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Cordes Out – Reportagem da 2ª Data de Lisboa

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Eram 22 horas em ponto, do dia 14 de Março de 2017, quando as luzes da Sala Manoel de Oliveira no Cinema São Jorge descem e as letras a vermelho, com o título do espetáculo, Cordes Out, desaparecem, dando lugar a um vídeo, com várias fotografias de Rui Sinel de Cordes desde pequeno à actualidade, narrado pelo próprio. Estas retratavam a vida do humorista ao longo do seu percurso pessoal e profissional. Algumas das fotografias mostravam momentos como a sua viagem pela Europa para fazer o “Gente da Minha Terra: Europa”, outras mostravam o início da sua carreira como comediante, nos Alcómicos Anónimos, onde segundo o próprio fez bons amigos, como é o caso do humorista Salvador Martinha.

No fim deste vídeo vemos Rui Sinel de Cordes de mão dada com duas crianças, fazendo todos os presentes na sala rir-se desalmadamente. Não irei por razões óbvias explicar ou divulgar o que era, para não estragar o espetáculo para quem esteja a ler esta crónica. Contudo, posso referir que foi algo bastante original e out of the box, se como presumo for algo que aconteça em todos os espetáculos, vai valer a pena não estragar a surpresa.

Assim que este vídeo acaba, o humorista sai dos bastidores trazendo aquilo que se assemelhou com uma capa branca e usava um colete com a famosa “Union Jack”, a bandeira do Reino Unido, para onde o humorista se prepara para ir, para embarcar numa nova aventura e sobretudo para testar-se num país completamente diferente, para como o próprio refere provar-se a si mesmo que consegue.

Esta foi a segunda de três datas em Lisboa, que o humorista irá fazer com este espetáculo. Tal como o próprio referiu numa entrevista recente a Rui Unas, este espetáculo Cordes Out é algo com conteúdos totalmente novos e inclui também, mais uma vez, a explicação pela qual Sinel de Cordes deixou de usar o seu facebook para “brincar”.

Cordes Out passa por temas actuais, como o cancro, religião, a Síria, os refugiados, temas nacionais de actualidade, temas pessoais de Sinel de Cordes, as redes sociais, os Social Justice Warriors. Algo que mostrou a grande maturidade do humorista neste espetáculo é a inexistência do bashing, ou seja, não houve piadas a gozar com nenhuma figura pública específica. Contudo, existe uma referência a Carlos Cruz, mas que não foi gratuíta. Foi algo dentro de contexto.

Embora não tenha estado presente em nenhum dos espetáculos anteriores, tenho ido recentemente a vários espetáculos de humoristas que aprecio e acompanho. Cada um tem o seu estilo e apesar de ter gostado de todos, acho que este foi o que mais gostei. Não que o espetáculo de Salvador Martinha, que é dos meus humoristas preferidos, não tenha sido bom, porque foi, mas o Cordes Out, teve qualquer coisa que superou, talvez por ser um espetáculo de “despedida” (entre aspas, dado que Sinel de Cordes já afirmou, por várias vezes, que todos os anos irá voltar com um espetáculo novo) e por ser o meu primeiro espetáculo de humor negro, que é o tipo de humor com o qual mais me identifico. Foi uma barrigada de riso que em certas alturas me levou às lágrimas.

Este espetáculo contou com algo novo, segundo o próprio, dado ter tido luzes, máquinas de fumo e vários outros efeitos, que são utilizados durante o espetáculo, nomeadamente na parte em que está a abordar a temática da religião. Ainda na introdução, o humorista dissertou sobre o facto de ser considerado com frequência um humorista de direita, porém, Sinel de Cordes considera-se um humorista liberal.

No final do espetáculo, já depois da parte das piadas, Rui Sinel de Cordes deixa uma mensagem bastante importante e que todos se podem rever nas palavras. Muito resumidamente e mais ou menos por estas palavras explicou que prefere ir agora para Londres, experimentar e ver se consegue do que nunca ter tentado e não saber se era capaz. Prefere que lhe digam que é too soon do que lhe digam que foi too late.

Bilhete autografado por Rui Sinel de Cordes

Já depois de ter terminado a sua segunda data de Cordes Out em Lisboa, o humorista disponibilizou-se para dar autógrafos e tirar fotografias com quem quisesse. Eu fiquei e não me arrependi de poder trocar dois dedos de conversa com um grande humorista que faz aquilo que mais gosta, dizer piadas para uma sala cheia de público que gosta deste estilo.

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