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Diana, Princesa de Gales: Uma Vida de Transformação – A Alquimia do Amor

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Quando aceitei escrever sobre Diana, Princesa de Gales, por alturas da data em que já passam uns largos anos sobre a sua morte (na verdade quase vinte…e parece ter sido ontem…), fiquei bastante apreensiva, por dois motivos essenciais: O primeiro, por saber que se atribuiu parte da responsabilidade pelo mal estar causado que deu origem à fuga e ao acidente fatal, aos vários profissionais e amadores que fotografavam e escreviam sobre Diana, com o intuito de muito vender (e muito vendia, o que quer que fosse escrito ou fotografado, que à princesa dissesse respeito); assim sendo, escrever sobre ela colocar-me-ia por um segundo nesse lugar…o que me desagradaria, pois escrever sobre alguém jamais poderia para mim representar julgar alguém e muito menos retirar a sua liberdade a estar e a ser…

Por outro lado, porque tanto e tanto se escreveu sobre Diana, que torna quase impossível escrever o que quer que seja que possa ser novo e até interessante quanto baste, para alguém ler…

Ainda assim, pelo enorme respeito que nutro por esta mulher que teve a coragem de assumir falhas e fragilidades perante o mundo, numa altura em que poucas pessoas com relevância pública o ousavam fazer, resolvi escrever a peça que agora chega ao vosso espaço de leitura…

Começo pelo trágico fim…a sua inesperada e precoce morte, quando apenas tinha 36 anos…

A morte de Diana 

Diana Frances Spencer, nascida em Sandringham, a 1 de Julho de 1961, morria em Paris no dia 31 de Agosto de 1997.

Na madrugada da noite de 30 de Agosto para 31, hora de Paris, uma notícia de última hora aparecia nos canais noticiosos do mundo inteiro, dando conta de um acidente de carro, grave, sofrido alegadamente por Diana e Dodi, o seu mais recente companheiro. A notícia era avançada sem certezas absolutas, em direto do local, onde rapidamente acederam um sem número de jornalistas e repórteres.

Confirmada a sua presença no carro acidentado, avançava-se primeiro com o estado grave em que se encontrava a princesa e o seu companheiro, para pouco tempo depois se confirmar a morte de ambos. O mundo ficou em silêncio…o Reino Unido ficou num luto sem precedentes…

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Morria a princesa do povo, que durante anos alimentara capas de revistas, jornais, livros e programas de todo o tipo. Foi possivelmente uma das figuras do século XX que mais vendas rendeu às revistas “cor de rosa”. O seu funeral ocorreria em Setembro de 1997, e contou com uma assistência global de 2,5 bilhões de pessoas, tendo sido um dos acontecimentos com maior audiência televisiva de sempre.

A história sabe-se. Muito se falou, leu, e ouviu, sobre as circunstâncias da morte de Diana e de Dodi. O Mercedes-Benz S280 onde seguiam Diana e Dodi, o motorista Henri Paul (também morto no acidente), e o guarda-costas de Dodi Fayed, Trevor Rees-Jones (único sobrevivente do acidente), embateu no muro do túnel Pont de l’Alma, em Paris, onde circulava a uma velocidade de 190 km/h na altura do impacto. O excesso de velocidade a que circulava o veículo devia-se presumivelmente à tentativa de fuga, ou para despistar, os cerca de nove fotógrafos que o perseguiam, de nacionalidade francesa. Após o primeiro embate na parede do lado direito à entrada do túnel, o veículo foi colidir na parede do lado oposto e acabou por ficar parado na via de rodagem.

Consta, e foi isto que mais chocou o mundo e levou a que houvesse muitas palavras de ódio para com os “perseguidores”, que os fotógrafos continuaram incessantemente a tirar fotos do local e do carro acidentado, com as vítimas do acidente dentro da viatura, visivelmente feridas com muita gravidade.

Chamou-se a emergência médica para o local. Dodi e o seu motorista foram declarados mortos no local do acidente. O guarda-costas, ferido com gravidade foi socorrido e sobreviveu. Diana, retirada do meio dos destroços com vida, foi socorrida no local, na tentativa de estabilizar os seus valores e sinais vitais, e posteriormente transportada para o hospital em ambulância. Diana chegava ao Hospital Pitié-Salpêtrière, pelas 2h da manhã, alegadamente ainda com vida, no entanto as lesões internas tinham tal extensão e gravidade que Diana sucumbia. Declarou-se a sua morte pelas 4h da manhã (hora de Paris), e por volta das 05:30h foi oficialmente anunciada ao mundo a passagem de Diana Spencer, princesa de Gales, a princesa do povo.

O mundo ficou em silêncio e lágrimas, consternado com a morte precoce de Diana…

Na manhã do dia 31 de Agosto, Chevenement, Jospin (Primeiro Ministro francês), Bernadette e Jacques Chirac, Bernard Kouchner (Ministro da Saúde francês) visitaram a sala de Hospital onde o corpo de Diana se encontrava, para prestar uma homenagem oficial.

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Mais tarde Carlos, o príncipe de Gales, e as irmãs de Diana, Lady Jane Fellowes e Lady Sarah McCorquodale, reconheciam oficialmente o corpo de Diana e transportavam-no de volta ao seu país natal.

Muito se teorizou e “conspirou” acerca de cenários vários como causas do acidente, mas o que ficou formalmente tido como aceite é que a causa do acidente se deveu ao excesso de velocidade do carro e provavel estado alcoolizado do motorista. Aos paparazzi atribuiu-se o alegado excesso de velocidade, ainda que na altura do impacto se declarasse não serem os 190 km/h dados como certos inicialmente, mas eventualmente entre 95 e 110 km/h. Seja como for, perante uma velocidade máxima de 50 km/h, o excesso era muito claro e principal causa das graves consequências do impacto e do acidente em si mesmo. Houve várias teorias ao longos dos primeiros anos (e não há sempre nos casos de mitos famosos?…) de que Diana teria sido assassinada com intencionalidade e premeditação.

Mas, várias provas cientificamente válidas confirmaram, não só o excesso de álcool no sangue de Henri, o motorista, como existência de medicação antidepressiva no organismo.

Se a estes dois factos juntarmos o excesso de velocidade, o cansaço e o stress da “fuga” aos fotógrafos, podemos concluir que o acidente está perfeitamente justificado. Porque é que uns sobrevivem, e outros morrem?… Para isso não há nenhuma resposta óbvia. É assim na vida em geral.

As famílias de Dodi e de Henri, por várias vezes solicitaram avaliação independente, novas avaliações, e alegaram até que as amostras deviam ter sido intencionalmente adulteradas…Mas nunca se conseguiu provar nada em contrário.

Provou-se sim, e foram mostradas imagens publicamente das fotografias tiradas na altura do acidente, que Diana, Dodi e Henry, viajavam sem cintos de segurança. O único sobrevivente do acidente viajava com o cinto de segurança. Não sabemos a verdade. Não julgamos. Os factos apurados foram estes.

Com a morte de Diana, morre a princesa mais amada pelo povo na história da Monarquia inglesa do século XX. Na data da sua morte Diana já não era, Sua Alteza Real a Princesa de Gales, mas era, e será sempre a Princesa do Povo…

No seu funeral, em Westminster a 6 de Setembro de 1997, estiveram presentes cerca de 3 milhões de pessoas.

O corpo foi sepultado em Northamptonshire, numa pequena ilha no Lago da propriedade, onde existe um centro aberto a visitantes durante o Verão, e onde está patente uma exposição sobre Diana.

A Vida de Diana 

Diana Spencer foi a filha mais nova do primeiro casamento de Edward Spencer, Visconde Althorp, com Frances Spencer, Viscondessa Althorp. Nasce portanto no seio de uma família da Aristocracia. Mais tarde, os seus pais divorciam-se e Diana e o seu irmão ficam à guarda do seu pai.

Elady-diana-shyntretanto com o falecimento do seu avô paterno, em 1975, de nome Albert Spencer, Sétimo Conde Spencer, o pai de Diana assume o seu estatuto como Oitavo Earl Spencer, passando Diana a assumir o título de cortesia de Lady Diana Spencer. Mudaram de residência após a morte do avô paterno de Diana, e pouco tempo depois o pai da jovem voltaria a casar.

Diana é educada em Riddlesworth Hall, Norfolk e depois numa escola em Sevenoaks, Kent. Nunca foi considerada uma boa aluna, sendo até academicamente uma aluna com notas abaixo da média. Deixou West Heath, a última escola que frequentou, em 1977, com apenas 16 anos, tendo tentado terminar estudos numa escola em Rougemont na Suíça.

Ao contrário da fraca prestação académica e notória fragilidade ao nível dos trabalhos de componente intelectual, Diana mostrava elevadas capacidades e forte aptidão para o desporto em geral, e para a dança em particular, tendo alimentado mesmo o desejo de seguir pela via da Arte, a dança clássica, ou mesmo o Piano. No entanto, nunca o chegou a fazer. Foi sempre uma notável “desportista” em praticamente todas as modalidades a que se dedicava, nos seus momentos de lazer.

Dedicou-se à Educação de Infância, tendo começado depois a ocupar grande parte do seu tempo a trabalhar como monitora da primeira infância, tendo sido nessa altura que acabou por ficar noiva do Príncipe Carlos.

Noivado e Casamento: O papel degradante da Mulher para a Monarquia Inglesa 

Consta, que Carlos namorou bastante e a sua vida amorosa foi logicamente fonte de “fofoca” e de intriga constante, muita especulação, ou não fosse ele o primeiro candidato ao Trono, numa das mais fortes Monarquias do Mundo. Terá mesmo, curiosamente, namorado com uma das irmãs de Diana, Lady Sarah. Namorou também com Camilla, de quem terá ficado sempre amigo, que ao que consta o ajudou a escolher a jovem Diana para esposa.

8070-aCarlos aproximava-se dos 30 anos, e como herdeiro ao Trono começou a ser pressionado para casar e ter descendentes. Ligado sempre a muitas mulheres, em relações amorosas e de namoro, a noiva de Carlos teria de corresponder, no entanto, a um perfil perfeitamente distinto das suas escolhas habituais.

Tinha de pertencer à Aristocracia, não podia ter tido casamentos anteriores ou relações significativas, tinha de ser de religião protestante e, preferencialmente, uma virgem. É verdade, pasme-se! A Realeza do século XX, liderada por uma mulher poderosa, e antecedida no tempo e no espaço pela grandiosa Elizabeth, que tendo-se declarado a ela mesma a “Rainha Virgem”, a quem os súditos deviam amar incondicionalmente, mas que não deixou de liderar Inglaterra e Escócia com pulso firme, revela-se afinal uma Realeza machista e “castrada”, que mostra elevada degradação da imagem e do papel da Mulher, e que denota um conservadorismo arrepiante…

A jovem Diana, com apenas 19 anos na época, cumpria os requisitos e, tal como se escolhiam os cavalos para a caça ou corridas, parece que a escolha era feita com base em características como as enunciadas, tratando-se Diana de uma figura-objeto, que em nada dignifica a mulher inglesa e que. aliás, não lhe faz sequer justiça.

As mulheres inglesas que, ultrapassada a época vitoriana de elevada “castração feminina”, quer moral quer física, e que levariam ao estudo das neuroses por Freud, sobretudo ao estudo da Histeria, protagonizada pelas mulheres a quem era vedada a liberdade do pensar e do agir, em todos os sentidos, passaram a vestir as tendências mais modernas da emancipação feminina, como nos anos 20 e 30, mulheres que usam saias curtas, vestidos justos, colares de pérolas, fumam (e nesta altura, desconhecido o seu nefasto efeito, o tabaco e o ato de fumar estavam associados a uma forma de emancipação e estatuto), e conduzem os carros desportivos de época… Vestem calças e disparam por desporto de competição e lazer, com homens. Mulheres inglesas que, durante a 2ª Grande Guerra assumem tarefas e trabalhos antes feitos por homens, e enfrentam bombardeamentos com uma imensa coragem e postura de força e bravura; mulheres que, na ajuda ao próximo vestem a pele de enfermeiras e médicas, tomam decisões e caminham lado a lado no apoio ao seu país, aos Aliados e fazendo da Guerra e da tristeza, motivo de força e de coragem.

Estas mulheres, não são devidamente homenageadas perante escolhas e decisões de uma Monarquia, que trata Diana como objeto quando a selecciona, e isto só por si é tenebroso, para assumir o papel designado. A situação foi de tal forma degradante, que após a escolha de Diana, e namorando a mesma já com o Príncipe oficialmente, a Rainha levou-a a um consultório de Ginecologia, para alegadamente se comprovar a sua virgindade – o que é assustador e absolutamente degradante para o papel da Mulher… Diana Spencer, infelizmente começou mal o seu trajeto.

Ao que parece a própria Camilla Parker Bowles, ajudaria Carlos a escolher a jovem assistente do Jardim de Infância em Pimlico, alegadamente por ambos, Carlos e Camilla, partilharem de alguma intelectualidade e cultura, e Diana ser na realidade uma jovem, bela é certo, mas reconhecidamente nada voltada para a intelectualidade, muito nova, eventualmente fácil de “moldar” e ajustar às necessidades da Monarquia, sem sequer afectar Camilla, que aparentemente não a consideraria sua rival…

Tristemente, cedendo ao efeito “Princesinha”, tão ambicionado por algumas jovens no seu sentido mais romântico e claro material, Diana fica inebriada pelo seu noivado, apaixonada até e absolutamente iludida…

De uma imensa candura, mas também de muita fragilidade, Diana, alegadamente desenvolveu Bulimia, uma aditividade ou patologia alimentar, logo nessa época, tendo ganho peso e depois perdido cerca de sete quilos, pela doença, nos meses que antecederam o casamento. Digo tristemente, apenas porque sinto, ao escrever sobre Diana, que bem enquadrada, noutra escolha de vida, talvez e apenas talvez, a vida pudesse ter sido diferente, talvez melhor e sobretudo mais longa…nunca chegaremos a saber… Escrevo tristemente também, porque é Diana, mais tarde, que revela por diversas vezes as tristezas e dores que passou durante o casamento, a solidão, o isolamento, mesmo dentre a multidão… A Bulimia que voltou e nunca foi tratada devidamente.

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A depressão em que se foi arrastando…as 5 tentativas de suicídio que terá cometido, ou pelo menos utilizado como chamada de atenção e apelo, por não estar certamente bem…

Diana iria revelar mais tarde a imensa fragilidade psicológica que tinha, apesar de aparentemente ser hábil com as câmaras, como o público, manipuladora no sentido de cativar e usar os media sempre a seu favor, isto valia-lhe a popularidade… mas nunca lhe valeu momentos de alegria e nunca conseguiu a necessária sanidade mental, em termos de equilíbrio.

Diana sofreu de desordem alimentar toda a sua vida de juventude e na fase adulta, possivelmente, antes e depois do casamento. Sofreu de Depressão e Ansiedade, tendo não só cometido tentativas de suicídio como auto mutilação por diversas vezes. O ambiente de Buckingham não favoreceu a sua integridade psicológica e enquanto mulher. O papel a que se submeteu, foi responsabilidade sua, claro, mas não descuremos que a família real denotou uma muito triste ausência de valorização da Mulher, e humilha o género com o tipo de escolha seletiva a que procedeu.

O casamento realizou-se em St Paul’s Cathedral, em Londres, em Julho de 1981, com 3500 convidados presentes no evento e cerca de mil milhões de pessoas a assistir em direto, no mundo inteiro, pelos canais de comunicação.

Após o casamento, e devido a ele, Diana torna-se Sua Alteza Real a princesa de Gales, ostentando assim o terceiro título mais importante, a mulher com o terceiro mais alto titulo real no Reino Unido, sucedendo à Rainha e à Rainha Mãe. Curioso, é ter um dos mais altos títulos reais da realeza britânica e ter sido escolhida como uma “espécie de mercadoria”, em que até a uma prova de virgindade é chamada, como sucedia uns bons séculos antes…

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Diana teve dois filhos deste casamento que constituíram para ela a sua prioridade, alegria e vida, como qualquer boa mãe no mundo… No entanto, ela sofreu de depressão pós-parto, até porque provavelmente já teria essa predisposição, após o nascimento de William. Durante essa gestação, voltou a padecer de bolimia, e fez algumas tentativas de suicídio, chegando a atirar-se deliberadamente de umas escadas.

Mais tarde, terá sido relatado que as tentativas de suicídio e auto mutilação não pretendiam colocar termo à sua vida, mas que eram apenas apelos, sem intenção de se magoar ou matar, mas com a intenção de apelar e pedir socorro… Foi sugerido mais tarde que Diana padecia provavelmente de uma Perturbação da Personalidade, designada como Borderline. Seja como for, parece ser absolutamente inequívoco que Diana padecia de Perturbação ou Desordem da Personalidade, de Grupo B, onde se inclui a Borderline, mas também a Narcísica e a Histriónica, por exemplo (classificação do DSM).

Indiferentemente do diagnóstico real, parece ser verdade que Diana tinha uma imensa fragilidade psicológica, uma perturbação no eixo da personalidade, uma perturbação alimentar concomitante, depressão pós-parto e outras depressões ao longo da vida… Merecia e deveria ter sido sempre acompanhada e recebido ajuda profissional, em permanência.

Em vez disso, Diana tentou durante muito tempo esconder a verdade da opinião pública, e isso foi possível, e foi silenciado a sua dor permanente, o sofrimento psicológico e pior, provocando sofrimento psicológico nos outros, e até nos que mais amava, os seus filhos.

Numa biografia do Príncipe Harry, o seu filho mais novo, é relatado como o comportamento da sua mãe durante os anos em que esteve casada, a partilha de informação com os seus filhos em idades precoces, sobre os seus casos amorosos e adultério, o terão prejudicado imenso… Não decorria muito tempo de casamento, quando cada um dos membros do casal falou à imprensa, anunciando o fim do casamento, e tecendo culpas de parte a parte.

Carlos assumidamente passou a estar em relação com Camilla, a sua amiga de sempre, e Diana ter-se-à envolvido com Hewitt, seu professor de Equitação. Alta traição perante as “leis” da Coroa Britânica, mas sem ter tido consequências práticas, foi o caso assumido de Diana com o seu professor. Diana entretanto foi mudando de companheiro, enquanto Carlos permanecia com Camilla, embora não oficialmente, claro está. O casal separou-se em 1992, e depois divorciou-se formalmente, em Agosto de 1996.

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Memorial no Harrods em honra de Dodi e Diana

Diana, terá encontrado finalmente em Dodi Al Fayed, descendente direto da família detentora do Harrods, um companheiro para um relacionamento mais estável, alegadamente, pensando até num possível casamento, mas as suas vidas foram levadas precocemente antes de qualquer decisão formal.

Diana perdeu o título de “Sua Alteza Real” pelo divórcio, mas ficou sempre membro da Família Real, por ser mãe do segundo e do terceiro na linha de sucessão ao Trono.

Filantropia e Caridade 

Apesar de uma história nada feliz, Diana cativou o seu “povo”, pela candura, beleza e capacidade de comunicação e de imagem…Tinha um à vontade perante as câmaras, extremo, e sabia usá-las a seu favor…Sabia manipular com glamour as câmaras e dominava a arte de comunicar, com gestos, com olhares, com palavras…

Durante anos isto funcionou a seu favor. A família Real nada podia fazer para ofuscar o seu sucesso perante súditos e perante o mundo…

Infelizmente no fim isto virou-se contra si… Cansada das perseguições, acabou de certa forma por ser vítima delas, e de uma imensa falta de paz que tomou conta da sua vida e dos eu percurso…

Era dotada de um charme muito peculiar, e cativou o mundo também pelas suas ações humanitárias, de caridade e de solidariedade humana.Diana

Diana visitava com frequência hospitais e prisões, instituições para crianças credenciadas, países em extrema dificuldade e com graves carências e fragilidades de todo o tipo, pessoas excluídas da sociedade de alguma forma.

Conversava com idosos e pessoas em estados terminais, doentes com HIV ou já com SIDA, a quem se viu, e esteve entre as primeiras celebridades a fazê-lo sem medo, dar a mão ou um abraço numa altura em que a SIDA era um desconhecido que assustava gerações e vencia pelo medo criado à sua volta…

Era frequente o seu apoio a todo o tipo de Instituições de carácter filantrópico, artístico, cultural e claro humanitárias. Estava presente, representava-as, ajudava-as. Uma verdadeira “embaixadora” da Paz e do Amor em muitos momentos da sua vida… Mas também algum carácter de protagonismo nas ações noutros momentos…

Seja como for, fica o imenso valor que teve como o rosto de campanhas tão especiais como a que fez contra as minas terrestres, como a de apoio na luta contra a AIDS (SIDA) e suporte Às suas vítimas.

Em Abril de 1987, ao se deixar fotografar com uma vítima conhecida por ter SIDA, tocando nela sem qualquer problema, tornou-se a primeira figura pública a fazê-lo, e isto valeu, após a sua morte, em 2001, que Bill Clinton lhe tenha prestado com justiça a devida homenagem. Durante uma palestra intitulada “Diana, Princesa de Gales Palestra sobre SIDA”, Clinton terá dito:

“Em 1987, quando muitos ainda acreditavam que a SIDA poderia ser contraída através do contacto casual, a Princesa Diana sentou-se no leito de um homem com SIDA e deu-lhe a mão. Ela mostrou ao mundo que as pessoas com SIDA não merecem o isolamento social, nem ele é necessário para prevenir coisa alguma, mas merecem sim a compaixão e a bondade. Ela ajudou a mudar a opinião mundial, e deu esperança a pessoas com SIDA, tendo isto contribuído de certa forma para vidas que se salvam, pessoas em risco que não isoladas mas ajudadas, e salvas por isso”.

dianaTeve ainda o mérito, e esta missão humanitária foi já no último ano da sua vida, de numa visita a Angola, em Janeiro de 1997, como voluntária da Cruz Vermelha Internacional, ter ido visitar os sobreviventes de minas terrestres, nos hospitais. Percorreu os projetos de minas em curso pela HALO Trust e acompanhou a educação e a sensibilização para o perigo das minas nas zonas limítrofes. Diana foi fotografada num campo minado, envergando um capacete e um casaco de proteção, que correu o mundo inteiro. Em Agosto do mesmo ano, Diana ainda visitou a Bósnia com o Landmine Survivors Network.

O seu interesse e empenho na questão das minas terrestres teve por foco de ação as lesões graves causadas nas pessoas, e em particular nas crianças, e que perduram muito para além do conflito travado…

Ainda hoje há minas por desativar, por encontrar, por localizar, em solo africano, da guerra colonial, por exemplo… O mesmo se passa em alguns países da Europa. Devido a este seu empenho, ela desbrava caminho e consegue influenciar o Governo do Reino Unido a assinar com outros Governos, o “Tratado de Ottawa”.

A assinatura deste Tratado é o seu maior legado, e realizou-se em Dezembro de 1997, já depois da sua morte precoce, inesperada e trágica. Este Tratado criou a proibição ao nível internacional da utilização de minas anti-pessoais.

Na apresentação da segunda leitura do projeto de lei Minas, já em 1998, Robin Cook, Ministro dos Negócios Estrangeiros inglês, prestar-lhe-ia a justa homenagem, elogiando formalmente o seu trabalho sobre minas terrestres e o seu contributo. Mais tarde, em 2005, a ONU apelou aos países que mais tinham utilizado e colocados minas terrestres, a assinar também eles o Tratado de Ottawa.

Na altura a Diretora da UNICEF salientou que as principais vítimas eram as crianças, que muitos anos após os conflitos, pela curiosidade natural que lhes suscitava, acabavam por ir para os campos e mexer em terras minadas…

Diana teve o mérito da caridade e de se prestar a ações humanitárias de elevado valor, e ser pioneira nas mesmas causas…Essa maravilhosa ação, nunca lhe poderá ser retirada ou negada, nem pela doença, nem pela sua fragilidade, nem por tudo aquilo que não tinha de tão perfeito assim…

O povo, que a amava, também jamais a esquecerá… Foi princesa do povo sim, afetuosa e próxima…

Quando escrevo, e termino o artigo a partilhar convosco isso mesmo, sobre Diana, e penso na vida amargurada e algo instável que teve, juntamente com o papel humilhado a que se sujeitou, permanece em mim uma sensação triste de um imenso vazio…um vazio que vejo por empatia com a sua alma…

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Mas, quando pensamos no seu valor em termos humanos e de dádiva por causas fundamentais, apelando à bondade e à compaixão humana, aplicando todo o seu valor afetivo como mãe extremosa e preocupada que foi, a toda uma Humanidade, em missões de Amor e de elevado conteúdo político, é com enorme alegria que se percebe a parte rica da sua vida… Não a de aristocrata ou princesa, rica materialmente e tão sofrida e vazia e só em quase tudo o resto, mas a de uma grandiosa mulher que finalmente lutou pela Humanidade à sua maneira…e deu muito às grandes Causas Humanitárias, e às pessoas…gestos de afeto e dádiva de uma riqueza imensa…incontornável a beleza desta parte da sua vida, missionária e verdadeiramente nobre…

Em 2004, em Hyde Park, a família Real inaugurou uma fonte em sua homenagem. Atrevo-me a dizer, ou a escrever, com o respeito que me é devido logicamente, que esta fonte nada é. E, no entanto, é um símbolo maravilhoso… símbolo fiel à fonte de vida que Diana conseguiu ter em si a partir de certo momento e ser para o outro, mesmo perante dores imensas e fragilidades pessoais.

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Conseguiu ser uma luz num mundo de imensas trevas e desconhecimento. Terá dado de beber mais do apenas a água, a água da vida, o amor humano, o sorriso, a mão, a bondade e o olhar terno em momentos de grande aflição para o Outro. Quis a vida, traiçoeira, que apenas visse o flash de que fugia, ferida e caída no carro, enquanto não chegava socorro… Talvez já não visse…

Partilhando um detalhe, é verdade que um dos seus perfumes favoritos era o Isis, de Jan Moran. A fragrância criada exclusivamente para ela, foi desenvolvida pelo perfumista William Owen III e combina rosas brancas e violetas, flores da região onde Diana nasceu…

Acredito que, mais do que as fotografias, o glamour inegável de princesa, ou por outro lado, toda a história triste e apelativa de falta de amor, a vida de Diana em amor e compaixão, tudo ultrapassa. E a fragrância perfumada tão bem a lembra e recorda…o rastro de paz…

Os seus feitos foram grandiosos e, por isso mesmo, tornam os outros insignificantes…

Pelo amor e compaixão que espalhou, prefiro acreditar que Diana deixou à sua passagem a fragrância das rosas brancas e das violetas de isis… um odor perfumado, de luz e candura… Uma vela, uma luz, que nunca se extingue…

Bem haja por isso. Uma vida curta mas de um imenso significado.

Uma vida de dor transformada numa dádiva ao Outro, a Alquimia do Amor. Diana conseguiu essa “fórmula mágica”.

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