Portugal

Ano Novo, Vida Nova?

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Caro leitor, caso não se tenha apercebido 2015 foi dos anos mais estúpidos de que há memória. Por exemplo, se eu quisesse que esta crónica fosse a mais lida de sempre bastava que o título fosse “Carta de uma ex-namorada a um gajo qualquer que morreu, ao seu “eu antigo”, ou até ao canídio que ela viu ser atropelado”. Outra das formas, mas com o mesmo efeito, seria pôr uma fotografia de um caracol em agonia por estar a ser cozido. Temos terrorismo no mundo, fascismo e comunismo, mas realmente não há direito para que os pobres dos caracóis faleçam de forma tão cruel! “Porque afinal de contas, todos os animais têm direitos! E não merecem ser tratados de forma desumana!” – frases como as que se precederam são, infelizmente, demasiado comuns por esta Internet fora, e vêm mostrar um pouco do parvo que foi 2015. Já não discuto a questão taurina, os circos, ou mesmo para os mais fanáticos, os Zoos, mas haja paciência. Não temos o direito de afastar amigos! E o que era feita da Loira Super Sagres sem o seu melhor amigo?

Todos sabemos que o tremoço, bem conhecido amante da ainda mais conhecida loira, não pode preencher aquele vazio. Mais, sendo eles animais, e não humanos, eu preocupo-me ligeiramente mais com a situação do Luaty Beirão, do que com a do Jano – o Caracol mais rápido do Oeste! “Mas isso não tem comparação!” Olhe que tem, repare: quantas manifestações publicas viu sobre o caso Luaty? Pois, mas aposto que foi enfardado por fotografias e textos apelando ao lado humano do cochleolus (sim, é o seu nome em latim).

Mas fomos ainda mais longe, elegendo um deputado do PAN ao parlamento. Nada contra a existência do Partido, nada contra que haja liberdade de voto, muito pelo contrário. Agora, andar a eleger uma pessoa que, cujo programa eleitoral, acresce zero ao debate económico do País, é no mínimo inútil… Parecendo que não, sem ser a crise bancária, a dos refugiados, o problema diplomático com Angola, a questão da Crimeia (que passou a ser a da Ucrânia), o ISIS, e a resposta dos Europeus ao flagelo jihadista, sem dúvida alguma, que faz falta ao debate político os direitos das pulgas e carraças, moscas e mosquitos. Desta forma chego a uma conclusão, o maior problema em Portugal não são os políticos, os economistas, os bancários nem os banqueiros, o maior problema em Portugal são os portugueses.

Todos os dias ouvimos as frases do costume sobre os que nos governam. Que roubam. Que são corruptos. Que as suas mães andaram a prestar serviços de índice corporal elevado a clientes que pagaram por isso. Mas essas mesmas pessoas são aquelas que não pedem faturas, que recebem salários superiores aos que declaram, que pedem favores aos seus amigos que trabalham na função pública e que em altura de eleições ficam em casa. Por um lado, ainda bem. Por outro, quando vierem para a rua reclamar por mundos e fundos, lembrem-se: FORAM VOCÊS QUE FICARAM A COÇAR O ESFINTER EM VEZ DE CONTRIBUIR PARA A SOCIEDADE!

Foi demasiado explicíto que libertei raiva apreendida nesta última frase? Lamento, mas tanto é ladrão o que faz “marosca” para não pagar a conta da água por completo, como aquele que desvia fundos de um banco. Tanto é corrupto o Primeiro Ministro que favoreça o negócio a um amigo, como aquele que tem emprego através de um “tacho”! E é então que surge o único argumento que rebate esta teoria: “mas ele rouba milhões, e eu poupo centenas!” Talvez, mas ele é só um, e a fazer o que o senhor faz, são milhões.

Por tudo isto, ano novo não é vida nova. Por isto tudo, vamos continuar a ter bancos a falir – e tudo indica que o próximo seja o Montepio. A Segurança Social com buracos enormes nos seus cofres. Os refugiados a passar fome e frio. O Luaty a ser um preso político. O Governo envolvido em mais um escândalo de corrupção e os Velhos do Restelo, que por vezes só de mentalidade são M80, a mandar bitaites enquanto jogam à Sueca com os amigos. Porque ano novo, vida nova, só se tudo isto mudar. Ano novo, vida nova se todos mudarmos.

Chamem-me ateu à fé em Portugal, mas duvido. 2016 vai ser mais um ano parvo. Porém, se alguém me dissesse que num ano o Jorge Jesus fosse para o Sporting, os comunistas apoiassem um governo PS, 12 pessoas morressem por fazerem desenhos para um Jornal, que o futebol português se iria valorizar em 1000 milhões de euros, com o Guarda-Redes mais galardoado de sempre vestia à FCP e que iríamos acabar o ano a discutir o buraco orçamental do Banif, eu não acreditaria. Por isso, talvez o décimo sexto ano do vigésimo milénio venha também ele a surpreender.

Os meus votos de um feliz ano novo a todos os que me lêem! Que possamos continuar a escrever o que pensamos, a ler o que queremos e a viver como amamos, até que o corpo nos vença. Mas que nunca ninguém tenha o poder de nos dizer “cala-te!”. Lembrem-se, essa é a nossa maior liberdade!

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