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Carnaval, Tudo O Que Sempre Quis Saber

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Estarei a escrever para verdadeiros foliões e fãs do Carnaval ou não liga muito a estes festejos?

Eu até gosto do espírito que se gera à volta de tudo o que envolve o Carnaval, mas acredito que isso se deva ao facto de nos últimos anos ter participado sempre com um grupo em que todos nos vestimos de igual ou dentro de um tema que por norma é sempre original e faz sucesso no meio das multidões.

Exemplo da máscara dos Caretos.

Por falar em multidões… é o que vai encontrar nos próximos dias, especialmente se for aos locais onde se vive mais acerrimamente o Carnaval por cá. Falamos principalmente no Carnaval da Madeira, Ovar, Torres Vedras, Alcobaça, Loulé, Sesimbra, Estarreja, Podence e Lazarim. Nestes dois últimos locais, temos o Carnaval mais genuinamente português com os caretos nas ruas (homens que envergam trajes de cores fortes feitos a partir de colchas, máscara na cara e chocalhos à cintura). O alvo preferido deles são mulheres solteiras. Batem-lhes com os chocalhos e dançam em redor delas. Em Lazarim, pertencente a Lamego, temos as famosas máscaras de madeira.

Ainda que tenhamos locais que se destacam, a febre do Entrudo vive-se em todo o lado. Os alunos das escolas saem à rua, carros alegóricos são preparados com muitos meses de antecedência para que fiquem de arregalar o olho e para superar os anos que os antecederam, sempre com uma sátira à política e aos temas internacionais; as escolas de Samba mostram os talentos que as integram e a alegria, folia e confetis de todas as cores enchem as ruas.

Onde costumo ir? Não muito longe, mas passeio-me pelo mítico Carnaval de Torres Vedras e ultimamente temos reservado sempre uma noite para ir até Loures também.

Há figuras que estão sempre presentes e que definem para mim aquilo que é o Carnaval. É cor, é alegria, muita música, matrafonas (homens vestidos de mulher, muitos, demais até, qual será a curiosidade deles?).

Mas falemos um pouco da história de tudo isto. Não se sabe muito, mas posso contar-lhe que para uns, compreendia a terça-feira gorda, dia em que começava a proibição de ingestão de carne pela Igreja, como preparação para a Páscoa. Outros encontram no latim a forma de decifrar a origem do nome: carnelevamen, depois carne, vale (“adeus, carne”). Carnelevamen pode significar igualmente carnis levamen, “prazer da carne” para marcar os dias que antecedem a Páscoa.

Quanto aos festejos, fala-se no culto a Ísis, festas em honra de Dionísio, na Grécia clássica ou festejos romanos. O Renascimento e a Reforma Católica trouxeram uma nova “cara” ao Carnaval e acabou-se com a violência e ousadias públicos que lhe estavam associadas.

O Carnaval em Veneza e Nova Orleães

É um dos mais falados, o Carnaval de Veneza, pela sua elegância. Este Carnaval vive muito de máscaras ricas em adornos e decoradas ao pormenor, que representavam, primeiramente, os criadores do Inferno.

Por outro lado temos o Carnaval de Nova Orleães, no estado americano da Luisiana. É o Carnaval do jazz ou da música cajun, o mais mestiço da América do Norte, fazendo lembrar os festejos da quadra levados a efeito pelos estudantes de artes nas capitais europeias nos anos 20 e 30 do século XX.

O Carnaval no Brasil

O mais vistoso do mundo, todos concordamos certamente, é o do Brasil. Como aquele não há igual.

Mas, Carnaval, dizem alguns, só há um: o do Brasil, e mais concretamente o do Rio de Janeiro. Da marcha Abre Alas de Chiquinha Gonzaga, em 1899, outros géneros foram surgindo: o samba, a marcha-rancho, a batucada e o samba-enredo. A música carnavalesca tornou-se assim um género específico até 1960. Quem não conhece Cidade Maravilhosa (1935) e Mamãe eu Quero (1937), temas que ainda hoje se ouvem nos festejos.

As escolas de samba, sempre com fatos vistosos e ornamentados, são outra marca de identidade do Carnaval carioca. A primeira foi criada em 1928, a “Deixa Falar”, no bairro de Estácio.

O meu Carnaval

Registo fotográfico de um dos carnavais da infância de Margarida Gaspar.

Quando era pequena, tinha a sorte de maior parte das minhas máscaras serem cuidadosamente pensadas ao pormenor pela minha mãe. O meu pai? Encarregava-se de fazer autênticas sessões fotográficas. E não é que a miúda tinha jeito para se deixar fotografar naqueles dias? Agora nem tanto, mas pronto, no Carnaval vale tudo.

De pequena, não me lembro, mas pelas fotografias que temos por cá, fui mascarada de gato, palhaço, joaninha, princesa (claro, todas as meninas têm de se mascarar de princesas um dia), camponesa (com direito a umas belas bochechas vermelhas), morango e tanto mais.

Já em adulta, das máscaras que teve mais sucesso no grupo que costumo integrar com os meus primos e primas foi o Wally e a respetiva esposa, M&M’s (como pode imaginar, nesse ano passámos o tempo todo a ouvir se nos podiam dar uma trinca!!) e os Minions. Também já fomos carochinhas e João Ratão, personagens do jogo “quem é quem?”. Há um membro do grupo que vive o Carnaval com muita garra, e quase que começa a delinear tudo de um ano para outro para que nada falhe, para que estejamos sempre o mais iguais possível.

Este ano? Este ano há algo diferente. Vou assistir a um teatro de revista, produzido por atores amadores de uma aldeia perto do local onde moro e no qual vai participar como artista convidada, nos momentos musicais, a minha mãe. Ficaram curiosos? A peça intitula-se “Carnaval do Caraças”. Venham ver! É em Refugidos e podem assistir do dia 25 a 28 de Fevereiro. Combinado?

 

Espero que tenham também um “Carnaval do Caraças”!

Voltamos a encontrar-nos por entre linhas e sorrisos.
Margarida Gaspar

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