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As 10 Melhores Canções Sobre Chuva

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O tempo cinzento lá fora já o anuncia há muito. Bátegas finas e grossas, em maior ou menor quantidade, passaram a preencher o nosso quotidiano. Chuva, essa água celestial também conhecida por precipitação, vem desde o início dos tempos a inspirar autores das mais variadas formas de arte, tingindo as suas criações ora de melancolia, quietude, tristeza ou euforia – se é verdade que nunca cai da mesma forma, também não atinge as pessoas da mesma maneira.

Nesta que é a minha segunda crónica para o “Ideias e Opiniões”, ainda a gatinhar atabalhoadamente, lanço-me então na escorregadia tarefa de eleger dez canções cujas fundações estão alicerçadas neste fenómeno meteorológico. Venham comigo de gabardinas, galochas e chapéus-de-chuva em riste, porque isto vai indubitavelmente ser uma aventura molhada:

10º- Missy Elliott- “The Rain” (1997) – Hoje parece já uma memória distante, mas a primeira dama do hip hop entrou no circuito há quase duas décadas pela força da precipitação. Apoiada num sumarento sample de “Can’t Stand the Rain”, tema de 1973 da cantora soul Ann Peeble, Missy ‘Misdemeanor’ Elliot começava aqui a aliança criativa com o mestre Timbaland e fazia virar pescoços com uma arrojada estética da qual o saco do lixo insuflado será o melhor exemplo. Nunca o andar à chuva foi tão estiloso.

9º Geri Halliwell- “It’s Raining Men” (2001)- E se em vez das habituais bátegas chovessem homens do céu? Não há explicação para este fenómeno sem precedentes, mas foi uma questão lançada para a cultura pop no ano de 1982 pelas The Weather Girls e que a Ginger Spice recuperou passados vinte anos naquele que é o tema mais bem-sucedido da sua duvidosa carreira a solo. Hino maior da comunidade gay, é a chuva canalizada na sua acepção mais eufórica e carnal.

8º Joni Mitchell- “Rainy Night House” (1970)- Um ano antes da obra-mestra Blue (1971), a cantautora canadiana lançava Ladies of the Canyon, terceiro álbum de estúdio e morada de canções basilares do seu percurso como “Big Yellow Taxi” ou “The Woodstock”. A segunda metade do disco iniciava-se ao som de “Rainy Night House”, delicada composição ao piano envolta em nostalgia e encharcada de memórias de infância, quando a problemática das relações adultas era ainda uma miragem.

7º Travis- Why Does It Always Rain On Me? (1999) – Ah, o brado de desespero perante a chuva impiedosa – é a nuvem cinzenta e ocasionalmente molhada que nos persegue apenas a nós condensada numa canção. Nascida das cinzas do movimento britpop que abanou o Reino Unido na década de 90, “Why Does It Always Rain On Me?” permanece como um dos temas de assinatura da banda escocesa, abrindo caminho para congéneres no milénio seguinte, nomeadamente os Coldplay, Keane e Snow Patrol.

6º Creedence Clearwater Revival- “Have You Ever Seen the Rain?” (1971)- Todos a vimos, é certo, mas num “dia solarengo” como aquele a que faz referência este clássico dos CCR, é bem menos provável. Cartão de visita de Pendulum, o sexto álbum do grupo, é tido como uma metáfora para as bombas que caíam sobre o Vietname na altura ou, simplesmente, uma menção às desavenças que o vocalista John Fogerty travava com os restantes elementos da banda e que ditariam a sua desintegração no ano seguinte.

5º The Carpenters- “Rainy Days and Mondays” (1971) – Todos conhecemos a dura realidade das segundas-feiras chuvosas, dias em que a motivação para sairmos da cama é nula. É um combo desolador que o duo constituído por Karen e Richard Carpenter, aqui ainda no início do seu percurso, descreve às mãos de um melódico objecto pop que há 45 anos marca presença na lista de canções mais deprimentes de todos os tempos.

4º Amanda Marshall- “Let It Rain” (1995)- A chuva enquanto forma de libertação de mágoas e angústias. Regeneradora, e por isso, abençoada. “Let It Rain” marca o compasso de entrada no registo de estreia da cantautora canadiana Amanda Marshall e é apenas um dos vários diamantes em bruto que foi tecendo ao longo da sua breve carreira. Devia e podia ter sido tão mais significante para o panorama musical.

3º Rihanna- “Umbrella” (2007) – Uma das canções mais icónicas da década passada, se não mesmo do milénio, pôs-nos a todos em pleno Verão de 2007 a desejar que caísse uma ocasional chuvinha, só para podermos praticar a dita coreografia com o chapéu de chuva. Da canção que catapultou Rihanna para a estratosfera, permanecem os versos de resiliência e devoção absoluta, o vídeo imaculado e a infalível divisão silábica do dito cujo.

2º Gene Kelly- “Singin’ in the Rain” (1952) – É a mãe de todas as canções sobre a chuva – e a mais pateticamente alegre também. Tremendo monumento sobre o qual se constrói o musical com o mesmo nome, conta com quase noventa anos de história, interpretada que foi por vários nomes ao longo das décadas, mas é a versão – e sobretudo a coreografia – assinada por Gene Kelly que perdura na memória colectiva. Simplesmente maravilhoso.

1º Prince- “Purple Rain” (1984)- Da chuva que irá desabar nas nossas cabeças no dia do juízo final, reza a lenda que é roxa – da combinação do azul e vermelho do céu – pelo menos assim o atesta Vossa Purpureza, Prince. Que melhor maneira, por isso, há para acabar esta contagem do que com a banda sonora para o apocalipse? Extraído do aclamado álbum com o mesmo nome, “Purple Rain” é um testemunho vivo à grandiosidade do músico do Minnesota, oito minutos de um híbrido rock, gospel e soul dolente que perpetuam sempre um imaginário tão tóxico quanto alado.

 

O dilúvio chega assim ao fim, com a certeza de termos sido fustigados de todas as formas e feitios. Convido-vos agora a organizarem também a vossa playlist pessoal, consoante as vossas preferências e estados de espírito para temporais – até porque nos próximos meses, desabamentos celestiais é o que teremos de mais certo nesta vida.

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