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Entrevista aos oLUDO

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Que bom que é ter o privilégio de utilizar o grande palco em que se tornou o Ideias e Opiniões para dar a conhecer ao país, e um pouco ao mundo também, grandes projetos e profissionais portugueses. Hoje regresso com mais uma magnífica entrevista e uns convidados de excelência.

A música estará em destaque nesta animada conversa com a banda nacional oLUDO. O nome é curioso, a música é viciante. Descobri-os graças à enorme Raquel Laíns e à sua Let’s Start a Fire, parceira habitual do Ideias e Opiniões. O seu trabalho permitiu-me não só descobri-los como também entrevistá-los. Se estive à conversa com os oLUDO isso deveu-se à disponibilidade e profissionalismo da Raquel Laíns e da própria banda. A todos eles o nosso muito obrigado!

Agora que a introdução foi feita é tempo de partirmos para o que verdadeiramente interessa: as origens, o percurso e o mais recente disco dos oLUDO, “Abraço”!

Recordam-se da primeira canção que vos maravilhou verdadeiramente?

Bem… Isto cada um acaba por ter a sua. O João foi o “Porto Sentido” do Rui Veloso. O Nuno terá sido algo de Pink Floyd. O Davide o “Grace” do Jeff Buckley, o Luís algo dos Police e o Paulo é Ramones.

A entrada no mundo da música foi o cumprir de um objetivo de vida ou obra do acaso?

Aprender a tocar um instrumento é obra do acaso. Os amigos tocam, assistes a música ao vivo e começas a ganhar aquele “bichinho”.

Depois, naturalmente queres mostrar o que estás a fazer e inconscientemente vais criando objectivos. Desde tocar aquela canção que ouviste na rádio e, seja pelo que for, começas a tentar escrever, compor e arranjar as tuas próprias ideias dentro da música.

Os objectivos aí ficam mais “sérios”, portanto este mundo da música, podemos dizer, é obra dos dois: acasos e objectivos.

Qual foi o vosso percurso no mundo da música até criarem os oLUDO? Para quem não vos conhecem como definem o vosso estilo e sonoridade?

Nós sempre tivemos bandas. Desde covers a originais, com vertentes musicais muito diferentes. Desde o punk rock até ao funk.

Para simplificar, achamos que nos podemos considerar como pop/rock/indie. Mas gostamos mais de deixar isso ao critério de quem nos ouve.

“Este novo disco fala de sentimentos à distância.”

A vossa estreia foi com o EP “Nascituro” (2009). Como definiriam esse EP? E como se sentiram ao verem um tema vosso incluído na prestigiada coletânea “Novos Talentos FNAC”?

O “Nascituro”, por ser o primeiro é um disco muito especial. É um EP com muita ingenuidade, natural de quem se está a estrear nos discos, nos estúdios e na “indústria”.

Entrar nos “Novos Talentos” foi um passo muito importante, um bom cartão de visita e sobretudo um privilégio para nós. É no fundo sentir uma boa aceitação do trabalho.

No ano seguinte surge o segundo EP dos oLUDO, “Mil Tentações”, através da plataforma Optimus Discos. Como surgiu este convite?

Surgiu pelo Henrique Amaro, que era na altura o responsável musical da plataforma. O Henrique já nos conhecia do “Nascituro” e fez-nos o convite, que aceitámos, sem hesitar. Já estávamos a preparar o EP há algum tempo e fez todo o sentido sair através da plataforma.

Contem-nos tudo sobre o tema instrumental “Muzar” e o prémio que ele conquistou!

Era um tema que já tínhamos há muito. Andámos com ele para a frente e para trás, mas acabámos por não lhe meter nenhuma letra. Não fazia sentido.

Entretanto, o Pedro Pinto (realizador) que já tinha trabalhado connosco noutros vídeos, lembrou-se de fazer mais este. Deixámo-lo “viajar” como sempre e saiu para todo o lado.

Nomeadamente um festival em Barcelona e outro em Nova Iorque. Ficámos obviamente orgulhosos pela música, mas o mérito do vídeo é todo dele.

Continuando a visitar a vossa discografia encontramos o primeiro álbum de longa duração em 2011. Sobre o que versava o vosso “Almirante”?

O “Almirante” é sobre figuras estranhas, pesadelos, meias verdades e um pouco de resistência a sentimentos. Fala-nos de momentos menos bons da vida e do que perdemos por não viver os bons porque estamos com a cabeça nos problemas.

Fala também em sentimentos escondidos, que não gostamos de transmitir e não sabemos porquê.

O vosso segundo álbum apenas surgiu este ano (“Abraço”, 2017). Qual a razão para esta pausa de seis anos entre o primeiro e o segundo disco de originais?

Tivemos uma mudança no nosso alinhamento. Começámos a tocar com o Luís e fazia sentido esperar para que ele se integrasse a 100% na banda. Parámos completamente o processo de criação para que ele fosse parte integrante deste.

O primeiro objectivo foi mesmo tocar no estúdio, em conjunto para ver como saíam as músicas. Tentando perceber o lugar de cada um na composição. Isto demora algum tempo até estar completamente solidificado. Mas como não tínhamos pressa para editar o “Abraço”, fizemos tudo com calma.

Que histórias, aventuras e sentimentos podemos encontrar neste vosso novo álbum? Qual o processo criativo por detrás de “Abraço”?

Este novo disco fala de sentimentos à distância. Não só a saudade, mas o medo e insegurança que nos assola quando estamos longe de alguém. Fala da nossa ligação à terra e aos lugares que nos fazem felizes.

Todo o processo foi muito simples e directo. Gravámos tudo na nossa sala, sempre juntos e íamos ajustando tudo conforme fosse necessário. Não tivemos pressões temporais ou  financeiras de estúdio. O que acabou por ser muito bom para nós.

Capa do álbum “Abraço”

O que aproxima, e o que separa, os oLUDO de 2009 dos oLUDO de 2017?

Aproxima-nos o que nos aproximou desde sempre – a nossa amizade. Somos amigos já bem antes da banda ter começado e isso torna-se importante depois de 12 anos juntos.

O que separa é só mesmo temporal… Continuamos a ser o que éramos em 2005, com a excepção do aumento da família LUDO, outra parte fundamental para que isto corra bem.

Tantos ensaios, concertos e viagens pelo país certamente que vos permitiu colecionarem algumas histórias engraças e bizarras. Recordam-se de alguma que possam partilhar connosco?

Nós temos muitas (risos). Por exemplo: começámos a ensaiar num antigo aviário. Inundava quando chovia muito, fomos assaltados lá, fomos mordidos por pulgas e tínhamos a maior coleção de garrafas de cerveja… vazias (risos).

Quando fomos fazer as FNAC a Lisboa, alugámos uma carrinha e lá fomos todos. A carrinha parou em Alcácer do Sal com problemas mecânicos. Então fomos deste Alcácer em dois táxis até Lisboa.

Chegados à primeira FNAC vimos que tínhamos deixado a caixa dos pratos da bateria dentro da carrinha que ficou no parque da oficina em Alcácer! A sorte foram os colegas de Lisboa que nos emprestaram algum material (risos).

Que palco/festival mais vos surpreendeu? E qual ficou aquém das expectativas?

Nós tentamos tirar sempre as melhores conclusões das experiências, boas ou más.

A queima das fitas em Coimbra é sem dúvida um palco mágico. Mas fizemos um concerto num barco (a jamanta) aqui na ria formosa, que foi algo de absolutamente maravilhoso.

O palco e o público dão, ou retiram, confiança a quem os enfrenta?

Antes de entrar a coisa é complicada! Mas à medida que vais tocando, a confiança cresce claramente.

A vida de músico é feita de contrastes: da solidão que envolve a criação e a escrita de músicas e letras em casa ou no estúdio, à apoteose e loucura que pode ser estar em palco em frente a centenas de pessoas, por exemplo. É-vos fácil gerir os pensamentos, as emoções e as expectativas ou todos estes altos e baixos (e variações de adrenalina) tornam esta profissão numa autêntica aventura?

Tentamos que não nos afecte muito. Por nós, estaríamos sempre a tocar em todo o lado. Mas por cá, sabemos que não é possível, pelos mais variados motivos.

Estar a compor e em estúdio, também tem as suas vantagens. Acalma-nos faz-nos absorver em vez de transmitir emoções. Contudo, não poderíamos viver de maneira diferente!

Imaginem que encontram uma lâmpada mágica e que essa lâmpada vos permite pedir um desejo muito particular e que garante que nunca ninguém saberá que a usaram. Com um estalar de dedos o Génio da Música pode fazer com que três músicas (de qualquer cantor/músico do mundo, de qualquer era e de qualquer língua) passem a ser uma criação vossa (com todo o prestígio, reconhecimento, lucros e fama que isso traria, claro). Que músicas escolhiam e porquê?

Uma bela pergunta! Acho que toda a gente já sonhou com isso. Por uma questão de rentabilidade gostaríamos de fazer o “Happy Birthday” ou o “Parabéns”. Não há música mais rentável que essas (risos).

Por uma questão de “fama” seria o “Let it be” dos Beatles, só para ouvir a gritaria (risos).

Por uma questão de gozo pessoal o “Shine on you crazy diamond” de Pink Floyd, só para a podermos tocar.

Que músicas, álbuns ou artistas mais têm ouvido ultimamente?

Nós temos gostos musicais muito diferentes. O Paulo tem estado a ouvir discos do Brasil da era do Ed Motta. O Nuno, Kasabian e os clássicos dos Pink Floyd, o Leal provavelmente o “Excuse Me” do Salvador Sobral, o Davide é amante confesso de Arcade Fire e Elbow. O João ouve Los Hermanos e Julian Casablancas.

Que jovens bandas/projetos, portugueses ou estrangeiros, é obrigatório que o Ideias e Opiniões oiça assim que terminar esta entrevista?

Têm o disco do Bruno Camilo “Isto devia ter um nome”. E o “ALTAR” dos The Gift, entre tantos outros…

Que planos têm para o futuro? Onde podemos comprar o vosso “Abraço”?

O plano agora é mostrar o disco em todo o lado. O máximo possível! O disco está disponível na Rastilho Records ou directamente na nossa página de Facebook.

Onde podemos manter-nos atualizados sobre a vossa carreira?

Na nossa página de Facebook, aqui.

Para terminar, que mensagem querem deixar ao Ideias e Opiniões e aos nossos leitores?

Para além de ouvirem e partilharem o nosso trabalho, deixamos sempre o apelo ao apoio à produção Nacional!
Bem Hajam!

 

Agradecimentos: Raquel Laíns, Let’s Start a Fire e oLUDO.

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