Entrevistas

À conversa com a Assistente Social Carolina Reis

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Caro leitor, hoje apresento-lhe Carolina Reis, 23 anos, nascida a 30 de março de 1994, natural de Lisboa. Terminou a licenciatura em Serviço Social no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, em 2017. Durante o percurso académico fez estágio curricular de 2015 a 2017, no local onde atualmente exerce funções profissionais (no âmbito do atendimento social).

 

O que faz o assistente social dentro do local de trabalho onde exerce a sua profissão? Para ser mais elucidativo, se possível relate um dia de trabalho?

O assistente social, no atendimento social, tem como função assegurar o Acolhimento Social da população residente na área geográfica abrangida, competindo-lhe em especial informar, orientar e acompanhar indivíduos e famílias em situação de grande vulnerabilidade social.

Um dia de trabalho no atendimento social resumido numa palavra é: desafiante. Um dia de trabalho nesta valência é um constante desafio, pelas múltiplas problemáticas com que me deparo diariamente e, pela diversidade de diligências que são necessárias fazer. No atendimento social, um dia de trabalho pode passar por fazer o atendimento a indivíduos e famílias das quais sou gestora de caso, como pode passar por fazer atendimentos de permanências, ou seja, atendimentos de urgência, de que são exemplos casos de violência doméstica, despejo, etc.; como elaborar relatórios sociais solicitados pela CPCJ; como realizar subsídios económicos para diversos fins; realizar visitas domiciliárias; elaborar planos de inserção no âmbito do rendimento social de inserção etc. Concluindo, são dias com uma grande diversidade de tarefas e problemáticas.

No desempenho das suas funções faz intervenção directa ou indirecta? Quais as vantagens e desvantagens que encontra no desempenho dessa função?

No atendimento social, a intervenção realizada é tanto direta, como indireta. A intervenção direta é feita, diariamente, durante os atendimentos sociais. A intervenção indireta é realizada, diariamente, quando se dá resposta às diversas diligências do serviço, como elaborar relatórios, avaliar situações apresentadas em atendimento, etc.

Dentro da população utente com a qual intervêm, quais são as maiores dificuldades que encontra?

Dificuldades económicas.

Qual é o enfoque de necessidades que encontra maioritariamente? Qual a razão dessa/dessas necessidades?

Necessidades de apoio económico para subsistência. A razão dessas necessidades deve-se à baixa escolaridade, que carateriza a situação de muitos indivíduos acompanhados, esta realidade dificulta a integração dos mesmos em mercado de trabalho e, consequentemente, perpetua situações de pobreza e exclusão social.

Ao nível dos serviços, o Serviço Social é uma profissão que está um pouco por toda a parte na sociedade. Dentro desse prisma, qual a opinião que, no seu ponto de vista, a sociedade tem do Assistente Social?

O Serviço social está um pouco por toda a parte na nossa sociedade mas, lamentavelmente, a opinião da sociedade sobre o assistente social é muitas vezes incorreta, por falta de conhecimento da real função de um(a) assistente social.

São várias as pessoas que acreditam que, o assistente social é “aquela pessoa que ajuda os pobres” ou “aquela pessoa que retira crianças”. Estas opiniões infundadas levam, na minha opinião, a um aumento acentuado da desvalorização da nossa classe profissional.

O assistente social promove o desenvolvimento e a mudança social, a coesão social, o empowerment e a promoção da pessoa mas, por vezes, as respostas que oferece aos sujeitos com quem intervêm são limitadas devido ao facto dos recursos da sociedade serem igualmente limitados. Isto acarreta conflitos entre os usuários do serviço e o assistente social e gera opiniões incorretas sobre os profissionais.

Seria importante a criação de uma Ordem Profissional para os Assistentes Sociais? Porquê? 

Sim, na minha opinião a profissão encontra-se desregulada e sem qualquer quadro ético-deontológico. Por isso, sim, existe uma necessidade real de regulação da profissão, representação e defesa da profissão, harmonização de metodologias e procedimentos e autodisciplina profissional.

 

Em nome de toda a equipa do Ideias e Opiniões, endereço os maiores agradecimentos à Assistente Social Carolina Reis pela sua disponibilidade e colaboração.

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