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A Diversidade Religiosa no Natal

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Caro leitor, quando falamos em Natal, falamos de algo que pertence à religião cristã, não é verdade? Imaginamos o presépio, uma árvore de natal, uma reunião familiar na noite de dia 24 de dezembro. Contudo, uma das importâncias da celebração festiva natalícia é, precisamente, a diversidade religiosa. Talvez seja nesta altura que a religião assume o seu cunho diferencial porque ao se celebrar a data por motivos distintos, a forma como o fazem e o significado que lhe incutem também difere. Antes de ser uma época do ano de celebrações, deve ser uma época de respeito pelo culto religioso do outro.

Em Portugal, embora a imagem central seja o catolicismo, existem muitas outras religiões que se distinguem pela forma como vivem e se dedicam à sua religião. Daí que, hoje quero-lhe falar não só do Catolicismo e da forma como os católicos vivem o natal, mas também, da forma como esta época festiva é celebrada no Budismo e no Islamismo.

Como tradição, os católicos costumam comemorar a data em família, que alude à Sagrada Família, formada por Maria, José e o menino Jesus. E antes disso, existe a tradição de fazer a árvore de natal enfeitada ao gosto de cada família, a presença da estrela no topo da árvore e o presépio.

Antes da tradicional ceia e da troca de presentes, entretanto, os católicos costumam ir à igreja para a comemoração religiosa, que começa na véspera e se estende até o dia 25 de dezembro. A Missa do Galo, realizada na véspera, é a principal comemoração religiosa.

Existe a tradição da troca de presentes traduzida na chegada do Pai Natal e há todo um conjunto de iguarias gastronómicas que fazem parte desta época: peru, bacalhau, cabrito, rabanadas, filhós, sonhos, arroz doce, bolo rei.

Contudo, não é uma forma de celebração festiva que se encontre em todas as religiões.

No Budismo, não há envolvimento do budista com a característica particular da comemoração do Natal do mundo ocidental, ou seja, da comemoração do nascimento de Jesus Cristo. Mas, os budistas admiraram as qualidades daqueles que lutam pela humanidade e, por isso, respeitam a tradição já estabelecida, respeitando a figura de Jesus Cristo, que para eles é considerado um “Bodhisattva” – um santo ou aquele que ama a humanidade a ponto de se sacrificar por ela. Para os budistas ocidentais, o dia 25 de Dezembro tem um cunho não cristão, mas sim, espiritual.

Para o Islamismo, Cristo não é o filho de Deus, mas sim um profeta. Apesar de atribuírem grande importância ao Messias, não possuem uma data especial para comemorar o seu nascimento. Para os islâmicos, as duas principais festas sagradas são a Eid al-Fitr que consiste na celebração do desjejum após o Ramadão e o Eid al-Adha que marca o encerramento da peregrinação a Meca.

Eid al-Fitr é uma celebração muçulmana que marca o fim do jejum do Ramadão. Eid al-Fitr significa literalmente “Celebração do fim do jejum”.

Durante o mês do Ramadão os muçulmanos devem abster-se de fumar, comer, beber, ter relações sexuais desde antes do nascer do dia até ao anoitecer. O festival do Eid al-Fitr celebra o fim do jejum, bem como a força que os muçulmanos acreditam ter recebido de Alá para poderem executá-lo. À semelhança de outras celebrações muçulmanas inicia-se como o registo visual da lua nova.

Este festival é assinalado com uma oração comunal a meio da manhã, geralmente realizada em praças ou recintos de feiras. Antes da oração se iniciar a congregação recita o Takbir, uma prece que glorifica a grandeza de Deus. Depois da oração segue-se um sermão (khutba) e uma oração especial que pede perdão e ajuda a todos os muçulmanos do Mundo.

É tradição a realização de um grande almoço (o primeiro almoço que os muçulmanos tomam após o jejum diurno de um mês), geralmente na casa de um parente mais velho. As crianças recebem prendas, que podem ser novas roupas ou dinheiro.

Eid al-Adha, também conhecido como Grande Festa ou Festa do Sacrifício, é um festival muçulmano que sucede a realização do hajj, a peregrinação a Meca. É comemorado a partir do décimo dia do mês de Dhu al-Hijjah (no último mês do ano lunar no Calendário islâmico ), e a festa tem duração de quatro dias. É celebrado pelos muçulmanos de todo o planeta em memória da disposição do profeta Ibrahim (Abraão) em sacrificar o seu filho Ismael conforme a vontade de Deus. Ocorre 70 dias após o Ramadão e as festas coincidem com o Hajj. Está interligada ao Eid al–Fitr, que marca o fim do jejum do Ramadão, sendo a primeira festa. No Eid al-Adha é feito a troca de presentes e o sacrifício de animais onde a carne é dividida com familiares e com os pobres.

A comemoração, que lembra o sacrifício de Ibrahim, dura até quatro dias. No primeiro dia, homens, mulheres e crianças vestem as melhores roupas que possuem e realizam a salat (a oração) numa grande congregação. Os sacrifícios devem ser oferecidos somente após as orações.

Todos os muçulmanos que possuem meios económicos devem sacrificar animais como forma de lembrar o acontecimento. Em alguns casos em vez de 1 sacrificam-se 2, 3 ou até centenas. É condição obrigatória que o animal seja macho, adulto e saudável. A carne que resulta destes sacrifícios é distribuída por um terço para familiares, um terço para vizinhos e um terço para os pobres.

Faz parte dessa comemoração, visitar amigos e familiares. Em algumas nações, por tradição cultural e não pelo Islamismo, algumas pessoas trocam presentes.

Neste sentido, caro leitor, é fácil perceber que uma época do ano como o natal, só faz sentido nas celebrações que lhe incutimos, nas vivências cada um de nós. Precisamente para o nosso vizinho, a celebração pode ser totalmente diferente e a isso poderemos chamar “diversidade cultural”, que permite uma “diversidade religiosa”, não mais, nem menos correta que a minha. Apenas é diferente mas é essa diferença que se não nos pertence deve ser respeitada porque aquilo que é o habitual para nós pode ser totalmente algo estranho para o outro!

Nesta época, mais do que a importância de celebrarmos, é perceber porque o fazemos. Senão conseguirmos perceber a verdadeira essência torna-se uma época festiva como as demais. E onde fica o cunho cultural?  Reflitamos.  Aliás, quem serei eu fora da minha cultura?

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