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Eminem: O Verdadeiro Slim Shady

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Marshall Bruce Mathers III é o nome de um dos mais talentosos rappers da actualidade e possivelmente o melhor de sempre. Se não sabe de quem lhe estou a falar, eu simplifico com uma só palavra: Eminem! Exactamente, esta é a crónica sobre a magia daquele que é para mim o melhor rapper de sempre. É hoje o seu aniversário e, aproveitando essa efeméride, o Ideias e Opiniões dedica-lhe esta crónica.

Nascido a 17 de Outubro de 1972, no estado norte-americano do Missouri, Eminem não sonhava ser conhecido por ter feito hinos de rebeldia, nem ser um ícone para muitos jovens que perseguem a ideia de vir a ser conhecidos e bem sucedidos no mundo da música. Marshall é filho de Marshall Bruce Mathers Jr. e de Debborah Rae Nelson, sendo que o seu pai nunca esteve muito presente na sua vida, tendo vivido grande parte da sua adolescência com a mãe. Na sua adolescência, o pequeno Eminem, que ainda não o era, escrevia várias cartas ao pai, contudo, estas voltavam todas marcadas como devolvidas ao remetente. Talvez por isso é que muitas pessoas o lembram como uma criança feliz, mas um pouco solitária.

A sua história de vida não é de todo a de uma criança feliz, nem de alguém que teve um início vida confortável. Mudou constantemente de casa, vivendo por vezes em casa de familiares. Aos 17 anos, Eminem abandona os estudos devido às más notas e falta de interesse, indo trabalhar para ajudar a mãe a pagar as contas, algo que também se pode ver no filme autobiográfico 8 Mile (2002). No entanto, isso não foi impedimento para ser posto fora de casa pela mãe, devido às várias discussões que tinha com a mesma. Podemos perceber assim que não foi uma adolescência fácil para o jovem que se iria tornar numa referência mundial do rap!

Talvez devido a esta dificuldade no início da sua vida, Eminem começa desde cedo a gostar de fazer música, porventura como escape à vida que tinha. Aos 14 anos, começa a rappar com um colega do liceu, Mike Ruby e juntos adoptaram nomes artísticos. Mike era “Manix” e Marshall adoptou o nome de “M&M”, sendo, posteriormente, adaptado para aquele que é hoje o seu nome artístico. Na altura, já fazia algumas batalhas no Liceu de Osborn.

A sua carreira musical começou cedo, já que Eminem escrevia as suas próprias letras para as batalhas já mencionadas. Eminem fazia com que os seus versos rimassem sempre e participou em inúmeras sessões de open mic. Apesar do rap ter sido sempre algo mais apreciado pela comunidade negra, Eminem conseguiu erguer uma carreira muito graças aos espectadores de hip hop underground.

Eminem cria um alter-ego, no início da sua carreira, pouco tempo depois de ter lançado o seu primeiro EP, com a ajuda de Proof, amigo de escola com quem ia frequentemente aos clubes de rap, quando era mais novo. Esse alter era Slim Shady, que permitiu que Eminem pudesse enveredar por uma vertente mais sombria, onde descarregava as suas frustrações com letras que falavam de drogas e homicídios. Esse alter ego ganhou o seu expoente máximo com o seu terceiro álbum The Marshall Mathers LP, considerado por muitos o seu melhor, talvez por ser o mais genuíno.

2015eminem_gettyimages-187596325020615-heroNa altura do lançamento deste disco, em 2000, Eminem já trabalhava com um dos maiores nomes da produção do hip hop mundial, Dr. Dre. Deste disco quase todas as músicas são conhecidas. Se eu referir músicas como “Stan”, que conta com excertos da canção “Thank You” da britânica Dido, “The Real Slim Shady”, “The Way I Am”, “Kill You”, “Criminal”, “Marshall Mathers”, o/a caro/a leitor/a vai com certeza relembrar-se de bocados, se não mesmo da letra inteira das músicas. Foi um disco polémico, como quase todos os de Eminem são, devido à sua linguagem e excessiva violência transmitida. Contudo, conseguiu ser um sucesso de vendas, tendo chegado ao topo das tabelas de vários países, incluindo nos Estados Unidos, onde chegou ao topo da tabela da Billboard, tendo acabado o ano de 2000 no terceiro lugar da tabela.

Anteriormente, Eminem tinha lançado outros dois álbuns, Infinite em 1996, que foi o seu álbum de estreia e em 1998, o The Slim Shady LP. Ambos foram mal recebidos, mas foi graças ao seu primeiro álbum ter corrido mal, que o Eminem cria o seu alter ego Slim Shady, para poder continuar a descobrir a sua verdadeira faceta. Aliás, de todas as músicas presentes nestes dois álbuns não há muitas músicas que se destaquem. Apenas “My Name Is” fez bastante sucesso, e essa música sai apenas no seu 2º álbum. É o próprio Eminem que explica na sua biografia, que o seu primeiro trabalho é uma espécie de Demo, onde ainda tenta perceber o seu estilo.

Mas se The Marshall Mathers LP foi o seu grande boom, o álbum seguinte The Eminem Show, prova que o sucesso do seu terceiro trabalho não era apenas sorte. Lançado em 2002, Eminem Show tem algumas das músicas que vão ecoar para sempre como músicas óbvias de Slim. Falar de Eminem faz logo vir a cabeça músicas como “Without Me”, “Cleanin’ Out My Closet”, “White America”, “Say Goodbye to Hollywood”, “Hailie’s Song” e “My Dad’s Gone Crazy”. Cada uma destas músicas tem significado especial e as letras têm um objectivo. Foi sobretudo com este trabalho que Eminem começou a cimentar aquilo que viria a ser a sua carreira. A crítica considerou este trabalho como um grande crescimento. Foi tão bem recebido que ganhou vários prémios, desde Grammys a BritAwards, passando por prémios da MTV e da Billboard.

Seguiu-se Encore em 2004, com um registo misto, que tinha tanto de sentimental, quanto de agressivo. Ora este álbum contém uma música para a sua filha Hailie, tal como no disco anterior. “Mockingbird” é uma balada em que Eminem fala directamente para a sua filha, tentando explicar o porquê dos pais não estarem tão presentes como noutras famílias. Mas, também há a versão mais agressiva em “Mosh”, onde Eminem critica o Presidente Bush e a sua decisão de enviar tropas para o Iraque. Mas há outras músicas que se destacam de Encore como “Just Lose It”, “Like Toy Soldiers”, “Crazy in Love”, “One Shot 2 Shot” e ainda “Ass Like That”. Foi sobretudo com esta última música que Eminem começou a ser mais rotulado como misógino, embora na minha opinião, Eminem está apenas a assumir uma personagem para os álbuns.eminem_iikjoqm

Relapse, o seu 6º álbum é, na minha opinião, o seu álbum mais fraco. Talvez os 5 anos que o separam de Encore, podem ter alguma influência no facto de não haver nenhuma música que se destaque à primeira vista. Claro que “We Made You”, por ter sido um dos singles possa receber mais atenção, mas é um álbum, sem muita importância, a meu ver, na carreira de Eminem. Contudo, é sempre importante ter um trabalho menos bom até para se poder reinventar no seguinte.

Foi isso mesmo que fez Eminem, em 2010, quando nos apresenta Recovery. Este que foi o seu 7º álbum, destacou-se sobretudo a partir do momento em que o single que conta com a colaboração de Rihanna, “Love the Way You Lie” é lançado. É que foi a prova necessária para mostrar a diferença face ao álbum anterior, bem como a sua maturação enquanto artista. Deste álbum destaca-se, igualmente, “Not Afraid”, “Won’t Back Down” que conta com a participação de Pink, “Space Bound” ou “No Love” onde Lil Wayne colabora. Recovery é dedicado, nas palavras de Eminem, “a todas as pessoas que se encontram num lugar escuro e que estão a tentar sair dele”. Recovery mostra um Eminem mais solto para melhor, a divertir-se enquanto faz aquilo que gosta, livre de qualquer vício, estando já limpo das drogas.

Em 2013, é nos apresentado a sequela do trabalho que o catapultou para a fama. Treze anos depois de The Marshall Mathers LP, Eminem traz The Marshall Mathers LP 2 para mostrar que está maduro, mas que continua a saber regressar às origens ou manter-se o mesmo que fez Recovery. The Marshall Mathers LP 2 traz-nos grandes músicas como “Rap God”, “Bezerk”, “So Much Better”, bem como outra colaboração com Rihanna em “The Monster”, ou ainda uma colaboração de Sia em “The Beautiful Pain”, ela que já tinha colaborado com Eminem, nos D12 (Dirty Dozen) um projecto paralelo de Eminem. Este álbum é o conjugar de duas facetas de Eminem. Uma delas é o reconhecimento da importância de fazer músicas que sejam bem aceites pelo público, enquanto a outra é o Eminem de 2000, do primeiro Marshall Mathers LP, o Slim Shady que muitos de nós gostamos e admiramos, mas mais calmo e muito mais maduro. Ambos conseguem viver numa só pessoa, ou não fosse Eminem capaz de viver várias personasminem

Para além da música, Eminem fez também um filme. 8 Mile (2002) é um filme muito autobiográfico, que conta a sua ascensão no mundo do rap e de todos os problemas que sofreu em alguma altura da sua vida. Eminem interpreta B Rabbit, onde é um rapper branco, o único num bairro e numa indústria onde predominam os artistas negros. Uma das suas melhores músicas “Lose Yourself” foi escrita especificamente para este filme, onde vemos as batalhas, a criação das Demos, ou a dificuldade da sua vida pessoal.

O Legado de Eminem é enorme, tendo inspirado uma data de artistas bem conhecidos do público. Eminem conseguiu em pouco menos de 20 anos, falar a várias gerações, mas é sobretudo a geração dos millenials que vive e percebe aquilo de que é falado nas letras de Eminem. No meu caso particular, Eminem entrou na minha vida através da minha irmã e sobretudo com o álbum The Eminem Show. É que após ouvir várias vezes os álbuns de Marshall Mathers na aparelhagem da minha irmã, consigo identificar-me em algumas coisas que Eminem fala nas suas letras. A capacidade de Eminem falar a várias gerações e a vários tipos de pessoas é uma das coisas que o faz ser o ídolo que é para muitos jovens. Outra é o facto de ter vingado numa indústria que, por norma, não aceita algo diferente do comum. Sobretudo na música rap, onde ver um artista branco a fazer música era algo que não era visto com bons olhos.

Parabéns Slim, continua a inspirar-nos com as tuas músicas!

“I hope you get this man, hit me back,
just to chat, truly yours, your biggest fan
This is Stan”

Excerto da música “Stan”

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