Sociedade

À Praxe: O Adeus que nunca direi

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“Olá Lisboa, pela primeira vez

Lembro-me de ti

Como se fosse um regresso a casa

As ruas escuras à noite

O medo de quem quer voltar”

                                                  Tara Perdida

Não escrevo de negro traçado. Não escrevo de ímpeto armado. Escrevo-vos pelo negro que carrego. Escrevo-vos pelo orgulho que sinto!

Desde já esclareço que isto é algo ao qual me dediquei durante 5 anos, por isso é uma posição que construi, que vivi, que dei a conhecer. Não quero com isto dizer que não aceito quem está contra. No entanto, prefiro guardar o amor que carrego. Quando me disseram que a praxe integra, pouco sabia o que pensar. A verdade é que hoje eu sei que praxe é integração!

Falar da praxe é impreterivelmente sorrir e chorar ao mesmo tempo. São muitas horas de cansaço. São muitas horas no vazio. São muitas horas ao calor. São muitas horas de frio. São muitas horas, minutos e meses que se dedica não a nós, mas a pessoas que merecem o melhor de nós. Seja de pés cansados ou juízo comido, a verdade é que ali estamos por eles; ali estamos por aqueles que sorriem para nós ou nos escutam atentamente à espera de algo novo, a novidade que faz brilhar os olhos. Sabes o que é isto? Lembras-te da primeira vez?

Lembras-te de pisar o chão e seres caloiro? Consegues recordar essa inocência? A fragilidade que carregas para algo novo, mas os dias que te entregas com tudo aquilo que tens e podes dar. Acabas por saber o nome de todos os teus colegas e todos juntos dão as mãos à praxe. Já reparaste? Depois ouvimos dizer que “ser caloiro é o melhor que há”. Sabemos lá nós o que é isso. Depois sim. Agora sim. Quem o negro carrega sabe bem que “caloiro uma vez, caloiro sempre”. Porque agora há um novo peso: a saudade que se vislumbra perto.

Envergas um traje e a responsabilidade cresce. Não é a gravata que mete respeito. Não é a sisudez que reina. Mas aqui as coisas passam a ser vistas de outra forma. Sabes por aquilo que já passaste e só queres dar sempre mais e melhor aos que virão. Mais e melhor aos que te escolhem. Mais e melhor aos que te perguntam as horas com medo de errar o quid praxis (a tua nomenclatura de praxe). Não quer dizer que não tenhas recebido algo excelente, mas há sempre mais e haverá sempre mais!

Ouves ao alto a voz do/a excelentíssimo/a Dux Praxis e parece que tudo passa a fazer um sentido enorme! Juras perante as suas palavras algo em que acreditas e segues de sorriso no rosto a saber que ali “era amor para a vida toda”. Recordas-te?

Os pés começam a doer, a voz começa a falhar, as pernas começam a tremer. Se te perguntarem como estás, dirás que estás feliz ou não? A verdade é aquilo faz parte de nós; aquilo é parte de nós! Baixar os braços não é opção! E um dia disseram-me, “se deres o melhor de ti a mais não és obrigada”. Pois é, mas nunca é o melhor. O sol põe-se, a noite nasce e muitas vezes nós ali estamos.

Carregas um orgulho que não te cabe no peito. A capa pesa. Dói andar nas pedras de calçada. As pessoas olham para ti. Segues…. Segues com a convicção no olhar e bates os pés vezes sem conta para defender algo em que acreditas sem cessar!

Agora pesa a saudade. Começamos a ouvir a voz da despedida. Todos nós sabemos que a vida é feita de ciclos, mas temos sempre a esperança de um dia voltar.

“Sentes que um tempo acabou

Primavera de flor adormecida

Qualquer coisa que não volta que voou

Que foi um rio, um ar, na tua vida”

                                                                              Estudantina Universitária de Coimbra (EUC)

Se um dia me pedirem para olhar para trás, direi sempre que a praxe é o melhor que há porque um dia eu gritei, “juro nunca dizer adeus”. Nunca serei capaz de me despedir. Nunca serei capaz de assumir que é a última hora. Nunca serei capaz de carregar a saudade e deixar a capa ali, caída sobre os sapatos gastos. Nunca serei capaz de virar costas e seguir…. Um dia eu fui da praxe… E serei sempre!

“Capa negra de saudade no momento da partida. Segredos desta cidade levo comigo para a vida.” EUC

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