História

Incêndio do Chiado – Os Armazéns Grandella

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Foi a 25 de Agosto de 1988 que Lisboa acordou para um pesadelo de que jamais se iria esquecer. Os Armazéns Grandella, do lado da Rua do Carmo, no Chiado, estavam a ser devorados pelo fogo.

Os Armazéns tinham sido construídos no início do século XX, por iniciativa de Francisco de Almeida Grandella, um empresário que tinha já um outro estabelecimento na Rua do Ouro.

Era um edifício com duas fachadas e acessos pela Rua do Ouro e pela Rua do Carmo. A fachada da Rua do Carmo tinha um relógio com duas figuras de ferreiros que batiam as horas e dois baixos relevos que representavam a Verdade e o Comércio. Fora inaugurado em Abril de 1907 e destacava-se por ser um marco do comércio moderno e um edifício ímpar na arquitectura vanguardista.

A Rua do Carmo contava então com altos canteiros de betão e era reservada aos peões, o que impediu o acesso das viaturas dos bombeiros. Ela foi por isso a rua mais afectada, mas não foi a única.

Os edifícios, contíguos uns aos outros, levaram a que o fogo se propagasse rapidamente pela Rua Garret e destruísse lojas, escritórios e casas, sendo que alguns destes ainda do séc. XVIII.

Desapareceram os Armazéns Grandella, a Perfumaria da Moda onde foi gravado o filme “O Pai Tirano”, os grandes Armazéns do Chiado, o Arquivo Histórico de Gravações de Som de Valentim de Carvalho, o Estabelecimento Eduardo Martins, a Pastelaria Ferrari, a Casa Batalha e vários outros, contabilizando um total de 18 edifícios.

Eram 3 de manhã quando o incêndio deflagrou. A combatê-lo estiveram 1.150 homens e 275 viaturas.

O incêndio foi extinto por volta das 12:30h, mas já era tarde de mais. A fúria do fogo tinha destruído um património histórico de valor incalculável, ceifado duas vidas humanas e 2 000 postos de trabalho. Havia ainda 70 feridos e 300 pessoas desalojadas. O inquérito levantado pela polícia foi arquivado em 1992 sem nunca se ter descoberto a causa do fogo.

Os bombeiros demoraram dois meses a retirar todos os escombros e foi só quase no fim desse tempo que encontraram o corpo de uma das vitimas mortais, um bombeiro.

A reconstrução foi projectada pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira, sempre na tentativa de preservar o máximo possível das fachadas originais e  revalorizar o espaço.

Hoje em dia o Chiado voltou à normalidade, as suas ruas pulsam novamente de vida e não de cinzas. Mas, na memória de muitos dos que lá vivem ainda há a recordação do terror daquela manhã. Lisboa não mais voltou a ser a mesma.

Se as tragédias servem para alguma coisa, que seja para nos lembrar da importância de evitá-las. Em pleno mês de Agosto, não se esqueça da importância da prevenção na luta contra os incêndios.

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