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Cinema Louco dos Anos 90: 5 Grandes Personagens Que Caíram No Esquecimento

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A década de 90 trouxe-nos alguns dos melhores filmes que alguma vez tive o prazer de ver. Desde clássicos como Fight Club e Pulp Fiction, a parvoíces icónicas como Home Alone e The Mask. O cinema dos anos 90 resulta de uma estranha mescla entra a criatividade dos anos 60 e 70 com o poderio blockbuster dos anos 80, resultando num conjunto considerável de grandes produções cinematográficas.

Ao mesmo tempo abria-se o espaço perfeito para o aumento dos filmes independentes (através do crescimento da Miramax e da Lionsgate principalmente), ao mesmo que o poder da Disney veio bem ao de cima, com um domínio incessante na área da animação. Ao mesmo tempo surgiram os charters de performers asiáticos (ai Paulo Futre…) que invadiram o cinema americano, dando origem aos filmes de acção com um perfume mais cómico.

Escusado será dizer que foram imensos os actores e actrizes que construíram a sua carreira durante os últimos 10 anos do século XX. A verdade é que com tanta escolha, alguns grandes papéis desta década acabariam por ficar esquecidos. “Todos” reconhecemos o mérito por detrás destas representações mas por uma razão ou outra, ficaram perdidas algures na loucura dos anos 90.

Sei que alguns destes papéis poderão deixar o seu espírito nostálgico à solta. Poderá experienciar momentos em que só o VHS poderá ser a salvação. Ou então poderá apenas franzir o sobrolho porque a década de 90 já lá vai, e há mais em que pensar! Seja de que forma for, o humilde cronista não se responsabiliza por qualquer passeio esporádico na memory lane dos anos 90. Depois de ler isto garanto que nunca mais vai esquecer estas personagens icónicas do cinema moderno.

Jeffrey Goines (Brad Pitt) – 12 Monkeys (1995)

Que loucura de papel. Se me restava dúvida alguma acerca do carisma e talento do nosso amigo Brad Pitt, bastou-me ver este filme (assim como o Snatch) para ter 100% de certezas. O frenético Jeffrey Goines é uma das personagens mais esquecidas dos anos 90, num filme igualmente desaparecido em combate para muitos dos espectadores.

Interpretando um doente com visões extremistas num mundo destruído por uma epidemia global (coisa pouca), Brad Pitt contracena com yours truly Bruce Willis, num filme psicadélico de Terry Gilliam (quem mais poderia ser?), onde os extraordinários papéis de actores e actrizes tornam os plot-twists ainda mais acutilantes e espectaculares.

Brad Pitt foi nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário (perdendo para Kevin Spacey, pelo seu papel em The Usual Suspects), arrebatando um Globo de Ouro e um Saturn Award em 1996. Talvez ofuscado pelo sucesso de Fight Club e de outros grandes blockbusters, a personagem de Jeffrey Goines caiu no esquecimento, mesmo que tenha sido, na minha modesta opinião, uma das melhores interpretações da década de 90.

Nicholas Van Orton (Michael Douglas) – The Game (1997)

Michael Douglas apresenta-se no seu melhor, num filme que por si só é muitas vezes esquecido, em detrimento de longas-metragens de menor qualidade. A verdade é que este não é um papelão extraordinário de Douglas, mas prima pelo brilhante enredo do filme em si (amen David Fincher). The Game dividiu os críticos mas obteve o apoio de Roger Ebert, por exemplo.

Nesta produção de grande escala, Michael Douglas é Nicholas Van Orton, um banqueiro frio e calculista que por aparente coincidência participa num jogo único e misterioso que o leva a duvidar acerca do que é, ou não, real na sua vida. Para quem viu o filme, é bem visível a evolução de Van Orton ao longo da película, cujo suspense e constante mudança de ritmo ditam como se faz um verdadeiro thriller.

Com isto em mente, The Game não foi a jogo em nenhuma grande cerimónia, deixando o actor natural de New Jersey fora das grandes cerimónias em 1998. Aquela que é a minha personagem favorita de Michael Douglas nunca entrou realmente na memória dos fãs do cinema e eu continuo sem perceber bem porquê…

John Coffey (Michael C. Duncan) – The Green Mile (1999)

Um dos filmes mais aclamados de 1999, The Green Mile conta com um elenco de luxo, encabeçado pelo lançadíssimo (na época) Tom Hanks no papel principal. No entanto, o espectáculo é completamente roubado por Michael Clarke Duncan que na pele de John Coffey (“like the drink, only not spelled the same”) apresenta um papel de uma carreira. E não é que foi mesmo?

O actor norte-americano, que faleceu subitamente em 2012, é corpo e alma de um gigante inesperadamente dócil que embora condenado à morte por assassinar duas crianças, se mostra amedrontado pelo mundo em que vive. Um sinal evidente de que não seria o culpado dos actos cruéis pelos quais estaria prestes a pagar com a sua vida.

Embora o filme tenha agradado ao público geral e críticos, esta interpretação mágica de Michael Clarke Duncan (que lhe valeu uma nomeação para os Óscares) passou despercebida, numa carreira de altos de baixos, mas que ainda tinha muito para dar. Fica o legado deste adorável gigante, considerado por muitos uma das melhores personagens de Stephen King.

Aaron (Edward Norton) – Primal Fear (1996)

A minha preferida do top. Esta estreia de Edward Norton (um daqueles que nunca enganou) não poderia ser melhor. O filme é basicamente a sua personagem (Aaron), cuja inocência se mistura com o som de Canção do Mar de Dulce Pontes. Pode parar de ler este artigo e ir ver o filme. Já terminou?

Se calhar Aaron não é assim tão inocente. Nem ele nem o próprio Edward Norton – pelo menos é isso que o Richard Gere pensa. O actor norte-americano que recentemente participou em Birdman come papéis de cinema como se não houvesse amanhã. Primal Fear é um dos maiores exemplos disso! Uma primeira impressão muito convincente de Norton a todos os níveis, numa personagem tridimensional que molda um thriller que mantém qualquer mente entretida.

À semelhança de Brad Pitt, Edward Norton ganhou um Globo de Ouro e foi nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário. Mas tal foi a fama depois deste sucesso que existem muitas pessoas que olham para Fight Club (ou para American History X) como o primeiro grande papel na carreira de Edward Norton. I beg to differ.

Jim Morrison (Val Kilmer) –  The Doors (1991)

Um amigo meu conveceu-me a escolher esta personagem, e depois de muita pesquisa acabei por perceber porquê. Até nem sou grande fã do Val Kilmer, mas depois de ver Heat, Kiss Kiss Bang Bang e agora The Doors, ganhei-lhe outro respeito. Retratando Jim Morrison, o carismático líder da banda californiana, Kilmer virou actor do método, com uma transformação física e psicológica que o tornou um autêntico clone do falecido vocalista.

Com Oliver Stone na cadeira de realizador, Jim Morrison é interpretado de uma forma assombrosa, com Robby Krieger e Ray Manzarek (dois membros originais da banda) a renderem-se à performance de Val Kilmer. Os olhares, a voz, o espírito. Estão lá todos os ingredientes para ressuscitar o mito de uma geração.

O filme não passou despercebido, com uma aceitação muito positiva por parte dos críticos, algo que infelizmente não foi acompanhado com prémios e nomeações. A verdade é que Jim Morrison e os Doors têm caído igualmente no esquecimento (injustamente, diria), algo que que contribui para a falta de reconhecimento atribuído a este grande papel de Val Kilmer.

Foi uma década de loucos, indeed, com uma chuva de grandes personagens contínua e consistente, numa autêntica explosão de cultura cinematográfica nunca antes vista desde do nascimento da Sétima Arte. Com tanta oferta e com esta qualidade, seria de esperar que algumas ficassem esquecidos pelo caminho. E é para isso que eu cá estou, caro leitor! Toca a ir (re)ver estes filmes (se ainda não terminou o Primal Fear, vá lá ver tudo) que isto está bom para umas maratonas de cinema!

Voltarei em breve com mais conteúdo do bom, provavelmente sobre séries, porque ‘tis the season! Por isso, bem vindos à grande época natalícia, onde o cobertor, a lareira e os doces são sempre bem acompanhados por um bom ecrã. Bons filmes e boas séries!

Hasta La Vista, Baby!

P.S.:Se é fã destas andanças, dê uma olhadela aos meus outros artigos aquiHave fun!

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