Direitos Humanos

Dia da Mulher: Porque nascer mulher ainda é nascer desigual

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8 de Marco é Dia Internacional da Mulher e vai continuar a sê-lo enquanto a balança da igualdade continuar a pender mais para o lado dos homens, enquanto mais de 27% das mulheres portuguesas continuarem a sofrer algum tipo de abuso na infância ou enquanto as mulheres europeias receberem menos 16% do que os homens. As mulheres representam 54,1% dos doutorados em Portugal, mas são apenas 45,5% da investigação científica e 44% dos cargos de docência nas universidades (já para não falar da existência de apenas 13,3% de mulheres no Conselho de Reitores). No Dia Internacional da Mulher é comum os homens dizerem algo do género: “querem tanto a igualdade, mas esquecem-se que não existe um Dia Internacional do Homem”. Sejamos honestos: para quê?

Nascer mulher ainda é nascer com um atestado de incapacidade passado por uma sociedade patriarcal governada por homens e para homens quando, segundo dados de 2013, a maioria da população portuguesa é feminina (52,5%). No entanto, as mulheres continuam a ser as mais afectadas com políticas que não têm em conta a igualdade de género. A desigualdade faz parte do nosso quotidiano de forma assustadora. As mulheres são tão capazes de fazer tudo quanto os homens. Algumas de nós podem até não conseguir transportar um balde de 50kg de areia de uma só vez, mas podemos dividir esse balde em duas viagens. Ter filhos e uma carreira de sucesso é conciliável, basta ter o apoio do(a) companheiro(a), tal como acontece quando um homem decide investir na sua vida profissional.

Mas não pode existir um Dia Internacional do Homem enquanto o sexo masculino não perceber que vive, há milhares de anos, a beneficiar da sua superior condição física e de como a imposição da força oprimiu a mulher. Não pode haver um Dia Internacional do Homem porque grande parte do sexo masculino não acredita, (mesmo com a apresentação de dados estatísticos), que a desigualdade de género é real e está entranhada em todos os cantos das sociedades. Não pode existir um Dia Internacional do Homem enquanto os homens não se juntarem aos movimentos feministas para promoverem, não só uma questão de direitos humanos, como também para acelerarem o desenvolvimento pleno de uma sociedade: “bringing together one half of humanity in support of the other half of humanity, for the benefit of all”.

Tendo noção da desigualdade em Portugal e da necessidade urgente em alertar o público masculino para esta questão humanitária, o HeForShe apresenta-se ao país através do ArtsDay, dia 11 de Março, na Casa das Histórias – Museu Paula Rego em Cascais, para alertar consciências e mobilizar a população portuguesa.

A igualdade de género é um tema tabu na sociedade portuguesa, e tal como todos os temas sensíveis em Portugal, ninguém vê, ninguém ouve, ninguém sabe, ninguém fala. Ora eu vejo, eu oiço, eu sei e eu falo. Por mim, por ti, pelas vossas filhas, pelas vossas irmãs, pelas vossas mães, pelas vossas avós. Pelos vossos filhos, irmãos, pais e avós. Porque há quem não possa gritar que basta de balanças desequilibradas. E porque nascer mulher ainda é nascer desigual.

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