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Carta Aberta ao Aníbal

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Olá Aníbal!

O meu nome é Mónica e escrevo-te para te dizer que estou chateada contigo. Não entendo que birra é esta Aníbal. É preciso ter muito mais do que mau feitio para fazer o que fizeste na segunda-feira, dia 25 de Janeiro de 2016.

O Marcelo ganhou as eleições presidenciais, o que significa que a Direita vai continuar a ter alguma influência. Mas negar direitos a seres humanos? Aníbal, quem és tu para ires contra 230 deputados (ou pelo menos mais de metade deles)? “A cavalo dado não se olha a dente”, diz a minha avó. A meu ver não sabes o que isso significa. Não sabes isto e muito mais.

Não sabes o que é não ter família. Não ter quem se preocupe só porque sim. Quem ame só porque sim. Quem se zangue porque ama e se preocupa. Não sabes o que é querer um brinquedo e não poder pedi-lo a uma mãe ou a um pai. Ou a duas mães e a dois pais. Querer comer doces mas não ter uma família que os vá comprar ao supermercado. É querer uns ténis novos porque os velhos já estão gastos, mas ter de esperar pelas doações de pessoas com bom coração. E esperar que nessas doações venham uns ténis com o número certo.

É querer mimos. Amor. Carinho. Um beijinho de boa noite. É ter alguém que nos azucrina a cabeça para estudar mais, para ser melhor. É alguém que não nos deixa beber leite com chocolate à noite porque não jantámos como deve ser. É ter quem se preocupe connosco, quem nos leve ao médico. É ter quem fique acordado noites infinitas para ver se a febre baixa.

Uma família é uma ligação que vai mais além do ADN ou do sangue. Ter uma família é ter alguém que vai lá estar incondicionalmente para sempre. E eu acho que tu não sabes o que é isso. Não podes saber. É impossível saberes.

Não vou citar a Constituição, isso seria falar para uma parede. Não a conheces. Não a respeitas. Não queres saber dela para nada. Peço-te apenas que repenses no que se passou. No teu veto.

Desde ontem, milhares de casais e milhares de crianças viram os seus sonhos destruídos. A família, para mim, é um direito. E o teu dever é dá-la a quem precisa.

Até dia 9 de Março tens tempo de visitar lares e casas de acolhimento. De conhecer histórias de quem precisa de um beijo de boa noite, de duas mães galinhas ou de dois pais para aprender a jogar futebol.

Aníbal, não desiludas mais o país. Eles têm memória curta, mas eu não.

Mónica Canário

P.S.: Esta carta podia ter sido formal. Devia ter sido. Mas tu também devias ter promulgado as leis, e não o fizeste.

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