em mini-paraquedas, Mean Tweets (oh my lord) e até simulações the mensagens para Donald Trump. O meu prémio de melhor segmento vai para a enxurrada de momentos entre Jimmy Kimmel e Matt Damon, naquela que é uma das mais longas piadas da televisão americana.

Com um começo brilhante, nada me fez mais feliz do que ver Mahershala Ali arrebatar o Óscar de Melhor Actor Secundário, com uma incrível performance em Moonlight. Quando fiz a minha previsão inicial, podia perfeitamente ter substituído Sully (que acabou por ter apenas uma nomeação), pelo drama acutilante que se tornaria um dos grandes vencedores da noite.

La La Land foi, como esperado, o grande galardoado da cerimónia, totalizando 6 estatuetas douradas (em 14 nomeações), seguido de Moonlight com 3 prémios e de Hacksaw Ridge e Machester By The Sea com 2 Óscares. Deu para todos ganharem alguma coisa: Arrival arrecadou um Óscar nas categorias técnicas, sendo que Fantastic Beasts And Where To Find Them e Suicide Squad ficaram-se pelos prémios de melhor guarda-roupa e melhores efeitos de maquilhagem/hairstyling, respectivamente.

Merryl Streep esteve presente, após ter sido nomeada pela 3026 vez, desta vez com Florence Foster Jenkins. É só, não me vou alongar muito sobre este assunto em particular. Destaque para as aparições do adorável Michael J. Fox e de Seth Rogen (NUM DELOREAN!!!), naquele que foi um dos momentos mais divertidos da noite dos Óscares.

Com o momento acima descrito, eis os grandes momentos e surpresas da mais aclamada noite dos cinema americano. Primeiro, a dupla vitória de Justin Hurwitz, com melhor música e melhor banda sonora, pelo seu trabalho em La La Land. Não me surpreende esta vitória, especialmente depois de ter visto (e ouvido) Whiplash há 3 anos atrás. Os arranjos são para lá de espectaculares e, em conjunto com a cinematografia, foram a chave para a grande vitória de La La Land na cerimónia deste ano.

Em segundo, a vitória de Casey Affleck como Melhor Actor Principal. Simplesmente fantástico. Manchester By The Sea foi o filme menos falado entre os grandes candidatos, mas, à semelhança de Moonlight, explora a dor e o luto, cujo sacrifício foi tão bem representado pelo irmão mais novo de Ben Affleck.

Em terceiro, Damien Chazelle. Com apenas 32 anos, volta aos Óscares depois de Whiplash, para vencer melhor realizador (incluindo o senhor Mel Gibson, nomeado 21 anos depois) e quase melhor Guião Original para Filme. It doesn’t get any better than this. Muito cuidadinho, porque ele não vai ficar por aqui!

Em quarto, Emma Stone a ganhar um Óscar é algo muito estranho para mim. Fico sempre com a sensação que a Emma Stone só sabe ser a Emma Stone e that’s it. Mas ela é tão boa a protagonizar a sua própria pessoa que lá ganhou um Óscar. Not bad, Emma, not bad! A minha escolha seria Natalie Portman, pela sua performance em Jackie, mas confesso que a estatueta não foi mal entregue.

Depois temos as questões raciais, sempre tão sensíveis pelo mundo do cinema, especialmente depois do boicote do ano passado. Com as vitórias de Viola Davis (que furacão!) em Fences e de Mahershala Ali e Barry Jenkins com Moonlight, acho que está mais provado que, quando a qualidade está lá, não há fronteiras entre cor, religião ou orientação sexual. Take that, Will Smith!

Como disse no início, esta foi uma das cerimónias mais morninhas dos últimos anos. Geralmente, é fácil encontrar dois ou três grandes momentos na noite dos Óscares, mas este ano foi preciso esperar até à entrega do último prémio para termos a surpresa do ano. O pobre Warren Beatty, praticamente retirado destas andanças, subiu ao palco com Faye Dunaway para, poucos minutos depois, entregar o prémio de Melhor Filme a La La Land. E não é que após toda a gente agradecer a amigos e família, o verdadeiro vencedor veio à superfície? Moonlight arrecadaria a derradeira estatueta dourada, originando uma mas maiores (senão a maior) gaffe na história dos Óscares. Steve Harvey, volta, estás perdoado.

What a time to be alive. Espera-nos mais um ano de grande cinema, mas por enquanto vamos deixar a silly season de Hollywood começar. Também é preciso um pouco de descontração para originar grandes momentos. E assim me despeço, bons filmes e boas séries!

Hasta La Vista, Baby!

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