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Factos Desconhecidos Sobre Aqueles Filmes Clássicos da Páscoa

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Todas as ocasiões festivas são uma oportunidade única para ligar a televisão e desfrutar da mesma oferta cinematográfica dos últimos 50 anos. Há certamente algumas adições modernas, mas a magia dos clássicos raramente sai do pré-estabelecido. Pelo ecrã passa de tudo, de Jesus a Moisés, do sagrado ao profano, tudo é possível numa era onde o coelho, embora pagão, nunca deixa de homenagear a Sétima Arte Sénior. Mas se vimos estes filmes tantas vezes e nada nos escapa no ecrã, talvez seja pertinente um conjunto de factos que embora não influenciem a próxima visualização dos filmes nos dão uma outra perspectiva sobre a sua produção e particularidades que marcaram os actores para a vida (literalmente!). O Ideias e Opiniões apresenta por isso um conjunto de factos que poderá ser desconhecida do público…

Os 10 Mandamentos (1956) – Um revolucionário cubano, um faraó e um tanque com água

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Pelo título podia ser o inicio de uma receita das 1001 maneiras de cozinhar bacalhau ou de O Homem que Mordeu o Cão de Nuno Markl, mas a verdade é que tudo o apresentado acima faz parte de um conjunto de factos que pode surpreender toda uma plateia. A obra-prima de Cecil B. DeMille pode ter representado a vanguarda dos efeitos especiais da época, recebendo um óscar por isso, mas na realidade uma das cenas mais icónicas, onde Moisés abre as águas do Mar Vermelho, não passa da gravação reversa de um tanque de água a ser inundado. Num filme onde a expressão “meter água” pode ter um significado contrário ao pretendido muitos são os segredos que hoje não passam pela cabeça da audiência. Mas na próxima visualização lembre-se que em 1956 eram os efeitos especiais possíveis, e os grandes mestres da área, que funcionavam sem qualquer apoio digital, tornaram muitos sonhos inconcebíveis até então numa realidade.  

Os 10 Mandamentos são célebres também por outro facto, que depressa se tornou numa incongruência histórica aceite pelo público, e que tem sido replicada por todas as adaptações seguintes até hoje. Nunca na Bíblia está referido o nome do faraó e principal vilão do filme, no entanto, nada impediu que esta adaptação e todas as seguintes lhe dessem um nome, Ramsés. Pode ir ao Exodus confirmar, se quiser, porque não está lá nome nenhum! Agora veja todos os filmes que abertamente apontam Ramsés como faraó… Pois agradeça a Os 10 Mandamentos! O Ramsés históricamente mais próximo teria de estar perto do centenário e incapaz de perseguir os hebreus numa biga. Há inúmeras teorias e vários Ramsés, e como o próprio texto sagrado não é claro nem específico no seu período temporal as únicas pistas são dadas por pequenos apontamentos que se relacionam com documentos já encontrados.

Outras das lendas interessantíssimas prende-se pela possível presença de Fidel Castro como extra do filme, mais precisamente como soldado, o que dá todo um outro sentido à revolução cubana. Mesmo que Fidel esteja por algum motivo por entre as dezenas de extras é impossível ter certezas porque não há qualquer imagem clara, e quando o próprio foi questionado anos depois, remeteu-se à ambiguidade.

Ben-Hur (1959) – Bigas, Sotaques e Um Hifen

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A produção de Ben-Hur dava um filme, e foi tão intensa e propícia a dores de cabeça que depressa surgiu o Ben-u-ron. Não, esta inventei eu, mas a piada merecia ser feita! O filme tem muitas pequenas curiosidades, sendo a mais irrelevante o facto de ser o único filme com hífen a alguma vez ganhar um Óscar. Mas um dos grandes feitos é ser um dos únicos filmes bíblicos aprovado pela Igreja Católica, o que certamente não influenciará a sua visualização para muita gente, mas deixa o testemunho dos padrões que regem esta aceitação.

Originalmente, o filme tinha data de produção para 1956, e Marlon Brando seria Ben-Hur. Imagine Brando como protagonista, especialmente se chegasse ao set sem saber as falas ou com excesso de peso. Nos anos 50 não seria problema para o actor mas a proposta não foi irrecusável o suficiente e o papel passou para Charlton Heston, que se tornou um dos vencedores de Óscar para “Melhor Actor Principal” com mais tempo no ecrã, mais precisamente 2 horas, 1 minuto, e 23 segundos. 

A corrida de bigas demorou semanas a ser filmada e custou 4 milhões de dólares, note-se que o filme custou 15 milhões e a sua versão final tem 3 horas e 32 minutos. Se é um dos filmes mais caros alguma vez produzido à escala, os valores entre a corrida e todo o filme são completamente desproporcionais!

Outra curiosidade prende-se na atribuição do sotaque às personagens. Este filme inspiraria um modelo que seria replicado mais tarde noutras produções. Os judeus tem sotaque americano e os romanos sotaque britânico. Pode formular-se uma teoria da conspiração atribuída a alguma mensagem perdida que pode ser relacionada com a indústria de Hollywood, sempre associada à grande empresa e às grandes famílias judaicas. Voluntariamente ou não, é um pormenor a analisar na próxima visualização. Um dos filmes que contribuiu para sobrevivência desta separação de sotaques é o próximo desta lista…

 A Última Tentação de Cristo (1988) – Mortos e ferido em casos de fundamentalismo cristão

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Mas há algum filme relativamente recente sobre Jesus que não seja polémico?! Haverá, mas não é o filme de Martin Scorcese com William Defoe como Messias. A Última Tentação de Cristo é um dos únicos filmes nomeado para “Melhor Realizador” sem ser nomeado para mais nada. Estranho, mas não ficamos por aqui! O filme causou tal aversão da comunidade católica que alguns fundamentalistas franceses queimaram vários cinemas no seu país, nomeadamente em Paris e Besançon matando uma pessoa e ferindo outras. Outro grupo religioso tentou comprar todas as cópias do filme por 10 milhões de dólares, outros quiseram comprar até os negativos! Para quê? Para destruir todo e qualquer exemplar do filme! Estas curiosidades servem também para lembrar que fundamentalistas existem em todas as religiões!

O que não parece mudar é a tradição de torturar quem interpreta Jesus. Neste caso, Defoe não foi chicoteado ou levou com uma cruz em cima, como o protagonista do que se segue, mas ficou incapaz de ver durante três dias devido aos pingos para os olhos usados para dilatar as suas pupilas de forma a dar-lhe uma aparência sagrada. Filmou também algumas cenas com febres altas.

A Paixão de Cristo (2004) –  Tortura Direcção de actores e a maior conversão ao cristianismo desde a Era Medieval 

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Todos sabemos que este não é o filme de Páscoa para toda a família, pois é talvez um dos filmes mais violentos e crus que alguma vez ilustraram a morte e ressurreição de Jesus. Mel Gibson, figura controversa e muitas vezes em estados de alcoolismo que lhe complicam as relações interpessoais, realizou e puxou ao máximo pela veracidade de toda a produção.

Todos os actores falam a língua da época, a disputa de poderes na Judeia é mais ou menos bem explicada de forma a compreender a inconveniência do Messias cristão naquela sociedade, etc. Os judeus são também culpados pela morte de Jesus, o que revoltou alguns sectores do Judaismo mas acaba por ser plausível se percebermos que naquela época Jesus representava um perigo para a religião imposta e era considerado um mobilizador de massas. A maior parte dos judeus que não vê qualquer anti-semitismo defende-se com a carta de que naquela altura o Judaísmo não existia, e que um judeu não é um hebreu.

Jim Caviezel, o actor que interpreta Jesus, utilizou maquilhagem tão complexa que demorava cerca de 10 horas para aplicar. Quando depois dessas 10 horas o tempo não possibilitava as filmagens, o actor resolvia voltar para o hotel totalmente coberto de feridas e sangue falsos para dormir de forma a não ter de passar pelo mesmo processo moroso no dia seguinte. O actor ficou também ferido depois da produção ter a excelente ideia de usar um chicote verdadeiro demasiado perto das suas costas. O resultado foi a remoção de partes do chicote que foram adicionadas em pós-produção. Levou também com a cruz num dos ombros deslocando-o. Se a tortura não fosse suficiente teve de ser operado ao coração logo depois da produção do filme devido ao stress.

O filme teve também um grande impacto nos membros da sua produção experienciando uma conversão em massa ao cristianismo. Alguns deles eram inclusive ateus antes do filme ser produzido! Mel Gibson poderá ter contribuído para a conversão de uma parcela significativa de pessoas, embora seja um filme totalmente condenável pela Igreja devido à sua violência gráfica. As ironias da vida!

Volto para o próximo mês com mais cinema…

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